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BANDA BLACK RIO - MARIA FUMAÇA (1977)



Maria Fumaça é o álbum de estreia do grupo brasileiro chamado Banda Black Rio, lançado em 1977 pelo selo Atlantic Records da gravadora WEA.


A história da Banda Black Rio se confunde com a de seu formador, o multi-instrumentista Oberdan Magalhães, de formação acadêmica e que desde o final dos anos 1960 havia participado de diferentes projetos.

No início dos anos 70, Magalhães fundou um conjunto chamado Senzala, o qual tinha a finalidade de se apresentar em uma boate carioca denominada Black Horse.

O grupo Senzala se transformaria em Banda Black Rio no final de 1976, podendo assinar contrato com a gravadora WEA, recém-estabelecida no país, e começou a receber um salário fixo para ensaiar, lapidando um novo estilo e fechando um repertório.

Com a parte musical fechada, a gravadora resolveu bancar uma apresentação do conjunto em um dos bailes do subúrbio carioca, que ocorria na quadra de basquete do Olaria Atlético Clube. A banda tocou no meio da apresentação da equipe de som Soul Grand Prix, também contratada da WEA.

A recepção não foi calorosa, mas, ainda assim, André Midani, chefe da gravadora, considerou o resultado positivo e resolveu seguir em frente com o projeto de lançar um disco.

O grupo era formado por Oberdan Magalhães no saxofone, Lúcio da Silva no trombone, Barrosinho no trompete, Cláudio Stevenson na guitarra, Cristovão Bastos nos teclados, Jamil Joanes no baixo e Luiz Carlos Batera na bateria e percussão.

A gravação aconteceu em 1977, no Estúdio Level e no Estúdio Haway, no Rio de Janeiro. A produção ficou por conta de Marco Mazzola.

A banda, em 1981

A clássica faixa-título, “Maria Fumaça” abre o álbum de maneira espetacular, com uma melodia repleta de swing e malemolência, com linhas de baixo marcantes, unindo Funk e Samba de modo harmônico e contagiante. A versão para “Na Baixa do Sapateiro”, de Ary Barroso, possui uma pegada de Jazz Fusion com muitas guitarras e um toque criativo especial.

“Mr. Funky Samba” faz jus ao seu nome, unindo os dois estilos simbioticamente, enquanto os metais estão bastante agudos em “Caminho da Roça”. A bela “Metalúrgica” fecha o lado A do disco.

O lado B é aberto com uma versão para “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, dando um toque jazzy ao ritmo nordestino do Baião, de modo magistral, e com os metais dando um sabor extra à composição. “Casa Forte”, de Edu Lobo, traz a influência Funk bem ressaltada.

“Leblon Via Vaz Lôbo” traz novamente os metais em grande destaque e a pegada funky bem forte, especialmente no baixo de Jamil Joanes. “Urubu Malandro”, de João de Barro, é refletida com a guitarra bem aguçada em contraponto com a melancólica e intimista “Junia”, a qual encerra o trabalho.

Como ficou evidenciado na descrição das faixas, Maria Fumaça é um disco brilhante, à frente de seu tempo, vanguardista mesmo, com composições incríveis e versões totalmente sensacionais.

A divulgação do disco se beneficiou da inclusão da música título como tema de abertura e encerramento da telenovela da Rede Globo Locomotivas, bem como do lançamento de duas músicas de trabalho no formato single: “Na Baixa do Sapateiro”, releitura de Ary Barroso, e “Maria Fumaça”, música autoral.

Houve uma turnê em conjunto com Caetano Veloso, a qual passou pelas maiores cidades do Brasil. Estima-se que o álbum tenha vendido mais de 80 mil cópias.

O legado de Maria Fumaça é inconteste, sendo considerado um dos grandes clássicos da música brasileira, tendo sido indicado como um dos 100 maiores discos da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil, em 2007, na 38ª colocação. A música “Maria Fumaça” ficou na 79ª posição na lista de 100 maiores músicas brasileiras, realizada pela mesma revista, em 2009.

Formação:
Banda Black Rio:
Oberdan Magalhães - Saxofone alto, Saxofone tenor e Saxofone soprano
Lúcio J. da Silva, o Lúcio Trombone - Trombone
Barrosinho - Trompete
Cláudio Stevenson - Guitarra
Cristovão Bastos - Teclados
Jamil Joanes - Baixo
Luiz Carlos Batera - Bateria e percussão
Músicos adicionais:
Geraldo Bongô (Geraldo Sabino de Oliveira), Luna (Roberto Bastos Pinheiro), Nenê (Realcino Lima Filho) e Wilson Canegal - Percussão

Faixas:
01. Maria Fumaça (Magalhães/Batera) - 2:22
02. Na Baixa do Sapateiro (Barroso) - 3:02
03. Mr. Funky Samba (Joanes) - 3:36
04. Caminho da Roça (Magalhães/Barrosinho) - 2:57
05. Metalúrgica (Stevenson/Bastos) - 2:30
06. Baião (Gonzaga/Teixeira) - 3:26
07. Casa Forte (Lobo) - 2:22
08. Leblon Via Vaz Lôbo (Magalhães) - 3:02
09. Urubu Malandro (Louro/Barro) - 2:28
10. Junia (Joanes) - 3:39


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QUARTETO NOVO - QUARTETO NOVO (1967)



No ano de 1966, na cidade de São Paulo (SP), o catarinense Airto Moreira (Percussão, Bateria), o pernambucano Heraldo Monte (Guitarra, Viola) e o carioca Theo de Barros (Contrabaixo, Violão) formavam o chamado Trio Novo, grupo criado para acompanhar o cantor e compositor Geraldo Vandré em suas apresentações e gravações. Vandré, aliás, seria o candidato natural para tornar o Trio em Quarteto.

Entretanto, a chegada do alagoano Hermeto Pascoal (Piano, Flauta), em 1967, foi o fator que transformou o Trio em Quarteto. Entre outros feitos, o Quarteto Novo acompanhou Edu Lobo e Marília Medalha em “Ponteio”, esta, vencedora do III Festival de Música Popular Brasileira, em 1967. Heraldo, Airto e Theo, além de Vandré, tinham um real interesse no bebop americano e, segundo Pascoal, a primeira canção que arranjaram foi “Algodão”.

Aliás, em 1968, o Quarteto Novo seria o grupo de apoio de Geraldo Vandré em seu álbum Canto Geral e em suporte à turnê.

Mas, antes disto, em 1967, o Quarteto Novo gravaria seu único disco, Quarteto Novo, lançado pela gravadora Odeon Records e com produção do próprio conjunto. As 8 canções que compõem o trabalho seriam composições do próprio grupo, com participação de Vandré, à exceção de “Algodão”, faixa composta por Luiz Gonzaga e Zé Dantas.


“O Ovo” abre o disco em uma canção curta, mas extremamente divertida e inspirada, em que o protagonismo principal é para a flauta de Pascoal. A inacreditável “Fica Mal Com Deus” antecede “Canto Geral”, composição um tanto quanto mais contida e com toques de samba jazz. “Algodão” é instigante, superando a casa dos 7 minutos de profunda criatividade.

“Canta Maria” possui uma suave e emocionante melodia enquanto “Síntese” aproxima Bossa e Jazz, de modo extraordinariamente harmônico. “Misturada” é outra composição sensacional e que traz um maravilhoso solo de bateria de Airto Moreira. Encerra o álbum, com chave-de-ouro a belíssima “Vim de Santana”.

Quarteto Novo é um disco único, de vanguarda, muito à frente de seu tempo. É um trabalho pioneiro ao explorar toda a musicalidade do gênero musical chamado de Baião, fundindo-o através de arranjos e fraseados que conversam com a Bossa e com o Jazz. Assim, o álbum transpira criatividade e inventividade sem ficar restrito a fórmulas, mantendo um aspecto de improvisação.

O álbum Quarteto Novo venceu os prêmios de melhor disco do Troféu Imprensa e o Troféu Roquette Pinto, em 1967. Infelizmente, o grupo se desfez em 1969, com apenas este disco lançado.

No entanto, Quarteto Novo continua sendo um álbum único e que influenciou muita gente nos Estados Unidos e Europa, além de ter popularizado o Baião a públicos nacionais e internacionais. É um atestado da riqueza imensurável da Música Instrumental Brasileira.

Formação:
Theo de Barros - Baixo, Violão
Heraldo do Monte - Viola Caipira, Violão
Hermeto Pascoal - Flauta
Airto - Percussão, Bateria

Faixas:
01. O Ovo (Vandré/Pascoal) - 02:17
02. Fica Mal Com Deus (Vandré) - 3:27
03. Canto Geral (Vandré/Pascoal) - 03:43
04. Algodão (Gonzaga/Dantas) - 07:19
05. Canta Maria (Vandré) - 2:45
06. Síntese (Monte) - 2:37
07. Misturada (Moreira/Vandré) - 04:15
08. Vim De Sant'ana (Barros) - 05:09


Mais informações em: https://osomdovinil.org/quarteto-novo-quarteto-novo/