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GILLAN - FUTURE SHOCK (1981)



Future Shock é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Gillan. Seu lançamento oficial aconteceu em março de 1981, através do selo Virgin Records. As gravações ocorreram entre dezembro de 1980 e janeiro do ano seguinte, no estúdio Kingsway Recorders, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Paul ‘Chas’ Watkins, John McCoy, Colin Towns, Bernie Tormé e Mick Underwood.

GILLAN - FUTURE SHOCK (1981)









Future
Shock é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Gillan. Seu
lançamento oficial aconteceu em março de 1981, através do selo
Virgin Records. As gravações ocorreram entre dezembro de 1980 e
janeiro do ano seguinte, no estúdio Kingsway Recorders, em Londres,
na Inglaterra. A produção ficou por conta de Paul ‘Chas’
Watkins, John McCoy, Colin Towns, Bernie Tormé e Mick Underwood.






A
banda Gillan, como obviamente o nome sugere, criada pelo
vocalista do Deep Purple, Ian Gillan, retorna ao RAC
com outro de seus melhores trabalhos. Conforme a tradição, vai-se
abordar muito brevemente os momentos que antecederam ao lançamento
do disco para depois se focar em suas faixas.

















Glory
Road





Em
outubro de 1980, a banda Gillan lançava seu terceiro álbum de
estúdio, Glory Road. No link, o leitor pode se ater mais
detalhadamente ao que o RAC pensa sobre o disco.





Em
linhas gerais, Glory Road foi um retorno de Ian Gillan aos
momentos mais gloriosos, pois o trabalho propiciou grande
visibilidade à banda.





Glory
Road
atingiu o terceiro lugar na principal parada britânica de
álbuns, embora não tenha repercutido em sua correspondente
norte-americana.





Entre
as canções preferidas do RAC, no disco, estão
“No Easy Way”, “On The Rocks” e “Sleeping On The Job” e
“If You Believe Me”.







Bernie Tormé





Turnê
e repercussão





O
sucesso de Glory Road na Inglaterra não se repetiu nos
Estados Unidos, mesmo com o grupo excursionando bastante pelo país.





Isto,
evidentemente, acabou por causar certa frustração aos membros da
banda, pois se trata do principal mercado de consumo. Nem mesmo o
grande sucesso comercial no Japão e na Oceania foi um fator
amenizante, pelo contrário, uma vez que as turnês por estes lugares
são bem exaustivas.





A
partir de então, o clima de tensão entre os membros da Gillan
foi ficando cada vez mais palpável.





Novo
álbum





Mesmo
assim, em dezembro de 1980, o grupo Gillan retornou aos trabalhos
mais firmemente para um novo disco, contando com a mesma formação do álbum anterior: Ian Gillan nos vocais, Bernie Tormé nas guitarras, Colin Towns nos teclados, John McCoy no baixo e Mick Underwood na bateria.





O
nome do novo álbum seria Future Shock, inspirado na obra de
mesmo nome, lançada em 1970, pelo escritor Alvin Toffler. (Nota
do Blog:
Alvin Toffler foi um escritor e futurista
norte-americano, doutorado em Letras, Leis e Ciência, conhecido
pelos seus escritos sobre a revolução digital, a revolução das
comunicações e a singularidade tecnológica. Os seus primeiros
trabalhos deram enfoque à tecnologia e seu impacto (através de
efeitos como a sobrecarga de informação. Mais tarde centrou-se em
examinar a reação da sociedade e as mudanças que esta sofre. Os
seus últimos trabalhos têm abordado o estudo do poder crescente do
armamento militar do século XXI, as armas e a proliferação da
tecnologia e o capitalismo).







Ian Gillan





Entre
as músicas escolhidas para o trabalho estava “New Orleans”, um
cover da canção de mesmo nome lançada originalmente por
Gary
U.S. Bonds
. (Nota do Blog: Gary U.S. Bonds (nascido Gary
Levone Anderson) é um cantor norte-americano de rhythm and blues e
rock and roll, conhecido por seus clássicos sucessos “New Orleans”
e “Quarter to Three”).





A
arte da capa, bem legal, foi um trabalho de Alan Daniels, da Young
Artists.





Vamos
às faixas:





FUTURE
SHOCK





A guitarra de Bernie Tormé reproduz um riff especial e é muito bem acompanhada pelos pulsante baixo de John McCoy e o indomável teclado de Colin Towns. Um Hard/Heavy empolgante, contagiante e comandado pela voz inigualável de Ian Gillan. Genial!





A
letra revela uma preocupação com o futuro:





You're
going the wrong way if you're looking out for paradise


You
know your future is lying deep in your brain


And
you can get there just by throwing out the bad advice


Ah
yes I've tried it so I know, but I'm going insane


Is
this the future shock













NIGHT
RIDE OUT OF PHOENIX





A 'metálica' "Night Ride Out of Phoenix" continua com intensidade e peso, mas com um andamento mais lento e arrastado. A guitarra de Tormé é onipresente, a bateria de Mick Underwood é interessante, mas quem domina a canção são os teclados de Colin Towns.





A
letra é sombria:





For
some reason I'd been chosen


To
be a witness to the Devil's hate


But
I knew that those burned in Phoenix


Had
left me to a darker fate













(THE
BALLAD OF) THE LUCITANIA EXPRESS





Nesta música, a banda Gillan não perde tempo, indo direto ao ponto com uma verdadeira paulada, relembrando os tempos de Ian no Deep Purple, mas com uma dose extra de peso. Hard/Heavy para 'quebrar o pescoço'.





A
letra é sobre uma viagem de trem:





Going
to Madrid from Lisbon


This
train is a flying machine


Counting
our money and wisdom


Fifty
pesetas and one broken dream













NO
LAUGHING IN HEAVEN





A genial "No Laughing in Heaven" bebe nas melhores fontes setentistas, contando com um ar Bluesy inconfundível e trazendo um toque do Purple que é notório. Mas estes fatores apenas engrandecem e enaltecem uma ótima composição em que Ian Gillan demonstra seu enorme talento como intérprete. Faixa incrível a qual apresenta um trabalho formidável da seção rítmica. 





A
letra fala sobre salvação divina:





Well
I ran around in the state of shock and panic


This
wan't what I expected


Here
was what looked like a bunch of manic depressives


Can
I get a transfer, I screamed


But
no, once you're in Heaven, you're here for good


The
good of your soul, but that's no good for me


If
you want to go to Hell you've really got to be bad


Okay,
okay, I'll be bad


Too
late


What
do you mean too late


Too
late


No


In
the meantime













A
música foi lançada como single, atingindo a 31ª posição da
principal parada britânica desta natureza.













SACRE
BLEU





"Sacre Bleu" resgata o clima de urgência e é uma música frenética. A seção rítmica mantém o ritmo veloz e a guitarra de Tormé domina a cena, brilhando em um ótimo solo.





A
letra é sobre um crime:





Now
I'm in this prison accused of a bad case of rape


I've
told the story but the truth is much to hard to take, I can't escape


What
has she done to me, Sacre Bleu


They
call me an animal and brand me a cad


But
I'm just a gullible lad


She's
had and I've been had













NEW
ORLEANS





"New Orleans" é uma música muito empolgante. Ela possui a pegada que remonta ao Rock clássico dos anos 50, mas com uma roupagem Hard Rock. Tormé, Towns e Gillan brilham intensamente em um momento saboroso do álbum.





A
letra fala sobre a cidade de New Orleans:





I
said a hey, hey, hey yeah


I
said a hey, hey, hey yeah


Well
come on everybody take a trip with me


Well
down the Mississippi down to New Orleans


Oh
well the magnolia blossom fills the air


If
you ain't been to heaven then you ain't been there


You
got French Moss growing from big oak tree


Down
the Mississippi down to New Orleans













“New
Orleans” é uma canção originalmente composta por Frank Guida e
Joseph Royster e que foi lançada, pela primeira vez, por Gary U.S.
Bonds
, como single, em 1960.





O
Gillan também lançou-a como single e conseguiu a boa 17ª
posição da principal parada britânica desta natureza.













BITE
THE BULLET





"Bite The Bullet" é um Hard/Heavy que apresenta peso e intensidade em doses consideráveis. O ótimo trabalho de Underwood e McCoy permitem que Tormé e Towns brilhem, especialmente o guitarrista. Eletrizante canção.





A
letra possui uma mensagem sobre o futuro:





Believe
in tomorrow


There'll
be much less sorrow


Look
around you at your brothers


You've
got more than most others


They
can't stop you from living


They
can't stop you feeling


They
can't stop your dreaming


They
can't take that away from you













IF
I SING SOFTLY





"If I Sing Softly" possui um ritmo extremamente lento e um andamento completamente arrastado. Trata-se de uma balada, mas sua melodia se mostra com um aspecto melancólico e, de certa forma, entristecido. Atuação impecável de Ian Gillan.





A
letra possui temática romântica:





I
want to be beside you


I
want to be inside you


How
can I wait much longer


My
love is growing stronger


Will
you love me


Baby
will you stay with me, love me


Will
you hold me and love me


I
need you, we must be together


Will
you stay here forever


If
I sing softly to you













DON’T
WANT THE TRUTH





Nesta composição, o Hard Rock volta à cena de modo animado e cativante, mas de modo cadenciado. A presença constante do baixista John McCoy é o ponto alto da canção.





A
letra fala sobre confiança:





I'm
lonely that's the way to be


So
lonely but at least I'm free


I'm
scared of trusting in you


I'm
scared you're telling me the truth


No
I don't want to hear you, I don't want to hear you


Don't
want the truth













FOR
YOUR DREAMS





A décima - e última - faixa de Future Shock é "For Your Dreams". A atuação impecável dos teclados de Colin Towns, nesta música, somente é igualada pela monstruosa interpretação de Ian Gillan. O clima soturno e angustiante cativam, explodindo em um refrão frenético. Fecha o disco brilhantemente.





A
letra fala sobre um sonho:





It's
been such a long time yet nothing is done


We're
leading a wasted life


We've
too many people too many bodies


Fighting
all to survive


We
live in the wrong time we're barely alive


There
must be a better life


We've
too many people too many bodies


How
can we all survive













Considerações
Finais





Com
dois singles bem-sucedidos, Future Shock acabou fazendo
barulho pelo Reino Unido.





O
álbum atingiu a excepcional 2ª posição na principal parada
britânica de discos. Ele também alcançou a 45ª colocação na
parada da Suécia, mas, novamente, não repercutiu nos Estados
Unidos.





Em
2005, a revista alemã Rock Hard colocou Future Shock
no 467º lugar de seu livro The 500 Greatest Rock & Metal
Albums of All Time
.





Em
1981, os membros da banda estavam descontentes, pois o sucesso europeu
e japonês não estava se traduzindo em maiores recompensas
financeiras, e, depois do lançamento de Future Shock, enquanto
o Gillan estava em turnê pela Alemanha, o guitarrista Bernie
Torme deixou o conjunto, pouco antes da banda voltar para o Reino
Unido para aparecer no popular programa de TV, Top of the Pops.





Tormé
foi substituído pelo guitarrista do White Spirit, Janick Gers
(que mais tarde se juntaria ao Iron Maiden), e este line-up
lançou o álbum duplo (metade estúdio e metade ao vivo), Double
Trouble
, no final de 1981.





Future
Shock
ultrapassa a casa de 60 mil cópias vendidas apenas na
Inglaterra.













Formação:


Ian
Gillan - Vocal


Colin
Towns - Teclado


John
McCoy - Baixo


Bernie
Tormé - Guitarra


Mick
Underwood - Bateria





Faixas:


01.
Future Shock (Gillan/McCoy/Tormé) – 3:06


02.
Night Ride Out of Phoenix (Gillan/Towns) – 5:06


03.
(The Ballad Of) The Lucitania Express (Gillan/McCoy/Tormé) – 3:10


04.
No Laughing in Heaven (Gillan/McCoy/Tormé/Towns/Underwood) – 4:58


05.
Sacre Bleu (Gillan/McCoy/Tormé) – 3:03


06.
New Orleans (Guida/Royster) – 2:37


07.
Bite the Bullet (Gillan/Towns) – 4:50


08.
If I Sing Softly (Gillan/McCoy/Tormé) – 6:10


09.
Don't Want the Truth (Gillan/McCoy/Tormé) – 5:40


10.
For Your Dreams (Gillan/Towns) – 5:04





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/ian-gillan-band/





Opinião
do Blog:


Ian Gillan já é figurinha carimbada nas páginas do RAC, seja pelas aparições do Deep Purple ou mesmo de sua ótima banda Gillan.



Portanto, é inegável o fato de que quem escreve estas mal traçadas linhas é um grande fã do talento deste formidável vocalista.



Neste Future Shock, Ian é escoltado por um time de primeira categoria. O baterista Mick Underwood e o baixista John McCoy formam uma seção rítmica muito mais que competente. Eles constroem uma base formidável para que os talentos do guitarrista Bernie Tormé e do tecladista Colin Towns possam brilhar intensamente.



E é notável, na melhor tradição do Deep Purple, como Tormé e Towns formam uma dobradinha entrosada que se desafia e se complementa por todo o álbum. Este é um dos pontos principais de Future Shock.



E o mais interessante é que a banda Gillan funciona exatamente como uma banda, ou seja, explicando melhor: há a noção de se criar boa música e o espaço para que todos os músicos apareçam é privilegiado. O conjunto não é apenas um mero suporte com a finalidade da estrela maior, o vocalista o qual batiza o grupo, apareça solitariamente.



Claro, e não poderia ser diferente, Ian Gillan desfila seu talento quase único por todo o disco, mas, em diversas composições presentes no álbum, Ian nem é o maior destaque, com Tormé e Towns roubando facilmente a cena.



A proposta sonora é o Hard Rock com uma abordagem setentista, mas flertando muito proximamente com o Heavy Metal da NWOBHM. O resultado é um disco vigoroso, energético e repleto de faixas muito cativantes. Future Shock é um petardo!



As letras estão na média geral do Rock.



"Future Shock" é quase um Heavy Metal, vigorosa e com um riff matador. A versão saborosíssima para "New Orleans" é imperdível. "Bite The Bullet" é uma verdadeira porrada e a sombria "If I Sing Softly" contagia.



Mas o RAC elege o clássico "No Laughing in Heaven" e a grandiosa "For Your Dreams" como suas prediletas no trabalho.



Por fim, cabe ressaltar que Ian Gillan atravessou uma de suas melhores fases quando montou e trabalhou com sua banda Gillan. Future Shock é, muito possivelmente, o disco preferido do RAC a contar com o fantástico Ian Gillan fora do Deep Purple. Vigoroso, empolgante e sem faixas desnecessárias, resta dizer que ele é extremamente bem recomendado!


GILLAN - GLORY ROAD (1980)






Glory Road é o terceiro álbum de estúdio da banda
britânica chamada Gillan. Seu lançamento oficial ocorreu em outubro de 1980,
sob o selo Virgin. A produção ficou com o produtor Paul Watkins e John McCoy,
baixista do grupo. As gravações ocorreram entre abril e junho daquele ano no
estúdio Kingsway Recorders, em Londres, na Inglaterra, entre os meses de abri e
maio daquele mesmo ano.













Gillan é o nome da banda de rock que o ex-vocalista
do Deep Pruple (na época), Ian Gillan, formou em 1978. Primeiramente, vamos
relatar um pouco da história da saída do vocalista do grupo até a formação do
novo conjunto.





Estamos em dezembro de 1972, e Ian Gillan
juntamente com o seu grupo até então, o Deep Purple, haviam gravado naquele ano
os álbuns Machine Head, Made in Japan e o que ainda seria lançado Who Do We
Think We Are. Gillan sentiu que a grande carga de trabalho o levara até a
exaustão.





Somado ao cansaço, Ian Gillan, ao contrário de
alguns membros da banda, ficou descontente com álbum ao vivo Made in Japan, já
que não gostava de álbuns ao vivo em geral.





Ele tendia ir para o estúdio, somente depois que o
resto da banda já houvesse gravado e terminado as partes instrumentais das
músicas (o que aconteceu especialmente para Who Do We Think We Are) e então estabelecer
e gravar seus vocais separadamente.





Além disto, Ian Gillan havia, continuamente, entrado
em estado de confronto com o guitarrista do Purple, Ritchie Blackmore,
discordando sobre os caminhos musicais regularmente, o que culminou com Gillan
escrever "Smooth Dancer" sobre o guitarrista.





Enquanto estavam em turnê, na cidade de Dayton,
Ohio, Estados Unidos, ele se sentou e escreveu uma carta de demissão para os
gerentes da banda, afirmando que pretendia sair do grupo a partir de 30 de
junho de 1973. Por fim, acabou sendo substituído por David Coverdale.





Imediatamente após sua saída do Deep Purple, Ian
Gillan decidiu se aposentar da música e investiu em negócios que não deram
muitos resultados. O primeiro, um hotel em Oxford. Depois, uma loja de
motocicletas que quase o levou a ruína.





A oportunidade de mais sucesso, porém, veio com o
investimento no Kingsway Studios em 1974, a qual acabou o levando a uma
performance ao vivo no Butterfly Ball, em 16 de Outubro de 1974, substituindo Ronnie
James Dio no último minuto. Incentivado por uma calorosa recepção, ele decidiu
retomar sua carreira musical.





Em 1975, Gillan formou um grupo chamado Ian Gillan Band,
com o guitarrista Ray Fenwick, o tecladista Mike Moran (rapidamente substituído
por Mickey Lee Soule e depois por Colin Towns), Mark Nauseef na bateria e John
Gustafson no baixo.





Seu primeiro álbum, Child in Time, foi lançado em
janeiro de 1976, seguido por Clear Air Turbulence, em abril de 1977, e, por
fim, Scarabus em outubro do mesmo ano. O som da banda tinha um aspecto distinto,
em uma fusão jazz-rock, que, embora fosse do extremo agrado de Gillan,
mostrou-se impopular particularmente desde que o punk rock começou a entrar na
moda.





No meio de 1978, insatisfeito com o insucesso comercial
da Ian Gillan Band, ele resolveu dissolver o conjunto, retendo apenas o tecladista
Colin Towns. Desta vez, o vocalista formaria um novo grupo chamado simplesmente
de Gillan.





Com Steve Byrd na guitarra, Liam Genockey na
bateria e John McCoy no baixo, e, inicialmente, uma sonoridade mais voltada
para o rock progressivo, o grupo gravou e lançou sua estreia em setembro de
1978, embora a banda tenha conseguido um contrato de gravação e lançamento
apenas no Japão, Austrália e Nova Zelândia.





Esta estreia da banda Gillan ficou conhecida como
“The Japanese Album”. Logo após, Genockey deixa o grupo, sendo substituído por
Pete Barnacle.





O álbum foi suficientemente bem-sucedido para
atrair mais atenção e, em 1979, a banda assinou um contrato europeu com a
gravadora Acrobat Records. Antes de um novo disco ser gravado, o guitarrista
Steve Byrd foi substituído por Bernie Torme e Barnacle pelo baterista Mick
Underwood, ex-colega de Ian Gillan no Episode Six.





O som contundente da guitarra de Bernie Torme
alterou fundamentalmente a dinâmica e a musicalidade da banda Gillan e Ian
decidiu direcionar a sonoridade para um lado mais heavy metal e punk.





Ian Gillan:










O primeiro álbum com esta nova formação foi lançado
sob o nome Mr. Universe (1979) e continha muitas músicas que foram trabalhadas
novamente e já haviam sido lançadas no “The Japanese Album”.





O disco foi direto para as paradas de sucesso do
Reino Unido (atingindo a 11ª posição), mas parou com a falência da Acrobat Records.
Isso acabou levando a banda para um acordo de vários discos com a Virgin
Records.





Além disto, a banda teve sorte – e competência –
para chegar ao topo com a ascensão do movimento New Wave Of British Heavy Metal
e se aproveitar disto, tornando sua sonoridade bem mais pesada, voltada para um
som Metal.





Curioso relembrar que no Natal de 1978, Ian Gillan
recusou uma oferta por parte do antigo companheiro Ritchie Blackmore, para que
ele integrasse sua banda Rainbow.





Mas Blackmore não se sentiu ofendido e fez uma participação
especial com a banda Gillan em seu show de Natal. Foi a primeira vez que Ian
Gillan e Ritchie Blackmore tocaram juntos desde 1973.





Em 1980, Gillan atingiu o auge de seu sucesso,
lançando o seu terceiro disco de estúdio. 
E é disto que o Blog vai falar agora.





Com uma capa simples, Glory Road foi lançado pela
Vrigin Records em outubro de 1980.





UNCHAIN YOUR BRAIN





Abre
o álbum “Unchain Your Brain”.





A falada sonoridade mais Heavy Metal já pode ser
sentida no início da faixa. Há um riff bem veloz e com o peso certo dado,
especialmente, pelo conjunto de baixo com bateria. Os vocais de Ian Gillan são
ótimos e bem agressivos. Com a herança do Deep Purple nas costas, os teclados
de Colin Towns são marcantes.





A letra tem um aspecto de juventude e liberdade:





You won't get nothing if you got no
wheels


If you got no wheels you'll never
know how it feels


There's no reason for the things you
said


If you don't get moving you'll
pretty soon be dead


Dead and forgotten


Free living the life of a king


You can have
everything













ARE YOU SURE?





A segunda canção do disco é “Are You Sure?”.





O baixo de John McCoy se destaca no início da
faixa, mas logo é consumido por um riff bem cativante, veloz, mas ao mesmo tempo
repleto de melodia e swing. A música tem um forte toque de Deep Purple
setentista, revezando os vocais de Gillan com a cadência do ritmo da canção,
formando uma construção bem interessante.





A letra é simples e contém muito toque de rebeldia:





I'll be your confidante


Tell me of all your desires


Let me be your
confidante


I'll help to put coal on your fires













TIME AND AGAIN





A terceira faixa de Glory Road é “Time And Again”.





O ritmo do álbum cai com “Time And Again”. A música
começa com uma velocidade bem cadenciada e lenta, além da notável ausência de
peso. O instrumento que mais se destaca são os teclados de Colin Towns. Ian
Gillan opta por vocais mais suaves, mesmo que continue com sua característica
de esticar as palavras.





Mais uma vez a letra é bem simples, com clara
conotação de rompimento amoroso:





I think we'd better stay together


It's the best thing for you and me


I'll be your slave and we'll love
forever


You'll have my body, but my mind
stays free


But I'm dreaming, dreaming


Baby I love you so


We do it time and again


You're always causing me pain


We do it time and again


You always
damage my brain





Ps: não foi encontrado vídeo satisfatório com a música. Desculpas.





NO EASY WAY





A quarta música do trabalho é “No Easy Way”.





A guitarra marcante de Bernie Tormé começa a canção
de maneira bem forte e presente, sendo os 2 primeiros minutos da mesma um solo
do guitarrista. Após isto surge um riff pesado, que lembra bastante o Judas
Priest setentista. Mais uma vez os teclados estão bem presentes, mas o maior
destaque vai para a ótima atuação de Tormé em toda a duração da faixa.





A letra trata de um aviso para a juventude de que
não há maneira fácil para se conquistar nada:





You are so lovely, you are so
beautiful


Please don't cry, please don't be
miserable


You may have problems and you may
want to die


But please don't worry, let it all
pass by


There's no easy way to shake off
sorrow


But maybe the only way is to think
about tom













“No Easy Way” foi lançada como single mesmo antes
do lançamento oficial de Glory Road.













SLEEPING ON THE JOB





“Sleeping
On The Job” é a quinta faixa do album.





A menor canção de Glory Road, “Sleeping On The Job”
tem pouco mais de 3 minutos e é bem simples, direta e contundente. Ela contém
um riff magistral, repleto de melodia e, mesmo assim, pesado e rápido – na medida
certa. Os vocais estão presente ao melhor estilo Ian Gillan que canta de
maneira brilhante. Com teclados bem presentes, a música é excelente.





A letra tem um tom bem descontraído:





She used to waken up the neighbours


As she distributed favours


And now she's anarchy and treason


But she doesn't give a reason


Annie my baby


Act like a lady


You're
sleeping on the job





“Sleeping
On The Job” foi o principal single lançado para promover Glory Road.













ON THE ROCKS





A sexta música do disco é “On The Rocks”.





A canção começa com algumas vinhetas e sons bem
clássicos, presença de sonoridades psicodélicas dentro dos primeiros 2 minutos
de duração, nos quais o teclado de Colin Towns brilha. O riff aparece bastante
pesado, acompanhando brilhantemente o teclado, mas o maior destaque para esta
faixa diferente vai mesmo para a atuação dos vocais de Ian Gillan. A música
lembra bastante o estilo do Uriah Heep dos anos 1970.





Metaforicamente, pode-se inferir o sentimento e
desejo de luta perante quaisquer dificuldades ou injustiças que se sofra:





Hold tight, hold tight, keep those
hands on your given birthright


Alright, alright, keep your eyes on
the demon in disguise


You must never close your eyes


Right, each night think on back to
your given birthright


Hold tight, hold tight, just
remember the feeling deep inside you













IF YOU BELIEVE ME





A sétima canção do disco é “If You Believe Me”.





Agora, na maior faixa do trabalho, Ian Gillan e
seus companheiros cravam seus pés no melhor do Blues Rock, construindo uma
poderosa balada totalmente bluesy. A música é simplesmente incrível, com a
guitarra de Tormé muito bem colocada. Mas todos os méritos vão para o
vocalista, que tem sua melhor atuação em todo álbum, cantando espetacularmente,
como todos os seus fãs estão acostumados. Genial.





A letra oscila no sentimento de amor e desejo, mas
sendo impiedoso e ciumento:





I could believe in you


The way you left me hot and helpless


I could believe in you


The way your kisses left me hot and
helpless


I could believe in you


I want you


If you believe me


I'll stay with you


But if you
deceive me


I'll kill you













RUNNING, WHITE FACE, CITY BOY





A oitava música do disco é “Running, White Face,
City Boy”.





A faixa começa de maneira bem veloz, com os
teclados sendo tocados de maneira acelarada, no que é acompanhado por guitarra,
baixo e bateria. Gillan canta com agressividade, dando este aspecto rápido ao
ouvinte de modo perfeito. Há um toque de NWOBHM na composição bastante palpável.





A letra é simples e mostra um jovem que procura
problemas e se sente assustado. Uma metáfora para o sentimento de falta de
lugar na sociedade:





I was running through an empty night


Just the sound of a lovers' fight


And the feeling of the wind upon my
face


I was looking for a place to hide


Scared and my eyes were wide


No place for a white face city boy













NERVOUS





A nona – e última – faixa do álbum é “Nervous”.





O ótimo riff de “Nervous” conduz a canção de
maneira brilhante, desta feita com o pé no freio, ou seja, a música é mais
cadenciada e, ao mesmo tempo, bastante pesada. Ian Gillan abusa de seu poder
vocal, o que torna a faixa ainda mais especial. A guitarra de Tormé está
excelente, com bons solos e efeitos.





As letras mostram um tom de dominação dentro de uma
relação:





You make me so nervous that you'd
better move away


You make me so nervous, I'll hurt
you so move away


You do what is right for me


Behave so considerately


You make me
nervous





Ps: não foi encontrado vídeo satisfatório com a música. Desculpas.





Considerações
Finais





Glory Road, como foi dito, levou a banda de Ian
Gillan ao seu ápice de sucesso. Para se ter uma ideia, o álbum conseguiu a
excepcional 3ª posição na parada de sucessos do Reino Unido, embora tenha sido
completamente ignorado nos Estados Unidos.





Assim, mesmo excursionando exaustivamente,
inclusive nos Estados Unidos, o grupo praticamente não conseguiu repercussão
nas terras ianques.





Entretanto, o sucesso no Reino Unido – e conquentemente
no restante de Europa – assim como no Japão, era enorme, o que levava a banda
sempre a procurar estes pontos em suas turnês.





Na prensagem inicial de Glory Road, foi lançado em
conjunto um LP extra, de nome "For Gillan Fans Only", com alguns
covers e outras faixas autorais. Ele acabou sendo lançado novamente em
relançamentos de Glory Road anos mais tarde, no formato CD.













Formação:


Ian
Gillan - Vocal, Harmonica


Colin
Towns - Teclado, Flauta


John
McCoy - Baixo


Bernie
Tormé - Guitarras


Mick
Underwood – Bateria





Faixas:


01.
Unchain Your Brain (Gillan/Tormé/McCoy) - 3:11


02.
Are You Sure? (Gillan/Tormé/McCoy) - 4:05


03.
Time And Again (Gillan/Tormé/McCoy) - 5:05


04.
No Easy Way (Gillan/Tormé/McCoy) - 6:34


05.
Sleeping On The Job (Gillan/Towns) - 3:11


06.
On The Rocks (Gillan/Towns) - 6:39


07.
If You Believe Me (Gillan/Tormé/McCoy/Underwood) - 7:33


08.
Running, White Face, City Boy (Towns) - 3:11


09.
Nervous (Gillan/Towns) - 3:44





Letras:


Para o conteúdo completo das letras, indicamos o
acesso a: http://letras.mus.br/gillan/





Opinião:


Ian Gillan não precisava provar mais nada a
ninguém, pois naquela época o vocalista já havia cravado seu nome na história da
música, sendo eternizado ao colocar sua voz nos álbuns In Rock e Machine Head
do Deep Purple.





Seu estilo e alcance vocal o tornaram admirado e o
transformaram em referência para um sem número de vocalistas que surgiram
depois. Um fã declarado de Gillan é o vocalista do Iron Maiden, Bruce
Dickinson.





Suas incursões em estilos diferentes do Rock em
diversos momentos distintos da sua carreira são curiosas, mas é interessante
notar que foi no Rock and Roll que ele se reencontrou, especialmente neste
projeto abordado aqui, a banda Gillan. É importante ressaltar a inteligência de
Ian em perceber o momento em que vivia (o surgimento da NWOBHM) e incorporar
elementos daquela sonoridade em seu trabalho.





Mais especificamente sobre Glory Road, trata-se de
um trabalho muito bom. Sua sonoridade, muitas vezes, lembra as de bandas dos
anos 1970, como Judas Priest, em alguns momentos o Uriah Heep e, especialmente,
o próprio Deep Purple. Sempre com toques muito bem colocados de Heavy Metal da
NWOBHM.





As letras do disco são bem simples, mas nada que
comprometa a qualidade do trabalho.





Na parte instrumental, o álbum é saboroso. A
guitarra de Bernie Tormé está ótima, assim como o teclado de Colin Towns. Mas,
obviamente, o show é dado por Ian Gillan e sua maravilhosa voz. “No Easy Way”, “On The Rocks” e “Sleeping
On The Job” são excelentes.
Assim como a maravilhosa “If You Believe Me”,
que já vale o álbum.







Enfim, Ian Gillan dispensa qualquer apresentação. E
este foi um trabalho muito interessante lançado pelo vocalista fora da lenda
chamada Deep Purple. Recomendado.