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MEGADETH - SO FAR, SO GOOD... SO WHAT! (1988)


So Far, So Good... So What! é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana Megadeth. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de janeiro de 1988, através do selo Capitol Records. As gravações ocorreram durante o ano anterior no estúdio Music Grinder, em Los Angeles, na Califórnia. A produção ficou a cargo de Paul Lani e do próprio Dave Mustaine.


Um dos grandes nomes do movimento Thrash Metal norte-americano e do Heavy Metal em geral, o Megadeth, retorna ao Blog depois de muito tempo. Primeiramente, como de costume, abordar-se-á os fatos que antecederam ao lançamento do álbum para depois se comentar sobre suas faixas.

Em setembro de 1986, o Megadeth lançava seu segundo álbum de estúdio, o aclamado Peace Sells... but Who's Buying?

O disco fez barulho, chegando a alcançar a 76ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, a Billboard.

Além disso, o álbum foi notadamente destacado por seu conteúdo lírico político, auxiliando a expandir a base de fãs do Megadeth. Também, sua faixa-título foi o single principal do trabalho, acompanhada por um videoclipe da música que recebeu regular divulgação na MTV dos Estados Unidos.

Já em fevereiro de 1987, o Megadeth foi a banda de abertura na turnê “Constrictor Tour”, de Alice Cooper, e no mês seguinte o grupo começou sua primeira turnê mundial como atração principal no Reino Unido. A turnê, de 72 semanas, foi apoiada pelas bandas Overkill e Necros, e continuou nos Estados Unidos.

Durante a turnê, o líder, vocalista e guitarrista Dave Mustaine e o baixista David Ellefson consideraram demitir o baterista, Gar Samuelson, por conta de seu severo abuso de drogas.

Dave Mustaine
De acordo com Mustaine, Samuelson tornou-se uma pessoa difícil de se lidar quando estava 'intoxicado'. O baterista Chuck Behler viajou com o Megadeth para as últimas datas da turnê, pois os outros membros da banda temiam que Samuelson não fosse capaz de terminar a tour.

Se não bastassem os problemas com o baterista Samuelson, o guitarrista Chris Poland, ocasionalmente, brigou com Dave Mustaine, e, posteriormente, foi acusado de furtar e vender equipamentos da banda para comprar heroína!

Como resultado, Samuelson e Poland foram “convidados a deixar” o Megadeth em 1987.

Naquele mesmo ano, Jeff Loomis, da banda Sanctuary, então com 16 anos de idade, fez um teste para o grupo. Mustaine elogiou o talento de Loomis, mas o considerou demasiado jovem para se juntar ao conjunto.

Poland foi inicialmente substituído por Jay Reynolds, do Malice, mas quando o grupo começou a trabalhar em seu próximo álbum, Reynolds foi substituído por seu próprio professor de guitarra, Jeff Young, enquanto o Megadeth completava seis semanas de gravação do seu terceiro álbum de estúdio.

Com um orçamento grande da gravadora, So Far, So Good ... So What! levou mais de cinco meses para ser gravado. O álbum foi atormentado com problemas durante sua produção, em boa parte, devido à luta de Mustaine com sua dependência em drogas.

David Ellefson
Mustaine disse mais tarde: "A produção de So Far, So Good ... So What foi horrível, principalmente devido a substâncias e às prioridades que tinha ou não naquele momento!".

Além disso, Mustaine entrou em confronto com o produtor Paul Lani, em várias ocasiões, começando com a insistência de Lani sobre que a bateria deveria ser gravada separadamente dos címbalos, em um inédito processo para bateristas de rock.

Mustaine e Lani se afastaram durante a mixagem do álbum, com o produtor sendo substituído por Michael Wagener, que acabou remixando o disco.

Vamos às faixas:

INTO THE LUNGS OF HELL

Com um riff memorável como base, "Into The Lungs Of Hell" é uma faixa instrumental que transborda o melhor do Thrash Metal por todos os poros. Solos de guitarra bem trabalhados, ritmo e intensidade absurdos e muito feeling. Genial.



SET THE WORLD AFIRE

Um riff infernal anuncia a segunda faixa do álbum, "Set The World Afire". Obviamente, o Thrash Metal é a base da canção a qual conta com um ritmo acentuado e grande intensidade. Após a grande introdução, o grupo opta por um andamento um pouco mais cadenciado, mas o peso é uma presença constante. Alternando entre andamentos mais lentos e outros mais rápidos, o ouvinte está diante de uma bela peça característica da Bay Area.

A letra menciona um desastre nuclear:

Dig deep the piles of rubble and ruins
Towering overhead both far and wide
There's unknown tools of World War III
Einstein said "We'll use rocks on the other side"
No survivors!

“Set The World Afire” foi a primeira música que Dave Mustaine escreveu após ser demitido do Metallica. Ele teria escrito sua letra durante a viagem de volta para sua casa na Califórnia. A canção estava previamente nominada 'Megadeath', mas Mustaine preferiu usar o nome para sua banda, com a exclusão do 'a' de Death.



ANARCHY IN THE U.K.

Com a urgência que o Punk Rock pede, o Megadeth fez uma competente versão para "Anarchy In The UK". Simples, rápida e com um bom solo de guitarra após o primeiro minuto.

A letra é uma apologia à anarquia:

Of many ways to get what you want
I use the best, I use the rest
I use the enemy
I use anarchy


Trata-se de um cover de uma música originalmente gravada pela lendária banda punk Sex Pistols. As letras foram, de maneira bem sutil, modificadas, mas por engano, pois, segundo Mustaine, ele as teria ouvido de modo errado.

Logo se tornou um clássico dos shows do Megadeth, embora muito rapidamente também tenha sido excluída do set list da banda, por seu conteúdo anti-cristão, após a conversão religiosa de Mustaine.

Lançada como single, atingiu a 45ª posição da parada britânica desta natureza. Conta com a participação de Steve Jones, do Sex Pistols, tocando o segundo solo de guitarra.



MARY JANE

Já em "Mary Jane", desde seu início o Megadeth bebe na fonte do Heavy Metal tradicional, com um pouco menos de velocidade, apostando em um andamento mais lento, embora o peso seja muito impactante. A partir do terceiro minuto, a trilha Thrash passa a ser dominante e, deste modo, a faixa ganha em ritmo e intensidade. Ponto alto do trabalho.

A letra fala sobre magia e sacrifício:

From the earth, up through the trees
I can hear her calling me
Her voice rides on the breeze
Oh, it's haunting me


Lançada como single, atingiu a 46ª posição da parada britânica desta natureza.




502

Em "502", o grupo aposta em uma faixa mais curta e direta, indo sem rodeios ao ponto. O riff principal da música é bom e criativo. No meio da canção há uma vinheta de acidente automobilístico que anuncia um inspirado solo de guitarra.

A letra fala sobre automóveis:

Pull over, shithead, this is the cops
Full tank, pockets lined with cash
Full throttle, gonna rip some ass
Drive all day, and through the night,
Romance the road, winding left and right
The stars above guide me, the moonlight is free
A feeling inside me, and the whole world to see





IN MY DARKEST HOUR

Com uma introdução bastante criativa e inspirada, um dos grandes clássicos do Megadeth é originado: "In My Darkest Hour". O ritmo é mais cadenciado e o peso é absurdo, muito graças a um riff magistral criado por Dave Mustaine. Aliás, o vocalista faz um ótimo papel também na interpretação da letra, passando toda a angústia que o conteúdo lírico transmite. Da metade para a frente, o Thrash Metal domina, com solos de guitarra incríveis. Faixa espetacular!

A letra é angustiante e sobre solidão:

I walk, I walk alone
Into the promised land
There's a better place for me
But it's far, far away

Com o passar do tempo, “In My Darkest Hour” se tornou um grande clássico da discografia do Megadeth.

Lançada como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.

Embora sua letra não mencione o fato, a inspiração para “In My Darkest Hour”, segundo Dave Mustaine, teria sido a notícia sobre a morte do baixista do Metallica, Cliff Burton, seu ex-companheiro de banda.



LIAR

"Liar" começa com outro riff muito inspirado por parte da banda. A música é curta, com pouco mais de 3 minutos, e o Thrash Metal é a base. O ritmo é bastante veloz, com as guitarras fazendo um trabalho bem interessante.

A letra é um grande insulto:

Look deep in the mirror, look deep into its eyes
Your face is replaced, a creature you despise
I know what you're made of, it ain't much I'm afraid
I know you'll be lying until you dying day

Lançada como single, não causou maior barulho nas paradas de sucesso. A letra de “Liar” é direcionada ao guitarrista Chris Poland, demitido da banda em 1987.



HOOK IN MOUTH

A oitava - e última - música de So Far, So Good... So What! é "Hook In Mouth". Contando com um dos melhores riffs criados por Mustaine, um dos clássicos do Megadeth encerra o álbum com louvor. O andamento é veloz e o peso está na dose certa. Além disso, os vocais mais agressivos de Dave se casam perfeitamente com a proposta da canção. Sensacional!

A letra é uma mensagem de fúria:

You say you've got the answers, well who asked you anyway?
Ever think maybe it was meant to be this way?
Don't try to fool us, we know the worst is yet to come
I believe my kingdom will come




“Hook in Mouth” é outra canção que se tornou clássica na história do Megadeth.

Lançada como single, também não conseguiu ser bem-sucedida nas paradas de sucesso.

A letra de “Hook In Mouth” é uma crítica ao Parents Music Resource Center, ou PMRC, um comitê formado em 1985 com o objetivo declarado de aumentar o controle dos pais sobre o acesso das crianças à música com conteúdo considerado violento, sobre uso de drogas ou de caráter sexual, através da rotulagem de álbuns com um adesivo com a inscrição Parental Advisory.



Considerações Finais

So Far, So Good... So What! foi o lançamento de maior impacto, até então, para o Megadeth. Ao menos em termos de paradas de sucesso.

O álbum atingiu a boa 18ª colocação na principal parada britânica de discos, conquistando a 28ª posição na correspondente norte-americana.

Ao tempo de seu lançamento, a crítica especializada recebeu positivamente o disco. Holger Stratmann, da revista Rock Hard, chamou o álbum de a nova obra de arte do Megadeth. Jim Farber, da Rolling Stone, afirmou que a banda estava indo diretamente ao topo da cena Thrash americana. Também o crítico Robert Christgau revisou positivamente o trabalho.

Entretanto, revisões retrospectivas do disco tendem a serem mais críticas e pesadas, como as de Steve Huey, do AllMusic, e de Mike Stagno, do Sputinkmusic.

A turnê que se seguiu ao lançamento do álbum foi a primeira a apresentar os novos membros da banda, Chuck Behler e Jeff Young. O baixista David Ellefson disse que os membros anteriores, Gar Samuelson e Chris Poland, estavam cansados de ficarem constantemente na estrada e suas saídas foram inevitáveis.

No entanto, alguns problemas ocorreram durante a etapa australiana da turnê. A banda foi forçada a cancelar alguns desses shows por causa de problemas com drogas.

Mustaine afirmou que o grupo voltou para casa porque o novo guitarrista Young estava obcecado por heroína. Young negou, afirmando que era Mustaine quem queria voltar para Los Angeles e buscar a reabilitação.

O resultado foi que ambos, Young e Behler, foram demitidos imediatamente após a final da turnê, em agosto de 1988.

So Far, So Good... So What! ultrapassa a casa de 1 milhão de cópias vendidas.



Formação:
Dave Mustaine - Vocais, Guitarra, Guitarra Acústica
David Ellefson - Baixo, Backing Vocals
Jeff Young - Guitarra, Guitarra Acústica
Chuck Behler - Bateria, Percussão
Músicos Adicionais:
Steve Jones (do Sex Pistols) - solo de guitarra em "Anarchy in the UK".

Faixas:
01. Into the Lungs of Hell (Mustaine) - 3:29
02. Set the World Afire (Mustaine) - 5:48
03. Anarchy in the U.K. (Rotten/Jones/Matlock/Cook) - 3:00
04. Mary Jane (Mustaine/Ellefson) - 4:25
05. 502 (Mustaine) - 3:28
06. In My Darkest Hour (Mustaine/Ellefson) - 6:16
07. Liar (Mustaine/Ellefson) - 3:20
08. Hook in Mouth (Mustaine/Ellefson) – 4:40

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: https://letras.mus.br/megadeth/

Opinião do Blog:
Espremido entre os clássicos 'Peace Sells' (1986) e Rust in Peace (1990), So Far, So Good... So What! tende a ser visto como uma obra menor na discografia do Megadeth. Mas o Blog pensa diferente.

É claro que o álbum em questão pode ser considerado um degrau abaixo dos supracitados discos do grupo, mas está longe de ser apenas mais um. No fim da década de 80 e início dos anos 90, o Megadeth era uma das mais criativas bandas do estilo Heavy Metal.

Muito disso graças à criatividade do seu líder e principal compositor, Dave Mustaine. O excelente guitarrista transbordava inspiração em composições que mesclavam o Heavy Metal com a vertente Thrash Metal, criando canções que iam de encontro ao gosto dos fãs do estilo.

Entre riffs criativos e solos que transbordam feeling, Mustaine é a grande estrela do álbum. Mesmo não sendo um grande vocalista, Dave é um cara inteligente e usa sua voz de maneira eficiente e que combina perfeitamente com a sonoridade do grupo. Além disto, imprime uma interpretação exata para o conteúdo lírico do trabalho.

Entre os pontos negativos para o disco estão a produção, a qual deixa um pouco a desejar e a presença de um cover. Nada contra a boa versão para "Anarchy in the UK", mas quem conhece o Blog sabe que se prefere composições originais sempre.

"Mary Jane" possui a mescla perfeita entre o Heavy Metal tradicional e o Thrash Metal, encantando o ouvinte que aprecie esta fusão realizada de maneira criativa. Já a furiosa "Liar" é uma música com a cara do Thrash Metal da Bay Area. Bem como a clássica "Hook In Mouth", uma faixa que representa muito bem o Megadeth.

Além disto está presente uma das melhores composições de toda a discografia do Megadeth, "In My Darkest Hour", uma música espetacular, amostra do poder e magnitude que o Heavy Metal pode possuir. Um espetáculo.

Enfim, o Megadeth sempre foi uma das bandas preferidas do blogueiro, especialmente no que tange aos seus primeiros álbuns. Embora So Far, Good... So What! não esteja no nível estratosférico de um Rust in Peace, simultaneamente, está muito longe de ser apenas mais um disco. É um trabalho de alta qualidade, obrigatório para fãs de Thrash Metal norte-americano e extremamente recomendado pelo Blog!

MEGADETH - SO FAR, SO GOOD... SO WHAT! (1988)






So
Far, So Good... So What! é o terceiro álbum de estúdio da banda
norte-americana Megadeth. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de
janeiro de 1988, através do selo Capitol Records. As gravações
ocorreram durante o ano anterior no estúdio Music Grinder, em Los
Angeles, na Califórnia. A produção ficou a cargo de Paul Lani e do
próprio Dave Mustaine.










Um
dos grandes nomes do movimento Thrash Metal norte-americano e do
Heavy Metal em geral, o Megadeth, retorna ao Blog depois de muito
tempo. Primeiramente, como de costume, abordar-se-á os fatos que
antecederam ao lançamento do álbum para depois se comentar sobre
suas faixas.





Em
setembro de 1986, o Megadeth lançava seu segundo álbum de estúdio,
o aclamado Peace Sells... but Who's Buying?





O
disco fez barulho, chegando a alcançar a 76ª posição da principal
parada norte-americana de álbuns, a Billboard.





Além
disso, o álbum foi notadamente destacado por seu conteúdo lírico
político, auxiliando a expandir a base de fãs do Megadeth. Também,
sua faixa-título foi o single principal do trabalho, acompanhada por
um videoclipe da música que recebeu regular divulgação na MTV dos
Estados Unidos.





Já
em fevereiro de 1987, o Megadeth foi a banda de abertura na turnê
“Constrictor Tour”, de Alice Cooper, e no mês seguinte o grupo
começou sua primeira turnê mundial como atração principal no
Reino Unido. A turnê, de 72 semanas, foi apoiada pelas bandas
Overkill e Necros, e continuou nos Estados Unidos.





Durante
a turnê, o líder, vocalista e guitarrista Dave Mustaine e o
baixista David Ellefson consideraram demitir o baterista, Gar
Samuelson, por conta de seu severo abuso de drogas.







Dave Mustaine


De
acordo com Mustaine, Samuelson tornou-se uma pessoa difícil de se
lidar quando estava 'intoxicado'. O baterista Chuck Behler viajou com
o Megadeth para as últimas datas da turnê, pois os outros membros
da banda temiam que Samuelson não fosse capaz de terminar a tour.





Se
não bastassem os problemas com o baterista Samuelson, o guitarrista
Chris Poland, ocasionalmente, brigou com Dave Mustaine, e,
posteriormente, foi acusado de furtar e vender equipamentos da banda
para comprar heroína!





Como
resultado, Samuelson e Poland foram “convidados a deixar” o
Megadeth em 1987.





Naquele
mesmo ano, Jeff Loomis, da banda Sanctuary, então com 16 anos de
idade, fez um teste para o grupo. Mustaine elogiou o talento de
Loomis, mas o considerou demasiado jovem para se juntar ao conjunto.





Poland
foi inicialmente substituído por Jay Reynolds, do Malice, mas quando
o grupo começou a trabalhar em seu próximo álbum, Reynolds foi
substituído por seu próprio professor de guitarra, Jeff Young,
enquanto o Megadeth completava seis semanas de gravação do seu
terceiro álbum de estúdio.





Com
um orçamento grande da gravadora, So Far, So Good ... So What! levou
mais de cinco meses para ser gravado. O álbum foi atormentado com
problemas durante sua produção, em boa parte, devido à luta de
Mustaine com sua dependência em drogas.







David Ellefson


Mustaine
disse mais tarde: "A produção de So Far, So Good ... So What
foi horrível, principalmente devido a substâncias e às prioridades
que tinha ou não naquele momento!".





Além
disso, Mustaine entrou em confronto com o produtor Paul Lani, em
várias ocasiões, começando com a insistência de Lani sobre que a
bateria deveria ser gravada separadamente dos címbalos, em um
inédito processo para bateristas de rock.





Mustaine
e Lani se afastaram durante a mixagem do álbum, com o produtor sendo
substituído por Michael Wagener, que acabou remixando o disco.





Vamos
às faixas:





INTO
THE LUNGS OF HELL





Com um riff memorável como base, "Into The Lungs Of Hell" é uma faixa instrumental que transborda o melhor do Thrash Metal por todos os poros. Solos de guitarra bem trabalhados, ritmo e intensidade absurdos e muito feeling. Genial.











SET
THE WORLD AFIRE





Um riff infernal anuncia a segunda faixa do álbum, "Set The World Afire". Obviamente, o Thrash Metal é a base da canção a qual conta com um ritmo acentuado e grande intensidade. Após a grande introdução, o grupo opta por um andamento um pouco mais cadenciado, mas o peso é uma presença constante. Alternando entre andamentos mais lentos e outros mais rápidos, o ouvinte está diante de uma bela peça característica da Bay Area.





A
letra menciona um desastre nuclear:





Dig
deep the piles of rubble and ruins
Towering overhead both far and
wide
There's unknown tools of World War III
Einstein said
"We'll use rocks on the other side"
No survivors!





“Set
The World Afire” foi a primeira música que Dave Mustaine escreveu
após ser demitido do Metallica. Ele teria escrito sua letra durante
a viagem de volta para sua casa na Califórnia. A canção estava
previamente nominada 'Megadeath', mas Mustaine preferiu usar o nome
para sua banda, com a exclusão do 'a' de Death.











ANARCHY
IN THE U.K.





Com a urgência que o Punk Rock pede, o Megadeth fez uma competente versão para "Anarchy In The UK". Simples, rápida e com um bom solo de guitarra após o primeiro minuto.





A
letra é uma apologia à anarquia:





Of
many ways to get what you want
I use the best, I use the rest
I
use the enemy
I use anarchy










Trata-se
de um cover de uma música originalmente gravada pela lendária banda
punk Sex Pistols. As letras foram, de maneira bem sutil, modificadas,
mas por engano, pois, segundo Mustaine, ele as teria ouvido de modo
errado.





Logo
se tornou um clássico dos shows do Megadeth, embora muito
rapidamente também tenha sido excluída do set list da banda, por
seu conteúdo anti-cristão, após a conversão religiosa de
Mustaine.





Lançada
como single, atingiu a 45ª posição da parada britânica desta
natureza. Conta com a participação de Steve Jones, do Sex Pistols,
tocando o segundo solo de guitarra.











MARY
JANE





Já em "Mary Jane", desde seu início o Megadeth bebe na fonte do Heavy Metal tradicional, com um pouco menos de velocidade, apostando em um andamento mais lento, embora o peso seja muito impactante. A partir do terceiro minuto, a trilha Thrash passa a ser dominante e, deste modo, a faixa ganha em ritmo e intensidade. Ponto alto do trabalho.





A
letra fala sobre magia e sacrifício:





From
the earth, up through the trees
I can hear her calling me
Her
voice rides on the breeze
Oh, it's haunting me










Lançada
como single, atingiu a 46ª posição da parada britânica desta
natureza.














502





Em "502", o grupo aposta em uma faixa mais curta e direta, indo sem rodeios ao ponto. O riff principal da música é bom e criativo. No meio da canção há uma vinheta de acidente automobilístico que anuncia um inspirado solo de guitarra.





A
letra fala sobre automóveis:





Pull
over, shithead, this is the cops
Full tank, pockets lined with
cash
Full throttle, gonna rip some ass
Drive all day, and
through the night,
Romance the road, winding left and right
The
stars above guide me, the moonlight is free
A feeling inside me,
and the whole world to see














IN
MY DARKEST HOUR





Com uma introdução bastante criativa e inspirada, um dos grandes clássicos do Megadeth é originado: "In My Darkest Hour". O ritmo é mais cadenciado e o peso é absurdo, muito graças a um riff magistral criado por Dave Mustaine. Aliás, o vocalista faz um ótimo papel também na interpretação da letra, passando toda a angústia que o conteúdo lírico transmite. Da metade para a frente, o Thrash Metal domina, com solos de guitarra incríveis. Faixa espetacular!





A
letra é angustiante e sobre solidão:





I
walk, I walk alone
Into the promised land
There's a better
place for me
But it's far, far away





Com
o passar do tempo, “In My Darkest Hour” se tornou um grande
clássico da discografia do Megadeth.





Lançada
como single, não obteve maior repercussão em termos de paradas de
sucesso.





Embora
sua letra não mencione o fato, a inspiração para “In My Darkest
Hour”, segundo Dave Mustaine, teria sido a notícia sobre a morte
do baixista do Metallica, Cliff Burton, seu ex-companheiro de banda.











LIAR





"Liar" começa com outro riff muito inspirado por parte da banda. A música é curta, com pouco mais de 3 minutos, e o Thrash Metal é a base. O ritmo é bastante veloz, com as guitarras fazendo um trabalho bem interessante.





A
letra é um grande insulto:





Look
deep in the mirror, look deep into its eyes
Your face is replaced,
a creature you despise
I know what you're made of, it ain't much
I'm afraid
I know you'll be lying until you dying day





Lançada
como single, não causou maior barulho nas paradas de sucesso. A
letra de “Liar” é direcionada ao guitarrista Chris Poland,
demitido da banda em 1987.











HOOK
IN MOUTH





A oitava - e última - música de So Far, So Good... So What! é "Hook In Mouth". Contando com um dos melhores riffs criados por Mustaine, um dos clássicos do Megadeth encerra o álbum com louvor. O andamento é veloz e o peso está na dose certa. Além disso, os vocais mais agressivos de Dave se casam perfeitamente com a proposta da canção. Sensacional!





A
letra é uma mensagem de fúria:





You
say you've got the answers, well who asked you anyway?
Ever think
maybe it was meant to be this way?
Don't try to fool us, we know
the worst is yet to come
I believe my kingdom will come











“Hook
in Mouth” é outra canção que se tornou clássica na história do
Megadeth.





Lançada
como single, também não conseguiu ser bem-sucedida nas paradas de
sucesso.





A
letra de “Hook In Mouth” é uma crítica ao Parents Music
Resource Center, ou PMRC, um comitê formado em 1985 com o objetivo
declarado de aumentar o controle dos pais sobre o acesso das crianças
à música com conteúdo considerado violento, sobre uso de drogas ou
de caráter sexual, através da rotulagem de álbuns com um adesivo
com a inscrição Parental Advisory.











Considerações
Finais





So
Far, So Good... So What! foi o lançamento de maior impacto, até
então, para o Megadeth. Ao menos em termos de paradas de sucesso.





O
álbum atingiu a boa 18ª colocação na principal parada britânica
de discos, conquistando a 28ª posição na correspondente
norte-americana.





Ao
tempo de seu lançamento, a crítica especializada recebeu
positivamente o disco. Holger Stratmann, da revista Rock Hard, chamou
o álbum de a nova obra de arte do Megadeth. Jim Farber, da Rolling
Stone, afirmou que a banda estava indo diretamente ao topo da cena
Thrash americana. Também o crítico Robert Christgau revisou
positivamente o trabalho.





Entretanto,
revisões retrospectivas do disco tendem a serem mais críticas e
pesadas, como as de Steve Huey, do AllMusic, e de Mike Stagno, do
Sputinkmusic.





A
turnê que se seguiu ao lançamento do álbum foi a primeira a
apresentar os novos membros da banda, Chuck Behler e Jeff Young. O
baixista David Ellefson disse que os membros anteriores, Gar
Samuelson e Chris Poland, estavam cansados de ficarem constantemente
na estrada e suas saídas foram inevitáveis.





No
entanto, alguns problemas ocorreram durante a etapa australiana da
turnê. A banda foi forçada a cancelar alguns desses shows por causa
de problemas com drogas.





Mustaine
afirmou que o grupo voltou para casa porque o novo guitarrista Young
estava obcecado por heroína. Young negou, afirmando que era Mustaine
quem queria voltar para Los Angeles e buscar a reabilitação.





O
resultado foi que ambos, Young e Behler, foram demitidos
imediatamente após a final da turnê, em agosto de 1988.





So
Far, So Good... So What! ultrapassa a casa de 1 milhão de cópias
vendidas.













Formação:


Dave
Mustaine - Vocais, Guitarra, Guitarra Acústica


David
Ellefson - Baixo, Backing Vocals


Jeff
Young - Guitarra, Guitarra Acústica


Chuck
Behler - Bateria, Percussão


Músicos
Adicionais:


Steve
Jones (do Sex Pistols) - solo de guitarra em "Anarchy in the
UK".





Faixas:


01.
Into the Lungs of Hell (Mustaine) - 3:29


02.
Set the World Afire (Mustaine) - 5:48


03.
Anarchy in the U.K. (Rotten/Jones/Matlock/Cook) - 3:00


04.
Mary Jane (Mustaine/Ellefson) - 4:25


05.
502 (Mustaine) - 3:28


06.
In My Darkest Hour (Mustaine/Ellefson) - 6:16


07.
Liar (Mustaine/Ellefson) - 3:20


08.
Hook in Mouth (Mustaine/Ellefson) – 4:40





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://letras.mus.br/megadeth/




Opinião
do Blog:



Espremido entre os clássicos 'Peace Sells' (1986) e Rust in Peace (1990), So Far, So Good... So What! tende a ser visto como uma obra menor na discografia do Megadeth. Mas o Blog pensa diferente.





É claro que o álbum em questão pode ser considerado um degrau abaixo dos supracitados discos do grupo, mas está longe de ser apenas mais um. No fim da década de 80 e início dos anos 90, o Megadeth era uma das mais criativas bandas do estilo Heavy Metal.





Muito disso graças à criatividade do seu líder e principal compositor, Dave Mustaine. O excelente guitarrista transbordava inspiração em composições que mesclavam o Heavy Metal com a vertente Thrash Metal, criando canções que iam de encontro ao gosto dos fãs do estilo.





Entre riffs criativos e solos que transbordam feeling, Mustaine é a grande estrela do álbum. Mesmo não sendo um grande vocalista, Dave é um cara inteligente e usa sua voz de maneira eficiente e que combina perfeitamente com a sonoridade do grupo. Além disto, imprime uma interpretação exata para o conteúdo lírico do trabalho.





Entre os pontos negativos para o disco estão a produção, a qual deixa um pouco a desejar e a presença de um cover. Nada contra a boa versão para "Anarchy in the UK", mas quem conhece o Blog sabe que se prefere composições originais sempre.





"Mary Jane" possui a mescla perfeita entre o Heavy Metal tradicional e o Thrash Metal, encantando o ouvinte que aprecie esta fusão realizada de maneira criativa. Já a furiosa "Liar" é uma música com a cara do Thrash Metal da Bay Area. Bem como a clássica "Hook In Mouth", uma faixa que representa muito bem o Megadeth.





Além disto está presente uma das melhores composições de toda a discografia do Megadeth, "In My Darkest Hour", uma música espetacular, amostra do poder e magnitude que o Heavy Metal pode possuir. Um espetáculo.





Enfim, o Megadeth sempre foi uma das bandas preferidas do blogueiro, especialmente no que tange aos seus primeiros álbuns. Embora So Far, Good... So What! não esteja no nível estratosférico de um Rust in Peace, simultaneamente, está muito longe de ser apenas mais um disco. É um trabalho de alta qualidade, obrigatório para fãs de Thrash Metal norte-americano e extremamente recomendado pelo Blog!

MEGADETH - RUST IN PEACE (1990)



Rust in Peace é o quarto álbum de estúdio da banda norte-americana de Heavy Metal chamada Megadeth. Foi lançado em 24 de setembro de 1990 com a produção sendo realizada por Mike Clink e também pelo guitarrista e líder da banda, Dave Mustaine. O álbum foi gravado durante o ano de 1990, no Rumbo Studios, na Califórnia, nos Estados Unidos.

Em janeiro de 1988, o Megadeth lançava seu terceiro álbum de estúdio, o ótimo So Far, So Good... So What! Embora se trate de um álbum muito bem recebido por seus fãs e considerado um clássico nos dias de hoje, parte da crítica especializada da época não recebeu o trabalho de maneira positiva.

É nele que está presente um dos maiores clássicos da banda, “In My Darkest Hour”, música composta por Dave Mustaine em homenagem à memória do baixista Cliff Burton, do Metallica, morto em um terrível acidente em 1986.

Em fevereiro daquele ano, o Megadeth inicia uma grande turnê para promover o álbum, começando como banda de abertura para o lendário Ronnie James Dio na Europa e, depois, fazendo as apresentações de abertura do Iron Maiden nos Estados Unidos, com sua famosa turnê ‘7th Tour Of 7th Tour”.

Nesta altura, o baterista da banda era Chuck Behler, que apresentava problemas de saúde relacionados a abuso de drogas. Mustaine então contratou o baterista Nick Menza como técnico de bateria (roadie) de Behler, deixando-o de sobreaviso para o caso de Behler não conseguir prosseguir com os trabalhos.

Em maio de 1988, um bêbado Dave Mustaine age de maneira irresponsável, provocando uma grande selvageria em um show em Antrim, na Irlanda do Norte. Mustaine dedica a canção “Anarchy in the UK” ao IRA (Exército Republicano Irlandês), com a frase: “This one is for the cause, give Ireland back to the Irish!” Com isto, católicos e protestantes entraram em grande conflito, que foi a inspiração para que Mustaine compusesse a canção “Holy Wars... The Punishment Due”.

Em agosto de 1988, o Megadeth participa do Monsters Of Rock, festival que acontece no castelo de Donnington, juntamente com KISS, Iron Maiden, Helloween, Guns ‘N’ Roses e David Lee Roth, ex-vocalista do Van Halen, com uma audiência superior a cem mil pessoas. A banda foi convidada para participar do Monsters Of Rock European Tour, mas a banda desiste de participar logo após a primeira apresentação, devido aos problemas do baixista David Ellefson com o abuso de drogas.

Após isso, Mustaine acabou demitindo o baterista Chuck Behler e o guitarrista Jeff Young, alegando que havia muitos problemas na banda que eram potencializados enquanto o grupo estava em turnê, especialmente relacionados ao abuso de drogas. Por causa disso, o Megadeth cancelou a turnê que faria na Austrália.

Em julho de 1989, o então roadie, Nick Menza, é contratado como baterista oficial da banda. Como trio, o grupo grava o cover “No More Mr. Nice Guy”, do Alice Cooper, que acabou se tornando trilha sonora do filme Shocker, de Wes Craven, de 1989.

Depois disso, Dave Mustaine acabou preso por dirigir intoxicado e em posse de narcóticos, quando bateu em um carro estacionado em que estava um policial de folga. No tribunal, o vocalista foi condenado a frequentar uma clínica de reabilitação e ficando sóbrio pela primeira vez em dez anos.

Com sua nova sobriedade, o Megadeth passou a uma lenta busca por um novo guitarrista. Lee Altus, da banda Heathen e Eric Meyer, do Dark Angel, foram ‘testados’. Meyer já havia sido convidado quando Chris Polland foi demitido da banda, mas preferiu continuar no Dark Angel. Também era comum Slash fazer seções com Mustaine e Ellefson e aparentava que ele iria se juntar ao conjunto, mas ele permaneceu no Guns ‘N’ Roses.

Também Dimebag Darrell Abbott, da então desconhecida banda Pantera, foi ouvido e convidado para adentrar o Megadeth, mas acabou recusando por que insistia que somente faria parte do grupo se o seu irmão e baterista Vinnie Paul Abbott também fosse contratado. Mas Mustaine havia acabado de contratar Nick Menza como baterista e Dimebag continuou no Pantera.

Em 1987, Mustaine havia demitido o guitarrista Chris Poland e fez um teste com um guitarrista de, na época, 16 anos, Jeff Loomis (das bandas Sanctuary e Nevermore). Embora tenha ficado impressionado com a atuação do jovem, ele temeu contratá-lo por conta de sua pouca idade.

De volta a 1989, Loomis fica sabendo que o Megadeth mais uma vez se encontrava buscando um guitarrista. Ao assistir a um show da banda Cacophony, que contava com os guitarristas Jason Becker e Marty Friedman, Loomis conta a Friedman sobre a vaga no Megadeth. Marty havia acabado de lançar um álbum solo, Dragon’s Kiss, de 1988.

Em seu primeiro teste, Mustaine rejeitou Friedman, acredite, pois este possuía um cabelo multicolorido. Mas Friedman acabou sendo contratado em fevereiro de 1990 como guitarrista do Megadeth. A escolha se revelaria mais que acertada, pois se trata de um excelente guitarrista.

Com Mustaine na guitarra e vocal, Dave Ellefson no baixo, Nick Menza na bateria e Marty Friedman na guitarra, o Megadeth entra em estúdio em março de 1990 para iniciar a composição e gravação de Rust In Peace. Seria a primeira vez que a banda conseguiria gravar um álbum inteiro sem trocar de produtor durante o processo e, também, pela primeira vez, o grupo estava sóbrio durante todo o trabalho sem os rotineiros problemas relacionados ao consumo excessivo de drogas que atrapalharam as gravações dos álbuns anteriores.

A ideia para o nome do álbum, Rust In Peace, veio enquanto Dave Mustaine estava dirigindo e viu um adesivo no para-choque de um veículo. De um lado havia a frase: 'One nuclear bomb could ruin your whole day' e do outro: 'May all your nuclear weapons rust in peace'. No mesmo instante, Mustaine pensou que Rust In Peace seria um ótimo nome para o álbum, como declarou anos depois.

A arte da capa foi baseada em uma ideia de Dave Mustaine, sendo elaborada pelo artista Ed Repka. Ela conta com o mascote do Megadeth, Vic Rattlehead, e os cinco líderes da "five major world powers", do início dos anos noventa. Os cinco líderes, da esquerda para direita, presentes na capa, são: o ex-Primeiro Ministro Britânico John Major, ex-Primeiro Ministro Japonês Toshiki Kaifu, ex-Presidente da Alemanha Richard von Weizsäcker, ex-Secretário Geral da União Soviética Mikhail Gorbachev, e o ex-Presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush.

Abre o álbum um dos grandes clássicos da banda, “Holy Wars... The Punishment Due”. A música é uma grande aula de composição, possuindo riffs mais que inspirados, na realidade, brilhantes. A atuação das guitarras é excepcional, contando com solos excelentes.

“Holy Wars” foi inspirada pelo conflito existente no Reino Unido pela libertação da Irlanda do Norte, relativo ao IRA e as animosidades entre católicos e protestantes. Também incentivou na concepção da canção os incidentes ocorridos no show na Irlanda do Norte em maio de 1988, que foi descrito acima e forçou a banda a continuar a turnê pelo Reino Unido em um ônibus ‘à prova de balas’.

“The Punishment Due” é inspirada no popular personagem dos quadrinhos da Marvel, o Justiceiro (The Punisher).

Foi feito um videoclipe para ‘Holy Wars’ e neste havia várias imagens de guerras ocorridas na década de oitenta, em sua maioria, capturadas de conflitos no Oriente Médio. Lançada como single, alcançou a 24ª posição da parada britânica. É presença obrigatória nos shows desde então.

“Hangar 18” é a segunda faixa do álbum. É mais um clássico absoluto do Megadeth. É outra faixa com uma verdadeira aula de inspiração na criação de riffs e solos de guitarras, contagiantes para quem é fã do estilo.

O baterista Nick Menza afirmou que a canção é baseada em teorias de conspiração de natureza ufológica. O hangar 18 seria uma base militar norte-americana que abrigaria artefatos alienígenas, assim como formas biológicas cadavéricas de seres vivos de outros planetas mantidas congeladas. Mustaine confirma a inspiração, citando que o hangar 18 se situaria na região conhecida como “the four corner state”, nos Estados Unidos, sendo mais precisamente encontrada na base-aérea  Wright-Patterson Air Force Base, em Ohio.

“Hangar 18” possui um videoclipe promocional da canção inspirado nas letras da canção, apresentando alienígenas sendo torturados e, no fim, os quatro membros da banda em uma câmara de congelamento.

Lançada como single, atingiu a 26ª posição da parada britânica. Mais que isso, foi nomeada para o prêmio Grammy de 1992 na categoria “Best Metal Performance”, embora não tenha vencido.

É outra presença obrigatória nos shows. No nono álbum de estúdio da banda, The World Needs A Hero, de 2001, o grupo gravou uma sequência para a canção, “Return To Hangar”, na qual as letras se referem aos cadáveres alienígenas congelados retornando à vida.

“Take No Prisoners” é a terceira faixa do álbum, com um ótimo riff, ora bem rápido, ora mais cadenciado. A música possui ótimos solos ao seu final. Sua letra se refere a prisioneiros de guerra.

A quarta faixa de Rust In Peace é “Five Magics”, canção que se inicia de maneira mais lenta e com forte base construída pelo baixo de Ellefson, a qual rapidamente dá lugar a inspirado riff criado por Mustaine. É baseada no romance Master Of The Five Magics, de Lyndon Hardy. Ótima canção.

A quinta faixa do álbum é “Poison Was The Cure” que tem suas letras inspiradas no vício que Mustaine possuía em heroína. Também conta com uma excelente introdução que se desenvolve em um excelente riff, puro Thrash Metal de altíssimo nível. Mais uma excelente canção.

“Lucretia” é a sexta canção do álbum. Conta com mais um riff inspiradíssimo por parte de Dave Mustaine. A música segue em um ritmo mais cadenciado, porém pesado, dando espaço para excelentes solos. As letras foram inspiradas em uma brincadeira: Lucretia seria um fantasma que vive no sótão de Mustaine.

Um dos melhores riffs da história do Heavy Metal abre a sétima faixa, a extraordinária “Tornado Of Souls”. A faixa é uma aula sobre riffs de guitarras, contando com solos de pura inspiração e muita técnica. Certamente uma das melhores canções de toda a discografia da banda, exemplo de muito peso repleto de melodia.

As letras de “Tornado Of Souls” são uma reflexão sobre relacionamentos que não funcionam bem e a dificuldade muitas vezes encontrada em terminá-los. Excelente trabalho, também, na bateria de Nick Menza. Aliás, todos merecem destaque na faixa.

Um ótimo trabalho no baixo por parte de Ellefson é a marca registrada da oitava faixa, “Dawn Patrol”. Suas letras são declamadas ao invés de cantadas, tratando da destruição do meio-ambiente pelo aquecimento global e como seria a vida dos seres humanos após uma guerra nuclear.

Fecha o álbum outra faixa sensacional, “Rust In Peace... Polaris”. As letras da canção falam sobre os mísseis intercontinentais (com alcance superior a 5000 Km) e que seriam usados em uma possível guerra nuclear. Inclusive, Polaris é o nome de um desses mísseis, o UGM-27 Polaris.

Possui uma ótima introdução pela bateria de Menza e é construída baseando-se em excelentes riffs compostos por Dave Mustaine, pesados e ao mesmo tempo com muita melodia. Mais um excepcional trabalho das guitarras do Megadeth.

Seguindo o lançamento de Rust In Peace, em setembro de 1990, a banda saiu em grande turnê. Primeiramente, uniu-se às bandas Slayer, Testament e Suicidal Tendencies para a “Clash Of Titans” Tour, pela Europa.

Já em outubro de 1990, o Megadeth foi convidado para ser a banda de abertura dos gigantes do Heavy Metal, o Judas Priest, que realizava a turnê de divulgação de seu lançamento daquele mesmo ano, o fantástico Painkiller. A turnê com o Judas Priest terminaria em janeiro de 1991, com uma apresentação no festival Rock In Rio II, para cerca de 120 mil pessoas.

Com o sucesso da turnê europeia “Clash Of Titans”, uma versão norte-americana teve início em maio de 1991, com o Megadeth, Slayer, Anthrax e o Alice In Chains. Ainda em 1991 a banda lançaria seu primeiro Home Video, o Rusted Pieces, que continha seis videoclipes da banda e uma entrevista com os membros.

O álbum Rust In Peace teve ótima recepção pela crítica e pelos fãs. O álbum atingiu a 23ª posição na parada de álbuns norte-americana e a 8ª posição na parada britânica. Em 1991, o álbum foi indicado para o Grammy na categoria de melhor performance de Heavy Metal, mas não saiu vitorioso.

O álbum é quase sempre citado como um dos melhores lançamentos de Heavy Metal de todos os tempos: a eleição feita pelo site MusicRadar o colocou na sexta posição dentre os 50 melhores álbuns de Heavy Metal, enquanto o IGN o considerou o quarto álbum mais influente do estilo.

Em 2010, comemorando o vigésimo aniversário do lançamento de Rust In Peace, a banda fez uma turnê comemorativa com 22 apresentações entre 1º e 31 de março, na qual tocava o álbum inteiro na ordem e na íntegra. Outras bandas clássicas do Thrash Metal norte-americano, Exodus e Testament, acompanharam o Megadeth na tour.

Formação:
Dave Mustaine – Guitarra e Vocal
Marty Friedman – Guitarra
Dave Ellefson – Baixo, Backing Vocals
Nick Menza – Bateria, Backing Vocals

Faixas:
01. Holy Wars... The Punishment Due (Mustaine) - 6:32
02. Hangar 18 (Mustaine/Menza) - 5:11
03. Take No Prisoners (Mustaine) - 3:27
04. Five Magics (Mustaine) - 5:39
05. Poison Was the Cure (Mustaine) - 2:56
06. Lucretia (Mustaine/Ellefson) - 3:56
07. Tornado of Souls (Mustaine/Ellefson) - 5:19
08. Dawn Patrol (Ellefson) - 1:51
09. Rust in Peace... Polaris (Mustaine) - 5:44

Letras:
Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso a: http://letras.terra.com.br/megadeth/

Opinião do Blog:
É indiscutível a importância que o Megadeth tem no cenário do Thrash/Heavy Metal mundial. A banda possui uma discografia sólida e consistente, sempre com lançamentos que apresentam canções de qualidade. O ponto baixo da carreira é o álbum Risk, de 1999, no qual a banda apostou em um novo caminho e não foi lá muito bem sucedida.

Dave Mustaine sempre se mostrou uma figura inconstante. Demitiu vários e diversos músicos talentosos da banda, brigou com vários outros (da banda e de fora dela), faz declarações polêmicas (e infelizes) em algums entrevistas, além de sua controversa conversão ao cristianismo. Por anos, parecia obcecado em realizar sua vingança prometida contra o Metallica por conta de sua demissão do grupo.

Se o Megadeth não conseguiu o sucesso comercial do Metallica, simultaneamente, Mustaine demonstrou durante todo seu trabalho com a banda ser um dos melhores compositores da história do Heavy Metal. Em especial na construção de riffs inspirados e letras que, se não se pode concordar com seu conteúdo, primam pela criatividade e busca por temas políticos e sociais de relevância. Talvez o fato de Mustaine não poder ser considerado um grande vocalista (e, de fato, não passa nem perto) atrapalhou a banda em conseguir maior repercussão comercial. Entretanto, Mustaine tem a seu favor outro trunfo: o fato inconteste de ser um excelente guitarrista.

Rust In Peace apresenta a banda com sua melhor formação. Todas as faixas do álbum são de profunda inspiração e contam com riffs magníficos. “Holy Wars”, “Hangar 18”, “Rust In Peace” são clássicos indiscutíveis, além da aula de guitarras que é “Tornado Of Souls”, uma faixa extraordinária.

Rust In Peace é mais que um álbum recomendado ou obrigatório. É uma referência para fãs de Heavy Metal, o qual apresenta uma aula de guitarras, de construção de riffs e, fundamentalmente, que o Heavy Metal pode sim ser pesado e, ao mesmo tempo, repleto de melodias. Um álbum excepcional!

Vídeos Recomendados:

Holy Wars... The Punishment Due, ao vivo


Hangar 18, ao vivo no Rock In Rio II


Rust In Peace... Polaris, ao vivo


Tornado Of Souls, ao vivo


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