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MONTROSE - PAPER MONEY (1974)







Paper
Money é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana
Montrose. Seu lançamento oficial aconteceu em 11 de outubro de 1974
através do selo Warner Bros. A produção ficou por conta de Ted
Templeman e do próprio grupo.














Hoje
é hora do Montrose retornar às páginas do RAC,
com a sua primeira aparição podendo ser lida aqui. Como é o
costume, vai-se abordar os fatos que antecederam ao lançamento do
álbum para depois se ater ao álbum propriamente dito.





Montrose





Em
17 de outubro de 1973 era lançado Montrose, o álbum de
estreia do grupo homônimo.





A
opinião do site sobre o álbum e um pouco de sua história estão no
post de setembro de 2012, cujo link se apontou acima.





Fato
é que Montrose é um disco muito influente e um sucesso
comercial tardio, não tendo o retorno financeiro esperado na época
de seu lançamento.





Embora
o álbum não tenha sido um grande vendedor após sua liberação
inicial, atingindo o 133º lugar na Billboard norte-americana, como foi
dito, o disco provou ser um sucesso internacional latente que, ao
longo de várias décadas, vendeu mais de um milhão de cópias,
atingindo o status de platina.





Muitas
vezes, a banda é citada como 'a resposta da América para o Led Zeppelin', sendo considerada altamente influente entre os músicos
de Hard Rock/Heavy Metal, incluindo o gigante Iron Maiden, que
gravou e tocou versões de músicas do álbum.







Ronnie Montrose





O
Montrose foi inicialmente administrado pelo manager Dee
Anthony. O primeiro membro a deixar a formação original do
Montrose
foi o baixista Bill Church, o qual foi substituído por Alan
Fitzgerald, para o segundo álbum da banda.





Paper
Money





Parecendo
desencantado com o que ele percebeu ser a única dimensionalidade e a
pequena popularidade, comercialmente falando, do som Hard
Rock/Proto-Metal de sua banda, Ronnie Montrose insistiu em mudar a
fórmula para o lançamento do segundo disco do grupo, ampliando o
estilo rítmico e sônico da pegada da banda, e geralmente diminuindo
a intensidade, a alta energia e a abordagem metálica que definiu a
estreia do grupo em 1973.





A
diversidade musical é a força motriz de Paper Money, que
abre com a faixa “Underground”, um improvável cover de uma
música lançada no ano anterior pelo excêntrico Chunky, Novi &
Ernie
, em uma tentativa de apresentar uma faixa 'amigável' às
rádios.





Apresentando
um som de guitarra semelhante a um órgão, criado usando um gabinete
de alto-falante Leslie em vez de um amplificador de guitarra
convencional, e, recebendo uma grande reforma musical que obscurece
as letras escuras e obscenas da música, “Underground” define o
tom de um álbum que é imprevisível a cada volta e cobre um amplo
espectro musical.





Ronnie
Montrose aumenta e expande sua própria presença neste trabalho,
contribuindo com vocais na balada esparsa e pensativa “We're Going
Home”, a qual apresenta o mellotron fornecido pelo tecladista
convidado Nick DeCaro, quem mais tarde se juntaria à banda Open
Fire
do próprio Ronnie Montrose.





Embora
a produção de Ted Templeman não tenha os brilho, presença e
imensidão gerais encontradas em Montrose, o álbum ainda
consegueria manter uma coesão geral com sua imprevisibilidade
sedutora.







Sammy Hagar





A
faixa-título, “Paper Money”, é um sermão sobre a inutilidade
do materialismo e o poderoso dólar que é sublinhada pela abordagem
de Ronnie Montrose.





A
capa é absolutamente simples. Lançado em outubro de 1974, Paper
Money
tem a produção de Ted Templeman e do próprio grupo.





Vamos
às faixas:





UNDERGROUND





Quem conhece o álbum de estreia do Montrose percebe, logo de cara, que a sonoridade proposta aqui é bem diferente. O ritmo é repleto de um balanço soul, no qual o maior destaque é o baixo de Alan Fitzgerald. Bons vocais de Sammy Hagar.





A
letra envolve sensualidade de uma forma sombria:





Take
me now or let me die


Well
you take me and you break me



Well
you take me and you break me


Take
me now or take me underground





Conforme
dito, trata-se de um cover para a música “Underground”, lançada
no ano anterior, pelo grupo Chunky, Novi and Ernie.













CONNECTION





"Connection" possui uma sensibilidade melódica notável, pois é uma faixa sensível, lenta, mas muito bem constituída. O piano de Mark Jordan é bonito, mas o baixo de Alan Fitzgerald se sobressai mais uma vez. A atuação de Sammy nos vocais é formidável.





A
letra é uma brincadeira com a palavra Connection (conexão):





No
connection,



I
just can't make no connection



All
I want to do baby, yeah



Everything
I wanna do is get back to you





Trata-se
de uma versão para a faixa “Connection”, do Rolling Stones,
presente no álbum Between the Buttons, de 1967.













THE
DREAMER





Já em "The Dreamer", o grupo resgata um pouco da pegada presente em seu primeiro disco. Há um riff bem pesado e presente advindo da guitarra de Ronnie Montrose. O ritmo é mais cadenciado, mas o flerte com o Hard Rock é mais deliberado.





A
letra possui um tom pessimista:





I
look at the future and what lies ahead



The
silver bullets have turned to lead



All
the more I laugh, all the more I'm gonna cry


The
more I live, the more I'm gonna die













STARLINER





"Starliner" é uma faixa instrumental bem construída, na qual o maior destaque é a talentosa guitarra conduzida por Ronnie Montrose. Embora curta, ele mistura uma pegada psicodélica, com influências do Rock dos anos 50, e uma pitada de Space Rock. Interessante.













I
GOT THE FIRE





Direta e com uma sonoridade bastante Hard Rock, "I Got the Fire" vai diretamente ao ponto, sem rodeios, em seus poucos mais de 3 minutos. Ronnie Montrose brilha com sua guitarra, fazendo um solo belíssimo, repleto de feeling. A seção rítmica pulsante constrói uma base formidável e Hagar faz vocais precisos.





A
letra é em tom sensual:





If
you think you can beat me at my own game



Well
baby, I say you're a liar



Well,
I got the fire










“I
Got the Fire” foi o principal single lançado para promoção de
Paper Money. O resultado final do solo de guitarra de Ronnie
Montrose contou com a sorte, pois uma falha de estúdio fez com que
soasse um ruído reverberante de baixo impacto em sua introdução.





“I
Got the Fire” tem uma versão cover pela banda Axe em seu
álbum Offering, de 1982.





A
canção também foi regravada pelo Iron Maiden. O grupo
reintitulou a música para “I've Got the Fire”, no lado B de seu
single “Flight of Icarus”, em 1983. Embora tenha sido lançada
pela primeira vez como o lado B da canção “Sanctuary”,
resultado de uma gravação ao vivo no clube Marquee, em 1980.













SPACEAGE
SACRIFICE





Nesta faixa, a banda aposta em uma sonoridade um pouco mais contida, com um aspecto um tanto quanto mais sombrio (mesmo que levemente). Quem conduz magistralmente os caminhos da canção é o baixo de Alan Fitzgerald, mas dando espaço para que a guitarra de Ronnie Montrose brilhe. Enfim, uma música instigante.





A
letra fala sobre sacrifício:





Well,
everyone thought they were going somewhere



They
were going somewhere



There
was nowhere, it was nowhere!



Don't
think twice - spaceage sacrifice













WE'RE
GOING HOME





Já em "We're Going Home", o Montrose aposta em uma sonoridade mais Bluesy, com um inegável aspecto mais doloroso. O Mellotron, tocado por Nick DeCaro, está presente por toda a canção. A guitarra de Ronnie Montrose, quando aparece, deslancha talento. É o guitarrista quem faz os vocais da música e, embora não brilhe, também não compromete.





A
letra é um convite a olhar para o futuro:





No
more crying, no more tears



No
more wasting days and years



Sun
is rising on a brand-new day



People
singing while children play













PAPER
MONEY





A oitava - e última - faixa de Paper Money é a canção-título, ou seja, "Paper Money". Na derradeira música do álbum, a seção rítmica formada pelo baixista Alan Fitzgerald e pelo baterista Denny Carmassi está ainda mais ativa e presente, construindo uma sonoridade cheia de balanço e ritmo. Os vocais de Sammy Hagar estão ótimos e a guitarra de Ronnie Montrose complementa o trabalho.





A
letra fala sobre o mercado financeiro:





My
car cost me fifteen grand,



Some
say I got a deal


Melt
it down, I've got a thousand pounds of junk



And
ten dollars worth of steel













Considerações
Finais





Apesar
de nos dias atuais não possuir nem parte da importância musical da
estreia da banda, Paper Money fez algum barulho na época de
seu lançamento.





Apesar
da saída estilística significativa da estreia icônica da banda, da
resposta morna das críticas e das reações variadas dos fãs, Paper
Money
vendeu duas vezes mais cópias que Montrose e foi a
melhor performance do conjunto nas paradas de sucesso, atingindo a
65ª posição na Billboard, a principal parada norte-americana de
discos.





Eduardo
Rivadavia, do site AllMusic, dá ao trabalho uma nota 3 de um máximo
de 5, explicando: “No momento em que eles entraram no estúdio para
começarem a trabalhar em seu segundo álbum, Paper Money, de
1974, as rodas já estavam começando a sair do vagão sobrecarregado
do Montrose. Embora envolvessem praticamente o mesmo elenco de
personagens responsáveis pela inovadora estreia da banda, Montrose
(incluindo o produtor Ted Templeman e o engenheiro Donn Landee), as
sessões de gravação para Paper Money foram muitas vezes
prejudicadas pela rápida deterioração da relação entre o homem
principal do grupo, Ronnie Montrose, e seu talentoso cantor
principal, Sammy Hagar”.





Por
fim, Rivadavia conclui: ““Spaceage Sacrifice” é, é claro,
pouco mais do que uma prima pobre para o monstruoso single da
estreia, “Space Station No. 5”, e o tremor horrível de “We're
Going Home” (que Hagar teria se recusado a cantar, permitindo que
Ronnie faça as honras) é francamente embaraçoso. Em suma, não
necessita de dons psíquicos para ler os sinais aqui: Hagar logo
diria seu 'adios' oficial e o Montrose nunca mais seria o
mesmo”.





Depois
de construir uma acrimonia entre o guitarrista-fundador, Ronnie
Montrose, e o vocalista, Sammy Hagar, o pico de animosidade seria
alcançado durante a turnê europeia de 1974-75, no qual a banda
promovia Paper Money (que também contava com Tower of Power,
Little Feat e The Doobie Brothers).





Sammy
Hagar se separou do grupo em fevereiro de 1975, partindo para
construir uma carreira-solo. Hagar foi substituído pelo vocalista
Bob James, oriundo de Los Angeles.





Buscando
ampliar e mudar o som da banda, o tecladista Jim Alcivar também foi
adicionado ao grupo. A seção rítmica de Paper Money (o baterista
Denny Carmassi e o baixista Alan Fitzgerald) foi mantida.





A
nova formação do Montrose, como um quinteto, fez sua estreia ao
vivo em San Francisco, no Winterland Ballroom, em 5 de abril de 1975.
Nesta fase, o grupo se separou do produtor Ted Templeman.





Com
a nova fomração, o Montrose lançaria seu terceiro álbum de
estúdio, Warner Brothers Presents ... Montrose!; em setembro
de 1975.













Formação:


Sammy
Hagar - Vocal


Ronnie
Montrose - Guitarra; Vocal principal em “We're Going Home”


Alan
Fitzgerald - Baixo


Denny
Carmassi - Bateria


Músicos
Adicionais:


Mark
Jordan - Piano em “Connection”


Nick
DeCaro - Mellotron em “We're Going Home”





Faixas:


01.
Underground (Rappaport) – 3:33


02.
Connection (Jagger/Richards) – 5:42


03.
The Dreamer (Hagar/Montrose) – 4:05


04.
Starliner (Montrose) – 3:36


05.
I Got the Fire (Montrose) – 3:06


06.
Spaceage Sacrifice (Hagar/Montrose) – 4:55


07.
We're Going Home (Montrose) – 4:52


08.
Paper Money (Hagar/Montrose) – 5:01





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/montrose/




Opinião
do Blog:



O álbum de estreia do Montrose, sobre o qual já comentamos, está entre os melhores discos de Rock de todos os tempos, seja por sua incontestável qualidade, seja por sua inegável influência para diferentes bandas - o Iron Maiden que o diga.





Quando se ouve o seu sucessor, Paper Money, há um certo sentimento de decepção. E o RAC vai explicar o porquê.





Claro, a banda ainda é muito talentosa e dispensa maiores apresentações. O falecido Ronnie Montrose foi um ótimo guitarrista, embora sua guitarra não seja tão marcante e memorável neste trabalho como o fora em Montrose.





Sammy Hagar é um vocalista muito acima da média, desde aqueles tempos. Ouça a versão de "Connection", dos Rolling Stones, presente no álbum e confirme a afirmação. Mas, para o site, o maior destaque do álbum é a ótima presença do baixista Alan Fitzgerald, construindo a base da sonoridade do disco com maestria, sendo muito bem acompanhado pela bateria de Denny Carmassi.





As letras são interessantes e merecem uma conferida.





O grupo, em Paper Money, peca por uma abordagem menos agressiva e impressionante que de sua esplendorosa estreia. A guitarra de Ronnie está menos presente e afiada, o peso é consideravelmente menor e as composições são bem menos envolventes.





Mas há boa música no disco. "The Dreamer" é um Hard Rock competente e lembra o que o Montrose havia concebido em sua estreia. A viajante "Spaceage Sacrifice" é uma faixa interessante, bem como a versão do grupo para "Connection" é bem legal.





Mas o RAC escolhe "I Got the Fire" como a melhor do álbum em uma pequena amostra do que o conjunto era capaz de conceber.





Enfim, embora Paper Money nem sequer consiga minimamente se aproximar da qualidade do álbum Montrose, ainda assim é um trabalho que merece ser ouvido. Apresenta um grupo, que com problemas sérios de convivência, mesmo assim conseguiu produzir um disco divertido e com boas canções. Infelizmente, após o lançamento do disco, o Montrose jamais seria o mesmo.


MONTROSE - PAPER MONEY (1974)


Paper Money é o segundo álbum de estúdio da banda norte-americana Montrose. Seu lançamento oficial aconteceu em 11 de outubro de 1974 através do selo Warner Bros. A produção ficou por conta de Ted Templeman e do próprio grupo.

MONTROSE - MONTROSE (1973)








Montrose é o álbum de estreia da banda
norte-americana de mesmo nome, ou seja, o Montrose. Seu lançamento oficial
ocorreu no dia 17 de outubro de 1973 pelo selo Warner Bros. A produção do disco
ficou a cargo do conhecido produtor Ted Templeman. O trabalho foi gravado no Sunset
Sound Recorders, em Hollywood, na Califórnia.













Antes de focar-se na história do primeiro álbum da
banda Montrose, far-se-á uma breve pausa para se contar o início de carreira do
fundador do grupo, o saudoso guitarrista Ronnie Montrose.





Ronnie nasceu em San Francisco, no Estado da
Califórnia, nos Estados Unidos. Como sua mãe era originária do Estado
norte-americano do Colorado, Ronnie Montrose passou a maior parte de sua
infância neste Estado.





Por volta dos 16 anos de idade, Ronnie deixou sua
casa no Colorado para seguir seu sonho de ter uma carreira musical. Acabou
passando a maior parte de sua vida com base na Baía de San Francisco.





Em 1969, ele iniciou uma banda chamada Sawbuck com
o baixista Bill Church. Enquanto ele estava envolvido com o processo de
gravação daquilo que poderia ter sido o álbum de estreia do Sawbuck, o produtor David
Rubinson conseguiu uma audição do guitarrista com Van Morrison.





Ronnie acabou conseguindo o trabalho e tocou no
álbum de Van Morrison de 1971, Tupelo Honey (produzido por Ted Templeman),
chegando a gravar a música “Listen To The Lion” durante a mesma sessão de
gravações, mas somente lançada no álbum de 1972, Saint Dominic’s Preview.





Ronnie tocou brevemente com o cantor Bozz Scaggs
antes de se juntar ao Edgar Winter Group. Ele tocou guitarra, guitarra acústica
de 12 cordas e bandolim no terceiro álbum do grupo, lançado em 1972, They Only
Come Out at Night. O disco continha grandes sucessos como “Free Ride” e
“Frankenstein”.





Depois disso, Ronnie Montrose decidiu que era hora
de formar uma banda própria.





A primeira versão do grupo, ainda sem nome,
continha o guitarrista Ronnie Montrose, o vocalista então desconhecido Sammy
Hagar (na época, Sam Hagar), o baixista Bill Church e o baterista Denny Carmassi.





Sammy Hagar:










Hagar e Carmassi trabalharam juntos em bandas
covers do circuito da área da Baía de San Francisco e acabaram sendo
recrutados. Já o baixista Bill Church era conhecido de Ronnie desde os tempos
do Sawbuck e das gravações com Van Morrison e Ted Templeman.





Aliás, esta conexão de Montrose com Ted Templeman
foi muito útil ao grupo. Ted acabou ouvindo as “fitas demo” do conjunto,
providenciando à banda um contrato com a Warner Bros.





Foi o próprio Ted Templeman que proporcionou
a primeira exposição do Montrose. A banda, ainda sem nome e oficialmente
anunciada como 'Ronnie Montrose e Amigos ", fez sua primeira aparição
pública em 21 de abril de 1973 através de um programa de rádio de 45 minutos,
na KSAN FM,  no show de Tom Donahue.





A transmissão nunca foi lançada oficialmente, mas
acabou ganhando grande circulação como um bootleg, ajudando a promover o grupo.
A transmissão contou com 10 canções, gravadas no estúdio Record Plant, em
Sausalito, consistindo em todo o futuro álbum de estreia do Montrose (exceto a
faixa Space Station No. 5) e mais 3 canções nunca lançadas, “Roll Me Nice”,
“You’re Out Of Time” e “Roll Over Beethoven”.





Montrose:










A capa é bastante simples, com uma fotografia dos
membros da banda. Agora, tratar-se-á, faixa a faixa, o trabalho do álbum Montrose.





Para as gravações do álbum, Ronnie Montrose usou
principalmente uma Gibson Les Paul, um amplificador Fender Bandmaster, e uma
caixa de efeito Big Muff.





ROCK THE NATION





A primeira faixa de Montrose é “Rock The Nation”.





Um forte e marcante riff de guitarra é a marca
característica da canção “Rock The Nation”. O álbum é aberto por uma música bem
impactante e, ao mesmo tempo, contagiante. Um típico Hard Setentista. Os vocais
de Sammy Hagar são ótimos e a seção rítmica funciona de maneira convincente.
Ótima composição!





As letras são bastante simples, em um tom jovem de
diversão e celebração:





Been a long education


But my homework is done


I'm gonna
Rock the Nation


Just-a wanna have fun, yeah!













BAD MOTOR SCOOTER





A segunda canção do álbum de estreia do Montrose é
“Bad Motor Scooter”.





A segunda faixa é aberta com um som que simula uma
motocicleta em arrancada. O riff inicial é novamente forte, pesado, mas desta
vez bem mais cadenciado. Em alguns momentos da canção, o ritmo é acelerado e os
pouco mais de 3 minutos da música flertam brilhantemente com esta oscilação de
velocidade. O solo incrivelmente marcante e os vocais precisos e talentosos de
Sammy Hagar formam um trabalho excepcional. Brilhante!





A canção também conta com letras simples, com o
sentimento de uma pessoa que sente falta de outra. A moto a que a canção se
refere pode ser interpretada como a precariedade de uma relação juvenil:





Ooh, the last I seen your face


I swore that no one would take your
place


Now since you've been gone I've been
feelin' bad, yeah


I'd come out to your place (but)


I'm afraid of your dad. So you...


Ride, ride, ride


Come on baby, ooh yeah


Crank it on
up!





“Bad Motor Scooter” é uma das mais conhecidas canções
do Montrose, revelando-se um dos clássicos do grupo e presença garantida em
seus shows.





Quando a banda estava gravando o álbum, tanto a
banda quanto o produtor Ted Templeman não ficaram satisfeitos com a gravação da
canção, achando que faltava um “algo a mais” a “Bad Motor Scooter”.





Foi Ronnie Montrose, com a afinação da guitarra em
um chamado “Open D” quem conseguiu compor o som que foi incorporado à abertura
e ao final da faixa. Nos shows com a formação original do Montrose, Sammy Hagar
era quem o reproduzia nas apresentações do conjunto.





Aliás, Hagar foi quem compôs a canção e manteve-a em
seu repertório mesmo quando estava em carreira solo, incluindo-a em uma
coletânea lançada em 2004 chamada The Essential Red Collection. Mesmo no
Chickenfoot, o supergrupo do qual Hagar tem tomado parte atualmente, “Bad Motor
Scooter” costuma aparecer no set list.













SPACE STATION #5





A terceira canção do trabalho é “Space Station #5”.





Os primeiros 50 segundos da canção simulam os sons
de uma estação espacial, comuns em filmes e séries de TV de ficção científica
que abordam o tema. O riff da canção impressiona pela sua intensidade, típico
do Rock da década de 70 e, simultaneamente, por seu incrível brilhantismo. Os
vocais de Hagar são excelentes e esta é uma das grandes canções da história do
grupo. Genial!





As letras são bem legais e sugerem um tom de mudança
e desejo de futuro que será positivo:





I remember when it was so clear


We were young but the memory still
remains


To pick fruit from a tree, fish from
the seas


Now nothin's left here but the
stains


But I can't cry no more, can only be
glad


That there's other places we can be


If the time suites you right I'm
leaving tonight


Come fly away with me!













I DON’T WANT IT





A quarta faixa do álbum de estreia do Montrose é “I
Don’t Want It”.





Um riff bem agressivo e pesado, flertando com o
Heavy Metal, é a marca da canção “I Don’t Want It”. A bateria de Denny Carmassi
também está mais agressiva nesta música, compondo um excelente ritmo para a
faixa. Sammy canta de maneira mais agressiva e o solo transborda feeling. Outra
excelente canção do trabalho.





As letras apresentam um claro significado de
decepção amorosa:





I gave love a chance and it shit
back in my face


And I just quit my job makin'
toothpicks out of logs


You know it's gettin' thin when your
friends turn you in


Better sock away your bread, there's
worse times ahead













GOOD ROCKIN’ TONIGHT





“Good Rockin’ Tonight” é a quinta música do álbum
Montrose.





A canção tem um riff simples e contagiante, sendo
bastante empolgante. Trata-se de um Blues Rock tocado de forma bem rápida e com
bastante inspiração, com maior destaque para a guitarra de Ronnie Montrose, que
esbanja feeling.





Na verdade, “Good Rockin’ Tonight” é uma versão cover
de uma composição escrita e lançada por Roy Brown, um Blues que antecipava alguns
elementos do Rock And Roll. Esta versão do Montrose serviu de inspiração para a
que foi lançada pelos ingleses do Diamond Head.













ROCK CANDY





A sexta faixa de Montrose é um grande clássico, “Rock
Candy”.





Um belo trabalho de bateria de Denny Carmassi abre
a canção, que dá espaço para um excepcional riff de Montrose, com bastante peso
e inspiração, mas desta vez um pouco mais cadenciado. Um Hard Rock de primeira
qualidade, com traços de Heavy Metal, formando uma excelente composição. Sammy
Hagar dá uma interpretação incrível à música, contribuindo decisivamente para a
qualidade final do trabalho.





O refrão é cantado de maneira empolgante:





But you're rock candy baby


Hard, sweet and sticky


Rock candy
baby


Hard, sweet
and sticky





“Rock Candy” se tornou uma das mais famosas canções
do Montrose. Composta por todos os membros da banda na época, Sammy Hagar
acabou sempre a incluindo em sua carreira solo, lançando-a como lado B do
single “Little White Lie”, ou mesmo em álbuns ao vivo.





A introdução de bateria feita por Carmassi na faixa
foi, segundo Ronnie, inspirada na introdução que o lendário baterista John
Bonham faz em “When The Levee Breaks”, do álbum IV, do Led Zeppelin.





Sammy Hagar declarou certa vez: "“Rock Candy”
é como um padrão para bandas como Def Leppard ou The Cult. Ao longo dos anos,
quem quis fazer uma ‘jam’ comigo, quis tocar “Rock Candy” - Chad Smith, Joe
Satriani, Matt Sorum, Slash. Lemmy, do Motörhead, veio até mim em um show na Inglaterra,
e o que ele disse? 'Fucking Rock Candy, mate.”





Covers da canção foram feitos por diversas bandas
como BulletBoys (para o filme Wayne’s World – Quanto mais idiota melhor), Dixie
Witch, Lee Aaron e LA Guns. É trilha do filme The Stoned Age e da série de TV
My Name Is Earl.













ONE THING ON MY MIND





A sétima
música do álbum é “One Thing On My Mind”.





A canção tem um riff pesado, mas com uma excelente
pegada Bluesy, que confere um ritmo muito contagiante à faixa. Contribui também
para este aspecto a forma como a música é interpretada pelo vocalista Sammy
Hagar, brilhantemente. O solo esbanja feeling e é um dos melhores do trabalho.
Excelente canção!





As letras são bastante simples e falam sobre um
casal se divertindo:





And baby there's only one thing on
my mind


We're gonna have a good time


We're gonna let it all unwind


I'll foot the bill and have some fun
if you will













MAKE IT LAST





A oitava – e última – faixa do álbum Montrose é “Make
It Last”.





Mais uma vez Ronnie Montrose transpira inspiração
logo no início da canção com notáveis linhas de guitarra. Peso e feeling são
as marcas desta bela faixa e o casamento com a intensa interpretação de Hagar,
formam a combinação perfeita. A seção rítmica faz um trabalho muito bem feito,
dando a base exata para o que a música se propõe. Linda canção, com um solo
belíssimo!





As letras de “Make It Last” fazem uma inferência de
como é quando se quer ter mais idade do que se tem, sendo assim, uma metáfora
de envelhecer:





At the time, I wanted to be
twenty-one


It seemed the right age for havin'
fun


But when I got there I was still too
young


And twenty-five seemed to be the one





O Van Halen tocava “Make It Last” quando era ainda
uma banda do circuito de pubs de Los Angeles.













Considerações
Finais





O álbum de estreia do Montrose não causou impacto
no momento inicial de seu lançamento. A modestíssima 133ª posição da parada
norte-americana de álbuns é uma prova deste fato, embora músicas como “Rock
Candy” e “Bad Motor Scooter” tenham recebido considerável divulgação das
rádios.





Muito disto foi devido ao tratamento que a banda
Montrose recebeu da gravadora Warner Bros. Com nomes do Hard Rock no seu cast
como Deep Purple e The Doobie Brothers, o selo considerou o Montrose como uma
banda redundante, não lhe dando a devida atenção.





A verdade é que o álbum atravessou o Atlântico – na
Alemanha foi lançado com uma capa diferente e sob o nome “Rock The Nation” – e acabou
conquistando a 43ª posição da parada britânica, ultrapassando a casa de 1
milhão de cópias vendidas.





Melhor que isto, o álbum acabou influenciando
jovens músicos ingleses que acabariam por fazer covers de diversas canções do
trabalho antes e depois da fama de seu grupo – o Iron Maiden. Tanto que a banda
Montrose é constantemente citado como uma das grandes influências para a lenda
do Heavy Metal mundial.





O Iron Maiden gravou uma versão da canção “Space
Station #5” que foi lançada como lado B do single “Be Quick Or Be Dead”.





Com o passar do tempo, tanto a banda como o álbum
Montrose se tornaram reconhecidos por fãs e críticos. A mídia especializada
cita o grupo como a “resposta americana para o Led Zeppelin” e alguns
consideram o álbum Montrose como o primeiro álbum norte-americano de Heavy Metal.





A revista Kerrang! elegeu o álbum Montrose como o 4º
melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos no ano de 1989.





Ainda com Sammy Hagar nos vocais, mas com Alan
Fitzgerald no baixo, o grupo lançou o ótimo Paper Money, em 1974. Musicalmente
diferente de Montrose, o álbum tem uma sonoridade mais comercial e obteve maior
repercussão nas paradas de sucesso.





Sammy deixa o Montrose na turnê de divulgação de Paper
Money e segue em uma bem sucedida carreira solo, antes de tomar parte no Van
Halen no meio da década de oitenta.





Com o vocalista Bob James e o tecladista Jim
Alcivar, o Montrose lança mais dois álbuns de estúdio, Warner Brothers Presents...
Montrose! (1975) e Jump On It (1976), com os quais a popularidade do grupo
atinge seu ápice, antes de entrar em um hiato de 11 anos.





Em 1987, a banda lança o álbum Mean, com o
vocalista Johnny Edwards, o baixista Glenn Letsch e o baterista James Kottak.





A formação original do Montrose se reuniu algumas
vezes para apresentações – ou participações especiais – nos anos de 1997, 2002
e 2005. Ronnie Montrose superou uma batalha contra um câncer de próstata entre
os anos de 2008 e 2010, e voltou bastante ativo e produtivo logo após sua cura.
Inclusive, uma noite com a formação original do Montrose estava programada para
o Night Club de Sammy Hagar, Cabo Wabo, para uma apresentação em Outubro de
2012.





Infelizmente, após um ataque de depressão e consumo
excessivo de álcool, o corpo de Ronnie Montrose foi encontrado morto em 3 de
março de 2012, vítima de um ferimento à bala auto infligido.













Formação:


Sammy
Hagar – Vocal


Ronnie
Montrose – Guitarra


Bill
Church – Baixo


Denny Carmassi – Bateria





Faixas:


01.
Rock the Nation (Montrose) - 3:03


02.
Bad Motor Scooter (Hagar) - 3:41


03.
Space Station #5 (Hagar/Montrose) - 5:18


04.
I Don't Want It (Hagar/Montrose) - 2:58


05.
Good Rockin' Tonight (Roy Brown) - 2:59


06.
Rock Candy (Carmassi/Church/Hagar/Montrose) - 5:05


07.
One Thing on My Mind (Hagar/Montrose/J. Sanchez) - 3:41


08. Make It Last (Hagar) - 5:31





Letras:


Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/montrose/





Opinião do
Blog:


Como já foi publicado algumas vezes aqui no Blog,
nem sempre o sucesso comercial imediato é reflexo da qualidade do álbum. O
disco de estreia do Montrose acabou sendo mais um destes casos.





Aclamado por muitos fãs e críticos musicais como um
dos grandes álbuns de Hard Rock de todos os tempos, o blog é obrigado a se
render a essas visões. O álbum Montrose é incrível, de qualidade excepcional.





Um trabalho com apenas 8 canções, sendo 7 autorais,
consegue ter músicas como “Rock The Nation”, “Bad Motor Scooter”, “Space
Station #5”, “Make It Last” e a incrível “Rock Candy”. Reunidas em um mesmo
trabalho, formam um álbum de qualidade muito acima da média.





Ronnie Montrose conseguia compor riffs e linhas de
guitarra com muita sensibilidade. Seus solos esbanjavam feeling e seus riffs
normalmente possuíam peso, melodia e empolgação nas medidas exatas e no álbum
de estreia de sua banda, ele estava em um nível extra de inspiração.





O álbum também nos traz o debut oficial do
excelente Sammy Hagar, que ficaria mundialmente conhecido com seus trabalhos
solos, no Van Halen e recentemente no Chickenfoot. Sammy já dava amostras de
seu talento, cantando de forma especial por todo trabalho.





O Montrose inspirou fortemente o Iron Maiden, em
especial, este álbum analisado pelo Blog, o qual indica fortemente que o leitor
procure o ouvir com bastante calma e, por que não, a discografia do
Montrose. Um dos álbuns preferidos deste blogueiro. Até a próxima!

MONTROSE - MONTROSE (1973)



Montrose é o álbum de estreia da banda norte-americana de mesmo nome, ou seja, o Montrose. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 17 de outubro de 1973 pelo selo Warner Bros. A produção do disco ficou a cargo do conhecido produtor Ted Templeman. O trabalho foi gravado no Sunset Sound Recorders, em Hollywood, na Califórnia.



Antes de focar-se na história do primeiro álbum da banda Montrose, far-se-á uma breve pausa para se contar o início de carreira do fundador do grupo, o saudoso guitarrista Ronnie Montrose.

Ronnie nasceu em San Francisco, no Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Como sua mãe era originária do Estado norte-americano do Colorado, Ronnie Montrose passou a maior parte de sua infância neste Estado.

Por volta dos 16 anos de idade, Ronnie deixou sua casa no Colorado para seguir seu sonho de ter uma carreira musical. Acabou passando a maior parte de sua vida com base na Baía de San Francisco.

Em 1969, ele iniciou uma banda chamada Sawbuck com o baixista Bill Church. Enquanto ele estava envolvido com o processo de gravação daquilo que poderia ter sido o álbum de estreia do Sawbuck, o produtor David Rubinson conseguiu uma audição do guitarrista com Van Morrison.

Ronnie acabou conseguindo o trabalho e tocou no álbum de Van Morrison de 1971, Tupelo Honey (produzido por Ted Templeman), chegando a gravar a música “Listen To The Lion” durante a mesma sessão de gravações, mas somente lançada no álbum de 1972, Saint Dominic’s Preview.

Ronnie tocou brevemente com o cantor Bozz Scaggs antes de se juntar ao Edgar Winter Group. Ele tocou guitarra, guitarra acústica de 12 cordas e bandolim no terceiro álbum do grupo, lançado em 1972, They Only Come Out at Night. O disco continha grandes sucessos como “Free Ride” e “Frankenstein”.

Depois disso, Ronnie Montrose decidiu que era hora de formar uma banda própria.

A primeira versão do grupo, ainda sem nome, continha o guitarrista Ronnie Montrose, o vocalista então desconhecido Sammy Hagar (na época, Sam Hagar), o baixista Bill Church e o baterista Denny Carmassi.

Sammy Hagar:


Hagar e Carmassi trabalharam juntos em bandas covers do circuito da área da Baía de San Francisco e acabaram sendo recrutados. Já o baixista Bill Church era conhecido de Ronnie desde os tempos do Sawbuck e das gravações com Van Morrison e Ted Templeman.

Aliás, esta conexão de Montrose com Ted Templeman foi muito útil ao grupo. Ted acabou ouvindo as “fitas demo” do conjunto, providenciando à banda um contrato com a Warner Bros.

Foi o próprio Ted Templeman que proporcionou a primeira exposição do Montrose. A banda, ainda sem nome e oficialmente anunciada como 'Ronnie Montrose e Amigos ", fez sua primeira aparição pública em 21 de abril de 1973 através de um programa de rádio de 45 minutos, na KSAN FM,  no show de Tom Donahue.

A transmissão nunca foi lançada oficialmente, mas acabou ganhando grande circulação como um bootleg, ajudando a promover o grupo. A transmissão contou com 10 canções, gravadas no estúdio Record Plant, em Sausalito, consistindo em todo o futuro álbum de estreia do Montrose (exceto a faixa Space Station No. 5) e mais 3 canções nunca lançadas, “Roll Me Nice”, “You’re Out Of Time” e “Roll Over Beethoven”.

Montrose:


A capa é bastante simples, com uma fotografia dos membros da banda. Agora, tratar-se-á, faixa a faixa, o trabalho do álbum Montrose.

Para as gravações do álbum, Ronnie Montrose usou principalmente uma Gibson Les Paul, um amplificador Fender Bandmaster, e uma caixa de efeito Big Muff.

ROCK THE NATION

A primeira faixa de Montrose é “Rock The Nation”.

Um forte e marcante riff de guitarra é a marca característica da canção “Rock The Nation”. O álbum é aberto por uma música bem impactante e, ao mesmo tempo, contagiante. Um típico Hard Setentista. Os vocais de Sammy Hagar são ótimos e a seção rítmica funciona de maneira convincente. Ótima composição!

As letras são bastante simples, em um tom jovem de diversão e celebração:

Been a long education
But my homework is done
I'm gonna Rock the Nation
Just-a wanna have fun, yeah!



BAD MOTOR SCOOTER

A segunda canção do álbum de estreia do Montrose é “Bad Motor Scooter”.

A segunda faixa é aberta com um som que simula uma motocicleta em arrancada. O riff inicial é novamente forte, pesado, mas desta vez bem mais cadenciado. Em alguns momentos da canção, o ritmo é acelerado e os pouco mais de 3 minutos da música flertam brilhantemente com esta oscilação de velocidade. O solo incrivelmente marcante e os vocais precisos e talentosos de Sammy Hagar formam um trabalho excepcional. Brilhante!

A canção também conta com letras simples, com o sentimento de uma pessoa que sente falta de outra. A moto a que a canção se refere pode ser interpretada como a precariedade de uma relação juvenil:

Ooh, the last I seen your face
I swore that no one would take your place
Now since you've been gone I've been feelin' bad, yeah
I'd come out to your place (but)
I'm afraid of your dad. So you...
Ride, ride, ride
Come on baby, ooh yeah
Crank it on up!

“Bad Motor Scooter” é uma das mais conhecidas canções do Montrose, revelando-se um dos clássicos do grupo e presença garantida em seus shows.

Quando a banda estava gravando o álbum, tanto a banda quanto o produtor Ted Templeman não ficaram satisfeitos com a gravação da canção, achando que faltava um “algo a mais” a “Bad Motor Scooter”.

Foi Ronnie Montrose, com a afinação da guitarra em um chamado “Open D” quem conseguiu compor o som que foi incorporado à abertura e ao final da faixa. Nos shows com a formação original do Montrose, Sammy Hagar era quem o reproduzia nas apresentações do conjunto.

Aliás, Hagar foi quem compôs a canção e manteve-a em seu repertório mesmo quando estava em carreira solo, incluindo-a em uma coletânea lançada em 2004 chamada The Essential Red Collection. Mesmo no Chickenfoot, o supergrupo do qual Hagar tem tomado parte atualmente, “Bad Motor Scooter” costuma aparecer no set list.



SPACE STATION #5

A terceira canção do trabalho é “Space Station #5”.

Os primeiros 50 segundos da canção simulam os sons de uma estação espacial, comuns em filmes e séries de TV de ficção científica que abordam o tema. O riff da canção impressiona pela sua intensidade, típico do Rock da década de 70 e, simultaneamente, por seu incrível brilhantismo. Os vocais de Hagar são excelentes e esta é uma das grandes canções da história do grupo. Genial!

As letras são bem legais e sugerem um tom de mudança e desejo de futuro que será positivo:

I remember when it was so clear
We were young but the memory still remains
To pick fruit from a tree, fish from the seas
Now nothin's left here but the stains
But I can't cry no more, can only be glad
That there's other places we can be
If the time suites you right I'm leaving tonight
Come fly away with me!



I DON’T WANT IT

A quarta faixa do álbum de estreia do Montrose é “I Don’t Want It”.

Um riff bem agressivo e pesado, flertando com o Heavy Metal, é a marca da canção “I Don’t Want It”. A bateria de Denny Carmassi também está mais agressiva nesta música, compondo um excelente ritmo para a faixa. Sammy canta de maneira mais agressiva e o solo transborda feeling. Outra excelente canção do trabalho.

As letras apresentam um claro significado de decepção amorosa:

I gave love a chance and it shit back in my face
And I just quit my job makin' toothpicks out of logs
You know it's gettin' thin when your friends turn you in
Better sock away your bread, there's worse times ahead



GOOD ROCKIN’ TONIGHT

“Good Rockin’ Tonight” é a quinta música do álbum Montrose.

A canção tem um riff simples e contagiante, sendo bastante empolgante. Trata-se de um Blues Rock tocado de forma bem rápida e com bastante inspiração, com maior destaque para a guitarra de Ronnie Montrose, que esbanja feeling.

Na verdade, “Good Rockin’ Tonight” é uma versão cover de uma composição escrita e lançada por Roy Brown, um Blues que antecipava alguns elementos do Rock And Roll. Esta versão do Montrose serviu de inspiração para a que foi lançada pelos ingleses do Diamond Head.



ROCK CANDY

A sexta faixa de Montrose é um grande clássico, “Rock Candy”.

Um belo trabalho de bateria de Denny Carmassi abre a canção, que dá espaço para um excepcional riff de Montrose, com bastante peso e inspiração, mas desta vez um pouco mais cadenciado. Um Hard Rock de primeira qualidade, com traços de Heavy Metal, formando uma excelente composição. Sammy Hagar dá uma interpretação incrível à música, contribuindo decisivamente para a qualidade final do trabalho.

O refrão é cantado de maneira empolgante:

But you're rock candy baby
Hard, sweet and sticky
Rock candy baby
Hard, sweet and sticky

“Rock Candy” se tornou uma das mais famosas canções do Montrose. Composta por todos os membros da banda na época, Sammy Hagar acabou sempre a incluindo em sua carreira solo, lançando-a como lado B do single “Little White Lie”, ou mesmo em álbuns ao vivo.

A introdução de bateria feita por Carmassi na faixa foi, segundo Ronnie, inspirada na introdução que o lendário baterista John Bonham faz em “When The Levee Breaks”, do álbum IV, do Led Zeppelin.

Sammy Hagar declarou certa vez: "“Rock Candy” é como um padrão para bandas como Def Leppard ou The Cult. Ao longo dos anos, quem quis fazer uma ‘jam’ comigo, quis tocar “Rock Candy” - Chad Smith, Joe Satriani, Matt Sorum, Slash. Lemmy, do Motörhead, veio até mim em um show na Inglaterra, e o que ele disse? 'Fucking Rock Candy, mate.”

Covers da canção foram feitos por diversas bandas como BulletBoys (para o filme Wayne’s World – Quanto mais idiota melhor), Dixie Witch, Lee Aaron e LA Guns. É trilha do filme The Stoned Age e da série de TV My Name Is Earl.



ONE THING ON MY MIND

A sétima música do álbum é “One Thing On My Mind”.

A canção tem um riff pesado, mas com uma excelente pegada Bluesy, que confere um ritmo muito contagiante à faixa. Contribui também para este aspecto a forma como a música é interpretada pelo vocalista Sammy Hagar, brilhantemente. O solo esbanja feeling e é um dos melhores do trabalho. Excelente canção!

As letras são bastante simples e falam sobre um casal se divertindo:

And baby there's only one thing on my mind
We're gonna have a good time
We're gonna let it all unwind
I'll foot the bill and have some fun if you will



MAKE IT LAST

A oitava – e última – faixa do álbum Montrose é “Make It Last”.

Mais uma vez Ronnie Montrose transpira inspiração logo no início da canção com notáveis linhas de guitarra. Peso e feeling são as marcas desta bela faixa e o casamento com a intensa interpretação de Hagar, formam a combinação perfeita. A seção rítmica faz um trabalho muito bem feito, dando a base exata para o que a música se propõe. Linda canção, com um solo belíssimo!

As letras de “Make It Last” fazem uma inferência de como é quando se quer ter mais idade do que se tem, sendo assim, uma metáfora de envelhecer:

At the time, I wanted to be twenty-one
It seemed the right age for havin' fun
But when I got there I was still too young
And twenty-five seemed to be the one

O Van Halen tocava “Make It Last” quando era ainda uma banda do circuito de pubs de Los Angeles.



Considerações Finais

O álbum de estreia do Montrose não causou impacto no momento inicial de seu lançamento. A modestíssima 133ª posição da parada norte-americana de álbuns é uma prova deste fato, embora músicas como “Rock Candy” e “Bad Motor Scooter” tenham recebido considerável divulgação das rádios.

Muito disto foi devido ao tratamento que a banda Montrose recebeu da gravadora Warner Bros. Com nomes do Hard Rock no seu cast como Deep Purple e The Doobie Brothers, o selo considerou o Montrose como uma banda redundante, não lhe dando a devida atenção.

A verdade é que o álbum atravessou o Atlântico – na Alemanha foi lançado com uma capa diferente e sob o nome “Rock The Nation” – e acabou conquistando a 43ª posição da parada britânica, ultrapassando a casa de 1 milhão de cópias vendidas.

Melhor que isto, o álbum acabou influenciando jovens músicos ingleses que acabariam por fazer covers de diversas canções do trabalho antes e depois da fama de seu grupo – o Iron Maiden. Tanto que a banda Montrose é constantemente citado como uma das grandes influências para a lenda do Heavy Metal mundial.

O Iron Maiden gravou uma versão da canção “Space Station #5” que foi lançada como lado B do single “Be Quick Or Be Dead”.

Com o passar do tempo, tanto a banda como o álbum Montrose se tornaram reconhecidos por fãs e críticos. A mídia especializada cita o grupo como a “resposta americana para o Led Zeppelin” e alguns consideram o álbum Montrose como o primeiro álbum norte-americano de Heavy Metal.

A revista Kerrang! elegeu o álbum Montrose como o 4º melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos no ano de 1989.

Ainda com Sammy Hagar nos vocais, mas com Alan Fitzgerald no baixo, o grupo lançou o ótimo Paper Money, em 1974. Musicalmente diferente de Montrose, o álbum tem uma sonoridade mais comercial e obteve maior repercussão nas paradas de sucesso.

Sammy deixa o Montrose na turnê de divulgação de Paper Money e segue em uma bem sucedida carreira solo, antes de tomar parte no Van Halen no meio da década de oitenta.

Com o vocalista Bob James e o tecladista Jim Alcivar, o Montrose lança mais dois álbuns de estúdio, Warner Brothers Presents... Montrose! (1975) e Jump On It (1976), com os quais a popularidade do grupo atinge seu ápice, antes de entrar em um hiato de 11 anos.

Em 1987, a banda lança o álbum Mean, com o vocalista Johnny Edwards, o baixista Glenn Letsch e o baterista James Kottak.

A formação original do Montrose se reuniu algumas vezes para apresentações – ou participações especiais – nos anos de 1997, 2002 e 2005. Ronnie Montrose superou uma batalha contra um câncer de próstata entre os anos de 2008 e 2010, e voltou bastante ativo e produtivo logo após sua cura. Inclusive, uma noite com a formação original do Montrose estava programada para o Night Club de Sammy Hagar, Cabo Wabo, para uma apresentação em Outubro de 2012.

Infelizmente, após um ataque de depressão e consumo excessivo de álcool, o corpo de Ronnie Montrose foi encontrado morto em 3 de março de 2012, vítima de um ferimento à bala auto infligido.



Formação:
Sammy Hagar – Vocal
Ronnie Montrose – Guitarra
Bill Church – Baixo
Denny Carmassi – Bateria

Faixas:
01. Rock the Nation (Montrose) - 3:03
02. Bad Motor Scooter (Hagar) - 3:41
03. Space Station #5 (Hagar/Montrose) - 5:18
04. I Don't Want It (Hagar/Montrose) - 2:58
05. Good Rockin' Tonight (Roy Brown) - 2:59
06. Rock Candy (Carmassi/Church/Hagar/Montrose) - 5:05
07. One Thing on My Mind (Hagar/Montrose/J. Sanchez) - 3:41
08. Make It Last (Hagar) - 5:31

Letras:
Para o conteúdo das letras, indicamos o acesso a: http://letras.mus.br/montrose/

Opinião do Blog:
Como já foi publicado algumas vezes aqui no Blog, nem sempre o sucesso comercial imediato é reflexo da qualidade do álbum. O disco de estreia do Montrose acabou sendo mais um destes casos.

Aclamado por muitos fãs e críticos musicais como um dos grandes álbuns de Hard Rock de todos os tempos, o blog é obrigado a se render a essas visões. O álbum Montrose é incrível, de qualidade excepcional.

Um trabalho com apenas 8 canções, sendo 7 autorais, consegue ter músicas como “Rock The Nation”, “Bad Motor Scooter”, “Space Station #5”, “Make It Last” e a incrível “Rock Candy”. Reunidas em um mesmo trabalho, formam um álbum de qualidade muito acima da média.

Ronnie Montrose conseguia compor riffs e linhas de guitarra com muita sensibilidade. Seus solos esbanjavam feeling e seus riffs normalmente possuíam peso, melodia e empolgação nas medidas exatas e no álbum de estreia de sua banda, ele estava em um nível extra de inspiração.

O álbum também nos traz o debut oficial do excelente Sammy Hagar, que ficaria mundialmente conhecido com seus trabalhos solos, no Van Halen e recentemente no Chickenfoot. Sammy já dava amostras de seu talento, cantando de forma especial por todo trabalho.

O Montrose inspirou fortemente o Iron Maiden, em especial, este álbum analisado pelo Blog, o qual indica fortemente que o leitor procure o ouvir com bastante calma e, por que não, a discografia do Montrose. Um dos álbuns preferidos deste blogueiro. Até a próxima!