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FOREIGNER - DOUBLE VISION (1978)









Double
Vision é o segundo álbum de estúdio da banda
britânica/norte-americana Foreigner. Seu lançamento oficial
aconteceu em 20 de junho de 1978, através do selo Atlantic Records.
As gravações ocorreram entre dezembro de 1977 e março de 1978, no
estúdio Sound City, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A produção
ficou por conta de Keith Olsen e dos guitarristas Mick Jones e Ian
McDonald.






Após
5 anos, o RAC finalmente traz a banda Foreigner
novamente às suas páginas. O Blog, muito brevemente, vai abordar os
fatos que se antecederam ao lançamento de Double Vision,
antes do nosso tradicional faixa a faixa.













Foreigner,
álbum de estreia





Em 8
de março de 1977, foi lançado Foreigner, o álbum de estreia
do conjunto de mesmo nome.





O
RAC já abordou este disco detalhadamente, e o
leitor que desejar pode encontrar o texto aqui.





Como
foi dito, Foreigner foi lançado em março de 1977 e vendeu
mais de quatro milhões de cópias apenas nos Estados Unidos,
permanecendo no Top 20 da Billboard por um ano, com hits como
“Feels Like the First Time”, “Cold as Ice” e “Long, Long
Way from Home”.





Em
maio de 1977, o Foreigner já estava como banda principal em
anfiteatros e havia conseguido um disco de ouro para sua estreia. Não
muito tempo depois, eles estavam se apresentando arenas de basquete e
hóquei nos EUA.





Depois
de um show no Memorial Hall, em Kansas City, nos Estados Unidos, em 6
de maio de 1977, o baterista Dennis Elliot feriu sua mão, levando a
banda a chamar Ian Wallace (ex-King Crimson) para tocar ao
lado de Elliott em algumas das datas até que sua mão fosse curada.





Após
quase um ano na estrada, a banda se apresentou para mais de duzentas
mil pessoas no California Jam II, em 18 de março de 1978, e,
durante o mês seguinte, o grupo fez turnê na Europa, no Japão e na
Austrália pela primeira vez.







Lou Gramm





Segundo
disco





Em
dezembro de 1977, o Foreigner já trabalhava no sucessor de
seu álbum de estreia e que se chamaria Double Vision.





O
conjunto mantinha sua formação: Lou Gramm nos vocais, Mick Jones na
guitarra, Ian McDonald também nas guitarras, Al Greenwood nos
teclados, Ed Gagliardi no baixo e Dennis Elliott na bateria.





Double
Vision
foi o primeiro de muitas outras gravações da banda em
que John Kalodner, executivo de A&R, simplesmente teria
seu nome listado duas vezes no encarte, como uma brincadeira com o
título do álbum. (Nota do Blog: Artists and repertoire (A&R)
é a divisão de uma gravadora ou editora de música que é
responsável pelo reconhecimento de talentos e pela supervisão do
desenvolvimento artístico de artistas e de compositores. Ele também
atua como uma ligação entre artistas e a gravadora ou editora;
todas as atividades envolvendo artistas até o lançamento de álbuns
são geralmente consideradas sob supervisão e responsabilidade do
A&R).





A
frase ‘John Kalodner: John Kalodner’ surgiu quando o produtor
Keith Olsen estava imaginando como creditar o envolvimento de
Kalodner com a banda e o disco. De acordo com a temática de ‘visão
dupla’, o guitarrista Mick Jones teve a ideia de dobrar o nome do
executivo.





Entre
dezembro de 1977 e março de 1978, o grupo se reuniu em Los Angeles,
nos Estados Unidos, no estúdio Sound City, para a gravação de
Double Vision.





“Tramontane”
foi a primeira faixa instrumental gravada pelo grupo, presente no
disco.





A
capa foi um trabalho do fotógrafo sul-africano Norman Seeff.





Vamos
às faixas:





HOT
BLOODED





As guitarras de Mick Jones e Ian McDonald fornecem um peso extra à melodia envolvente da clássica "Hot Blooded". Lou Gramm, como de costume, providencia excelentes vocais, em especial no refrão. Aliando agressividade e acessibilidade, a canção consegue alcançar um ponto bem alto.





A
letra possui conotação sexual:





That's
why, I'm hot blooded, check it and see


I
feel a fever burning inside me


Come
on baby, do you do more than dance?


I'm
hot blooded, hot blooded (I'm hot!)










“Hot
Blooded” foi lançada como single, atingindo a excepcional 3ª
posição na principal parada norte-americana desta natureza,
conquistando a 42ª colocação de sua correspondente britânica.
Ainda ficou com o 3º e o 24º lugares nas paradas de Canadá e
Austrália, respectivamente.





O
single, também lançado em junho de 1978, superou a casa de 1 milhão
de cópias vendidas!













BLUE
MORNING, BLUE DAY





O baixo de Ed Gagliardi está ainda mais evidente nesta música, permitindo que os teclados de Al Greenwood dominem perfeitamente a situação. O peso anterior abre espaço para uma melodia mais contida e, em certo ponto, soturna. Uma bela faixa.





A
letra é sobre um rompimento amoroso:





I've
always listened to your point of view, my ways are cutthrough men


And
I've always been a patient man, but my patience has reachedits end


You
tell me you're leaving, you tell me goodbye


You
say you might send a letter


Well
honey don't telephone, cause I won't be alone


I
need someone to make me feel better





Segundo
Lou Gramm, a letra da música fala: “Ela fala sobre um jovem músico
que está queimando a vela em ambas as extremidades. Ela tem muito em
mente, e anda pela rua à noite”. A cor azul é usada como uma
metáfora para a miséria.





A
canção foi lançada como single, atingindo a 15ª posição da
principal parada norte-americana desta natureza, conquistando a 45ª
colocação de sua correspondente britânica. Também ficou com o 21º
lugar na parada canadense de singles.





A
faixa também está disponível no game Rock Band.













YOU’RE
ALL I AM





"You're All I Am" é uma típica balada, de andamento arrastado e melodia muito acessível. Greenwood faz o teclado dominar o ambiente. Bons vocais de Gramm.





A
letra é romântica:





You
never give me enough of your love


I
need more and more each day


Honey,
can't you see the only thing I can be sure of


Is
that something real has come my way













BACK
WHERE YOU BELONG





Em "Back Where You Belong", Mick Jones assume os vocais e, embora não faça feio, não atinge o nível de Gramm. Trata-se de um Rock simples, com uma certa influência sessentista, mas muito eficiente e agradável.





A
letra possui um certo sentido de vingança:





You
treat me like a fool, but you're so wrong


I'm
gonna send you back where you belong


I
put my trust in you, but I was wrong


I'm
gonna send you back where you belong













LOVE
HAS TAKEN ITS TOLL





"Love Has Taken Its Toll" possui mais peso e influência Hard Rock, com um inegável viés Bluesy, trazendo à lembrança bandas como o Whitesnake. Guitarras protagonistas, com ótima atuação de Jones, perfazendo uma das melhores faixas do álbum. 





A
letra possui sentido sexual:





To
make a long story short, she finally got caught


I
had to tell her enough is enough


She
said, "You're just what I needed", and boy


She
nearly pleaded with me not to be too rough













DOUBLE
VISION





As guitarras continuam protagonizando em "Double Vision", com um riff bem pesado, especialmente quando se leva em conta o estilo do Foreigner. O refrão é dominado por Greewood, embora o diferencial da canção se encontra no ótimo trabalho da seção rítmica. Clássico!





A
letra fala sobre limites:





Never
do more than I, I really need


My
mind is racing, but my body's in the lead


Tonight's
the night, I'm gonna push it to the limit


I
live all of my years in a single minute













“Double
Vision” foi lançada como single, alcançando a extraordinária 2ª
posição da principal parada norte-americana desta natureza,
atingindo o 7º e o 97º lugares em suas correspondentes de Canadá e
Austrália; respectivamente.





Em
uma entrevista, o vocalista Lou Gramm explicou a origem por trás da
música:





““Double
Vision” foi uma música composta ao final de 1977, pouco
antes do lançamento do álbum Double Vision... Muitas pessoas
pensam que é (sobre) ficar intoxicado, mas quando estávamos
gravando essa música, antes de termos seu título, o time de hóquei
do New York Rangers estava jogando com o Philadelphia Flyers e um dos
grandes caras do Flyers tropeçou no goleiro do dos Rangers e o
derrubou, e eles tiveram que tirá-lo do jogo, porque ele estava
passando por visão dupla (em inglês double vision)”.





De
acordo com o site do New York Rangers, o incidente ocorreu em abril
de 1978, durante um jogo de hóquei entre o Rangers e o Buffalo
Sabres. Os apresentadores do jogo usaram repetidamente a frase “visão
dupla”, que inspirou o Foreigner a usá-la como título da
canção.





A
música tem sido um marco no setlist da banda desde o seu lançamento.
Nos últimos anos, Lou Gramm e o Foreigner (agora liderados
por Kelly Hansen) usaram a música como abertura de show.





Esta
música é destaque no gama Guitar Hero: Van Halen. Também
foi usada em um anúncio do Burger King, na década de 1990.





O
single “Double Vision” supera a casa de 1 milhão de cópias
vendidas.













TRAMONTANE





"Tramontane" é um interessante esforço apenas instrumental do Foreigner. Os teclados dominam completamente boa parte da faixa, suportados por uma atuação impressiva do baixista Ed Gagliardi.













I
HAVE WAITED SO LONG





Mick Jones volta aos vocais principais em mais uma balada, "I Have Waited So Long". É perceptível um toque Country em sua musicalidade, a qual se apresenta suave e intimista. Embora simples, trata-se de uma canção tocante.





A
letra possui sentido romântico:





I've
counted the days, day after day


Since
we've been apart


Now
I've found my way, I've found my way


Right
back to your heart













LONELY
CHILDREN





"Lonely Children" traz uma pegada mais Hard novamente à tona, com as guitarras e um riff pesado predominando. Os vocais de Gramm fazem a diferença enquanto a guitarra de Jones se torna a protagonista. Ótima música.





A
letra é sobre solidão:





They
may detest you, someday they may arrest you


They
stop at nothing to hold you down


You
need to be free, but will they ever let you?


They
won't be happy till you leave town













SPELLBINDER





A décima - e última - faixa de Double Vision é "Spellbinder". A derradeira canção do álbum traz uma proposta mais intimista, com uma sonoridade com um pé fincado no Blues Rock. Gramm e Jones dominam e o resultado final é muito atraente.





A
letra fala sobre uma mulher sedutora:





I've
never been a easy man, so hard to please


But
she made me feel life was unreal, oh, Lord, how she satisfiedme


I
tried to break away, but I didn't stand a chance


She
planned it so well, I was under her spell, I was in atrance













Considerações
Finais





Incensado
por singles muito poderosos, Double Vision foi um tremendo
sucesso comercial.





O
álbum atingiu a sensacional 3ª colocação da principal parada
norte-americana desta natureza, a Billboard. Também ficou com
a 32ª posição na correspondente britânica, além do ótimo 3º
lugar na parada canadense.





Andy
Hinds, do site AllMusic, em uma análise retrospectiva, dá ao
disco uma nota 4 (de 5), afirmando: “Optando por não mexer com uma
boa fórmula, a banda sabiamente adere ao polido hard rock que fez do
seu primeiro álbum um sucesso tão grande. Além dos grandes
singles, outros destaques incluem a arrogante “Love Has Taken Toll”
e a mais contida “Blue Morning, Blue Day””.





Aproveitando
a fase sensacional, o conjunto lançaria seu terceiro álbum de
estúdio já em 1979, Head Games.





Double
Vision
supera a casa de 7 milhões de cópias vendidas apenas nos
Estados Unidos.













Formação:


Lou
Gramm - Vocal


Mick
Jones - Guitarra, Piano, Vocal em 04 e 08


Ian
McDonald - Guitarras, Teclados, Flautas, Backing Vocal


Al
Greenwood - Teclados, Sintetizador


Ed
Gagliardi - Baixo, Backing Vocal


Dennis
Elliott - Bateria


Músicos
adicionais:


Ian
Lloyd - Backing Vocal





Faixas:


01.
Hot Blooded (Gramm/Jones) - 4:26


02.
Blue Morning, Blue Day (Gramm/Jones) - 3:12


03.
You're All I Am (Jones) - 3:24


04.
Back Where You Belong (Jones) - 3:14


05.
Love Has Taken Its Toll (Gramm/McDonald) - 3:29


06.
Double Vision (Gramm/Jones) - 3:44


07.
Tramontane (Greenwood/McDonald/Jones) - 3:56


08.
I Have Waited So Long (Jones) - 4:07


09.
Lonely Children (Jones) - 3:37


10.
Spellbinder (Gramm/Jones) - 4:45





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/foreigner/





Opinião
do Blog:


Embora tenha demorado um tempo muito grande, o RAC finalmente atende aos muitos pedidos dos leitores para que o Foreigner voltasse às nossas páginas.



O Blog escolheu o clássico Double Vision para seu retorno.



Dispensável que se fale novamente da qualidade incontestável dos membros do conjunto, uma vez que sua formação permanecia a mesma e já fizemos isto no post anterior sobre o Foreigner.



Fabricar um sucessor após um álbum de estreia tão marcante quanto Foreigner não seria uma tarefa muito simples, mas o grupo pode considerar que executou a tarefa com extraordinário êxito.



O conjunto continuou desenvolvendo seu estilo AOR, iniciado em sua estreia, e, desta forma, Double Vision é uma continuação perfeitamente natural do disco que o antecedeu. Rock, Hard e pequenos toques progressivos, com uma produção excelente, tudo está novamente presente.



As guitarras de Mick Jones e Ian McDonald continuam firmes, trazendo peso e bons riffs em muitas das canções. A seção rítmica fornece uma base competente e os teclados de Greenwood são parte importante da musicalidade. Lou Gramm é um ótimo vocalista, especialmente quando se leva em conta a proposta da banda.



Embora, para o RAC, sua estreia ainda esteja em um pequeno degrau superior, Double Vision apresenta canções marcantes para o Foreigner e seus fãs.



Duas verdadeiras pancadas abrem o disco "Hot Blooded" e "Blue Morning, Blue Day". "Double Vision" é um clássico enquanto a interessante "Tramontane" traz um viés elegante ao disco.



Mas as preferidas do Blog são o petardo "Lonely Children" e a bluesy "Love Has Taken Its Toll".



Concluindo, Double Vision cumpriu com excelência a complicada missão de suceder Foreigner sem permitir que o sucesso e a qualidade do Foreigner diminuíssem, mesmo que, para o Blog, seja ligeiramente inferior. O AOR continuava tomando forma e o grupo se mantinha em ascensão. Álbum muito bem recomendado pelo RAC. 


FOREIGNER - DOUBLE VISION (1978)



Double Vision é o segundo álbum de estúdio da banda britânica/norte-americana Foreigner. Seu lançamento oficial aconteceu em 20 de junho de 1978, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram entre dezembro de 1977 e março de 1978, no estúdio Sound City, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Keith Olsen e dos guitarristas Mick Jones e Ian McDonald.

FOREIGNER - FOREIGNER (1977)


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Foreigner é o álbum de estreia da banda homônima ao álbum, ou seja, o Foreigner. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 8 de março de 1977 com as gravações ocorrendo durante o mês de novembro de 1976, nos estúdios Record Plant, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo da dupla John Sinclair e Gary Lyons, com auxílio dos membros do grupo Mick Jones e Ian McDonald. O selo responsável foi o Atlantic.

O Foreigner é um grande nome do Rock and Roll. Como será visto no post, desde o seu álbum de estreia o grupo foi um enorme sucesso. Seu surgimento se deu a partir do ano de 1976.



O guitarrista inglês Mick Jones já era um músico experiente quando fundou o Foreigner. Ele começou sua carreira musical no início dos anos 1960 como membro da banda Nero and The Gladiators, que fez um par de singles com alguma repercussão na parada britânica em 1961.

Após o fim da banda, Jones trabalhou como compositor e músico auxiliar para artistas como Sylvie Vartan e Johnny Hallyday, para quem ele escreveu muitas canções, incluindo "Je suis né dans la rue" e "À tout casser" (que apresentava Jimmy Page na guitarra).

Foi então que ele se juntou a Gary Wright, ex-Spooky Tooth, para formar o Wonderwheel. Em 1973, Jones e Wright reformaram o Spooky Tooth, e, mais tarde, Jones tornou-se membro do Leslie West Band. Ele também tocou guitarra nos álbuns Wind of Change (1972) do Peter Frampton, e Dark Horse (1974) de George Harrison.

O outro membro fundador do Foreigner foi outro inglês, o guitarrista Ian McDonald. Em 1969, ele estava na formação inicial do mítico grupo King Crimson, que gravou seu primeiro álbum In the Court of the Crimson King.

Mick Jones


McDonald e o baterista Michael Giles partiram e formaram uma banda que lançou apenas um álbum intitulado McDonald and Giles. Ele reapareceu no King Crimson em 1974 e destinado a se reunir à banda como membro efetivo, mas não teve a oportunidade de fazê-lo devido à decisão de Robert Fripp para destituir o grupo.

Já em 1976, Mick Jones e Ian McDonald se reúnem e decidem formar uma nova banda. Para isto, eles convidam um norte-americano para ser o vocalista: Lou Gramm.

Gramm era o vocalista da banda americana Black Sheep e com eles gravou 2 álbuns de estúdio, Black Sheep (1974) e Encouraging Words (1975).

Foi no início de 1976 que Gramm conheceu Mick Jones, quando este estava em Rochester (EUA) com o Spooky Tooth e Lou Gramm lhe entregou uma cópia do primeiro álbum do Black Sheep.

Com Mick Jones e Ian McDonald como guitarristas e Lou Gramm de vocalista, a banda começava a tomar forma. Os novos membros surgiriam logo em seguida. O baterista convidado foi Dennis Elliott, Al Greenwood como tecladista e Ed Gagliardi como baixista.

Lou Gramm


Faltava um nome ao conjunto. E foi Mick Jones que surgiu com a ideia do nome Foreigner (estrangeiro em inglês). Segundo Jones, não importava em que país estivessem, 3 membros do grupo sempre seriam estrangeiros: ele (Jones), Elliott e McDonald eram ingleses e Gramm, Greenwood e Gagliardi eram norte-americanos.

Com tantas estrelas em um mesmo ‘time’, não foi difícil para o Foreigner conseguir um acordo com a Atlantic Records.

Ainda em 1976, a banda já se reunia no estúdio The Record Plant para começar a gravação do seu primeiro álbum, que seria homônimo ao grupo.

A capa é simples, uma imagem dos membros da banda. Lançado em março de 1977, o álbum Foreigner seria um tremendo sucesso.

FEELS LIKE THE FIRST TIME

Abre o álbum um dos clássicos da banda “Feels Like The First Time”.

Já no início da faixa pode ser sentida uma das características principais da banda: o toque suave e cheio de melodia que compõe parte do riff. Lou Gramm acompanha o riff com sua bela voz, preenchendo a canção com muita emoção. As vozes dobradas no refrão contribuem para cativar o ouvinte. Excelente música!

As letras são uma homenagem apaixonada a uma mulher:

I have waited a lifetime, spent my time so foolishly
But now that i found you, together we'll make history
And I know that it must be the woman in you, that brings out the man in me
I know i can't help myself, you're all my eyes can see



Lançada como single, foi um tremendo sucesso. Atingiu a sensacional 4ª posição da parada norte-americana de singles. Está presente no game Guitar Hero: Warriors Of Rock. Presença garantida nos shows do grupo até hoje.



COLD AS ICE

Outro clássico do conjunto é a segunda faixa do álbum de estreia do Foreigner, “Cold As Ice”.

Um teclado repleto de melodia e suavidade dá o toque inicial em “Cold As Ice” e é praticamente acompanhado apenas pela bela voz de Lou Gramm. Depois o tocante riff da canção toma conta, repleto de intensidade, mesmo sendo leve. O ritmo continua suave durante toda a música e envolve o ouvinte, com direito a vozes dobradas, guitarras bem presentes e o teclado bastante envolvente.

A letra é simples, em tom de rompimento amoroso:

I've seen it before, it happens all the time
You're closing the door, you leave the world behind
You're digging for gold, you're throwing away
A fortune in feelings, but someday you'll pay

Lançada como single, também foi um tremendo sucesso do Foreigner. Chegou à brilhante 6ª posição da parada norte-americana e à 24ª da parada britânica. É presença obrigatória nos shows do grupo.



Várias bandas e artistas diversos fizeram versões para “Cold As Ice”, por exemplo Jay Z, Supertramp e M.O.P.  Está presente no game Rock Band 3.



STARRIDER

A terceira canção de Foreigner é “Starrider”.

O clima suave e tocante continua no álbum. O início de “Starrider” é acústico, sendo embalado de maneira cativante pelas linhas vocais. No refrão o peso aumenta apenas o tanto para torna-lo mais forte e marcante, reforçado por vozes dobradas. Mas o que torna a faixa especial são suas belíssimas linhas melódicas.

A letra conta as memórias de um viajante do espaço, em uma construção bastante nostálgica:

And ever on I sailed Celestial ways
And in the light of my years
Shown the rest of my days



HEADKNOCKER

“Headknocker” é a quarta faixa do trabalho.

A canção começa com o clima do Hard Setentista, tornando-a a mais “pesada” até então. O riff é simples, forte e empolgante, aumentando o ritmo da música. Lou Gramm a canta da melhor maneira possível, construindo uma faixa excelente.

A letra é simples e mostra a rebeldia rock:

He's got an old fender strat
Plays behind his back
While he sings out Louie, Louie
He's a backseat mauler
A barroom brawler
I think he's gonna blacken your eye
If that don't teach you a lesson



THE DAMAGE IS DONE

A quinta música do álbum é “The Damage Is Done”.

O clima mais melancólico domina “The Damage Is Done”. Há uma influência bluesy que a enche de sentimento, de forma suave e repleta de melodia. A partir de sua metade, o ritmo acelera e se intensifica, mas sempre de maneira leve e com lindas melodias.

A letra fala do fim de um relacionamento:

Will you miss me
When I leave you behind?
Will you tell your friends
I treated you unkind?
Well it's over now, and I'm on the run
I don't want you, the damage is done



LONG, LONG WAY FROM HOME

Mais um clássico do Foreigner está em seu álbum de estreia: “Long, Long Way From Home”.

A menor faixa do disco é um dos grandes clássicos do grupo. Ela é rápida, com uma pegada Hard bem presente, tendo certo peso e andamento mais veloz. O riff é bastante empolgante e a forma como Gramm a canta contribui decisivamente para o sucesso da música. Outro excelente momento do álbum.

A letra se refere a alguém que deixa uma cidade pequena para tentar o sucesso em Nova Iorque e a solidão que acaba sentindo.

It was a Monday, a day like any other day
I left the small town for the apple in decay
It was my destiny, it's what's we needed to do
They were telling me, I'm telling you



Foi o terceiro e último single lançado para promover o trabalho e conseguiu a 20ª posição da parada desta natureza nos Estados Unidos. Presença marcante nos shows do grupo.



WOMAN OH WOMAN

A sétima música do álbum é “Woman Oh Woman”.

O ritmo continua bastante tocante no álbum com a faixa “Woman Oh Woman”. Seu início embalado por linhas suaves e extremamente tocantes acompanhadas por uma interpretação sensível e precisa constroem uma linda balada.

A letra fala em tom romântico, confrontando amores real e ideal:

Woman oh woman
Don't bury me alive
Just make me feel I've the right to survive
Woman oh woman
I hope that you can see
This is nothing like our love was meant to be
Love was meant to be



AT WAR WITH THE WORLD

A oitava faixa de Foreigner é “At War With The World”.

O Hard Setentista está de volta na oitava canção do disco. O riff é forte, pesado e com uma pegada Hard Rock a qual é impossível não se contagiar sendo fã do estilo. Mais para o meio da música ela se torna mais cadenciada, mas sem perder seu peso original e sua pegada marcante. Lou canta maravilhosamente. Excepcional composição!

A letra é ótima e mostra uma alegoria usando a guerra, mas que pode ser interpretada como alguém buscando aceitação:

I'm at war with the world
That's the way it must be
I'll fight while I can
To put an end to this misery



FOOL FOR YOU ANYWAY

“Fool For You Anyway” é a nona canção do trabalho.

A suavidade volta ao disco com sua nona música. “Fool For You Anyway” é uma balada que possui as características linhas melódicas do Foreigner e lembra, um pouco, as faixas semelhantes que a banda Free fazia com maestria. O solo é bonito e o clima tocante, em outra linda composição.

A letra mostra o sofrimento por amor:

Well I cried for you so long
My river of tears ran dry
And I tried to be so strong
But grew weaker as time went by



I NEED YOU

A décima – e última – faixa do álbum é “I Need You”.

A derradeira canção do trabalho traz um ritmo forte, pesado e cadenciado ao disco, com um riff que chega fortemente aos ouvidos de quem aprecia a música. Tudo é feito com toque de muita melodia, mas a pegada Hard Setentista é nítida. “I Need You” fecha o trabalho com chave de ouro.

A letra é simples e demonstra alguém se apaixonando perdidamente:

Many is the time I've cursed the Lord's creations
Ah but you touched my hand
I loved this new sensation
It was very strange, what a change
Of you I did not tire
So call on me, my heart's on fire



Considerações Finais

Lançado em março de 1977, o álbum homônimo à banda Foreigner foi um estrondoso sucesso, especialmente se for levado em conta o fato de ser um disco de estreia.

Catapultado por três singles que atingiram o top 20 da parada norte-americana (“Feels Like The First Time”, “Cold As Ice” e “Long, Long Way From Home”), o álbum atingiu a excelente 4ª posição da principal parada norte-americana de álbuns.

Mais que isso, permaneceu no Top 20 da supracitada parada de álbuns durante um ano! Um tremendo feito.

Foi também 9º lugar na parada canadense de álbuns e 1º na correspondente norueguesa. A turnê que sucedeu o lançamento do disco também foi bem sucedida, tanto que o segundo disco de estúdio já foi lançado no ano seguinte (Double Vision, de 1978).

Estima-se que o álbum Foreigner já superou a casa de 5 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Dennis Elliott – Bateria
Ed Gagliardi – Baixo
Lou Gramm – Vocal
Al Greenwood – Teclado
Mick Jones – Guitarra, Vocal em “Starrider”
Ian McDonald – Guitarra

Faixas:
01. Feels Like the First Time (Jones) – 3:49
02. Cold as Ice (Jones/Gramm) – 3:19
03. Starrider (Greenwood/Jones) – 4:01
04. Headknocker (Gramm/Jones) – 2:58
05. The Damage Is Done (Jones/Gramm) – 4:15
06. Long, Long Way from Home (Jones/Gramm/McDonald) – 2:53
07. Woman Oh Woman (Jones) – 3:49
08. At War with the World (Jones) – 4:18
09. Fool for You Anyway (Jones) – 4:15
10. I Need You (Gramm/Jones) – 5:09

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/foreigner/

Opinião do Blog:
Muitos fãs de Rock torcem o nariz para bandas que usam e abusam de sonoridades mais suaves e “melosas”. O fato é que o Foreigner é um dos grupos que fizeram sua identidade musical nesta linha.

Mas tudo na banda é construído com extremo bom gosto. Suas canções mais populares são, em sua maioria, baladas ou algo bem próximo a isto. Contudo, simultaneamente, tudo é construído de maneira belíssima, com a leveza e a sutileza necessária para não soar piegas ou fútil.

O Foreigner não é apenas isto. Há, também, músicas que têm ótima pegada Hard Rock, especialmente aquele feito nos anos setenta.

Formado por músicos experientes e de muita qualidade, as composições do Foreigner, conforme foi dito, esbanjam talento. Não há momentos desnecessários, firulas técnicas ou exageros, tudo é muito bem emendado e construído de maneira a contribuir exclusivamente com a sonoridade das canções.

Ian McDonald e Lou Gramm esbanjam talento e precisão. Os teclados de Al Greenwood também transbordam bom gosto. A cozinha formada por Gagliardi e Elliott é exata e não compromete. E ainda temos Mick Jones que trouxe todo o talento e a bagagem de anos na música, sendo o principal compositor do conjunto.

No seu álbum de estreia, o Foreigner dá uma aula de composição: temos 3 ‘hits’ de sucesso indiscutível: “Feels Like The First Time”, “Cold As Ice” e “Long, Long Way From Home”. A pegada Hard também aparece nas ótimas “Headknocker”, “At War With The World” e “I Need You”.

Em termos de letras, o grupo apostou quase sempre na temática romântica, mas nada que comprometa a qualidade do trabalho. O bom gosto também prevalece neste ponto.

Tem-se aqui um dos grandes álbuns de estreia do Rock (sua posição na parada norte-americana e o número de cópias vendidas falam por si sós). Além disto, as composições são ótimas, não há músicas de enchimento neste trabalho.


O Foreigner é uma grande banda e de qualidade inquestionável, a qual certamente aparecerá novamente no Blog. E o seu álbum de estreia é extremamente recomendado por este que vos escreve!