Darkness
on the Edge of Town é o quarto álbum de estúdio do cantor
norte-americano Bruce Springsteen. O lançamento oficial do trabalho
aconteceu em 2 de junho de 1978, através do selo Columbia Records.
As gravações ocorreram entre 1º de junho de 1977 e março do ano
seguinte, nos estúdios Atlantic e Record Plant, ambos em New York
City, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Jon Landau
e do próprio Bruce Springsteen.
Darkness on the Edge of Town é o quarto álbum de estúdio do cantor norte-americano Bruce Springsteen. O lançamento oficial do trabalho aconteceu em 2 de junho de 1978, através do selo Columbia Records. As gravações ocorreram entre 1º de junho de 1977 e março do ano seguinte, nos estúdios Atlantic e Record Plant, ambos em New York City, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Jon Landau e do próprio Bruce Springsteen.
Finalmente o grande Bruce Springsteen retorna a nossas páginas com um de seus álbuns mais interessantes. Vai-se acompanhar os fatos que se antecederam ao lançamento do disco para se contextualizar a obra.
Antecedentes
Em agosto de 1975, Bruce Springsteen lançou Born to Run, seu terceiro álbum de estúdio, uma obra aclamada por crítica e público e que foi analisada pelo site aqui.
Na sequência, Springsteen entrou em uma disputa judicial com seu ex-empresário, Mike Appel, o que obrigou Bruce a ficar longe dos estúdios, mas o manteve em uma longa turnê com a E Street Band.
Springsteen só retornaria aos estúdios em 1977, após um acordo com Appel e as novas canções se tornariam Darkness on the Edge of Town.
Gravações
Darkness on the Edge of Town soa “menos comercial” que seu antecessor, embora Bruce tenha “repetido a fórmula” de Born to Run aqui: As faixas que abriam os 2 lados do LP original eram mais intensas e explosivas, enquanto as que os encerram são mais introspectivas e lamuriosas.
Ao contrário de Born to Run, as músicas foram gravadas pela banda inteira, de uma só vez, frequentemente logo após Springsteen as compor. Steven Van Zandt recebeu créditos por assistência à produção, já que auxiliou Bruce com os arranjos.
Durante as sessões de Darkness, Springsteen escreveu ou gravou muitas músicas que acabou não usando no álbum. Manter a temática do disco era muito importante para ele, e as músicas se acumularam porque as sessões foram contínuas por quase um ano.
Um conceito de álbum chamado "Badlands" foi preparado em outubro de 1977, completo e até com capas, mas foi rejeitado no último minuto por Springsteen, pois ele não estava confortável com aquele lançamento e queria continuar gravando.
As sessões de gravação foram concluídas em janeiro, mas a mixagem continuou por mais três meses. De acordo com Jimmy Iovine, Springsteen escreveu pelo menos 70 músicas durante este período, e 52 dessas músicas foram gravadas e estavam completas, com 18 não totalmente concluídas.
Alguns dos materiais não utilizados tornaram-se hits para outros artistas como "Because the Night" para Patti Smith; "Fire" para Robert Gordon e para a the Pointer Sisters; "Rendezvous" para Greg Kihn; "Don't Look Back" para The Knack; e duas faixas para o conjunto Southside Johnny and the Asbury Jukes: "Hearts of Stone" e "Talk to Me".
Outras músicas como "Independence Day", "Drive All Night", "Ramrod" e "Sherry Darling" apareceriam no próximo álbum de Springsteen, The River, de 1980, enquanto outras se tornaram clássicos piratas até aparecerem nas compilações de Springsteen intituladas Tracks (1998) e The Promise (2010).
A foto da capa e do encarte foram tiradas pelo fotógrafo Frank Stefanko dentro de sua casa em Haddonfield, Nova Jersey.
Vamos às faixas:
BADLANDS
“Badlands” é uma faixa incrível que abre o disco de forma arrebatadora!
A letra demonstra o eu lírico revoltado com a vida:
Talk about a dream, try to make it real
You wake up in the night with a fear so real
You spend your life waiting for a moment that just don't come
Well, don't waste your time waiting
“Badlands” foi o segundo single retirado do disco e alcançou a 42ª posição da principal parada norte-americana destinada a este tipo de lançamento.
Os editores da Rolling Stone classificaram "Badlands" como a segunda maior música de Springsteen, atrás apenas de "Born to Run", e consideram que ela se encaixa na definição de um hino do rock.
ADAM RAISED A CAIN
“Adam Raised a Cain” é um Hard Blues Rock simplesmente incrível, com potência e uma atuação histórica dos vocais de Bruce.
A letra explica uma relação pai-filho, através de figuras bíblicas:
In the Bible Cain slew Abel
And East of Eden he was cast
You're born into this life paying
For the sins of somebody else's past
Daddy worked his whole life, for nothing but the pain
SOMETHING IN THE NIGHT
A bela “Something in the Night” é mais introspectiva e contida.
O eu lírico se apresenta sem esperanças:
When we found the things we loved,
They were crushed and dying in the dirt.
We tried to pick up the pieces,
And get away without getting hurt,
But they caught us at the state line,
And burned our cars in one last fight,
And left us running burned and blind,
Chasing something in the night
CANDY’S ROOM
Os teclados dominam na intensa “Candy’s Room”.
A letra fala sobre uma paixão:
She says baby if you wanna be wild
You got a lot to learn, close your eyes
Let them melt, let them fire, let them burn
'Cause in the darkness there'll be hidden worlds that shine
When I hold Candy close, she makes those hidden worlds mine
RACING IN THE STREET
“Racing in the Street” é uma linda balada, com soberba atuação vocal de Bruce.
A letra fala sobre fuga de responsabilidade:
We take all the action we can meet
And we cover all the northeast states
When the strip shuts down, we run ’em in the street
From the fire roads to the interstate
Now, some guys, they just give up living
And start dying little by little, piece by piece
Some guys come home from work and wash up
THE PROMISED LAND
“The Promised Land” é uma canção típica do Bruce Springsteen – e é muito boa!
A letra é uma homenagem a “Promised Land”, de Chuck Berry:
The dogs on Main Street holw 'cause they understand
If I could take one moment into my hands
Mister I ain't a boy no I'm a man
And I believe in a promised land
Como várias outras músicas de Darkness on the Edge of Town, Springsteen tinha o refrão de "The Promised Land" antes que ele pudesse criar as letras para os versos. Embora lançada como single, não alcançou as principais paradas de sucessos desta natureza.
FACTORY
“Factory” é curtinha, mas muito tocante e bela.
A letra fala sobre um trabalhador:
Through the mansions of fear, through the mansions of pain,
I see my daddy walking through them factory gates in the rain,
Factory takes his hearing, factory gives him life,
The working, the working, just the working life
STREETS OF FIRE
Apesar de mais contida, “Streets of Fire” é bem bonita.
A letra é bem sombria:
When the night's quiet and you don't care anymore
And your eyes are tired and there's someone at your door
And you realize you want to let go
And the weak lies in cold walls you embrace you
PROVE IT ALL NIGHT
“Prove It All Night” tem um ótimo refrão e um clima dançante bem agradável.
A letra fala sobre promessas de amor:
A kiss to prove it all night, prove it all night
Girl, there's nothing else that we can do
So prove it all night, prove it all night
And girl I'll prove it all night for you
“Prove It All Night” foi o primeiro single lançado para promoção do disco, atingindo o 33º lugar da principal parada norte-americana desta natureza.
DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN
“Darkness on the Edge of Town” encerra o disco de forma incrível, sendo uma composição intensa e comovente.
A letra menciona alguém muito azarado:
I'll be there on time and I'll pay the cost
For wanting things that can only be found
In the darkness on the edge of town
A revista Rolling Stone designou a música no 8º lugar em uma lista das 100 melhores músicas de Bruce Springsteen.
Considerações Finais
Darkness on the Edge of Town atingiu a 5ª posição da principal parada norte-americana de álbuns, bem como a 14ª colocação em sua correspondente britânica.
Na Rolling Stone, Dave Marsh viu Darkness on the Edge of Town como um registro marcante no rock and roll por causa da clareza de sua produção, guitarra única de Springsteen, e por conectar os personagens e temas em uma forma sutil, mas coesa.
Robert Christgau estava menos entusiasmado no The Village Voice. Ele achou as narrativas de Springsteen versáteis e os personagens notáveis em "Badlands", "Adam Raised a Cain" e "Promised Land", (…) porém, ele considerou outras canções, particularmente "Streets of Fire" e "Something in the Night", mais impressionistas e exageradas, afirmando que Springsteen era "um importante artista menor ou um grande artista muito falho e inconsistente".
No Reino Unido, o álbum foi classificado em 1º lugar entre os "Álbuns do Ano" de 1978, pela NME.
William Ruhlmann, do AllMusic, em retrospectiva, dá uma nota 4,5 (em 5) para o disco, afirmando: “(…) Springsteen apresentou essas duras verdades em ambientes de hard rock, as faixas ritmadas por poderosas baterias e solos de guitarra abrasadores. Embora não tão fortemente produzido quanto Born to Run, Darkness recebeu um som encorpado, com teclados proeminentes e vocais duplos. As histórias de Springsteen estavam se tornando menos heróicas, mas seu estilo musical permaneceu grandioso (…)”.
Em 2003, o disco foi classificado no 151º lugar da lista da Rolling Stone dos 500 maiores álbuns de todos os tempos, reclassificado em 150º em uma lista revisada de 2012, enquanto subiu para o 91º em uma revisão adicional em 2020.
Em 2013, o álbum foi classificado na 109ª posição em uma lista semelhante pelo NME.
A turnê de 1978, para promover o álbum, tornou-se lendária pela intensidade e pela duração de seus shows.
Em setembro de 1979, Springsteen e a E Street Band se juntaram ao coletivo antinuclear Musicians United for Safe Energy, no Madison Square Garden, por duas noites, tocando um set abreviado enquanto estreavam duas músicas de seu próximo álbum.
O disco ao vivo daquelas apresentações, No Nukes, bem como o documentário No Nukes do verão norte-americano seguinte, representou as primeiras gravações oficiais e filmagens do, hoje, lendário show de Springsteen, bem como o registro da primeira vez em que Springsteen teve envolvimento político.
Darkness on the Edge of Town supera a casa de 3 milhões de cópias vendidas nos Estados Unidos.
O RAC traz o excepcional Darkness on the Edge of Town para nossas páginas.
Fica bem difícil, para o site, falar sobre este álbum sem soar muito piegas, pois é um dos preferidos da casa. Bruce Springsteen é um de nossos músicos prediletos e Darkness está entre suas melhores obras.
Neste álbum, Bruce Springsteen continua aquilo que havia criado em Born to Run, mas seguindo em frente. As letras, ótimas, estão mais ácidas e sua musicalidade dá um passo – embora curto – a uma visão mais agressiva.
Isto produz faixas incríveis e intensas como a espetacular “Adam Raised a Cain”, possivelmente a melhor do disco. Mas aqui não há nenhuma faixa de enchimento e a audição do álbum flui perfeitamente.
Enfim, se você que está lendo esta resenha nunca ouviu Darkness on the Edge of Town vá correndo o fazer. Não é preciso dizer mais nada.
Born
To Run é o terceiro álbum do artista norte-americano Bruce
Springsteen. Seu lançamento oficial aconteceu em 25 de agosto de
1975. As gravações ocorreram entre maio de 1974 e julho de 1975,
nos estúdios Record Plant e Sound Studios, ambos em New York,
Estados Unidos. O selo responsável foi o Columbia e a produção
ficou a cargo de Bruce Springsteen, Mike Appel, Jon Landau.
Um
dos grandes nomes da história do Rock estreiam aqui no Blog: Bruce
Springsteen. Como de costume, vai-se abordar os fatos que antecederam
o lançamento do álbum para depois focalizar em cada faixa
separadamente.
Em
setembro de 1973, Bruce Springsteen lançou seu segundo álbum: The
Wild, the Innocent & the E Street Shuffle. A crítica
especializada adorou o trabalho, mas ele não obteve sucesso
comercial.
Em
seu segundo disco, as canções de Springsteen se tornaram mais
grandiosas, em forma e âmbito, com a E Street Band fornecendo uma
vibração menos folk e mais voltada ao R&B, e a parte lírica
oferecendo uma abordagem sobre a vida de rua adolescente.
Em
The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle possui
alguns clássicos da carreira de Springsteen e que se tornariam
amados pelos fãs: "4th of July, Asbury Park (Sandy)",
"Incident on 57th Street", além de "Rosalita (Come
Out Tonight)", até hoje um ponto alto de seus shows.
Em
22 de maio de 1974, o crítico musical Jon Landau, do jornal The Real
Paper, de Boston, escreveu sobre Bruce, após assistir a um show no
Havard Square Theater: “Eu vi o futuro do rock and roll, e seu nome
é Bruce Springsteen. Em uma noite quando eu precisava me sentir
jovem, ele me fez sentir como se eu estivesse ouvindo música pela
primeira vez”.
Landau,
posteriormente, tornar-se-ia manager e produtor de Springsteen,
ajudando-o a finalizar o seu novo álbum, o qual se tornaria Born
to Run.
O
terceiro disco de Bruce Springsteen contou com um enorme orçamento,
em um último esforço para lançar um álbum comercialmente viável.
Springsteen ficou atolado no processo de gravação, enquanto se
tornou obcecado por uma produção conhecida como "Wall of
Sound".
Bruce Springsteen
Em
relação ao seu novo trabalho, Springsteen notou uma progressão em
sua forma de composição quando comparadas com seus trabalhos
anteriores. Ao contrário de Greetings from Asbury Park, NJ e
The Wild, the Innocent and the E Street Shuffle, Born to Run
incluiu algumas referências específicas a lugares de New Jersey, em
uma tentativa de tornar as canções mais identificáveis para um
público mais amplo.
Springsteen
também se referiu a uma maturação em suas letras, chamando Born to
Run como “o álbum em que eu deixei para trás minhas definições
adolescentes do amor e da liberdade – foi uma linha divisória”.
Além
disso, Springsteen passou mais tempo no estúdio, em um processo de
refinamento das canções, bastante superior em realção aos dois
álbuns anteriores. Ao todo, o álbum levou mais de 14 meses para a
gravação, com seis meses gastos apenas com a emblemática
faixa-título, "Born to Run".
Em
quase todo este tempo, Springsteen batalhou com a raiva e a
frustração sobre o disco, dizendo que ele ouvia "sons na
cabeça" os quais não conseguia explicar para os outros no
estúdio.
Durante
o processo, Springsteen trouxe Jon Landau para ajudar com a produção.
Este foi o início do rompimento do relacionamento de Bruce com o
produtor e manager Mike Appel, culminando com Landau assumido ambos papéis após o embróglio.
Foi
o primeiro álbum de Springsteen a contar com o pianista Roy Bittan e
o baterista Max Weinberg (embora David Sancious e Ernest "Boom" Carter tenham tocado piano e bateria, respectivamente, na
faixa-título).
O
álbum é conhecido por seu uso de introduções para definir o tom
de cada música (todo o registro foi composto no piano, e não na
guitarra), além de contar com arranjos e produção ao almejado
melhor estilo "Wall of Sound".
Na
verdade, Springsteen chegou a afirmar que gostaria que Born to Run
soasse como “Roy Orbison cantando Bob Dylan, produzido por Phil
Spector”.
A
maioria das faixas foram gravadas pela primeira vez com uma banda
cuja seção rítmica compreendia Springsteen (guitarra), Weinberg
(bateria), Bittan (piano), e o baixista Garry Tallent, com as
contribuições dos outros membros sendo adicionadas posteriormente.
Prensagens
originais têm a faixa "Meeting Across the River" nomeada
como "The Heist". A capa original do álbum tem o título
impresso em uma fonte estilo grafitti. Estas cópias, conhecidas como
o "script cover", são muito raras e consideradas como o
"santo graal" para colecionadores de Springsteen.
Clarence Clemons
A
arte da capa de Born to Run é uma das imagens mais populares e
emblemáticos da música. Ela foi tirada pelo fotógrafo Eric Meola,
que disparou 900 quadros em uma sessão de três horas. Estas fotos
foram compiladas em Born to Run: The Unseen Photos.
A
foto na capa mostra Springsteen segurando uma Fender Telecaster,
apoiando-se no saxofonista Clarence Clemons. Essa imagem se tornou-se
extremamente famosa. O fotógrafo Meola menciona que "quando
vimos as folhas de contato, esta espécie foi um estalo. No mesmo
instante, nós sabíamos que ela era o tiro certo”.
Desde
então, a pose de Springsteen e Clemons na capa tem sido imitada
muitas vezes, como na do álbum Next Position Please, da banda
Cheap Trick, por exemplo.
Vamos
às faixas:
THUNDER
ROAD
Uma suave e belíssima melodia embala os momentos iniciais de "Thunder Road". Trata-se de um Rock simples e direto, mas com ótimo ritmo e muito bom gosto. A excelente interpretação de Springsteen casa-se de maneira perfeita com o instrumental da banda que o acompanha. Uma música como poucas.
A
letra de "Thunder Road" descreve uma jovem mulher chamada
Mary, seu namorado, e a última chance para fazer o relacionamento
funcionar:
On
the wind, so Mary climb in It's a town full of losers And I'm
pulling out of here to win
Indiscutivelmente,
“Thunder Road” é um dos grandes clássicos da discografia de
Bruce Springsteen.
Nesta
canção, Springsteen menciona Roy Orbison "cantando para os
solitários" no rádio. Orbison, cuja uma de suas canções mais
conhecidas é "Only the Lonely", foi uma enorme influência
sobre Springsteen.
O
título da canção vem do filme de Robert Mitchum, Thunder Road.
Springsteen declarou que ele estava de alguma forma inspirado pelo
filme, apesar de não tê-lo visto. Como afirma: "Eu nunca vi o
filme, eu só vi o cartaz no saguão do cinema."
Entre
diversos prêmios destacam-se a 86ª posição da lista 500
Greatest Songs of All Time, de 2004, da conceituada revista
Rolling Stone. Na mesma linha, foi nomeada a 226ª colocada na lista
1001 Greatest Songs Ever, da revista Q Magazine, em 2003.
TENTH
AVENUE FREEZE-OUT
Já em "Tenth Avenue Freeze-Out" vemos o Rock de Springsteen com influências riquíssimas do Blues e do Jazz norte-americanos, com os arranjos inovadores e altamente criativos. O saxofone de Clarence Clemons brilha intensamente e enriquece absurdamente a composição. O nível continua estratosférico.
A
canção conta a história da formação da E Street Band:
When
the changes was made uptown And the Big Man joined the band From
the coastline to the city All the little pretties raise their
hands I'm gonna sit back right easy and laugh
Lançada
como single, atingiu a modesta 83ª posição da principal parada de
sucessos dos Estados Unidos.
O
protagonista da letra, Bad Scooter, é um pseudônimo, para Bruce
Spirngsteen, como as iniciais sugerem. Já o termo Big Man se refere
ao saxofonista Clarence Clemons.
“Tenth
Avenue Freeze-Out” estava quase sempre nos set lists dos shows de
Springsteen. Também é uma faixa clássica das rádios AOR
americanas.
NIGHT
"Night" mantém o alto nível do trabalho, mas com uma proposta mais roqueira. Trata-se de uma composição mais agitada, com ótima presença do órgão e do baixo, tocados, respectivamente, por Roy Bittan e Garry W Tallent. Mais para o final, Clemons dá uma amostra de todo o seu talento. Grande canção!
A
letra é boa, mostrando um trabalhador que sai à noite em busca de
diversão:
You
get up every morning at the sound of the bell You get to work late
and the boss man's giving you hell Till you're out on a midnight
run Losing your heart to a beautiful one And it feels right as
you lock up the house
BACKSTREETS
Com um início sensível e tocante, "Backstreets" se inicia com uma pegada suave, dominada pelo piano. Mas logo a veia roqueira de Springsteen aparece, com momentos mais agitados, especialmente no excelente refrão, o qual conta com uma interpretação magistral de Bruce. Enfim, trata-se de outra composição de nível muito elevado.
A
letra fala sobre um relacionamento:
Huddled
in our cars Waiting for the bells that ring In the deep heart
of the night We let lose of everything To go running on the
backstreets Running on the backstreets Terry you swore we'd
live forever Taking it on them backstreets together
"Backstreets"
também tem sido interpretada como uma narrativa sobre um
relacionamento homossexual, uma vez que o nome Terry é sexualmente
ambíguo. Também é sugerido que a letra representa uma amizade
platônica, mas intensa, entre dois homens e que se desvaneceu.
Entretanto,
várias das inúmeras versões piratas de "Backstreets"
durante a turnê de 1978 para o álbum Darkness on the Edge of
Town, Terry é repetidamente referida como "ela" e
"menina", confirmando que se trata realmente de uma mulher.
Outra
interpretação é que a música é sobre o relacionamento de
Springsteen com sua namorada Diane Lozito, no início dos anos 70.
BORN
TO RUN
Os acordes iniciais de "Born To Run" são inconfundíveis para quem já a conhece. O riff principal da canção é excelente, mas é difícil se destacar alguma individualidade quando o que acontece é uma fusão única de talentos executando perfeitamente a música. Clemons está incrível e a interpretação de Springsteen é perfeita. Enfim, um dos grandes clássicos do Rock em todos os tempos.
A
letra é uma incontestável declaração de amor:
Wendy,
let me in, I wanna be your friend I wanna guard your dreams and
visions Just wrap your legs 'round these velvet rims And strap
your hands 'cross my engines Together we could break this
trap We'll run till we drop, baby we'll never go back
“Born
To Run” é um dos maiores clássicos da história de Bruce
Springsteen.
Lançada
como single, atingiu a 23ª posição na principal parada
norte-americana desta natureza. Ficou com a 93ª colocação da
correspondente britânica. Além disso, esteve nos 38º, 53º e 17º
lugares das paradas de Austrália, Canadá e Suécia,
respectivamente.
Escrita
na primeira pessoa, a música é uma carta de amor para uma garota
chamada Wendy, por quem o protagonista parece possuir uma paixão
incontrolável.
No
entanto, Springsteen demonstra que ele tem uma saída muito mais
simples: fugir através da estrada Freehold. US Route 9, a qual é
mencionada na letra como Highway 9.
A
faixa foi gravada no 914 Sound Studios, em Blauvelt, Nova York, entre
pausas durante a turnê de 1974, com a gravação final realizada em
6 de agosto daquele ano, bem antes do resto do álbum, e contando com
Ernest "Boom", Carter na bateria e David Sancious nos
teclados; os quais seriam substituídos por Max Weinberg e Roy
Bittan, respectivamente, para o restante do álbum e na formação da
E Street Band.
Além
disso, a canção também foi gravada apenas com Springsteen e Mike
Appel como produtores; Jon Landau seria trazido como um produtor
adicional apenas no ano seguinte, quando os trabalhos do álbum
estavam sobrecarregados.
É
presença praticamente constante nos shows e turnês de Bruce
Springsteen desde que foi lançada, estando presente em vários
lançamentos com apresentações ao vivo do artista. Além disso,
também é encontrada em várias coletâneas.
Frank
Turner, Big Daddy e Wolfsbane se encontram entre as bandas que
fizeram cover para o clássico de Springsteen.
Também
algumas músicas de outros artistas fazem referências a “Born To
Run”, como, por exemplo, em “Redemption”, de Frank Turner e
“Street Hassle”, de Lou Reed.
Aparece,
também, em incontáveis episódios de séries de TV nos Estados
Unidos. Está no game Guitar Hero World Tour. O livro Born To Run, de
Christopher McDougall, contém as letras da canção de mesmo nome em
um de seus capítulos. A rádio WNCX, de Cleveland, toca a música
todas as sextas-feiras, às 17 horas locais.
Entre
premiações citam-se como exemplos: 21ª posição na lista 500
Greatest Songs of All Time, da revista Rolling Stone, de 2004. A
revista Q Magazine coloca a canção na 920ª colocação da lista
1001 Greatest Songs Ever, de 2003.
Também
faz parte da lista The Rock and Roll Hall of Fame's 500 Songs that
Shaped Rock and Roll, do Hall da Fama do Rock.
SHE'S
THE ONE
Já em "She's The One", Springsteen aposta em uma longa introdução bastante cadenciada, mas com uma razoável dose de peso. Há uma sensível influência Bluesy na composição a qual segue em uma pegada mais arrastada e que funciona de maneira eficiente. Destaque total para Clarence Clemons no saxofone.
A
letra menciona uma mulher que mente, mas em quem o protagonista
apaixonado quer acreditar:
That
Thunder in your heart At night when you're kneeling in the dark It
says you're never gonna leave her But there's this angel in her
eyes That tells such desperate lies And all you want to do is
believe her And tonight you'll try just one more time To leave
it all behind and to break on through Oh she can take you, but if
she wants to break you
"She's
the One" foi uma das canções que Springsteen escreveu antes de
começar a gravar Born to Run, juntamente com "Born to Run",
"Thunder Road" e "Jungleland", embora
originalmente ele não tivesse certeza se a incluiria no álbum.
Várias
versões da canção foram registradas para o álbum, entre abril e
junho de 1975, e esta última versão, gravada no 914 Sound Studios,
em Blauvelt, Nova York, é a presente no disco.
MEETING
ACROSS THE RIVER
Esta é uma música que apresenta uma vertente mais intimista de Bruce Springsteen, sendo conduzida quase que exclusivamente ao piano acompanhado, ao fundo, pelo saxofone. Há uma clara influência de Jazz e isto engrandece a composição. Uma canção diferente dentro do álbum, mas não menos brilhante.
A
letra menciona alguém que procura melhorar sua sorte:
Hey
Eddie, this guy, he's the real thing So if you want to come
along You gotta promise you won't say anything 'Cause this guy
don't dance
A
letra descreve um criminoso de baixo nível, de pouca sorte, mas com
uma última chance de sucesso para ele e seu amigo, Eddie, e que se
envolvem em uma reunião de um homem do outro lado do rio.
Springsteen retrata seus personagens com simpatia. O narrador parece
desesperado; ele precisa gastar algum dinheiro em um passeio com
Eddie, e sua namorada está ameaçando o deixar porque ele penhorou
seu rádio.
As
primeiras prensagens originais de Born to Run traziam a canção
nomeada como “The Heist”.
JUNGLELAND
A oitava - e última - faixa de Born To Run é "Jungleland". A derradeira música do trabalho é também a mais longa, superando a casa dos 9 minutos. Revela-se, simultaneamente, como uma escolha perfeita para fechar o disco com chave-de-ouro, pois no seu transcorrer, reúne aquilo que de melhor o álbum havia apresentado, alternando momentos mais intimistas com outros mais agitados, todos com uma atuação perfeita dos vocais de Springsteen. Música sensacional!
A
letra envolve sentimentos como esperança e desespero:
In
the parking lot the visionaries
Dress
in the latest rage Inside the backstreet girls are dancing
To
the records that theD.J. plays Lonely-hearted lovers struggle in
dark corners Desperate as the night moves on,
Just
a look and a whisper, and they're gone
A
canção em suas letras reflete o padrão de toda o álbum, começando
com um sentimento de esperança desesperada que desliza para
desespero e derrota.
Nos
shows, "Jungleland" é tocada geralmente em seus finais.
John
Malkovich usou a canção, em uma trilha sonora teatral toda baseada
na obra de Springsteen, na peça Balm in Gilead, nos anos 80.
O
romance pós-apocalíptico de horror/fantasia The Stand, de Stephen
King, é aberto com três epígrafes, uma das quais é uma seção da
letra da canção.
Considerações
Finais
Born
to Run entrou para a história como álbum de Rock e definitivamente
mudou a carreira – e a vida – de Bruce Springsteen.
O
álbum atingiu a excelente 3ª posição da principal parada
norte-americana, conquistando a 17ª colocação na correspondente
britânica. Também ficou com os 7ºs lugares nas paradas de
Austrália, Nova Zelândia e Suécia.
O
lançamento do álbum foi acompanhado por uma campanha promocional de
250 mil dólares por parte da gravadora, Columbia Records, dirigida
tanto a consumidores como para a indústria da música, fazendo bom
uso da frase de Landau "Vi o futuro do rock 'n' roll e seu nome
é Bruce Springsteen".
Com
muita publicidade, Born to Run saltou para dentro do top 10 das
paradas em sua segunda semana de lançamento e logo superou a casa de
500 mil cópias vendidas.
As
consagradas revistas norte-americanas Time e Newsweek
colocaram Springsteen em suas capas na mesma semana (27 de outubro de
1975). Na Time, Jay Cocks elogiou Springsteen, enquanto o
artigo da Newsweek deu um olhar cínico na campanha
publicitária "próximo Dylan" que assombrava Springsteen
até sua consagração.
A
questão do 'hype' tomou alguma proporção em torno de si, já que
os críticos começaram a se perguntar se Springsteen era real ou
apenas um produto da promoção da gravadora.
Chateado
com o departamento de marketing da Columbia, Springsteen disse que a
decisão de rotulá-lo como “o futuro do rock foi um erro muito
grande e eu gostaria de estrangular o cara que pensou isso”.
Quando
Springsteen chegou para seu primeiro show no Reino Unido, no
Hammersmith Odeon, ele, pessoalmente, derrubou o poster com os
dizeres "Finalmente o mundo está pronto para Bruce Springsteen"
no saguão e ordenou que os botões com a mensagem "Eu vi o
futuro do rock 'n' roll no Hammersmith Odeon" não fossem
divulgados.
Agora,
temendo o hype pudesse ser negativo, a Columbia suspendeu todas as
entrevistas de Springsteen à imprensa. Finalmente, quando o furor
passou, as vendas gradualmente foram se reduzindo e o álbum deixou
as paradas após 29 semanas.
Entretanto,
o disco havia estabelecido uma sólida base de fãs para Springsteen, a qual seria reforçada com cada um de seus lançamentos
subsequentes.
Born
to Run recebeu críticas altamente positivas da mídia especializada
em música. Em uma revisão entusiasmada para a revista Rolling
Stone, Greil Marcus escreveu que Springsteen desenvolvia temas
românticos americanos com seu som majestoso, estilo ideal de rock
and roll, letras evocativas, e uma entrega apaixonada que define o
que é um álbum magnífico: “É o drama que conta; as histórias
que Springsteen está contando não são nada de novo, embora ninguém
nunca as tivesse contado melhor ou tê-las feito mais importantes”.
John
Rockwell, do The New York Times, disse que o álbum era "solidamente
rock 'n' roll", sendo mais diversificado que os discos
anteriores de Springsteen, enquanto suas letras detalhadas
mantivessem uma qualidade universal que transcende as fontes e os
mitos sobre as quais ele trabalho.
Nas
premiações, a revista Rolling Stone colocou Born To Run como o 18º
colocado na lista the 500 greatest albums of all time e
o canal VH1, em 2001, colocou o trabalho como a 27ª posição da
lista greatest album of all time.
Também está presente, na qualidade de gravação histórica, no
Registro Nacional de Gravações do Congresso Nacional
norte-americano.
Após o lançamento do álbum, uma batalha legal com seu ex-manager,
Mike Appel, manteve Springsteen fora do estúdio por quase um ano,
período em que ele e a E Street Band permaneceram unidos através de
uma extensa turnê em todos os EUA.
Born To Run ultrapassa a casa de 6 milhões de cópias vendidas
apenas nos Estados Unidos.
Formação:
Bruce Springsteen - Vocal, Guitarra, Gaita, Percussão
Roy Bittan - Piano, Órgão, Cravo, Backing Vocals exceto em "Born
to Run"
É dispensável maiores apresentações a Bruce Springsteen, um dos grandes nomes da história do Rock em todos os tempos. Especialmente em sua terra natal, os Estados Unidos, Springsteen goza de um prestígio e um reconhecimento proporcional ao tamanho - e qualidade - de sua obra.
Após 2 bons trabalhos lançados em 1973, Springsteen surgiu com uma obra única não apenas em sua discografia, mas na história da música. Há poucos álbuns como Born To Run por aí.
É bastante palpável todo o cuidado e empenho com que Bruce Springsteen gravou o álbum. Impressiona como cada segundo de sua duração foi pensado para se encaixar cada nota, cada instrumento, de maneira única e a soar contribuindo para o engrandecimento de cada composição.
Tudo isto é ainda mais ressaltado com o trabalho incrível de Bruce nos vocais, dando a interpretação exata que a letra da música necessita. Também, para fãs de saxofone, a atuação brilhante de Clarence Clemons é notável.
Outra característica marcante de Born To Run são os arranjos das canções, trabalhados de maneira excepcional de forma a tornar tudo mais grandioso, mas sem soar desnecessário. Brilhante.
Também nas letras o trabalho se apresenta bem. Vale à pena uma conferida.
Em um álbum tão excepcional como Born To Run, fica difícil até se ressaltar alguma faixa sem se cometer injustiça com as outras. O nível das composições é excepcional.
Mas a incrível e energética "Thunder Road" merece destaque, por toda a sua melodia e intensidade. Também a roqueira "Night", com um certo ar dos anos 50, destaca-se bastante. E temos "Born To Run", uma faixa-título emblemática e que levou Springsteen a patamares inimagináveis.
Mas "Jungleland" e seus 9 minutos de pura intensidade e brilhantismo consegue ser a preferida do blogueiro. Uma canção sensacional.
Enfim, o leitor do Blog está diante de uma das principais obras da história do Rock, com uma produção cuidadosa e composições excepcionais, reunidas para formarem um álbum muito acima da média. Bruce Springsteen mostrou-se extremamente inspirado ao compor 8 faixas incríveis como as que constroem Born To Run. E, ainda, acompanhado por uma banda magnífica, gravou um dos grandes clássicos de todos os tempos. Outro dos álbuns preferidos do Blog. Mais que obrigatório!