“(Don't Worry) If There's a Hell Below, We're All Going to Go” é uma canção composta e gravada por Curtis Mayfield para seu álbum de estreia em sua carreira solo, Curtis, de 1970.
A carreira de Mayfield começou em 1956, quando ele se juntou ao the Roosters com Arthur e Richard Brooks e Jerry Butler. Dois anos depois, o the Roosters, agora incluindo Sam Gooden, tornou-se the Impressions.
A banda lançou dois singles de sucesso com Butler, “For Your Precious Love” e “Come Back My Love”, antes de Butler deixar o grupo. Mayfield saiu temporariamente com ele, coescrevendo e se apresentando no próximo sucesso de Butler, “He Will Break Your Heart”, antes de retornar ao the Impressions com o conjunto assinando com a ABC Records e trabalhando com o produtor/gerente de A&R, Johnny. Pate.
Mayfieldfoi um compositor prolífico em Chicago, mesmo fora de seu trabalho com o Impressions, escrevendo e produzindo dezenas de hits para muitos outros artistas.
Entre os maiores sucessos de composição de Mayfield, estavam três hits que ele escreveu para Jerry Butler no Vee Jay. Suas harmonias vocais eram muito proeminentes. Ele também teve grande sucesso escrevendo e arranjando “Mama Didn't Lie”, de Jan Bradley.
A partir de 1963, Mayfield esteve fortemente envolvido na composição e organização da OKeh Records (com produção de Carl Davis), que incluiu sucessos de Major Lance, Walter Jackson, Billy Butler and the Artistics. Esse projeto durou até 1965.
Em 1970, Mayfield deixou o the Impressions e começou uma carreira solo.
Curtis Mayfield
A Curtom Records lançou muitos dos álbuns de Mayfield nos anos 1970, bem como de Impressions, Leroy Hutson, Five Stairsteps, Staples Singers, Mavis Staples, Linda Clifford e Baby Huey and the Babysitters. Gene Chandler e Major Lance, que haviam trabalhado com Mayfield na década de 1960, também assinaram curtas estadias na Curtom. Muitas das gravações da gravadora eram produzidas por Mayfield.
O primeiro álbum solo de Mayfield, Curtis, foi lançado em 1970, e alcançou o top 20, além de ser um sucesso crítico. Ele é anterior ao álbum de Marvin Gaye, What's Going On, com o qual foi comparado por abordar mudanças sociais.
Assim como todo o álbum Curtis, “(Don't Worry) If There's a Hell Below, We're All Going to Go” foi gravada no RCA Studios, em Chicago, nos Estados Unidos e lançada pelo selo Curtom Records. A música foi criada para servir como um aviso sobre o estado das relações raciais e a tempestade social que crescia nas cidades americanas.
A música começa com uma mulher proclamando as virtudes do “Livro do Apocalipse”, da Bíblia, sobre uma introdução de baixo fuzz e bateria de conga. Mayfield então grita com um grande eco: “Irmãs! Negros! Brancos! Judeus! Crackers! Não se preocupem, se houver um inferno lá embaixo, todos nós iremos!” seguido por um grito. A música começa com um pesado fuzz, percussão latina, guitarra wah-wah e cordas.
A faixa foi lançada como single em novembro de 1970, alcançando a 29ª posição da principal parada norte-americana, a Billboard, conquistando a 3ª colocação da parada voltada ao R&B da própria Billboard. A versão single era mais curta, com pouco mais de 3 minutos.
A música ao vivo é encontrada no álbum Curtis/Live! (1971) e Live in Europe (1987), as quais foram adicionadas à reedição em CD do álbum Curtis. Algumas versões covers conhecidas foram feitas por Antiseen e The Afghan Whigs.
Veja a letra:
Sisters, brothers and the whities
Blacks and the crackers
Police and their backers
They're all political actors
Hurry
People running from their worries
While the judge and the juries
Dictate the law that's partly flaw
Cat calling, love balling, fussing and cussing
Top billing now is killing
For peace no-one is willing
Kind of make you get that feeling
Everybody smoke, smoke, smoke, smoke, smoke
Use the pill and the dope, dope, dope, dope, dope
Educated fools
From uneducated schools
Pimping people is the rule
Polluted water in the pool
And Nixon talking about don't worry, worry, worry, worry
He says don't worry, worry, worry, worry
He says don't worry, worry, worry, worry
He says don't worry, worry, worry, worry
But they don't know
There can be no show
And if there's a hell below
We're all gonna go, go, go, go, go
Everybody's praying
And everybody's saying
But when come time to do
Everybody's laying
Just talking about don't worry, worry, worry, worry
They say don't worry, worry, worry, worry
They say don't worry, worry, worry, worry
They say don't worry, worry, worry, worry
Participaram da gravação do álbum Curtis: Leonard Druss, John Howell, Harold Lepp, Loren Binford, Clifford Davis, Patrick Ferreri, Richard Single, Rudolph Stauber, Donald Simmons, Robert Lewis, Harold Dessent, Ronald Kolber, Harold Klatz, John Ross, Sol Bobrob, Sam Heiman, Elliot Golub, Henry Gibson, Robert Sims, Gary Slabo, Philip Upchurch
“Respect” é uma música escrita e originalmente lançada pelo artista americano Otis Redding em 1965. A música se tornou um ‘hit’, em 1967, e uma verdadeira canção assinatura da cantora de soul Aretha Franklin.
A música nas duas versões é significativamente diferente e, com algumas mudanças nas letras, as histórias contadas pelas músicas também possuem sabores diferentes.
A versão de Redding é um apelo de um homem desesperado, que dará à mulher o que ela quiser. Ele não se importará se ela lhe fizer mal, desde que ele receba o devido respeito quando trouxer dinheiro para casa.
No entanto, a versão de Franklin é uma declaração de uma mulher forte e confiante, que sabe que ela tem tudo o que seu homem deseja. Ela nunca faz mal a ele e exige do mesmo ‘respeito’. A versão de Franklin também adiciona o refrão ‘R-E-S-P-E-C-T’ e o backing vocal “Sock it to me, sock it to me, sock it to me ...”
No começo, uma balada, “Respect” foi escrita por Reddingpara Speedo Sims, que pretendia gravá-la com sua banda, Singing Demons. Redding reescreveu a letra e acelerou o ritmo. Speedo então foi com a banda para os estúdios Muscle Shoals, mas não conseguiu produzir uma boa versão.
Desta forma, Redding decidiu cantar a música ele mesmo, no que Speedo concordou. Redding também teria prometido creditar Speedo como compositor, mas isso jamais aconteceu; Speedo, no entanto, nunca o acusou por não tê-lo feito.
A música foi incluída no terceiro álbum de estúdio de Redding, Otis Blue (1965). O disco se tornou um grande sucesso, mesmo fora de sua grande base de fãs de R&B e blues. Quando lançada, no verão de 1965, a música alcançou o top cinco na parada Black Singles Chart, da Billboard, e passou para o público branco através das rádios ‘pop’.
Na época, a música se tornou o segundo maior sucesso de Redding(depois de “I've Been Loving You Too Long”) e abriu o caminho para uma futura presença nas rádios americanas. Redding a apresentou no Festival Pop de Monterey.
As duas versões de “Respect”, a originalmente escrita e gravada por Otis Redding e a mais tarde repaginada por Aretha Franklin, são, conforme afirmado, significativamente diferentes. Enquanto ambas as músicas têm estilos e ritmos semelhantes, os escritores e intérpretes das letras claramente tinham duas mensagens diferentes em mente. As músicas se diferem liricamente nos refrões, e até os versos têm uma entonação distinta.
Aretha Franklin
A versão de Redding é caracteristicamente descolada, com seu canto rouco, utilizando buzinas brincalhonas e vocais ‘sensuais e falsificados’ para entregar letras sem qualquer subtexto. A mensagem de um homem exigindo respeito de sua mulher por ser o 'ganhador de pão' é decisivamente clara.
Ademais, a versão de Redding foi escrita através da perspectiva de um homem trabalhador que só pode esperar chegar em casa e finalmente receber o respeito que merece de sua família. Sua versão é menos um pedido de respeito e mais um comentário sobre o sentimento de valor de um homem em sua vida profissional - e em casa. Ele menciona que está “prestes a dar apenas todo o meu dinheiro” e que tudo o que ele quer em troca é respeito.
Assim, as letras são repetitivas e diretas ao longo da música; não há qualquer camada de mensagens ou intenções.
A inspiração para a música surgiu quando, em resposta às reclamações de Redding após uma turnê difícil, o baterista Al Jackson teria dito: “Do que você está falando? Você está na estrada o tempo todo. Tudo o que você pode procurar é um pouco de respeito quando você chega em casa”.
O produtor Jerry Wexler reservou, para Aretha Franklin, uma série de datas de gravação, de janeiro a fevereiro, de 1967, começando com “I Never Loved a Man the Way I Love You”, gravada no FAME Studios pelo engenheiro Tom Dowd. Após uma briga entre o proprietário do estúdio e o marido e gerente de Franklin, Ted White, as sessões continuaram dez dias depois, em Nova York, mas sem White, gravando “Do Right Woman, Do Right Man”, usando o mesmo engenheiro e a mesma seção rítmica dos músicos do Muscle Shoals, como ocorrera no FAME.
Na semana seguinte, o grupo gravou “Respect”, a qual Franklinvinha apresentando em seus shows ao vivo por algum tempo. Sua versão da música inverte o gênero da letra, conforme elaborado por Franklin, com suas irmãs Erma e Carolyn. Franklintambém instruiu a seção rítmica de como deveria executar seu arranjo estabelecido na síncope de ‘stop-and-stutter’ e, no estúdio, ela elaborou novas partes para os backing vocals.
“Respect” foi gravada no dia dos namorados (dos Estados Unidos), em 14 de fevereiro de 1967. O repetido verso “sock it to me”, cantado pelas irmãs de Franklin, foi uma ideia que Carolyn e Aretha haviam trabalhado juntas; soletrar "R-E-S-P-E-C-T" foi (segundo o engenheiro Tom Dowd) uma ideia de Carolyn.
Na ponte, o saxofone tenor de King Curtis tocava os acordes da música “When Something Is Wrong With My Baby”. Franklin tocou piano para a faixa; em uma entrevista, Spooner Oldham explicou que não era incomum a própria Franklin tocar piano.
O arranjo geral foi do coprodutor Arif Mardin, baseado nas idéias que Franklin havia trazido. Segundo Mardin: “Estive em muitos estúdios na minha vida, mas nunca houve um dia como esse. Foi como um festival. Tudo funcionou perfeitamente”.
A música resultante foi apresentada no inovador álbum de estreia de Franklin, lançado em 1967, pela Atlantic Records, I Never Loved a Man, The Way I Love You. Quando a faixa-título se tornou um sucesso nas rádios pop e R&B, a Atlantic Records organizou o lançamento desta nova versão de “Respect” como single.
Muito do que fez de “Respect” um sucesso - e um hino - veio do rearranjo de Franklin (incluindo o gancho ‘soul’ de guitarra da Muscle Shoals, os backing vocals e os acordes/solo de saxofone).
A versão de Franklin encontrou maior sucesso que a original, passando duas semanas no topo da parada Pop de singles da Billboarde oito semanas na parada R&B de singles, também da Billboard.
Aretha ao piano
As mudanças nas letras e na produção levaram a versão de Franklina se tornar um hino para os crescentes movimentos dos Direitos Civis e dos Direitos da Mulher. Ela alterou a letra para se representar, uma mulher forte exigindo respeito de seu homem.
A música também se tornou um sucesso internacional, alcançando o número 10 na parada do Reino Unido e ajudando a transformar Franklinde uma estrela doméstica em uma estrela internacional.
O próprio Otis Redding ficou impressionado com o desempenho da música. No Monterey Pop Festival, no verão de lançamento da versão, ele brincou descrevendo “Respect” como a música “que uma garota tirou de mim, uma amiga minha, essa garota que acabou de cantar essa música”.
A Letra de “Respect”
What you want Baby, I got What you need Do you know I got it? All I'm askin' Is for a little respect when you come home (just a little bit) Hey baby (just a little bit) when you get home (Just a little bit) mister (just a little bit)
I ain't gonna do you wrong while you're gone Ain't gonna do you wrong, 'cause I don't wanna All I'm askin' Is for a little respect when you come home (just a little bit) Baby (just a little bit) when you get home (just a little bit) Yeah (just a little bit)
I'm about to give you all of my money And all I'm askin' in return, honey Is to give me my propers When you get home (just a, just a, just a, just a) Yeah, baby (just a, just a, just a, just a) When you get home (just a little bit) Yeah (just a little bit)
Ooh, your kisses Sweeter than honey And guess what? So is my money All I want you to do or me Is give it to me when you get home (re, re, re, re) Yeah, baby (re, re, re, re) Whip it to me (respect, just a littlebit) When you get home, now (just a little bit)
R-E-S-P-E-C-T Find out what it means to me R-E-S-P-E-C-T Take care, TCB
Oh (sock it to me, sock it to me) (Sock it to me, sock it to me) A little respect (sock it to me, sock it to me Sock it to me, sock it to me) Whoa, babe (just a little bit) A little respect (just a little bit) I get tired (just a little bit) Keep on tryin' (just a little bit) You're runnin' out of fools' (just a little bit) And I ain't lyin' (just a little bit) (Re, re, re, re) 'spect When you come home (re, re, re, re) Or you might walk in (respect, just a little bit) And find out I'm gone (just a little bit) I got to have (just a little bit) A little respect (just a little bit)
A versão de Franklin da música contém os famosos versos (como impressos nas letras incluídas na coletânea, de 1985, Atlantic Soul Classics):
R-E-S-P-E-C-T
Find out what it means to me
R-E-S-P-E-C-T
Take care of... TCB
‘TCB’ é uma abreviação, comumente usada nas décadas de 1960 e 1970, que significa “Taking Care (of) Business” (Cuidando dos Negócios). Foi particularmente e amplamente utilizada na comunidade afro-americana. No entanto, era um pouco menos conhecido fora dessa cultura.
A última linha é frequentemente citada incorretamente como “Take out, TCP”, ou algo semelhante, e de fato a maioria das partituras publicadas que incluem as letras contém essa linha incorreta, possivelmente porque aqueles que transcreveram as palavras de Franklin para as partituras não estavam familiarizados com a cultura. No entanto, “TCB in a flash” mais tarde se tornou o lema e assinatura de Elvis Presley.
“R-E-S-P-E-C-T” e “TCB” não estão presentes na música original de Redding, mas foram incluídas em algumas de suas apresentações posteriores com os Bar-Kays. Parece haver alguma controvérsia sobre qual artista teria usado ‘TCB’ pela primeira vez na música.
A versão de Franklin foi lançada em 1967, em meio a notáveis mudanças sociais; as quais incluíam o Movimento dos Direitos Civis, a guerra no Vietnã, a Emenda dos Direitos Iguais e o movimento dos Panteras Negras.
A mensagem de Franklin foi transmitida como uma demanda por maior respeito às mulheres durante esse período, muitas das quais estavam desempenhando papéis como ativistas dos direitos civis sem o devido reconhecimento. Quando questionada sobre sua postura audaciosa em meio ao movimento feminista e dos direitos civis, Franklin disse ao Detroit Free Press: “Eu não acho nada ousado. Acho bastante natural que todos desejemos respeito - e devemos obtê-lo”.
A versão de Franklin foi um marco para o movimento feminista e é frequentemente considerada uma das melhores músicas do R&B, ganhando dois Grammy Awards em 1968, nas categorias Best Rhythm & Blues Recording e Best Rhythm & Blues Solo Vocal Performance, Female, e foi introduzida no Grammy Hall of Fame em 1987.
Em 2002, a Biblioteca do Congresso (dos Estados Unidos) eternizou a versão de Franklin ao adicioná-la ao Registro Nacional de Gravação.
A faixa foi colocada na 5ª posição da lista da revista Rolling Stone das As 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos. Também foi incluída na lista de Músicas do Século, pela indústria fonográfica da América e pela National Endowment for the Arts. Franklinincluiu uma gravação ao vivo no álbum Aretha in Paris, de 1968.
“What's Going On” é uma canção do artista norte-americano Marvin Gaye, lançada em 1971 pela Tamla Records, uma subsidiária da lendária Motown. A faixa faz parte do clássico disco de Gaye, What's Going On, seu décimo primeiro trabalho, lançado em 1971. A música marcou a saída de Gaye do som característico da Motown para um material bem mais pessoal.
A canção foi composta por Marvin Gaye, Renaldo Benson e Al Cleveland.
A inspiração da música veio através de Renaldo ‘Obie’ Benson, o qual era membro do grupo vocal da Motown, Four Tops, depois que o ônibus da turnê do grupo chegou a Berkeley, em 15 de maio de 1969.
Enquanto esteve lá, Benson testemunhou a brutalidade e a violência policial no parque da cidade (People's Park) durante um protesto realizado por ativistas antiguerra no que foi saudado mais tarde como ‘Quinta-feira Sangrenta’ (em inglês, Bloody Thursday).
Incomodado com a situação, Benson falou com o autor Ben Edmonds que, ao ver aquilo, perguntou: “O que está acontecendo aqui?” (What is happening here?). E uma questão levou a outra. “Por que eles estão enviando crianças tão longe de suas famílias no exterior? Por que eles estão atacando seus próprios filhos nas ruas?”.
Chateado, Benson discutiu o que testemunhou com o amigo e compositor Al Cleveland, que por sua vez escreveu e compôs uma canção para refletir as preocupações de Renaldo, o qual queria dar a música para seu grupo, mas os outros membros do Four Tops a recusaram.
Marvin Gaye
Benson afirma que os seus companheiros acharam a faixa como “música de protesto”, embora o próprio Renaldo a considerasse uma canção sobre amor e compreensão.
Em 1970, Benson apresentou a música, sem título, para Marvin Gaye, que adicionou uma nova melodia e reviu a faixa ao seu gosto, adicionando suas próprias letras. Gaye a intitulou “What's Going On”.
Enquanto Gaye inicialmente achou que a melancolia da música seria apropriada para ser gravada pelo The Originals, Benson convenceu-o a gravá-la como sua própria música.
O próprio Gaye foi inspirado por males sociais ocorridos nos Estados Unidos, citando os tumultos de Watts (de 1965) como um ponto de virada em sua vida em que ele se perguntou: “Com o mundo explodindo ao meu redor, como eu deveria continuar cantando canções de amor?”.
Gayetambém foi influenciado por conversas emocionais compartilhadas entre ele e seu irmão Frankie, o qual havia retornado de três anos de serviço na Guerra do Vietnã e pela morte de seu primo homônimo enquanto servia as tropas.
Durante as conversas telefônicas com o executivo Berry Gordy, que estava de férias nas Bahamas, na época, Gaye disse a Gordy que queria gravar um registro de protesto, ao qual Gordy disse em resposta: “Marvin, não seja ridículo. Isto está levando as coisas longe demais”.
É evidente que a letra da composição reflete todo o movimento de protesto e a imbecilidade que é uma guerra:
Mother, mother There's too many of you crying Brother, brother, brother There's far too many of you dying You know we've got to find a way To bring some lovin' here today - Ya
Father, father We don't need to escalate You see, war is not the answer For only love can conquer hate You know we've got to find a way To bring some lovin' here today
Picket lines and picket signs Don't punish me with brutality Talk to me, so you can see Oh, what's going on What's going on Ya, what's going on Ah, what's going on
In the mean time Right on, baby Right on Right on
Father, father, everybody thinks we're wrong Oh, but who are they to judge us Simply because our hair is long Oh, you know we've got to find a way To bring some understanding here today Oh
Picket lines and picket signs Don't punish me with brutality Talk to me So you can see What's going on Ya, what's going on Tell me what's going on I'll tell you what's going on - Uh Right on baby Right on baby
Gayeentrou no estúdio de gravação, Hitsville USA, em 1º de junho de 1970, para gravar “What's Going On”. Em vez de confiar em outros produtores para ajudá-lo com a música, Gaye, inspirado pelos recentes sucessos de suas produções com o grupo vocal The Originals, decidiu produzir a música por conta própria, misturando músicos de estúdio originais da Motown, como James Jamerson e Eddie Brown, com músicos que ele mesmo recrutou.
Uma das capas do single
A linha de saxofone soprano de abertura, fornecida pelo músico Eli Fontaine, não foi originalmente planejada. Uma vez que Gayeouviu o riff de Fontaine, ele lhe disse para ir para casa. Quando Fontaine protestou, afirmando que estava apenas brincando, Gayerespondeu: “você brinca delicadamente, obrigado”. A atmosfera descontraída no estúdio é atribuída ao uso constante de maconha por Gaye e outros músicos.
Jamerson foi puxado para a sessão depois que Gaye o localizou tocando com uma banda em um bar local. O respeitado arranjador e maestro da Motown, David Van De Pitte, disse, mais tarde, a Ben Edmonds que Jamerson “sempre guardou uma garrafa de Metaxa em sua caixa do baixo. Ele podia realmente tomar essa coisa, e então ainda sentar e tocar. Sua tolerância era incrível. Demorava muito para que ele fosse derrubado”.
Na noite em que Jamerson entrou no estúdio para gravar as linhas de baixo da música, o cara não conseguia se sentar direito em sua cadeira e, de acordo com um dos integrantes do Funk Brothers, ele se deitou no chão e tocou seus riffs de baixo. De Pitte lembrou que esta era uma faixa que Jamerson respeitava muito. Annie Jamerson lembra que quando ele voltou para casa, naquela noite, declarou que a música em que estava trabalhando era uma “obra-prima”, uma das poucas ocasiões em que havia discutido seu trabalho tão apaixonadamente com ela.
Gayetambém adicionou sua própria instrumentação, tocando piano e teclados enquanto também tocava uma caixa de tambor, para ajudar a acentuar a bateria de Chet Forest.
Para adicionar mais à abordagem descontraída da música, Gayeconvidou os jogadores do Detroit Lions, Mel Farr e Lem Barney, para o estúdio e, junto com ele e o Funk Brothers, acrescentaram uma conversa vocal, engajando-se em uma conversa simulada.
O músico e compositor Elgie Stover, que na época era um funcionário da Motown e confidente de Gaye, foi o homem que abriu a faixa com as palavras “hey, man, what's happening?” e “everything is everything”.
Gayetrouxe Lem Barney e Mel Farr, assim como Bobby Rogers, do The Miracles, para gravarem os backing vocals da música. As faixas de ritmo e os overdubs da música foram feitos em Hitsville, enquanto cordas, buzinas, vocais e backing vocals foram gravados no Golden World Studios.
Gaye, em 1971
Ao ouvir uma reprodução da música, Gaye pediu a seu engenheiro Kenneth Sands para lhe dar seus dois vocais principais para comparar qual ele queria usar para o lançamento da música. Sands acabou os misturando, por acidente. No entanto, quando ouviu, Gaye ficou tão impressionado com a dupla sensação, que ele o manteve, influenciando suas gravações posteriores, onde ele dominou o vocal ‘multicamadas’.
Antes de apresentar a música para Gordy, ele produziu um falso efeito fade in para a música, trazendo a canção de volta por alguns segundos depois de ter terminado. Gaye gravou o lado b do single, “God Is Love”, no mesmo dia.
Quando Berry Gordy ouviu a música na Califórnia, ele recusou o pedido de Gaye para liberá-la, dizendo-lhe que ele achava que era “a pior coisa que já ouvi na minha vida”. No momento em que outro executivo, Harry Balk, solicitou que a canção fosse lançada, Gordy disse a ele que a música apresentava “aquela coisa de Dizzy Gillespie no meio, que está se espalhando, é velha”.
Entretanto, Gaye respondeu a essa rejeição, recusando-se a gravar novo material, a menos que a faixa fosse liberada, entrando em greve até que, segundo ele, Gordy teve o bom senso de lançá-la.
Ansioso pelo produto de Marvin Gaye, Balk conseguiu que o vice-presidente de vendas da Motown, Barney Ales, liberasse a música, lançando-a em 17 de janeiro de 1971, enviando 100 mil cópias da música para estações de rádio em todo o país.
O sucesso inicial levou a mais 100 mil cópias para atender a demanda, vendendo mais de 200 mil cópias em uma semana.
A música foi lançada sem o conhecimento de Gordy e se tornou um enorme sucesso, alcançando o topo das paradas em um mês, em março daquele ano, permanecendo no número um da parada da Billboard R&Bpor cinco semanas e uma semana no número um da parada Cashbox pop.
Na principal parada norte-americana de singles, a Billboard Hot 100, alcançou a segunda posição, atrás de “Just My Imagination (Running Away with Me)”, do The Temptations, e de “Joy to the World”, do Three Dog Night.
A música acabou vendendo mais de dois milhões de cópias, tornando-se o single mais vendido da Motown na época. O sucesso da canção forçou Gordy a permitir que Gaye produzisse suas próprias canções, dando-lhe um ultimato para completar um álbum até o final de março, mais tarde resultando no disco What's Going On.
Capa do álbum
“What's Going On” foi indicada para dois Prêmios Grammy em 1972, incluindo Best Male R&B Vocal Performance e Best Arrangement Accompanying Vocalist(s), mas não conseguiu vencer em nenhuma das categorias.
Em 2004 e 2010, “What's Going On” ficou em 4º lugar na lista da revista norte-americana Rolling Stone de As 500 Maiores Músicas de Todos os Tempos, tornando-se a canção mais bem posicionada mais de Marvin Gaye na lista.
Em 2016, a faixa foi votada em segundo lugar no 100 Melhores Músicas de Detroit, um projeto baseado no voto de especialistas em música e do público, conduzido pelo jornal Detroit Free Press.
Em 1999, os compositores Paul Gambaccini e Kevin Howlett listaram a música em 74º lugar na lista Songs of the Century, da BBC Radio 2. Em 2003, a revista Q colocou a música em 64º lugar de sua 1001 melhores músicas de todos os tempos. Também alcançou a 14ª posição nas 100 Maiores Canções de Rock de Todos os Tempos, do canal de TV VH1. Em março de 2012, o site britânico New Musical Express nomeou a música na 33ª colocação da lista Greatest 1970s.