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DIZZY GILLESPIE - BIRK'S WORKS (1957)



Birks' Works é um álbum do trompetista Dizzy Gillespie lançado em 1957 pela Verve Records.


John Birks "Dizzy" Gillespie nasceu em 21 de outubro de 1917, em Cheraw, Estado de South Carolina, nos Estados Unidos. Ele foi um trompetista, líder de banda, compositor e cantor de jazz.

Em 1951, Gillespie fundou sua gravadora, a Dee Gee Records; mas o negócio não deu muito certo e ela fechou em 1953.

Em 6 de janeiro de 1953, Dizzy deu uma festa para sua esposa Lorraine, no Snookie's, um clube em Manhattan, onde o bocal de seu trompete foi dobrado para cima, por acidente, mas ele gostou tanto do som que chegou a ter um trompete especial feito a 45 graus, com o mesmo levantado, tornando-se sua marca registrada.

Em 1956, Gillespie organizou uma banda para uma turnê pelo Departamento de Estado no Oriente Médio, que foi extremamente bem recebida internacionalmente e lhe valeu o apelido de ‘o Embaixador do Jazz’.

Durante esse período, Dizzy também continuou a liderar uma grande banda que se apresentava nos Estados Unidos e contava com músicos como Pee Wee Moore e outros. Esta banda gravou um álbum ao vivo, no festival de jazz de Newport, em 1957, que contou com Mary Lou Williams como artista convidada no piano.

Birks' Works é um álbum do trompetista Dizzy Gillespie gravado em 1957 e lançado pelo selo Verve. O álbum original apresentava 10 faixas e foi reeditado como Birks Works: The Verve Big Band Sessions, uma compilação de 2 CDs, com faixas inéditas, e faixas alternativas dos álbuns anteriores de Gillespie (de 1956), Dizzy in Greece e World Statesman.

Com um time de primeiríssima linha seguindo Dizzy, o disco foi gravado em Nova York, em 7 e 8 de abril de 1957.

Dizzy Gillespie
“Jordu”, composta originalmente por Duke Jordan, é um Jazz delicioso, repleto de malícia e criatividade. A autoral “Birk’s Works” traz a alma do estilo, em uma canção absolutamente espetacular, com o talento de Dizzy em tocar as notas mais incríveis para a música ficando evidente. “Umbrella Man” é simples e divertida, enquanto a versão para “Autumn Leaves” é intensa e, ao mesmo tempo, comovente. Outro cover, desta feita para “Tangerine”, encerra o lado A com o trompete de Gillespie em tom de lamento, em uma musicalidade próxima da caribenha.

Uma magnífica versão para o clássico “Over the Rainbow” é tocada com muita emoção, com ótimos vocais de Austin Cromer. O ritmo dançante é presente na entusiasmante “Yo No Quiero Bailar”, com Cromer e Gillespie brilhando. Mais contida e atmosférica, Gillespie continua destruindo no cover de “If You Could See Me Now” e os vocais de Cromer refletem bem o espectro sentimental da música. A pequenina “Left Hand Corner”, especial, é quase uma introdução para “Whisper Not”, a qual encerra o disco com chave de ouro, em um momento totalmente genial do trabalho.

Scott Yanow, do site AllMusic, dá nota máxima ao álbum, descrevendo-o como essencial. Neste mesmo sentido está a referência ao disco no enciclopédico The Penguin Guide to Jazz.

Formação:
Dizzy Gillespie - Trompete, Arranjador
Talib Daawud, Lee Morgan, Ermit V. Perry e Carl Warwick - Trompete
Melba Liston - Trombone, Arranjador
Al Gray, Rod Levitt - Trombone
Ernie Henry, Jimmy Powell - Saxofone Alto
Benny Golson - Saxofone Tenor, Arranjador
Billy Mitchell - Saxofone Tenor
Billy Root - Saxofone Barítono
Wynton Kelly - Piano
Paul West - Baixo
Charlie Persip - Bateria
Austin Cromer - Vocal

Faixas:
01. Jordu (Jordan) - 4:13
02. Birks' Works (Gillespie) - 4:56
03. Umbrella Man (Rose/Stock/Cavanaugh) - 3:02
04. Autumn Leaves (Kosma/Prévert/Mercer) - 3:11
05. Tangerine (Schertzinger/Mercer) - 3:43
06. Over the Rainbow (Arlen/Harburg) - 4:37
07. Yo No Quiero Bailar (Willoughby) - 4:42
08. If You Could See Me Now (Dameron/Sigman) - 3:30
09. Left Hand Corner (Wilkins) - 2:26
10. Whisper Not (Golson/Feather) - 5:17


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NINA SIMONE - I LOVES YOU, PORGY



George Gershwin foi um compositor e pianista norte-americano cujas composições abrangeram gêneros populares e clássicos.


Junto ao seu irmão Ira, George ajudou a criar vários musicais que ficaram muito famosos na cultura norte-americana.

Em 1929, os irmãos George e Ira Gershwin criaram musicais como Show Girl; Girl Crazy, outro musical, foi apresentado em 1930, e introduziu os clássicos “Embraceable You”, interpretada por Ginger Rogers, e “I Got Rhythm”; e o musical Thee I Sing(em 1931), que foi a primeira comédia musical a ganhar o Prêmio Pulitzer de Drama; os vencedores foram George S. Kaufman, Morrie Ryskind e Ira Gershwin.

Sua composição Porgy and Bess foi considerada um outro clássico americano - mesmo que os críticos não conseguissem descobrir como avaliá-la. “Era uma ópera, ou foi simplesmente um ambicioso musical da Broadway?”, rompendo barreiras.

Sendo assim, Porgy and Bess é uma ópera, em inglês, do compositor americano George Gershwin, com um libreto escrito pelo autor DuBose Heyward e o letrista Ira Gershwin. Foi adaptada da peça Porgy, de Dorothy Heyward e Dubyse Heyward, esta, por sua vez, uma adaptação do romance homônimo de DuBose Heyward, de 1925.

Porgy and Bess foi apresentada pela primeira vez em Boston, em 30 de setembro de 1935, antes de se mudar para a Broadway, em Nova York. Ela apresentava um elenco de cantores afro-americanos classicamente treinados - uma escolha artística ousada para a época.

Nina Simone

Depois de sofrer uma recepção pública inicialmente impopular, entretanto, uma produção da Houston Grand Opera, em 1976, ganhou nova popularidade, e é agora uma das óperas mais conhecidas e mais frequentemente reapresentadas.

“I Loves You, Porgy” é uma das canções que compõem o musical, estando presente na 3ª cena do segundo ato.

Nina Simone passou o verão de 1950 na Juilliard School, como aluna de Carl Friedberg, preparando-se para uma audição no Curtis Institute of Music, na Filadélfia. Seu pedido, no entanto, foi negado. Apenas 3 dos 72 candidatos foram aceitos naquele ano, mas como sua família havia se mudado para Filadélfia na expectativa de sua entrada em Curtis, o golpe em suas aspirações foi particularmente pesado. Pelo resto de sua vida, ela suspeitou que seu pedido havia sido negado por causa do preconceito racial.

Desanimada, Nina teve aulas particulares de piano com Vladimir Sokoloff, professor da Curtis, mas nunca conseguiu voltar a se inscrever, pois, na época, o instituto Curtis não aceitava alunos com mais de 21 anos. Ela conseguiu um emprego como assistente de fotógrafo, mas também encontrou trabalho como acompanhante no estúdio vocal de Arlene Smith e ensinou piano em sua casa na Filadélfia.

Para financiar suas aulas particulares, Simone se apresentava no Midtown Bar & Grill, na Pacific Avenue, em Atlantic City, cujo dono insistiu em que ela cantasse e tocasse piano, o que aumentou sua renda para 90 dólares por semana.

Em 1954, ela adotou o nome artístico de ‘Nina Simone’. ‘Nina’, derivada de niña, era um apelido dado a ela por um namorado chamado Chico, e ‘Simone’ foi tirado da atriz francesa Simone Signoret, que ela havia visto no filme de 1952, Casque d'Or.

Sabendo que sua mãe não aprovaria tocar a “Música do Diabo”, ela usou seu novo nome artístico para não ser detectada. A mistura de jazz, blues e música clássica de Simone, em suas apresentações no bar, renderam-lhe uma pequena, mas leal base de fãs.

Em 1958, ela fez amizade e se casou com Don Ross, um cara da classe média que trabalhava como locutor de um parque de diversões, mas rapidamente se arrependeu do casamento.

Tocando em pequenos clubes no mesmo ano, ela gravou “I Loves You, Porgy” (de Porgy and Bess), de George Gershwin, que ela aprendeu com um álbum de Billie Holiday e tocou como um favor para um amigo. Tornou-se seu único sucesso nas 20 melhores da Billboard, nos Estados Unidos, e seu álbum de estréia, Little Girl Blue, logo foi lançado pela Bethlehem Records.


Como afirmado acima, a gravação da música por Nina Simone(presente no álbum de estreia, Little Girl Blue, de 1958) foi um hit pop no outono dos Estados Unidos em 1959. A versão de Simoneatingiria o 18º lugar na Billboard Hot 100 e a 2ª colocação nas paradas de R&B. Uma versão ao vivo é apresentada em seu álbum de 1964, Nina Simone in Concert.

Confira a letra e a canção mais abaixo:

I loves you, Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
And drive me mad
If you can keep me
I wanna stay here with you forever
And I'll be glad

Yes, I loves you, Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
With his hot hands
If you can keep me
I wants to stay here with you forever
I've got my man

I loves you, Porgy
Don't let him take me
Don't let him handle me
And drive me mad
If you can keep me
I wanna stay here with you forever
I've got my man

Someday I know he's coming to call me
He's going to handle me and hold me
So, it' going to be like dying, Porgy
When he calls me
But when he comes I know I'll have to go

I loves you, Porgy
Don't let him take me
Honey, don't let him handle me
and drive me mad
If you can keep me
I wanna stay here with you forever
I've got my man



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THELONIOUS MONK - MONK (1954)



Thelonious Sphere Monk nasceu em 10 de outubro de 1917, em Rocky Mount, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Thelonious Monk seria um dos mais renomados músicos do Jazz em toda a história.

Neste texto, de modo sucinto, vai-se tratar sobre o álbum Monk, menos badalado na obra do pianista, mas igualmente saboroso.

Depois de intermitentes sessões de gravação para a gravadora Blue Note, de 1947 a 1952, Monk esteve sob contrato com a Prestige Records pelos dois anos seguintes. Com a Prestige, ele gravou vários álbuns altamente significativos, mas, na época, pouco reconhecidos, incluindo colaborações com o saxofonista Sonny Rollins e os bateristas Art Blakey e Max Roach.

Em 1954, Monk participou de uma sessão na véspera de Natal, que produziu a maioria dos álbuns Bags' Groove e Miles Davis and the Modern Jazz Giants, ambos de Davis. Em sua autobiografia, Miles Davis afirmou que a alegada raiva e tensão entre os dois não ocorreu e que as alegações de golpes trocados eram ‘rumores’ e um ‘mal-entendido’.

Monkfoi gravado em sessões nos dias 13 de novembro de 1953 e 11 de maio de 1954, com dois quintetos distintos.

As gravações deste álbum apareceram pela primeira vez em dois LPs de 10” distintos: Thelonious Monk Quintet Blows for LP(Prestige PRLP 166) e Thelonious Monk Quintet (Prestige PRLP 180), ambos lançados em 1954. A arte da capa foi feita pelo famoso artista Andy Warhol.

Thelonious Monk

Monktambém foi relançado como Wee See e The Golden Monk.

“We See” abre o disco com o formidável piano de Monk, uma amostra de sua criatividade e talento enquanto compositor, acompanhado pelo ousado trompete de Ray Copeland. “Smoke Gets in Your Eyes” é uma versão para a composição de Otto Harbach e Jerome Kern, com uma sonoridade mais bucólica. Thelonious e o saxofonista Frank Foster fazem jus ao nome da faixa, “Locomotive”, em um verdadeiro trem descarrilhando (no melhor sentido!). A extremamente cativante “Hackensack” encerra o lado 1, com o piano de Monk arrasando.

A lindíssima “Let's Call This” abre o lado 2 e nela é possível apreciar um pouco da magia do saxofone do lendário Sonny Rollins. Para encerrar o trabalho, têm-se as 2 versões para “Think of One”, com atuações empolgantes de Monk, Rollins e Julius Watkins.

Em 1954, Monk fez sua primeira visita a Paris. Além de se apresentar em concertos, ele gravou uma sessão de piano solo para uma rádio francesa (mais tarde editada como um disco pela Disques Vogue).

Nos bastidores, Mary Lou Williams o apresentou à baronesa Pannonica ‘Nica’ de Koenigswarter, membro da família Rothschild e padroeira de vários músicos de jazz na cidade de Nova York. Ela foi uma amiga íntima pelo resto da vida de Monk.

Faixas:

Lado 1
01 - We See (Monk) - 5:16
02 - Smoke Gets in Your Eyes (Harbach/Kern) - 4:34
03 - Locomotive (Monk) - 6:23
04 - Hackensack (Monk) - 5:13

Gravado no Rudy Van Gelder Studio, em Nova Jersey, em 11 de maio de 1954, com a seguinte formação:

Thelonious Monk - Piano
Ray Copeland - Trompete
Frank Foster - Saxofone Tenor
Curly Russell - Baixo
Art Blakey - Bateria

Lado 2
05 - Let's Call This (Monk) - 5:08
06 - Think of One [Take 2] (Monk) - 5:47
07 - Think of One [Take 1] (Monk) - 5:37

Gravado em Nova York, em 13 de novembro de 1953, com a seguinte formação:

Thelonious Monk – Piano
Julius Watkins - Trompa Francesa
Sonny Rollins - Saxofone Tenor
Percy Heath - Baixo
Willie Jones - Bateria