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TOP 10: OS MELHORES ÁLBUNS DE 1965 A 1969



Por Daniel Benedetti


O Alvorada Sonora publicou as listas de Melhores Álbuns dos anos de 1965 a 1969, escolhidos a partir de nossa Metodologia (explicada aqui). Eis que surgiu a questão: quais seriam os melhores discos daquele período de tempo?

Em uma mera tentativa de responder à pergunta acima, o Alvoradaresolver trazer as 10 maiores pontuações dentro da nossa supracitada metodologia para formarem esta lista. Entretanto, como os anos divergem na quantidade de listas pesquisadas e catalogadas, resolvemos esse problema aplicando a média simples, ou seja, sua pontuação total pela quantidade de listas pesquisadas em cada ano.

Desta forma, as 10 maiores médias formam a lista abaixo. Resgatamos, também, os comentários oferecidos na lista em que o álbum apareceu.


Algumas Curiosidades e Alguns Dados

De 1965 a 1969, foram 5 listas com 10 posições cada, de um total de 50 aparições possíveis, certo? Desta forma, vamos a alguns dados:

Os Beatles lideram, com folga, no número de aparições: 7 álbuns dos caras figuraram nas nossas listas. Os Rolling Stonesaparecem em segundo, com 4 álbuns e a terceira colocação é dividida com The Jimi Hendrix Experience e Bob Dylan, com 3 discos cada.

Um total de 29 artistas/bandas diferentes apareceram nas listas.

Em termos de primeiros lugares, foi uma lavada. Se Bob Dylanliderou a primeira lista, os Beatles ficaram em primeiro em todas as demais, em um tetracampeonato acachapante.


A Lista



1º – THE BEATLES – THE BEATLES (1968)
(Média: 28,46 pontos)

Se eu tenho um álbum favorito dos Beatles, é este. O ‘álbum branco’ é outro trabalho do grupo tido como um dos melhores álbuns de todos os tempos por muita gente boa. Talvez por ser duplo, alguns ouvintes podem taxá-lo de cansativo, mas é justamente neste fato que ele me agrada: a banda passa por diversas sonoridades, executando-as com brilhantismo e extremo bom gosto. Clássicos como “Back in the U.S.S.R.”, “Ob-La-Di, Ob-La-Da”, “Helter Skelter” e “Revolution 1” falam por si mesmas, além do disco conter a melhor faixa dos Beatles (para mim): a espetacular “While My Guitar Gently Weeps”, de Harrison. (Daniel Benedetti)
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2º – THE BEATLES – REVOLVER (1966)
(Média: 28,17 pontos)

Neste álbum, os Beatles tentam soar mais psicodélicos e, sem dúvidas, é um álbum mais adulto da banda quando comparado aos seus antecessores. Os fãs que me perdoem, mas não consigo ver este trabalho como o melhor do ano, muito por conta da terrível “Eleanor Rigby” e de uma das piores coisas que eu já ouvi na vida: “Yellow Submarine”. O lado B não me chama a atenção, com exceção de “I Want to Tell You”, a qual anuncia George Harrison como o grande nome do disco, pois também são dele a ótima “Taxman” e a experimental “Love You To”, com a presença da cítara em uma clara viagem à música indiana. Outra canção memorável é a roqueira “She Said She Said”. (Daniel Benedetti)
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3º – THE BEACH BOYS – PET SOUNDS (1966)
(Média: 27,75 pontos)

Pet Sounds é onipresente em listas de melhores discos de todos os tempos. Mesmo não sendo fã do The Beach Boys, é possível compreender a adoração pelo trabalho. É extremamente sólida e palpável, durante a audição, a preocupação com cada detalhe de cada uma das composições, bem como a atenção para cada milésimo de segundo de sua produção. As características harmonias vocais da banda estão ainda mais caprichadas e tenho a percepção de uma certa triste melancolia na sonoridade. Destaco a clássica “Wouldn’t It Be Nice”, a tocante “Sloop John B”, a atmosférica “I’m Waiting for the Day” e a lindíssima “God Only Knows”. (Daniel Benedetti)
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4º – THE BEATLES – SGT. PEPPER’S LONELY HEARTS CLUB BAND (1967)
(Média: 27,33 pontos)

Se eu não considero este o melhor álbum do ano, ao menos não sou louco o suficiente para denegri-lo. Sgt. Pepper’s é tido como o melhor álbum de todos os tempos por muita gente boa. Fato é que ele é um trabalho inovador, seja pela forma como foi gravado, com o estúdio funcionando como um instrumento adicional, novas técnicas de gravação, além do fato de reforçar o formato LP como mais relevante que os singles. Musicalmente, há faixas impressionantes como “With a Little Help from My Friends”, “Lucy in the Sky with Diamonds”, “A Day in the Life” e a belíssima “Within You Without You”. (Daniel Benedetti)
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5º – THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE – ARE YOU EXPERIENCED (1967)
(Média: 27,25 pontos)

Para mim, não somente o melhor do ano, como um dos melhores de todos os tempos. Penso que o Rock pode ser dividido em antes e depois de Hendrix. Já havia riffs e solos de guitarras antes, mas não com os feeling e talento únicos de Jimi – o grande responsável por transformar a guitarra no símbolo do Rock e tirá-la de uma posição de instrumento de acompanhamento para ser a protagonista do estilo. “Manic Depression”, “Red House”, “Fire” e “Foxy Lady” são exemplos destas afirmações. (Daniel Benedetti)
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6º – THE BEATLES – ABBEY ROAD (1969)
(Média: 27,15 pontos)

A história desse disco é amplamente conhecida. Apesar de ser o penúltimo disco lançado, é o último disco que os Beatles gravaram juntos. Depois do caos que foram as gravações do que viria a ser o Let It Be, George Martin impôs uma condição para as gravações de Abbey Road: que todos se dessem bem no estúdio. E como os Beatles rendiam quando estavam em harmonia! Gosto muito do “lado A” do disco, que traz a abertura com a rocker “Come Together”, além daquela que Frank Sinatra equivocadamente classificou como sendo a “melhor composição de Lennon e McCartney”, “Something” (composição do George Harrison, na verdade), e também o proto-metal de “I Want You (She’s So Heavy)”, mas a “sinfonia” idealizada por Mr. Macca, que encaixou várias músicas inacabadas dele e de John numa sequência que ocupa o “lado B” quase inteiro, é coisa de outro mundo. Primeiro lugar justíssimo. (Marco Néo)
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7º – BOB DYLAN – HIGHWAY 61 REVISITED (1965)
(Média: 27,11 pontos)

Este eu tenho em minha coleção. Facilmente um dos melhores discos de todos os tempos, somente a emblemática “Like A Rolling Stone” já valeria sua presença nesta lista. Mas não é “apenas” isto. Ampliar as possibilidades de sua sonoridade, com o uso de guitarras elétricas, revelou-se mais que um acerto: colocou, definitivamente, o nome de Dylan como um dos gênios da história da música. “Tombstone Blues”, “From a Buick 6”, “Ballad of a Thin Man”, “Highway 61 Revisited” e “Desolation Row” são amostras da supracitada genialidade do músico. (Daniel Benedetti)
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8º – THE VELVET UNDERGROUND & NICO – THE VELVET UNDERGROUND & NICO (1967)
(Média: 26,75 pontos)

Algumas das listas pesquisadas colocaram The Velvet Underground & Nicona primeira posição, basta ver sua boa pontuação, bem próxima das duas primeiras colocações. Quando foi lançado, não fez nenhum barulho, mas foi descoberto anos depois e se tornou uma verdadeira referência para muita gente… mas não para mim. A sonoridade da banda nesta estreia não me atingiu, pelo contrário, proporcionou-me momentos de verdadeiro constrangimento como em “Venus in Furs” e em “Run Run Run”, ambas, no mínimo, pavorosas. Os fãs que me perdoem. (Daniel Benedetti)
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9º – THE BEATLES – RUBBER SOUL (1965)
(Média: 26,33 pontos)

Eu faço parte daquele 1% da população que não gosta de Beatles, que fique bem claro, mas não é por isso que eu não reconheça todos os infinitos méritos da banda. Rubber Soul é o primeiro passo do grupo em se distanciar do chamado iê-iê-iê, a experimentar novas musicalidades e evoluir nas harmonias vocais – as quais se apresentam mais sofisticadas. Ouvi-lo, novamente, depois de tanto tempo, foi até muito melhor que o esperado. “The Word” é horrível e eu continuo odiando “Wait”, mas há faixas bem legais como “Nowhere Man”, “What Goes On” e “In My Life”, embora “Drive My Car” seja, de longe, a minha preferida. (Daniel Benedetti)
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10º – BOB DYLAN – BLONDE ON BLONDE (1966)
(Média: 26,33 pontos)

Este eu tenho em minha coleção. É um dos melhores álbuns que já ouvi, e não tem nenhuma música nem perto de ser mediana. Blonde on Blonde é uma fantástica jornada de Bob Dylan pela música norte-americana, em um disco que preza pelo apuro instrumental e o cuidado com cada detalhe. Destaco todas as faixas, mas cito os Blues fenomenais de “Pledging My Time” e “Leopard-Skin Pill-Box Hat”, o Folk primoroso de “4th Time Around”, o Rock ‘n’ Roll simples e soberbo de “Obviously 5 Believers” e, se não bastassem, a épica “Sad Eyed Lady of the Lowlands”. Álbum espetacular. (Daniel Benedetti)
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PS: Rubber Soul e Blonde on Blonde empataram na média e o critério de desempate foi a posição mais alta do disco em seu respectivo ano.

Exclusivamente roqueira, a lista final conta com 5 álbuns dos Beatles e 2 de Bob Dylan, refletindo o óbvio: são duas das maiores influências da música ocidental a partir da segunda metade do século XX. Outro destaque é a média absurda de pontos para Pet Sounds, consubstanciando-o como  um dos discos mais significativos de todos os tempos.

Agora ficam os convites para que o leitor comente este Top 10 e acompanhe nossa seção de Melhores do Ano, pois a década de 70 vem aí a partir de fevereiro!

ÁLBUNS DE 2019


Por Daniel Benedetti


Em 2019, após 8 anos construindo o Rock: Álbuns Clássicos, fui convidado a colaborar com o site Consultoria do Rock, fato que está sendo uma experiência incrível. Como último post de 2019, para aquele site, fiz uma lista de álbuns preferidos do ano.

Em 2019 também criei este espaço, o Alvorada Sonora, que passará a ser meu foco em 2020 e um site em que pretendo evoluir coletivamente. Nossas colunas retornarão em fevereiro, mas, enquanto isso, alguns posts vão esquentando os motores do site. Então, continue nos seguindo e fiquem ligados que vem muita coisa boa por aí.


Publicado originalmente no site Consultoria do Rock em 28/12/2019.



Embora o nome indique, esta não é uma lista de ‘melhores do ano’, mas sim de preferidos. Neste ano em que estreei nas páginas da Consultoria, foquei minha participação (principalmente no segundo semestre) em trazer álbuns de 2019 que me chamassem a atenção e alguns deles entraram para esta lista. Desta maneira, a lista somente se enfoca no gênero principal a que o site é dedicado, constituindo-se apenas em um convite aos leitores para que conheçam os álbuns.

Rival Sons – Feral Roots
O Rival Sons é, de longe, minha banda ‘nova’ preferida. ‘Nova’ entre aspas, pois eles já estão no 6º álbum de estúdio e sua evolução é permanente. Em Feral Roots, a evidente e manifesta influência do Led Zeppelin continua lá, mas envolta a outras grandes referências musicais, tais como o Soul, o Funk, o Gospel e até o Black Sabbath (ouça os riffs de “Too Bad”). E é neste caldeirão musical que Feral Roots se torna tão divertido e tão contemporâneo. Um discaço!

Tool – Fear Inoculum
Após um hiato de 13 anos, o Tool faz um retorno magistral com seu 5º álbum de estúdio, Fear Inoculum. Neste disco, a banda manda completamente às favas o imediatismo, a pressa e a superficialidade dos tempos atuais, apresentando um trabalho longo, profundo, lento e de absorção não imediata. Com faixas que normalmente ultrapassam os 10 minutos, o grupo mergulha no Progressivo, muitas vezes flertando com o Metal, oferecendo canções que fogem do trivial e abraçam o inesperado. Um disco intrigante e imperdível.

Opeth – In Cauda Venenum
Já fiz um post sobre este álbum aqui, de forma que não é necessário que me alongue demais. Em linhas gerais, o Opeth segue o caminho de abraçar o Rock Progressivo e In Cauda Venenum é uma evolução natural de seus trabalhos recentes. É um disco que merece ser contemplado calmamente, pois o sentir é parte necessária para uma experiência completa. Outro trabalho que merece a atenção do leitor.

Thank You Scientist – Terraformer
Outro álbum sobre o qual escrevi e o texto pode ser conferido aqui. É outro disco com fortes influências de Progressivo, onde outras diversas influências estão confluindo em suas canções – notadamente o Jazz. Melodias cativantes, muito dinamismo e alta competência técnica são convites para este ótimo álbum.

Bruce Springsteen – Western Stars
Com mais de quatro décadas de carreira e um sucesso inegável, chega a ser impressionante como Bruce Springsteen consegue ser consistente e relevante e, em seu 19º álbum de estúdio, continua capaz de comover e impressionar. Arranjos orquestrados ricos e envolventes são componentes essenciais de canções que surgem como páginas em branco para que histórias sejam contadas, muitas das vezes, evocando memórias da cultura hippie dos anos 60. Leve, sutil e emocionante!

Baroness – Gold & Grey
Mais uma das ótimas bandas atuais que segue fazendo trabalhos extremamente surpreendentes. Se em Gold & Grey o grupo não atinge o mesmo patamar do excelente Yellow & Green (2012), ainda assim a qualidade excepcional de suas composições e a imprevisibilidade dos caminhos sonoros escolhidos pelos músicos configuram uma musicalidade inquietante e desafiadora. Cada vez mais Prog e Alternativo – e menos Metal – a banda flerta bastante com o Jazz/Rock e com sonoridades acessíveis e palatáveis. O pecado: uma produção menos crua valorizaria bem mais as faixas e deixaria o ótimo Gold & Grey em uma posição mais alta nesta lista.

Stew – People
People é o álbum de estreia do power trio sueco Stew, e que apenas o conheci graças ao Test Drive do qual participei aqui na Consultoria. E a cada audição, o disco foi subindo no meu conceito. É um Hard Blues Rock repleto de alma, com composições fortes, riffs precisos, muita guitarra distorcida e solos efervescentes. Penso que o lendário Free é uma clara influência do conjunto, em um trabalho que sugere uma banda muito promissora.

Duel – Valley of Shadows
Outro álbum sobre o qual escrevi. Sem me alongar mais, este é o terceiro álbum do Duel, banda com dois ex-integrantes do Scorpion Child. Valley of Shadows traz o grupo fazendo um Stoner Metal contagiante, competente e empolgante. Nesta pegada Heavy/Hard retrô, o Duel se configura como um dos conjuntos mais cativantes devido à qualidade de suas composições.

Frank Carter & The Rattlesnakes – End of Suffering
Mais um trabalho sobre o qual comentei aqui. Em suma, terceiro álbum de estúdio do conjunto, End of Suffering é um disco denso e reflexivo, com uma musicalidade diversificada que abraça o Rock Alternativo, mas com toques efetivos de um Pop triste e melancólico.

Spirit Adrift – Divided by Darkness
Terceiro disco do grupo norte-americano Spirit AdriftDivided by Darkness é um presente para ouvidos fãs de Heavy Metal tradicional – como eu. As guitarras são um grande destaque, especialmente nos riffs contagiantes e pegajosos, em músicas pesadas que jamais abrem mão das melodias. O Metallica é uma referência óbvia e até pitadas de Jazz são presentes neste ótimo álbum.
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OS 50 ANOS DE IN THE COURT OF THE CRIMSON KING



Por Daniel Benedetti


Em 10 de outubro de 1969, há pouco mais de 50 anos, era lançado um dos álbuns mais transformadores da música em todos os tempos: In the Court of the Crimson King, o disco de estreia do King Crimson.

Este artigo não é uma resenha do álbum, menos ainda um faixa a faixa. Se você procura este tipo de abordagem, recomendo, humildemente, o artigo que escrevi AQUI. Neste post, o objetivo é traçar os motivos que fazem esta obra de meio século de idade ainda permanecer com o status de tão importante.

A arte da capa de Barry Godber - um homem meio gritando, narinas dilatadas, olhar fixo em um horror que não podemos ver - provoca uma viagem maníaca e transformadora. In the Court of the Crimson King, marca uma real ruptura na geologia da música rock, refinando um gênero nascente em um pináculo da forma mais progressiva do rock.

Quando foi lançado em 10 de outubro de 1969, o trabalho abalou o mundo da música até seus alicerces. Desde então, além da legião de fãs que descobriram o álbum, quando ele foi lançado pela primeira vez ou nas décadas seguintes que o definiram como uma das gravações seminais da música rock, uma multiplicidade de elogios deixou claro o quão inovador e influente ele é. O disco de cinco músicas e 44 minutos foi e permanece, até hoje, oriundo de um grupo de músicos relativamente desconhecidos (mas já bastante experientes) e que, de alguma forma, conseguiram emergir, totalmente formados e maduros.

O encarte.

A grandiosidade sinfônica do Moody Blues, a produção expansiva de Brian Wilson, os experimentos psicodélicos do Pink Floyd e dos Beatles - esses são alguns dos elementos essenciais do prog. Mas com seu primeiro disco, o King Crimsontransformou essas peças em um monumento, com uma feitiçaria sem qualquer réplica nas cinco décadas seguintes.

A banda uniu essa força coletiva - um híbrido de rock ameaçador, sofisticação clássica, psicodelia pastoral e free-jazz - rápida, e quase instintivamente, guiada pelo que o guitarrista Robert Fripp chamou de "a presença da boa fada".

A formação original do conjunto surgiu das cinzas do Giles, Giles & Fripp, em janeiro de 1969, com o guitarrista Fripp e o baterista Michael Giles entrando em contato com o baixista e vocalista Greg Lake (futuro líder do grupo de rock progressivo Emerson, Lake & Palmer), o tecladista Ian McDonald e o letrista Peter Sinfield.

Robert Fripp

O quinteto se reuniu em um apertado espaço de ensaio no distrito de Hammersmith, em Londres, trabalhando em músicas por três meses antes de sua estreia ao vivo, no Speakeasy club da cidade.

Os primeiros fãs dos sets ao vivo, paradoxalmente incendiários e elegantes do grupo, com iluminação relativamente barata, mas eficaz, do letrista da banda, Pete Sinfield, incluíram membros do The Moody Blues e Yes (incluindo o futuro baterista do grupo, Bill Bruford), o futuro guitarrista do Genesis Steve Hackett, o futuro multi-instrumentista Mel Collins... até o tecladista do Pink Floyd, Richard Wright. John Gaydon, que, ao lado de David Enthoven, rapidamente se tornaria o primeiro gerente do King Crimson, lembra: "Música como essa não existia, realmente".

O conjunto estava lutando no estúdio, não conseguindo progredir durante duas sessões com o produtor do Moody Blues, Tony Clarke. Em uma jogada, igualmente corajosa e absurda (dado o alto perfil de Clarke na época), a banda encerrou a colaboração e produziu seu próprio material: eles se reuniram novamente no estúdio Wessex de Londres, armados com um punhado de músicas.

Ian McDonald

Quando o King Crimson emergiu, o rock progressivo não era um gênero cimentado e definido, agora, por uma série de pedras angulares muito específicas. Isso significava algo totalmente diferente, e incluía muitos grupos que agora seriam considerados qualquer coisa, exceto "rock progressivo".

Como a imagem da capa de Godber, grande parte de sua música foi projetada para provocar e assustar. "É para ser assustador", observa um membro da banda não identificado durante a conversa em estúdio de “Wind Session”, uma faixa bônus recém-mixada na luxuosa reedição do 50º aniversário de Crimson King.

Naquela sobra emitida anteriormente, os músicos produzem os ruídos discordantes de ficção científica que iniciam “21st Century Schizoid Man”, agrupando exalações no que parece ser estática da TV e futuros modems dial-up. Depois de muita discussão cavalheiresca, eles chegam adequadamente a "sons assustadores". O que se segue à introdução arejada de “Schizoid Man” é ainda mais emocionante: sete minutos de riffs de proto-metal nuclear, tambores de jazz e rock, alto saxofone e o grito distorcido de Lake - coroado com as profecias paranóicas de Sinfield, que usou imagens de políticos em chamas e crianças famintas para pesquisar a destruição da Guerra do Vietnã.

Parte traseira da capa

"21st Century Schizoid Man" é uma peça episódica de composição rock, com infusão de jazz, e que também inclui uma passagem longa, complexa e labiríntica, tocada à velocidade da luz por todo o grupo antes de um rápido retorno ao balanço de alta velocidade, levando ao verso final da música e um final caótico e cacofônico, que simplesmente não existia antes no rock.

Simultaneamente, a faixa de abertura de um álbum que finalmente redefiniria o que o rock é – ou qualquer música  poderia ser enganadora, pois, sugerindo algo diferente do que acabaria por se desdobrar nessa gravação estilisticamente expansiva. Em vez de mais energia, exibições inclinadas ao metal de virtuosismo impressionante, In the Court of the Crimson King seguia com uma adorável balada pastoral ("I Talk to the Wind"), apresentando o trabalho de flauta lírica de McDonald, Fripp e suas oitavas em tons quentes, além do canto mais gentilmente expressivo de Lake. Seu baixo, combinado com a criativa e inimitável armadilha do kit de Giles, também demonstrou um grupo tão sutil quanto poderia ser contundente e ginástico.

Mas mesmo essas duas faixas não fornecem uma indicação adequada do que está por vir, mesmo que a soma total de In the Court of the Crimson King evoque uma narrativa surpreendentemente conectada e uma identidade de grupo. "Epitaph" é uma peça mais sombria (e ainda relevante topicamente), combinando tendências sinfônicas com violões encharcados de reverberação e bateria totalmente criativa e distinta, tanto Fripp quanto Giles (para não mencionar Lake e McDonald) informando e inspirando gerações de músicos.

Michael Giles

Outra balada, "Moonchild", é mais melancólica e, após apenas alguns minutos, abre uma passagem de dez minutos improvisada livremente que combina o vibrafone Baldwin Electric Harpsichord de Ian McDonald e o tom novamente quente e inflado pelo jazz de Fripp (mas, desta vez, imbuído de lirismo e de maior angularidade harmônica) com um trabalho responsivo que prenunciaria as explorações de Free-Jazz posteriores do baterista na banda Michael Giles Mad Band.

"The Court of the Crimson King", com seus versos índigos, refrões memoráveis e com o melotron e algumas das prosas mais elegantes de Pete Sinfield, encerra In the Court of the Crimson King com uma coda curiosa, a qual começa com um circo, como o timbre de órgão de tubos, apenas para reiterar o refrão convincente da música, várias vezes, antes de terminar com o caos semelhante ao final de "21st Century Schizoid Man" e, assim, aproximar o álbum.

Bem, por um lado, ao atingir o quinquagésimo aniversário em 10 de outubro de 2019, In the Court of the Crimson King merece algum tipo de comemoração, pois o álbum não apenas abalou o mundo da música, mas representou o início de um grupo (e sua multidão de inovações) que quebrariam e reformariam, em diferentes configurações, muitas vezes o universo musical.

Greg Lake

Em 1969, Lake era o membro mais jovem da banda (21), com Fripp e McDonald 23, Sinfield 25 e Giles, o mais velho, aos 27 anos. Todo mundo trabalhava há algum tempo, embora além de The Cheerful Insanity of Giles, Giles & Fripp, com vendas de 600 unidades em todo o mundo, nenhum deles era particularmente conhecido.

McDonald começou a tocar com Giles, Giles & Fripp, o que levou à formação do King Crimson, com a substituição do baixista Peter Giles (dois anos mais novo que seu irmão baterista) por Lake, cuja principal razão de ser do Crimson era sua habilidade como vocalista, originalmente guitarrista, antes de Fripp lhe oferecer o trabalho como baixista e vocalista do Crimson.

É difícil imaginar que um grupo de músicos com tão pouca experiência mundana na indústria da música possa chegar tão completamente formado, ou que a primeira formação do King Crimson duraria por um período tão curto de tempo - menos de um ano.

King Crimson em 1969

Formada em 68, mas não começando formalmente os ensaios até janeiro de 1969, a estréia da banda foi gravada (após o início falso de junho de 1969 no Morgan Studios) no Wessex Studios, começando no mesmo dia em que os americanos estavam andando na lua e terminando os overdubs e a mixagem no mês seguinte.

Com seus shows ao vivo já criando um grande burburinho, uma competição de gravadoras bastante feroz para lançar In the Court of the Crimson King levou a Island a lançá-lo no Reino Unido e a Atlantic contratou o lançamento na América do Norte, em 10 de outubro de 1969 no Reino Unido, e no início do mês seguinte na América do Norte.

A banda viajou pela América do Norte de 30 de outubro a 14 de dezembro, quando Giles e McDonald deixaram a banda imediatamente depois de perceberem que a estrada não era para eles.

Em seu livro de 1997, Rocking the Classics, o crítico e musicólogo, Edward Macan, observa que, “In the Court of the Crimson Kingpode ser o mais influente álbum de rock progressivo já lançado”.

Foto clássica da formação original

Em um especial das revistas britânicas Q e Mojo, chamado Pink Floyd & The Story of Prog Rock, o álbum ficou em quarto lugar na lista de 40 Cosmic Rock Albums. O disco também foi incluído na lista 50 Albums That Built Prog Rock da revista britânica Classic Rock.

Em 2015, a revista norte-americana Rolling Stone nomeou In the Court of the Crimson King o segundo melhor álbum de rock progressivo de todos os tempos, atrás apenas de The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd.

E assim, a primeira formação do King Crimson formou, gravou, lançou, excursionou e terminou tudo no ano seminal de 1969, ao mesmo tempo em que tantas bandas e discos importantes estavam surgindo.


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TRILHAS DE GAMES



Por André Kaminski, do site Consultoria do Rock

Jogo videogame desde os 5 anos, quando lá no longínquo ano de 1991, ganhei um Phantom System, um dos muitos clones brasileiros do NES de aniversário. No começo, preferia ver meus pais jogando Super Pitfall, Gauntlet e tantos outros. Pouco tempo depois, era eu entrando neste universo do qual, apesar de não jogar tanto quanto antes, ainda acompanho. Tenho a Nintendo ainda como minha empresa favorita e seus jogos e franquias ainda me proporcionando muito prazer.

Depois de adquirir meu gostos musicais ali pelo final da adolescência, fui percebendo o quanto as músicas de diferentes jogos me agradavam e quanta diferença faziam no meu apreciar deles. Composições marcantes, ritmos alucinantes e hipnóticos e mesmo uma técnica incrível por parte de seus compositores, venho humildemente neste site convidado pelo nosso querido amigo Daniel para volta e meia dar algumas contribuições de textos relacionando algumas sugestões de músicas que me marcaram ou discos e trabalhos que se encaixam melhor aqui do que na Consultoria do Rock, ao qual o nosso ilustríssimo Daniel também faz parte e vem contribuindo de maneira brilhante (incluindo o fato de que desde o começo do ano com suas contribuições, tivemos um aumento expressivo nas views do site, ao qual seremos eternamente gratos a ele).


Esta matéria nada mais é do que 5 sugestões de músicas de jogos dos quais aprecio com alguns breves comentários meus em cada um dos vídeos. Fiquem à vontade para opinar e darem também as suas sugestões!

Resident Evil: Code Veronica – A Moment of Relief


A franquia Resident Evil é cheia de músicas marcantes e muitas outras aparecerão em futuras matérias. Esta é uma peça simples de piano, sinos e sintetizador que traz uma paz maravilhosa nas safe rooms de um jogo difícil e que exige bastante do jogador. Não é raro eu estar em um momento tenso e ligar nessa canção para relaxar e sentir um alívio após um dia atarefado de trabalho.


Final Fantasy (franquia) – Preludes


Com tantos jogos, a franquia é recheada de músicas excepcionais vindas do sempre caprichado time de som da Square/Squarenix. Os “preludes” também são uma peça simples de se tocar visto que é basicamente indo pelas teclas da esquerda para direita em um piano indo e voltando. Mas em conjunto com uma melodia linda após tantas idas e voltas, a canção se torna um marco famoso daqueles RPGs fantásticos que cada um dos jogos nos proporcionam e que continua com uma base de fãs gigante e exigente com cada jogo lançado sendo uma espécie de “evento de Copa do Mundo” para eles. Daqui, o meu “prelude” favorito é o de Final Fantasy VI.


Sonic CD – Stardust Speedway Zone



Uma música de uma vibe noturna, com uma pegada de barzinho norte-americano de Las Vegas. Me passa a impressão de estar em uma boate chique cheia de mulheres lindas, drinks deliciosos e uma atmosfera sexy e de diversão. Groovy até dizer chega!


Mega Man X – Storm Eagle Stage



Estava faltando uma pegada mais heavy metal nesta seleção. Há incontáveis guitarristas no youtube fazendo suas versões pesadas para este clássico da franquia que em todos os jogos possuem trilhas marcantes. Fico imaginando se alguma banda pegasse esses riffs e botasse uma letra lá nos anos 80 e 90. Certeza que era sucesso garantido.


Fire Emblem: Three Houses – Chasing Daybreak



Esta é recente e saiu agora em julho de 2019. Fire Emblem é a minha franquia de jogos favorita de todos os tempos e esta música pela sua epicidade e temática de fantasia medieval me fisgou na hora. Ouvi incontáveis vezes e dentro do jogo, te faz imergir dentro de uma atmosfera de combate de rpg medieval perfeito. Fire Emblem sempre caprichou em suas músicas e esta se tornou a minha favorita da série.