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MÖTLEY CRÜE - SHOUT AT THE DEVIL (1983)



Shout at the Devil é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Mötley Crüe. Seu lançamento oficial aconteceu em 26 de setembro de 1983 através do selo Elektra Records. As gravações ocorreram entre abril e julho daquele mesmo ano, no Cherokee Studios, em Hollywood, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Tom Werman.

MÖTLEY CRÜE - SHOUT AT THE DEVIL (1983)









Shout
at the Devil é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana
Mötley Crüe. Seu lançamento oficial aconteceu em 26 de setembro de
1983 através do selo Elektra Records. As gravações ocorreram entre
abril e julho daquele mesmo ano, no Cherokee Studios, em Hollywood,
nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Tom Werman.






Finalmente
o RAC traz o retorno do Mötley Crüe com
outro álbum que se tornou um dos pilares do Glam Metal: Shout at
the Devil
. Vai-se abordar os fatos que se antecederam ao
lançamento do disco para depois se ater ao tradicional faixa a
faixa.













Too
Fast for Love





Em
10 de novembro de 1981, foi lançado Too Fast for Love, o
álbum de estreia do Mötley Crüe.





O
Blog já abordou este disco e suas opiniões podem ser encontradas
aqui.





Too
Fast for Love
não foi nenhum sucesso imediato e suas qualidades
somente foram reconhecidas anos depois, quando o Mötley Crüe
se tornou um fenômeno de popularidade.





A
turnê canadense de promoção ao disco, em 1982, foi catastrófica e
deixou o grupo praticamente sem dinheiro.







Nikki Sixx





Começo
do sucesso





As
coisas começaram a mudar para o Mötley Crüe devido a 2
fatores fundamentais.





O
primeiro foi o surgimento e popularização da MTV norte-americana,
em 1º de agosto de 1981. A banda soube, como poucas, tirar proveito
do uso de videoclipes para sua promoção. (Nota do Blog: MTV
(anteriormente um inicialismo de Music Television) é um canal de
televisão norte-americano básico por cabo e satélite. Ela é uma
subsidiária da ‘Viacom Music and Entertainment Group’, a
propriedade principal da divisão Viacom Media Networks da Viacom. O
canal possui a sua sede na cidade de Nova Iorque. Lançada em 1 de
agosto de 1981, o propósito original do canal foi tocar videoclipes
guiados por personalidades televisivas conhecidas como ‘video
jockeys’, ou Vjs).





O
segundo, mas não menos importante, foi a participação da banda no
US Festival, no dia 29 de maio de 1983. Ao lado de nomes como
Ozzy Osbourne, Scorpions e Van Halen, a atuação
catártica do grupo chamou a atenção tanto do público quanto da
mídia. Estima-se que um público total de 670 mil pessoas tenha
assistido aos 4 dias de shows.







Vince Neil e Mick Mars





Shout
at the Devil





Contando
com sua formação clássica, o Mötley Crüe aproveitou os
frutos de sua apresentação no US Festival para lançar o que
seria seu segundo álbum de estúdio, Shout at the Devil.





Vince
Neil nos vocais, Nikki Sixx no baixo, Mick Mars na guitarra e Tommy
Lee na bateria formavam o quarteto na época.





Envolta
a polêmicas, como de costume, o título do álbum e o uso de um
pentagrama na capa do mesmo trouxeram muita controvérsia à banda
após seu lançamento, em 1983, quando grupos cristãos e
conservadores afirmaram que o conjunto estava encorajando seus
ouvintes a adorarem Satanás.





Aliás,
a arte da capa é obra de Bob Defrin.





Entre
abril e julho de 1983, o Mötley Crüe se reuniu no Cherokee Studios,
em Hollywood, no Estado norte-americano da Califórnia, para gravar o
trabalho sob a produção de Tom Werman, o qual já havia trabalhado
com nomes como Ted Nugent, Cheap Trick e Blue Öyster Cult, entre
outros.





Vamos
às faixas:





IN
THE BEGINNING





Esta pequena faixa funciona apenas como introdução ao disco.





A
letra é uma ode ao mal:





Now,
many many lifetimes later


Lay
destroyed, beaten, beaten down


Only
the corpses of rebels


Ashes
of dreams


And
bloodstained streets.…





O
produtor Geoff Workman é quem faz a narração das letras na faixa.













SHOUT
AT THE DEVIL





A guitarra de Mick Mars e a bateria de Tommy Lee anunciam uma música matadora. "Shout at the Devil" possui o peso, a intensidade e, claro, o tipo de melodia que faz o Heavy Metal conquistar uma grande legião de seguidores. Clássico!





A
letra é, literalmente, diabólica:





He's
the wolf screaming lonely in the night


He's
the blood stain on the stage


He's
the tear in your eye


Been
tempted by his lie


He's
the knife in your back


He's
rage


He's
the razor to the knife


Oh,
lonely is our lives


My
heads spinnin' round and round


But
in the seasons of wither


We'll
stand and deliver


Be
strong and laugh and





“Shout
at the Devil” é um clássico do Mötley Crüe.





A
faixa foi lançada como single, mas não obteve repercussão nas
principais paradas de sucesso.





Em
1982, a banda gravou uma versão demo de “Shout at the Devil”.
Esta versão permaneceu inédita por muitos anos, até a edição
remasterizada do álbum Shout at the Devil, de 2003. A versão
demo apresenta uma introdução diferente e tem letras ligeiramente
alteradas.





A
canção foi uma das várias as quais grupos conservadores alegaram
encorajar a adoração ao diabo.





Curiosamente,
a letra menciona duas músicas do Aerosmith: “Round and
Round” e “Seasons of Wither”.





A
música foi regravada pela própria banda para o álbum Generation
Swine
, de 1997, intitulada “Shout at the Devil ‘97” e foi
quando ela também ganhou um videoclipe.





A
faixa também aparece nos games Guitar Hero II, Guitar Hero
Smash Hits
e Rocksmith 2014. É usada como canção tema
de atletas como o lutador Brock Lesnar e o arremessador Joba
Chamberlain.





Entre
versões covers conhecidas temos as de grupos como Stuck Mojo,
Hollywood Undead e Sum 41, esta última com o baterista
Tommy Lee.













LOOKS
THAT KILL





"Looks that Kill" continua com o peso em voga e o ritmo em alta rotação, graças a um riff matador oriundo da guitarra de Mick Mars. Os ótimos vocais de Vince Neil aumentam as possibilidades desta ótima música, a qual lembra muito o Judas Priest!





A
letra possui sentido sexual:





She's
got the looks that kill


Now
she's bulletproof


Keeps
her motor clean and believe me, you


She's
a number thirteen













“Looks
That Kill” é outro clássico do Mötley Crüe.





A
faixa foi lançada como single, em 4 de janeiro de 1984. Ela passou
10 semanas no Hot 100 da Billboard nos Estados Unidos,
alcançando o seu 54º lugar.





A
canção foi lançada como um videoclipe, permitindo ao Mötley
Crüe
sua primeira exposição real na MTV.





Seus
riffs são considerados alguns dos melhores trabalhos do guitarrista
Mick Mars. Uma favorita dos fãs, a música ainda é uma parte
fundamental do set ao vivo do grupo.





O conjunto tocou a canção pela primeira vez em 31 de outubro de 1982, no
Concord Pavilion, em Concord, na Califórnia.





O
riff principal da faixa ficou no 41º lugar da lista da revista
norte-americana Guitar World dos melhores riffs/solos.





Aliás,
o riff principal é bem semelhante ao riff da música “Young
Girls”, do Dokken, presente no álbum Breaking the
Chains
, o qual foi lançado dois anos antes de Shout at the
Devil
.





A
música aparece no game Grand Theft Auto: Vice City Stories.
Um cover conhecido foi feito pela banda Static-X, presente no
álbum Cult of Static, de 2009.













BASTARD





"Bastard" é uma música que vai direto ao ponto, sem muitos rodeios, até mesmo pela sua curtíssima duração. Pesada e intensa, ela bebe na fonte do Metal setentista.





A
letra fala sobre tortura:





I
got your neck in the noose


I
got nothing to loose


We're
really gonna screw you


Consider
that bastard dead


Quick
as a shark


Beast
has its mark


You
can't beat the dark


But
don't try to rape me













GOD
BLESS THE CHILDREN OF THE BEAST





Pequena faixa instrumental, com pouco mais de 1 minuto, que serve de introdução para a seguinte.













HELTER
SKELTER





Adicionando uma intensidade e um peso extraordinários quando comparada à versão original, "Helter Skelter" é um Hard Rock vigoroso nas mãos do Mötley Crüe, com destaque para a guitarra de Mick Mars e para a bateria de Tommy Lee.





A
letra brinca com o amor como se ele fora uma tobogã:





Do
you, don't you want me to love you?


I'm
coming down fast, but I'm miles above you


Tell
me, tell me, tell me


Come
on tell me the answer


Well,
you may be a lover


But
you ain't no dancer





Evidentemente,
trata-se de uma versão para o clássico dos The Beatles,
“Helter Skelter”, composta por John Lennon e Paul McCartney e
presente no álbum The Beatles, de
1968.





A
canção foi lançada como single, mas não repercutiu nas principais
paradas de sucesso.













RED
HOT





O baixista Nikki Sixx constrói uma base interessante para que a guitarra de Mick Mars brilhe bastante na boa introdução de "Red Hot". O riff de guitarra é um dos melhores de todo o álbum e o peso é uma constante nesta faixa alucinante.





A
letra fala sobre medo:





The
kids scream in fright through the night


Loving
every bite with delight


And
we blow out our minds with your truth


And
together we stand for the youth













TOO
YOUNG TO FALL IN LOVE





Mick Mars aparece novamente com outro riff matador, desta feita, como parte de uma música extremamente pesada, mas bastante cadenciada. O resultado final é uma composição muito intensa e com um clima angustiante. Excelente trabalho vocal de Vince Neil!





A
letra é sobre sexo e violência:





You
say our love


Is
like dynamite


Well
its no surprise


Cause
you've got one-way eyes


Well
you're killing me


Your
love's a guillotine


Not
yet a man


Just
a punk in the street













A
música foi lançada como single, atingindo apenas a 90ª colocação
da principal parada norte-americana desta natureza.





Um
videoclipe acompanhante foi lançado em conjunto com o single. O
vídeo diz respeito aos membros da banda se unindo para resgatar uma
jovem mulher asiática das garras do que parece ser uma figura
semelhante a um Imperador. Ele permanece intercalando imagens do
conjunto tocando a música, com cenas de luta onde os membros
enfrentam ninjas e samurais do Imperador.





A
canção também aparece no game Grand Theft Auto: Vice City.













KNOCK
‘EM DEAD, KID





Outro bom riff é a base desta canção do disco. O ritmo é mais cadenciado, mas o peso está presente, bem como a bateria de Tommy Lee se destaca. A guitarra de Mars está furiosa.





A
letra também fala sobre violência:





In
the heat of the night


You
went and blackened my eyes


Well
now I'm back


I'm
back


I'm
back


And
I'm coming your way


Well
now I'm supercharged


Might
just explode in your face


I'm
black


I'm
black


I'm
black


And
I'm primed for hate













TEN
SECONDS TO LOVE





A ótima "Ten Seconds to Love" é a canção mais glam metal do álbum, abraçando brutalmente o Glam Metal e o Hard Rock e, em contrapartida, deixando o peso absurdo de lado. Aqui, o grupo aposta mais em uma melodia maliciosa e um ritmo saliente, com um bom trabalho de Nikki Sixx.





A
letra é sobre sexo:





Touch
my gun, but don't pull my trigger


Let's
make history in the elevator


Lock
the door, shine my pistol some more


Here
i come, just 10 seconds longer













DANGER





A décima-primeira - e última - faixa de Shout at the Devil é "Danger". A música de encerramento do álbum é um presente aos ouvintes. Embora mais cadenciada e com menos peso, mesmo assim intensa, "Danger" é uma composição bem interessante.





A
letra fala sobre Hollywood:





Danger


You're
in danger


When
the boys are around Danger


You're
in danger


And
this is my town


This
is Hollywood













Considerações
Finais





Mesmo
com seus singles fazendo moderado sucesso, Shout at the Devil
foi um divisor de águas na carreira do Mötley Crüe.





O
disco atingiu a boa 17ª posição da principal parada
norte-americana desta natureza, a Billboard. Ainda conquistou os 23º
e 85º lugares das paradas de Canadá e Austrália.





Em
uma resenha contemporânea para o jornal americano The
Village Voice
, Robert Christgau fez uma crítica pesada a
Shout at the Devil e sentiu o apelo comercial da banda como
uma ‘falsa fanfarronice’ em um álbum que seria pobre “até
mesmo para os padrões do heavy metal”.





JD
Considine, da revista norte-americana Rolling Stone, chamou o
estilo de rock estereotipado, inócuo e sem originalidade: “O ponto
principal de bandas como Motley Crue é proporcionar emoções
baratas a adolescentes cansados, e é aí que o álbum acaba
desapontando”.





Considine,
no The Rolling Stone Album Guide, de 2004, descartou a
música como “uma destilação aflitivamente gentil dos clichês do
Kiss e do Aerosmith”. Posteriormente, a revista
classificaria o álbum no 44º lugar em seu 100 Greatest Metal
Albums of All Time
.





Barry
Weber, do AllMusic, deu uma nota 4,5 (em 5) e foi mais
positivo, em uma análise retrospectiva; citando Shout como o melhor álbum da banda, que “exibe o metal escorregadio e notório
(ainda bastante divertido) do Mötley Crüe no seu melhor
[momento]”.





O
jornalista canadense Martin Popoff considerou Shout at the Devil
inferior ao álbum de estreia do Mötley, mas achou sua música
extremamente viciante e, se não original, chamou-o de “metal de
lobotomia punk”.





Adrian
Begrand, do PopMatters, chamou o álbum de “clássico
atemporal do metal [de] LA”, do qual “as pessoas muitas vezes se
esquecem o quão escuro, quão desprezível, quão ameaçador...
realmente é”. Em sua opinião, contém os melhores singles da
banda e “permanece até hoje a melhor hora do Mötley Crüe”.





O
guitarrista Russ Parrish, mais conhecido como Satchel, da banda Steel
Panther
, afirmou: “Sem este álbum, muitas das grandes bandas
de hair metal não teriam surgido”, continuando: “Theatre of
Pain
era mais do seu visual glamouroso, mas Shout at the Devil
foi um ótimo álbum. Era doentio. Eles definiram o limite. As
pessoas olharam para aquilo e disseram: ‘Porra, temos que nos
vestir bem, cara’”.





Para
se reconhecer o valor real e o poder de um disco como Shout at the
Devil
, ninguém melhor que Nikki Sixx que, em 2000, declarou:





“Quando
uma banda como nós lança Shout at the Devil” (...)
“e a gravadora faz marketing zero, publicidade zero e faz zero
anúncios comerciais, e você vende cinco milhões de discos, então
todo mundo começa a te dar tapinhas nas costas. Mas é o Mötley
Crüe
quem fez isso, não a Elektra Records”.





Shout
at the Devil
elevou consideravelmente o sucesso do grupo e fez
com que o Mötley Crüe acontecesse. Ele foi um tremendo
sucesso comercial. A banda então ganhou a atenção da estrela do
heavy metal, Ozzy Osbourne, e se viu como o show de abertura
para Osbourne em sua turnê mundial de 1984.





Os
membros da banda ficariam bem conhecidos por suas palhaçadas e
roupas extravagantes, botas de salto alto, maquiagem forte e
aparentemente interminável abuso de álcool e drogas.





Em
1985, o Mötley Crüe lançaria seu terceiro álbum de
estúdio, o clássico Theatre of Pain.





Shout
at the Devil
supera a casa de 4 milhões de cópias vendidas
apenas na América do Norte.













Formação:


Vince
Neil - Vocal


Mick
Mars - Guitarras Elétricas e Acústicas, Backing Vocals


Nikki
Sixx - Baixo, Backing Vocals


Tommy
Lee - Bateria, Backing Vocals


Músicos
adicionais:


Geoff
Workman (creditado Allister Fiend) - narrador em 01


Jai
Winding - Teclados


Paul
Fox - Teclados


Tom
Kelly - Vocais de fundo


Richard
Page - Vocais de fundo





Faixas:


01.
In the Beginning (Sixx/Workman) - 1:13


02.
Shout at the Devil (Sixx) - 3:16


03.
Looks That Kill (Sixx) - 4:07


04.
Bastard (Sixx) - 2:54


05.
God Bless the Children of the Beast (Mars) - 1:33


06.
Helter Skelter (Lennon/McCartney) - 3:09


07.
Red Hot (Sixx/Mars/Neil) - 3:20


08.
Too Young to Fall in Love (Sixx) - 3:34


09.
Knock 'Em Dead, Kid (Sixx/Neil) - 3:40


10.
Ten Seconds to Love (Sixx/Neil) - 4:17


11.
Danger (Sixx/Mars/Neil) - 3:51





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/motley-crue/





Opinião
do Blog:


Em um Blog que desde o seu início valorizou o Glam Metal, é curioso notar como o Mötley Crüe demorou a retornar por estas páginas. E, entre todas as ótimas bandas desta vertente do Rock, o Mötley Crüe é bem possivelmente a preferida de quem faz o RAC.



Com a mesma clássica formação que gravou o ótimo "Too Fast for Love", o grupo se mostra mais amadurecido e preparado para brilhar. Tommy Lee e Vince Neil são pontos altos do álbum, mas o guitarrista Mick Mars está verdadeiramente endiabrado nos riffs.



E aqui o Mötley Crüe está muito pesado e a influência do Judas Priest (em especial de faixas como "Grinder", de British Steel) é muito perceptível. E isto faz de Shout at the Devil um disco incrível.



As letras são maliciosas, mesmo que simples, e a sonoridade é violenta. A guitarra de Mars está pesada como nunca e a seção rítmica fornece um peso absurdo às canções.



Desta forma, o resultado final é um álbum conciso, direto e sem músicas de enchimento. É deixar rolar e curtir.



O clássico indiscutível "Shout at the Devil" é uma canção sensacional em seus peso e fúria. "Bastard" é outro petardo assim como a maliciosa "Ten Seconds to Love", esta, a que mais se parece com a fase dourada do grupo. Até a versão de "Helter Skelter" é interessante.



Mas o RAC elege a incrível "Too Young to Fall in Love" e o riff matador de "Looks That Kill" como suas favoritas do trabalho.



Enfim, para o Blog não restam dúvidas de que Shout at the Devil é um dos grandes álbuns da década de 80 e, também, foi o trabalho que elevou o Mötley Crüe de patamar. Uma das bandas favoritas do RAC com um de seus melhores discos: obrigatório!


MÖTLEY CRÜE - TOO FAST FOR LOVE (1981)


Too Fast For Love é o álbum de estreia da banda norte-americana Mötley Crüe. Seu lançamento oficial ocorreu em 10 de novembro de 1981, através do selo Leathur Records. As gravações se deram durante o ano de 1981, com a própria banda como produtora, no estúdio Hit City West, em Los Angeles, na Califórnia. No seu relançamento, em 1982, o selo responsável foi o Elektra e a produção ficou com Roy Thomas Baker.


Um dos – senão o mais – principais nomes da cena Glam Metal norte-americana dos anos 80 é o Mötley Crüe. Vamos abordar um pouco de sua história para depois focarmos nas canções do disco, seguindo a tradição do Blog.

O Mötley Crüe foi formado em 17 de janeiro de 1981, quando o baixista Nikki Sixx deixou a banda London e começou a ensaiar com o baterista Tommy Lee e com o vocalista e guitarrista Greg Leon. Lee já havia trabalhado com Leon numa banda chamada Suite 19 e o trio continuou a ensaiar juntos durante um tempo até que Leon decidiu não continuar mais.

Sixx e Lee começaram uma busca por novos membros e logo encontraram o guitarrista Bob Deal, mais conhecido como Mick Mars. Ele rapidamente fez o teste e, posteriormente, foi contratado.

Embora um vocalista de nome O'Dean tenha sido ouvido, Lee conhecia Vince Neil de seus dias de escola na Charter Oak High School, em Covina, Califórnia, e os dois haviam tocado simultaneamente em diferentes bandas no circuito de garagem.

Ao ver Neil tocar com a banda Rock Candy no Starwood em Hollywood, Califórnia, Mars sugeriu que deveriam tê-lo no grupo, afirmando: "Eu não me importo se ele pode cantar . Eu não me importo se ele pode fazer qualquer coisa. A maneira como ele tem aquela plateia consigo... esse é o cara de que precisamos".

Vince Neil

Neil recusou a primeira oferta, mas como os outros membros da Rock Candy se envolveram em outros projetos, o vocalista se decidiu por procurar outra coisa.

Quando Lee fez um apelo final para uma audição, Neil aceitou e foi contratado em 1º de abril de 1981. Mas a recém-formada banda ainda não tinha um nome.

Sixx afirma que ele disse aos outros companheiros de banda que estava "pensando em chamar a banda de Christmas (Natal)". Os outros membros não foram muito receptivos à ideia.

Então, enquanto tentavam encontrar um nome adequado, Mars se lembrou de um incidente que ocorreu quando ele estava tocando com uma banda chamada White Horse, quando um dos outros membros da banda chamou o grupo de "a motley looking crew.".

Ele se lembrou da frase e depois descreveu-a como Mottley Cru. Depois de modificar a grafia ligeiramente para "Mötley Crüe", passou a ser o nome da banda, com a decisão estilística sugerida por Neil em adicionar os dois tremas nas palavras, supostamente inspirados na Löwenbräu, uma cerveja alemã que os membros bebiam no momento.

A banda logo conheceu seu primeiro gerente, Allan Coffman, o cunhado de trinta e oito anos de idade, do amigo do motorista de Mars.

O primeiro lançamento da banda foi o single "Stick To Your Guns/Toast of the Town ", que foi lançado por sua própria gravadora, a Leathür Records, que tinha um acordo de pressagem e distribuição com a Greenworld Distribution de Torrance, Califórnia.

Em novembro de 1981, seu álbum de estreia, Too Fast for Love, foi produzido e lançado pela Leathür, vendendo 20 mil cópias.

O assistente de Coffman, Eric Greif, conseguiu uma turnê no Canadá, ao mesmo tempo em que ambos utilizaram o sucesso do Mötley Crüe na cena de clubes noturnos de Los Angeles para negociarem com várias gravadoras.

Por fim, assinaram um contrato com a gravadora Elektra Records no final da Primavera de 1982. O álbum de estreia foi então remixado pelo produtor Roy Thomas Baker e relançado em 20 de agosto de 1982, dois meses após o seu lançamento canadense pela Warner Music Group, o qual usara as mixagens originais da Leathür Records, objetivando coincidir com a turnê.

Há três prensagens conhecidas, em vinil, da versão original do álbum lançada pela Leathür Records, juntamente com uma versão em fita cassete e um CD promocional extremamente raro.

O primeiro vinil, em sua capa, tinha letras brancas (com a gravadora branca com letras pretas). Sua demo foi gravada em fevereiro de 1980, com as despesas financiadas por Ian Gillan, que quando viu a banda em um pub no centro de Los Angeles afirmou: "Sua aparência externa e música me fascinaram". Também a foto da capa de trás (de Vince Neil) o mostra com um penteado enorme, que precisou ser retocada em sua cor de cabelo, a qual não apareceu bem no encarte do álbum (que era branco).

A segunda prensagem tem letras vermelhas sobre a cobertura e a gravadora é novamente branca com letras pretas. O cabelo de Neil também foi corrigido na fotografia da capa traseira. Além disso, a segunda prensagem apresenta uma foto ligeiramente diferente da banda.

A terceira prensagem tem letras vermelhas sobre a cobertura e a gravadora está preta com letras brancas.

A primeira prensagem parece ser a mais rara, com apenas 900 cópias prensadas. A segunda prensagem parece ser a mais comum disponível no mercado secundário.

Nikki Sixx

Embora algumas fontes indiquem que a versão Leathür também continha a canção "Toast of the Town", isso não é verdade. Esta canção foi lançada como lado B do single de 7 polegadas de "Stick To Your Guns", que foi auto-lançado pela banda através do selo Leathür Records antes da gravação do álbum propriamente dito.

A capa é uma referência ao álbum Sticky Fingers, do Rolling Stones. Vamos às faixas:

LIVE WIRE

"Live Wire" começa bebendo na fonte do Heavy Metal tradicional. O riff é bem pesado e rápido, lebrando as bandas da New Wave Of British Heavy Metal. A interpretação dos vocais por Vince Neil também é ótima. Um ótimo começo para o trabalho.

A letra tem a conotação festiva e sexy do estilo Glam Metal:

Plug me in
I'm alive tonight
Out on the streets again
Turn me on
I'm too hot to stop
Something you'll never forget
Take my fist
Break down walls
I'm on top tonight

Foi lançada como single apenas em agosto de 1982, mas não obteve repercussão nas paradas deste tipo de lançamento.


Junto ao single, foi também realizado um videoclipe em que os próprios membros do grupo fizeram a direção da gravação.

Já o canal VH1 colocou “Live Wire” na 17ª colocação de sua eleição de 40 Melhores Canções de Metal de Todos os Tempos, de 2006.

Versões covers da canção foram feitas por bandas como Fozzy e Vamps. Está presente nos games Brütal Legend, Tony Hawk's American Wasteland e Saints Row: The Third.



PUBLIC ENEMY #1

A segunda canção do álbum já apresenta uma nova configuração, com um andamento mais cadenciado, denotado através de um riff mais leve e lento. Não há tanto peso, lembrando mais a sonoridade do Hard Rock setentista. Mas se trata de outra boa composição.

A letra é bem simples, em tom de fuga:

You and me
Under the gun tonight
On the run
We're lost in the lime light
Don't think about nothin'
Because we're gonna get crazy



TAKE ME TO THE TOP

Em "Take Me To The Top" o peso está de volta, em uma faixa que novamente mostra o grupo apresentando um som mais agressivo. O riff é ótimo, com peso e ritmo nas medidas exatas. O destaque vai para a ótima performance de Neil.

A letra pode ser entendida como alguém envolvido com substâncias ilegais:

No, no, no fight all temptation
Well, in a black hearted alley fight
I'm screaming
Take me to the heights tonigh



MERRY-GO-ROUND

A quarta música do trabalho apresenta um embrião da sonoridade que algumas composições futuras do Mötley Crüe teriam. Ela tem um início bem mais suave e lento, mas o refrão apresenta o riff de forma mais intensa. Outra composição bastante interessante.

A letra tem certa conotação romântica:

It's not easy puttin' on a smile
You're alone, lost and found
She waits at home just to love him
Through the night thinkin'
He's been gone so long now
Is he coming home
He's been gone so long now, oh!



PIECE OF YOUR ACTION

Mais um belíssimo e empolgante riff abre a quinta canção do disco. A seção rítmica está bastante presente, dando peso à música, assim como os vocais de Vince Neil estão bem mais agressivos. Mas o destaque maior é para a guitarra de Mick Mars, contando com um solo bem legal. Excelente faixa!

A letra tem caráter sexual:

Tight action, rear traction
So hot, you really blow me away
Fast moving, wet and ready
The time is right, so hold on tight
Live Wire, night prowler
Lay back and take me inside
You need me now, I'll teach you how
Come on let's go all the way



STARRY EYES

"Starry Eyes" tem uma atuação bem destacada de Tommy Lee, especialmente nos momentos mais iniciais da faixa. A canção segue uma linha um pouco mais cadenciada, mas o peso continua presente. Isto tudo é conseguido através de um riff bastante inspirado. Outro ótimo momento do disco.

A letra tem sentido de sofrimento amoroso:

When she laughs
She's got the power of a child in her eyes
And when you cry now
She'll hold you like a man's supposed to be held
I can't get into words how I feel
Get it right in this song now
I had to set her free
Needed a friend
Come back to me



STICK TO YOUR GUNS

A faixa começa de forma mais lenta, mas logo a velocidade do ritmo aumenta, mesmo que o peso não esteja tão presente desta vez. A construção da música é interessante, com bons vocais e uma guitarra sempre presente. Tende mais para o Hard Rock.

A letra tem conotação de luta:

Too much too soon. too much for you
Everyday has a hero, don't it though
Don't let it go
You got to fight, it just ain't right
Hey man, look at me, I'm screaming
Are you watching me bleed, are you believing'



COME ON AND DANCE

O peso volta a dar as caras em "Come On And Dance", com a música apresentando um ritmo e andamento bastante interessantes. Neil oscila entre vocais mais agressivos e outros mais suaves, especialmente no refrão. O solo é bastante inspirado.

Novamente, a letra tem alusão a sexo:

Fast and slick
Well she's cool and clean
In a pepsi sheen
She's a leather tease



TOO FAST FOR LOVE

Uma guitarra bastante forte e presente dá o ponto de partida da faixa-título. O riff segue a linha da maioria das faixas do álbum, pesadas e com um andamento mais cadenciado. O refrão, embora repita as mesmas palavras, é o ponto alto da canção, sendo construído de maneira divertida. Ótima música.

As letras também tem conotação sexual:

Oh, no, oh, no
She's a streamline queen
On a sex craved movie screen
Say it again
She'll use her time up
Have nothing to show
Well mark my words
Do you remember?
Well I remember
Oh, no, oh, no



ON WITH THE SHOW

A décima - e última - faixa do disco é "On With The Show". Ela se inicia de maneira mais suave, ganhando peso aos poucos. Tommy Lee deixa sua bateria bastante presente, em uma canção mais leve, aproximando-se de uma balada, mesmo não sendo uma. Ótimo solo de Mick Mars.

A letra mostra uma briga e a vida rebelde de um jovem:

With his six string knife
And his street wise pride
The boy was a man before his time
And she knew
All their dreams would come true



Considerações Finais

Em termos de parada de sucessos, o álbum não fez nenhum estardalhaço no ano de seu lançamento. Ficou com a 77ª posição na parada norte-americana e com a 42ª colocação na sua correspondente britânica.

Mas a força da qualidade das composições de Too Fast For Love acabou sendo reconhecida a medida que o grupo começou a fazer um gigantesco sucesso em meados dos anos 80 e os fãs buscaram os lançamentos iniciais do Mötley Crüe.

Durante a turnê canadense de 1982 chamada "Crüesing Through Canada Tour '82", houve vários incidentes amplamente divulgados.

Primeiro, a banda foi presa e em seguida liberada no Aeroporto Internacional de Edmonton por usar seu guarda-roupa customizado de spikes (considerado uma "armas perigosas" pela alfândega) e, também, por Neil chegar com uma pequena bagagem de mão repleta de revistas pornográficas (consideradas "materiais indecentes"). A alfândega canadense, eventualmente, reteve os itens confiscados e os destruiu.

Em segundo lugar, ao tocar “Scandals Disco” em Edmonton, uma "ameaça de bomba" contra a banda fez a primeira página do Jornal Edmonton, em 9 de Junho de 1982; o assistente de empresário da banda, Greif, e Lee foram entrevistados pela polícia como resultado. Isso também acabou sendo um golpe de publicidade, encenado e perpetrado por Greif.

Por fim, Tommy Lee lançou um aparelho de televisão a partir da janela superior do Sheraton Caravan Hotel. A revista canadense de rock Music Express observou que a banda foi "banida para a vida" (ou seja, perpetuamente) da cidade.

Apesar da turnê acabar prematuramente por ter sido um desastre financeiro, foi a base para a primeira entrevista internacional do grupo.

Too Fast For Love supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Vince Neil - Vocais
Mick Mars - Guitarras
Nikki Sixx - Baixo
Tommy Lee - Bateria, Percussão

Faixas:
01. Live Wire (Sixx) - 3:14
02. Public Enemy #1 (Sixx/Lizzie Grey) - 4:22
03. Take Me to the Top (Sixx) - 3:43
04. Merry-Go-Round (Sixx) - 3:22
05. Piece of Your Action (Sixx/Neil) - 4:39
06. Starry Eyes (Sixx) - 4:28
07. Stick to Your Guns (Sixx) - 4:20
08. Come on and Dance (Sixx) - 3:11
09. Too Fast for Love (Sixx) - 4:11
10. On with the Show (Sixx/Neil) - 4:07

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/motley-crue/

Opinião do Blog:
O Mötley Crüe está intimamente ligado ao que se convencionou chamar Glam Metal, ou seja, o Hard Rock norte-americano dos anos oitenta. Foi e sempre será um de seus maiores expoentes.

Too Fast For Love é o álbum inicial da banda e possui uma sonoridade um pouco diferente daquela que o grupo viria a apresentar em meados da década de 80 em seus álbuns mais consagrados. Aqui, o grupo californiano abusa do peso em suas canções.

Fica notório que o Mötley Crüe bebeu na fonte do Heavy Metal tradicional em faixas como "Live Wire" e "Take Me To The Top", por exemplo. Já "Public Enemy #1" lembra bastante os grandes nomes do Hard Rock Setentista norte-americano, mais especificamente o KISS.

Também é possível sentir alguma conexão, em todo o álbum, com a sonoridade desenvolvida pelo Van Halen em seu primeiro álbum, especialmente na estrutura das canções e nas guitarras.

Não há maiores destaques individuais no grupo: o forte é mesmo a conjunção dos músicos, tocando de maneira simples, mas contagiante. Tudo está em prol das canções.

"Too Fast For Love" é excelente, muito empolgante, ideal para uma festa. Também são excelentes músicas "Starry Eyes" e "Piece Of Your Action".

As letras são bastante simples, em tons mais festivos e algumas vezes sensuais. Nada que denigra o trabalho.

Enfim, o debut do Mötley Crüe mostra uma banda com garra e sedenta de sucesso. Traz uma sonoridade mais pesada, mas cheia de empolgação. Uma das bandas de que gosto bastante e um álbum bem acima da média. Mais que recomendado!