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CREAM - DISRAELI GEARS (1967)

 


Disraeli Gears é o segundo álbum de estúdio
da banda britânica chamada Cream. Seu lançamento oficial aconteceu em 2 de
novembro de 1967 pelo selo Reaction. As gravações ocorreram em maio daquele
mesmo ano, no estúdio Atlantic, em Nova York, nos Estados Unidos. A produção
ficou a cargo de Felix Pappalardi.



 






Início
de 1967



 



O site já visitou o Cream e suas origens aqui.



 



A banda visitou os Estados Unidos pela
primeira vez em março de 1967, para tocar em nove datas no RKO 58th Street
Theatre em Nova York. Houve pouco impacto, pois o empresário, Murray the K,
colocou o grupo no final de uma apresentação de seis conjuntos que se
apresentavam três vezes por data, eventualmente reduzindo a banda a uma música
por show.



 



O grupo retornaria a Nova York entre 11 e 15
de maio de 1967, para a gravação de seu segundo disco de estúdio, Disraeli Gears.


Eric Clapton




 



Produção



 



Como foi afirmado, o álbum foi gravado no
Atlantic Studios, em Nova York, entre 11 e 15 de maio de 1967, após os nove
shows da banda como parte da série de concertos "Music in the 5th
Dimension" de Murray the K.



 



O selo americano do Cream, ATCO, era uma subsidiária integral da Atlantic Records.



 



As sessões foram produzidas pelo futuro
baixista do Mountain, Felix
Pappalardi - que coescreveu as faixas "Strange Brew" e "World of
Pain" com a esposa Gail Collins - e foram projetadas por Tom Dowd - que
mais tarde trabalharia com Eric Clapton em projetos como Layla and Other Assorted Love Songs e 461 Ocean Boulevard.



 



O proprietário da Atlantic Records, Ahmet
Ertegun, também esteve presente durante as sessões. De acordo com Dowd, as
sessões de gravação duraram apenas três dias e meio. Os vistos da banda
expiraram no último dia de gravação. O baterista Ginger Baker lembrou como o
título do álbum foi baseado em um malapropismo que aludiu ao primeiro-ministro
britânico do século 19, Benjamin Disraeli.



 



Além de Baker, o conjunto era formado pelo
guitarrista Eric Clapton e o baixista/vocalista Jack Bruce.



 



Arte
Gráfica



 



A arte da capa foi criada pelo artista
australiano Martin Sharp, que morava no mesmo prédio que Clapton, The
Pheasantry, em Chelsea. Sharp iria criar a arte do próximo álbum do Cream, Wheels of Fire, e coescreveu as canções "Tales of Brave
Ulysses" e o tema do filme The Savage Seven, "Anyone for Tennis",
com Clapton.



 



A fotografia foi de Bob Whitaker, conhecido
por seu trabalho com os Beatles,
incluindo a polêmica capa do "açougueiro" de Yesterday and Today.



 



A maioria das fotos foi tirada em julho de
1967, com filmagens no Hyde Park de Londres, bem como nas Highlands escocesas.
Algumas das imagens foram filmadas em Ben Nevis, a montanha mais alta das ilhas
britânicas.



 



As fotos mostram um Clapton barbeado com um
penteado bufante com permanente. Na época do lançamento do álbum em novembro,
no entanto, ele estava deixando seu cabelo crescer reto e tinha um bigode.



 



A capa frontal consiste em uma colagem
psicodélica com o título centralizado e o nome da banda abaixo, cercado por um
arranjo floral. Martin Sharp estava tentando capturar o som da música na capa,
que ele descreve como um "som fluorescente quente".



 



A arte da capa foi posteriormente usada para
a compilação Those Were the Days.


Ginger Baker




 



Música



 



Disraeli
Gears
apresenta o grupo se distanciando, fortemente, de suas
raízes do blues e entregando-se a sons mais psicodélicos, em particular em
faixas como "Tales of Brave Ulysses", "SWLABR", "World
of Pain" e "Dance the Night Away", a última, com um violão de 12
cordas (a única vez em que o instrumento seria usado em uma gravação do Cream).



 



As melodias mais blues do disco são o arranjo
de Clapton em "Outside Woman Blues", a composição de Bruce-Brown
"Take it Back", que foi inspirada nas imagens contemporâneas da mídia
de estudantes americanos queimando suas cartas de rascunho que apresentavam
gaita de Jack Bruce, e a faixa de abertura "Strange Brew", que foi
baseada em uma canção de blues de 12 compassos chamada "Lawdy Mama" e
apresenta um solo de guitarra de Albert King, copiado nota por nota.



 



Ao contrário do anterior Fresh Cream, que era dominado vocalmente por Bruce, os vocais em Disraeli Gears eram mais democráticos. Clapton canta em "Strange Brew" e "Outside
Woman Blues", e divide os vocais em "World of Pain", "Dance
the Night Away" e "Sunshine of Your Love".
Baker,
por sua vez, executa os vocais principais em sua composição "Blue
Condition". Todos os três membros da banda cantam juntos em "Mother's
Lament".



 



Em contraste com muitos dos outros trabalhos
da banda, Disraeli Gears compreende
principalmente canções curtas e independentes, sem nenhum improviso e jamming
pelos quais a banda era conhecida no palco.


Jack Bruce




 



Vamos às faixas:



 



STRANGE BREW



 



“Strange Brew” bebe na rica fonte do Blues
Rock e a guitarra de Clapton é o grande destaque deste clássico.



 



A letra é bem divertida:



 



On a boat in the middle of a raging sea,



She would make a scene for it all to be



Ignored.



And wouldn't you be bored?



 



“Strange Brew” foi lançada como single e
atingiu a 17ª posição da principal parada britânica desta natureza.






 



Em abril de 1967, durante sua primeira viagem
a Nova York, o Cream gravou uma
música chamada "Lawdy Mama", com Ahmet Ertegun, no Atlantic Studios,
no início das sessões do que viria a ser o álbum Disraeli Gears. A banda tocou duas versões da música, a primeira um
shuffle típico de blues, e a segunda convertida para o tempo direto em um
estilo mais rock 'n' roll (ambas as versões podem ser ouvidas em These Were the Days).



 



O produtor Felix Pappalardi pegou a fita da
segunda versão de "Lawdy Mama" e, com a ajuda de sua esposa Gail
Collins, transformou a música em "Strange Brew".



 



Um jornalista notou que Clapton, nesta fase,
estava empregando estilos de guitarra de Albert King; e que tanto "Strange
Brew" quanto outra faixa do Cream,
"Born Under a Bad Sign", "eram praticamente paródias de Albert
King".



 



Clapton executa os vocais principais na
música em um estilo de falsete. Foi o primeiro single do Cream em que ele cantou solo. Ao contrário do single anterior do
grupo, "I Feel Free", nenhum vídeo promocional foi feito para a
música, mas a banda a dublou na televisão, no programa alemão Beat Club, em 19
de maio de 1967.



 



SUNSHINE OF YOUR LOVE



 



O riff sensacional de “Sunshine of Your Love”
é dos mais icônicos da história do Rock, em uma de suas canções mais
espetaculares.



 



A letra possui uma conotação romântica:



 



I'm with you, my love



The light's shining through on you



Yes, I'm with you, my love



It's the morning and just we two



 



A música foi lançada como single, atingindo a
25ª posição na principal parada britânica desta natureza, conquistando a 5ª
colocação em sua correspondente norte-americana.






 



No início de 1967, o Cream estava escrevendo e ensaiando canções para um segundo álbum.
Seu disco de estréia, de dezembro de 1966, Fresh
Cream
, foi uma mistura de blues atualizados e canções de rock com
orientação pop.



 



Inspirado por desenvolvimentos recentes na
música rock, o grupo começou a buscar uma direção mais abertamente psicodélica.
"Sunshine of Your Love" começou como uma frase de baixo (ou riff)
desenvolvido pelo baixista do Cream,
Jack Bruce. O Cream compareceu a um
concerto, em 29 de janeiro de 1967, da Jimi
Hendrix Experience
no Saville Theatre em Londres que teria inspirado o
grupo.



 



Os compositores musicais Covach e Boone
descrevem o riff como derivado do blues, que usa uma escala pentatônica de
blues menor com uma quinta nota achatada adicionada (ou escala de blues comum).
A música segue uma progressão de acordes de blues durante os primeiros oito
compassos.



 



Brown teve dificuldade em escrever letras que
se encaixassem no riff. Depois de uma sessão que durou a noite toda, Bruce
tocou em um contrabaixo enquanto o letrista Pete Brown olhava pela janela. Lentamente,
ele começou a escrever "Está quase amanhecendo e as luzes fecham seus
olhos cansados", que é usado no primeiro verso. Mais tarde, para quebrar o
ritmo, Clapton escreveu um refrão que também rendeu o título da música.



 



Uma gravação botleg, no clube Ricky-Tick em
Londres, antes que o Cream gravasse
a música no estúdio, mostra "Sunshine of Your Love" com uma batida
comum ao rock da época. O baterista Ginger Baker comparou-o ao uptempo
"Hey Now, Princess", outra composição de Bruce/Brown que o Cream gravou em março.



 



Bruce e Brown tinham uma série de novas
canções em vários estágios de desenvolvimento e entraram no estúdio em 3 de
abril. Inicialmente, Ertegun designou Dowd para trabalhar com o trio e o Cream foi sua primeira exposição a
níveis extremos de volume.



 



Ertegun trouxe o produtor Felix Pappalardi,
que ele acreditava que poderia trabalhar como um intermediário entre o grupo e
Dowd.
Eles começaram com
"Strange Brew", "Tales of Brave Ulysses" e "Sunshine
of Your Love".



 



Ertegun ouviu as demos e não gostou,
esperando mais material baseado em blues como o de Fresh Cream. Booker T. Jones (produtor e tecladista de Booker T.
& the MG's) e Otis Redding (ambos cujas gravações da Stax na época foram
distribuídas pela Atlantic, pai da Atco) deram a "Sunshine of Your
Love" sua total aprovação. As diferenças foram suavizadas quando o Cream voltou em maio de 1967 para
terminar de gravar as músicas para Disraeli
Gears
.



 



A guitarra que Clapton usou foi identificada
como uma Gibson SG de 1964, conhecida como "the Fool". É um dos
exemplos mais conhecidos do chamado ‘tom feminino’ e cita a melodia do padrão
pop "Blue Moon". Ao usar a escala pentatônica maior da música,
Clapton oferece um contraste com a escala de blues do riff.



 



Em 2004, a canção ficou em 65º lugar na lista
das "500 melhores canções de todos os tempos" da revista Rolling
Stone. Em março de 2005, a revista Q colocou "Sunshine of Your Love"
no número 19 em sua lista das "100 melhores faixas de guitarra de todos os
tempos!"



 



Em 2009, a VH1 incluiu-o no número 44 de sua
lista do "Top 100 Hard Rock Songs". A canção está na lista do Rock
and Roll Hall of Fame das "500 canções que deram forma ao rock and
roll".



 



WORLD OF PAIN



 



“World of Pain” é uma faixa mais suave,
contando com uma melodia delicada e, mesmo assim, encantadora.



 



A letra é em tom de sofrimento:



 



Is there a reason for today?



Is there a reason for today?



Do you remember?



I can hear all the cries of the city



No time for pity for a growing tree



 



DANCE
THE NIGHT AWAY



 



“Dance the Night Away” tem um ritmo forte,
abraçando a psicodelia, em um ótimo trabalho de Baker.



 



A letra é bem
psicodélica:



 



Will find myself an ocean



Sail into the blue



Live with golden swordfish



Forget the time of you



Dance the night away



 



BLUE CONDITION



 



“Blue Condition” tem uma profusa base bluesy,
com andamento mais lento, mas, mesmo assim, empolgante.



 



A letra possui um tom de resiliência:



 



Early rising every day



You must be enterprising in your way



For you will hear no laughter, nor see the Sun



Life would be one disaster all the way through



 



TALES OF BRAVE ULYSSES



 



Um rock bem vigoroso, com as guitarras de
Clapton bem proeminentes, é a face da ótima “Tales of Brave Ulysses”.



 



A letra se refere à tragédia mitológica grega,
Ulisses:



 



And the colors of the sea blind your eyes with
trembling mermaids



And you touch the distant beaches with tales of brave
Ulysses



How his naked ears were tortured by the sirens sweetly
singing



For the sparkling waves are calling you to kiss their
white laced lips



 



A música foi a primeira colaboração entre o
guitarrista Eric Clapton e o artista Martin Sharp.
Clapton compôs a música, inspirada no hit de 1966 do Lovin' Spoonful, "Summer in the
City".



 



“Comecei a conversar com Eric”, disse Sharp,
que morava no mesmo prédio. “Eu disse a ele que tinha escrito um poema. Ele,
por sua vez, me disse que tinha composto algumas músicas. Então eu dei a ele
meu poema. Duas semanas depois, ele apareceu com ele no lado B de um disco 45
polegadas”.



 



A canção foi o lado B do single "Strange
Brew" em junho de 1967, vários meses antes do lançamento do segundo disco
do grupo, Disraeli Gears, que incluía
ambas as canções.



 



Matthew Greenwald do AllMusic a chama de
"Uma das poucas canções abertamente psicodélicas que envelheceram
graciosamente ... Liricamente, é uma versão relativamente factual e colorida da
grande tragédia grega Ulisses".


Clapton, Bruce e Baker




 



SWLABR



 



A guitarra de Clapton está realmente infernal
na incrível “SWLABR”.



 



A letra é bem legal:



 



Running to me a-cryin' when he throws you out



Running to me a-cryin', on your own again



You've got that pure feel, such good responses



But the picture has a mustache



 



A música foi o lado B do single
"Sunshine of Your Love" do Cream.



 



O poeta Pete Brown escreveu as palavras e o
baixista do Cream, Jack Bruce,
compôs a música. Bruce canta e toca baixo, com Eric Clapton nas guitarras e
Ginger Baker na bateria. O título é a soma das iniciais de "She Walks Like
a Bearded Rainbow". Bruce disse mais tarde que o W significa "Was"
(era) em vez de "Walks” (Caminha).



 



WE’RE GOING WRONG



 



“We’re Going Wrong” é mais lenta e contida,
com um clima mais sorumbático.



 



A letra é curta e divertida:



 



Please open your mind



See what you can find



I found out today we're going wrong,



We're
going wrong



 



Com a letra da música tendo apenas duas
estrofes, os vocais de Jack Bruce são estendidos por toda a duração da música e
são apoiados pelo trabalho de guitarra de estilo psicodélico de Eric Clapton e a
batida de bateria de Ginger Baker.



 



A fórmula de compasso 6/8 também dá à música
um som distinto e irregular. Os vocais de Bruce são em falsete e são
acompanhados por uma linha de baixo lenta e uma melodia de guitarra
blues/psicodélica; no entanto, a bateria de Baker é frequentemente frenética e
rápida, tornando-se completamente em “desacordo” com o resto dos instrumentos.



 



OUTSIDE WOMAN BLUES



 



Sensacional a versão agressiva do Cream para
o clássico “Outside Woman Blues”.



 



A letra possui um sentido engraçado:



 



I'm gonna buy me a bulldog, watch my lady whilst I
sleep



I'm gonna buy me a bulldog, watch my lady whilst I
sleep



'Cause women these days, they're so doggone crooked



That they might make off 'fore day creep



 



"Outside Woman Blues" é uma canção
de blues gravada originalmente pelo Blind Joe Reynolds, em 1929. É uma das
poucas gravações conhecidas feitas por Reynolds, que usou "Woman
Blues" em vários títulos de músicas.



 



TAKE IT BACK



 



A gaita de Bruce e a guitarra de Clapton
dominam este Blues Rock viciante chamado “Take It Back”.



 



A letra fala sobre uma mulher:



 



Don't let them take me to where streams are red



I want to stay here and sleep in my own bed



Need all your loving, long blonde hair,



Don't let them take me 'cause I'm easily scared



Take it back, take it back, take that thing right out
of here



 



MOTHER’S LAMENT



 



“Mother’s Lament” encerra o disco de modo
divertido.



 



A letra brinca com a vida de uma mãe:



 



A mother was washing her baby one night;



The youngest of ten and a delicate mite



The mother was poor and the baby was thin;



'Twas naught but a skeleton covered with skin



 



Considerações
Finais



 



Disraeli
Gears
foi um sucesso praticamente imediato. O álbum ficou com
a 5ª posição na parada britânica e com a 4ª colocação na sua correspondente
norte-americana. O disco também conquistou o 1º lugar nas paradas de Austrália,
Finlândia e Suécia.



 



A crítica tem o álbum em alta conta.



 



Escrevendo para a BBC, Chris Jones descreveu
o álbum como "um encapsulamento perfeito do ponto em que o blues se tornou
psicodélico e, por sua vez, ficou pesado".



 



Thomas Erlewine, do AllMusic, descreve o
álbum como "um álbum de rock pesado quintessencial dos anos 60". Dave
Swanson, da Ultimate Classic Rock, acredita que o álbum seja "sua
obra-prima". Em 1999, o álbum foi incluído no Grammy Hall of Fame.



 



O disco foi eleito o 182º lugar na terceira
edição do All Time Top 1000 Albums de Colin Larkin (2000). Em 2003, o álbum foi
classificado como a 114ª posição na lista dos 500 melhores álbuns de todos os
tempos da revista Rolling Stone, mantendo a classificação em uma lista revisada
de 2012.



 



O canal VH1 nomeou-o 87º maior álbum de todos
os tempos em 2001. Em 2008, o álbum ganhou o prêmio Classic Rock Roll of Honors
for Classic Album.



 



Embora o álbum seja considerado um dos
melhores esforços do Cream, ele nunca
foi bem representado nos sets ao vivo da banda. Embora o grupo tenha tocado
consistentemente "Tales of Brave Ulysses" e "Sunshine of Your
Love", várias canções de Disraeli
Gears
foram rapidamente retiradas das apresentações em meados de 1967,
preferindo jams mais longas em vez de canções pop curtas. "We are Going
Wrong" foi a única música adicional do álbum que o grupo tocou ao vivo.



 



Na verdade, em seus shows de reunião de 2005
em Londres, a banda tocou apenas três músicas de Disraeli Gears: "Outside Woman Blues", "We’re Going
Wrong" e "Sunshine of Your Love"; em suas três apresentações em
outubro de 2005 em Nova York, "Tales of Brave Ulysses" também foi
incluída no setlist.



 



Em agosto de 1967, a banda fez suas primeiras
apresentações nos Estados Unidos, primeiro no The Fillmore em San Francisco e
depois no The Pinnacle em Los Angeles. Os shows foram um grande sucesso e
tiveram grande influência tanto na própria banda quanto na florescente cena
hippie que os rodeava.



 



Ao descobrir um público ouvinte crescente, a
banda começou a se esticar no palco, incorporando mais tempo em seu repertório,
algumas canções chegando a jams de vinte minutos. Jams longas e prolongadas em
números como "Spoonful", "NSU", "I'm So Glad" e
"Sweet Wine" tornaram-se favoritas ao vivo, enquanto músicas como
"Sunshine of Your Love", "Crossroads" e " Tales of
Brave Ulysses" permaneciam razoavelmente curtas.



 



Em 1968 veio o terceiro lançamento da banda, Wheels of Fire.



 



Disraeli
Gears
supera a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos
Estados Unidos.






 



Formação:



Ginger Baker - Bateria, Percussão, Vocal



Jack Bruce - Baixo, Piano, Vocal, Gaita



Eric Clapton - Guitarras, Vocal



 



Faixas:



01. Strange Brew
(Clapton/Pappalardi/Collins) - 2:46



02. Sunshine of
Your Love (Bruce/Clapton/Brown) - 4:10



03. World of
Pain (Pappalardi/Collins) - 3:03



04. Dance the
Night Away (Bruce/Brown) - 3:34



05. Blue
Condition (Baker) - 3:29



06. Tales of
Brave Ulysses (Clapton/Sharp) - 2:46



07. SWLABR (Bruce/Brown)
- 2:32



08. We're Going
Wrong (Bruce) - 3:26



09. Outside
Woman Blues (Reynolds, arr. Clapton) - 2:24



10. Take It Back
(Bruce/Brown) - 3:05



11. Mother's
Lament (Tradicional, arr. Bruce/Clapton/Baker) - 1:47



 



Letras:



Para o conteúdo completo das letras,
recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/cream/



 



Opinião
do Blog:



Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton
formaram uma das mais incríveis e talentosas bandas da história do Rock: o Cream.



 



Disraeli
Gears
é o atestado final do talento grandioso desta formação.
Abraçando o Blues e a Psicodelia, unindo-os através do Rock, o Cream traz neste disco uma coleção
praticamente perfeita de canções, oferecendo um retrato fiel da cena roqueira
do final dos anos 1960.



 



Em outro disco sem faixas de enchimento, fica
difícil escolher sua música preferida.
Mas estão entre “Strange Brew”, “Tales of Brave
Ulysses” e, claro, “Sunshine of Your Love”.



 



Enfim, não há muito que ficar dizendo sem
soar repetitivo. Disraeli Gears é um
dos melhores álbuns que você ouvirá na vida, a prova final dos talentos do Cream e de Eric Clapton. Obrigatório!


CREAM - DISRAELI GEARS (1967)

 


Disraeli Gears é o segundo álbum de estúdio da banda britânica chamada Cream. Seu lançamento oficial aconteceu em 2 de novembro de 1967 pelo selo Reaction. As gravações ocorreram em maio daquele mesmo ano, no estúdio Atlantic, em Nova York, nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Felix Pappalardi.

CREAM - FRESH CREAM (1966)


Fresh Cream é o álbum de estreia da banda inglesa chamada Cream. Seu lançamento oficial se deu no dia 9 de dezembro de 1966, com as gravações acontecendo entre julho e outubro daquele mesmo ano, nos estúdios Rayrik Studios & Ryemuse Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou a cargo de Robert Stigwood e os selos responsáveis foram o Reaction (UK) e Atco (USA).



Falar de Cream é dissertar sobre uma das mais importantes e influentes bandas de todos os tempos. Para muitos críticos, é o primeiro chamado “supergrupo” a obter sucesso internacionalmente.

Em julho de 1966, Eric Clapton já era tido como um talentoso guitarrista, muito devido a suas atuações com as bandas The Yardbirds e John Mayall & the Bluesbreakers. Clapton, no entanto, começou a sentir que o ambiente do grupo de Mayall estava confinando seu talento e começou a buscar novos horizontes musicais.

Eric Clapton


Naquele mesmo ano, Clapton conheceu Ginger Baker, então o baterista de um conjunto chamado  Graham Bond Organisation, que em um determinado momento também tinha Jack Bruce no baixo, guitarra, gaita e piano.

Ginger Baker também se sentia sufocado na Graham Bond Organisation e estava mais que exaurido com os vícios e crises de instabilidade mental devido ao uso desregulado de drogas por Graham Bond.

Ginger Baker


Eric Clapton afirmou que:"Eu sempre tinha gostado de Ginger". Continua: "Ginger tinha vindo para me ver tocar com os Bluesbreakers. Após o show, ele me levou de volta a Londres em seu Rover. Fiquei muito impressionado com o seu carro e jeito de dirigir. Ele estava me dizendo que ele queria começar uma banda, e eu estive pensando sobre isso também", finalizou o guitarrista.

Com cada um impressionado com as habilidades musicais do outro, Baker pediu a Clapton para se juntar ao seu novo grupo, então sem nome. Clapton imediatamente concordou, sob a condição de que Baker trouxesse Jack Bruce como baixista do conjunto.

De acordo com Clapton, Ginger Baker estava tão surpreso com a sugestão que quase bateu o carro. Eric conheceu Bruce quando o baixista/vocalista, brevemente, havia tocado com os Bluesbreakers em novembro de 1965.

Os dois também tinham trabalhado juntos como parte de uma banda chamada Powerhouse (que também incluiu Steve Winwood e Paul Jones). Impressionado com os vocais e proezas técnicas de Bruce, Clapton gostaria de tê-lo no novo projeto.

O que Clapton desconhecia era o fato de, enquanto Ginger Baker e Jack Bruce estavam no Graham Bond Organisation, o relacionamento dos dois era péssimo. Incluindo: brigas no palco, sabotagens aos instrumentos um do outro, além de Baker expulsar Bruce do grupo após ameaçá-lo com uma faca.

Baker e Bruce colocaram de lado suas diferenças para o bem do novo trio de Ginger, o qual ele imaginou como colaborativo e participativo, com cada um dos membros contribuindo para as músicas e as letras.

A banda foi nomeada "Cream", pois Clapton, Bruce e Baker já eram considerados a "nata da cultura" entre os músicos de blues e de jazz na efervescente cena musical britânica da época. Inicialmente, o grupo foi referido e anunciado como "The Cream" (ou seja, com o artigo definido The), mas quando saíram oficialmente seus primeiros lançamentos de discos, o trio seria chamado simplesmente de "Cream".

A banda chegou a cogitar o nome "Sweet 'n' Sour Rock 'n' Roll".

Do trio, Clapton tinha a maior reputação dentro da Inglaterra, no entanto, ele era praticamente desconhecido nos Estados Unidos, pois havia deixado o Yardbirds antes de "For Your Love" atingir o Top Ten na parada norte-americana de singles.

O Cream fez sua estréia não-oficial no Twisted Wheel em 29 de julho de 1966. A oficial viria duas noites mais tarde na Sixth Annual Windsor Jazz & Blues Festival. Sendo um grupo novo e com poucas canções originais no set, a banda tocava versões de blues que emocionaram a multidão e ganharam uma recepção calorosa.

Em outubro, a banda também teve a chance de tocar com Jimi Hendrix, que havia chegado recentemente a Londres. Hendrix era um fã da música de Clapton e queria uma chance de tocar com ele no palco. Jimi foi apresentado ao Cream através de Chas Chandler, seu empresário.

Jack Bruce


Foi durante o início dos ensaios do conjunto que eles decidiram que Jack Bruce seria o principal vocalista do grupo. Enquanto Clapton tinha vergonha de cantar, ele ocasionalmente foi harmonizando seus vocais com Bruce e, com o tempo, assumiu a principal voz em várias faixas do Cream.

Com a mesma velocidade o Cream já entrou em estúdio para gravar seu primeiro registro de estúdios. O Blog levará em conta a versão original do álbum lançada no Reino Unido.

N.S.U.

Abre o disco a faixa “N.S.U.”.

Ginger Baker abre o trabalho com uma levada mais tranquila e a qual é seguida pela guitarra de Clapton. Em instantes a fúria da banda já aparece, com Baker “esmurrando” a batera e Clapton com um riff mais pesado e cheio de ritmo. Os vocais de Bruce são ótimos e o solo de Clapton é absurdamente repleto de feeling.

A letra é pequena, mas divaga sobre um estilo de vida:

Driving in my car, smoking my cigar,
The only time I'm happy's when I play my guitar



SLEEPY TIME TIME

A segunda música do álbum é “Sleepy Time Time”.

O início suave e mais delicado até engana, mas logo o que se houve é um Blues Rock de primeiríssima qualidade. O destaque maior é a guitarra de Clapton a qual permanece em evidência por toda a duração da canção. Os solos são fenomenais.

A letra pode ser entendida como uma ode à preguiça:

I'm a sleepy time baby, a sleepy time boy.
Work only maybe, life is a joy



DREAMING

A terceira canção de Fresh Cream é “Dreaming”.

“Dreaming” tem uma levada mais calma se comparada com as duas faixas que a precedem, com um ritmo típico do Rock dos anos 60. As linhas da guitarra de Clapton estão bem mais suaves, sendo bonitas. Assim, também, é a interpretação de Bruce.

A letra fala de um amor distante:

Dreaming about my life;
Where are you now and when will you
Come to me?
I dream my life away



SWEET WINE

A quarta faixa do disco é “Sweet Wine”.

Em “Sweet Wine” a bateria de Baker está bastante proeminente, mostrando o talento do baterista. A levada é bem característica do Rock daquela década, mas com a guitarra de Clapton mais furiosa. O solo é incrível, com muita técnica e feeling.

A letra mostra a temática de desperdício da vida:

Sweet wine, hay making, sunshine day breaking
We can wait till tomorrow
Car speed, road calling, bird freed, leaf falling
We can bide time



SPOONFUL

A quinta canção presente em Fresh Cream é “Spoonful”.

Maior faixa do trabalho, “Spoonful” apresenta uma forte interpretação de Jack Bruce, carregada de sentimento e intensidade. Outra vez, a guitarra de Clapton está impressionante, com as notas sendo tocadas precisamente, baseadas pelo importante trabalho da seção rítmica. Mais um ótimo solo.

“Spoonful” é um Blues composto originalmente por Willie Dixon e popularizada por Howlin’ Wolf em 1960.



CAT’S SQUIRREL

A sexta música do trabalho é “Cat’s Squirrel”.

Nesta música é possível se perceber a qualidade dos músicos que integravam o Cream. Baixo e bateria formam uma ótima base para a guitarra de Eric Clapton desfilar toda sua magia com solos muito bem compostos.

Trata-se de uma música tradicional, instrumental, com os arranjos feitos pelo Cream.



FOUR UNTIL LATE

A sétima música presente no álbum de estreia do Cream é “Four Until Late”.

A forte influência de Blues no som do Cream é sentida em outra oportunidade em “Four Until Late”. Trata-se de um Blues Rock bem suave, com linhas de guitarra mais leves e com toda melodia sensível típica do estilo. A gaita tocada por Jack Bruce é um show.

É a única faixa do álbum cantada por Eric Clapton e trata-se de outro cover, desta vez de uma canção originalmente composta pelo mito do Blues, Robert Johnson.



ROLLIN’ AND TUMBLIN’

A oitava canção do trabalho é “Rollin’ And Tumblin’”.

O Blues Rock está novamente presente com um ritmo forte, intenso, marcado por uma seção rítmica mais agressiva e acompanhados pela guitarra marcante de Clapton e pela gaita de Bruce. Também os vocais estão bem imponentes. Mais um momento intenso do álbum.

É uma canção tradicional do Blues norte-americano, sendo regravada por incontáveis artistas. Mas a versão do Cream é baseada na leitura que Muddy Waters fez nos anos 50.



I’M SO GLAD

A nona música do disco é “I’m So Glad”.

O início de “I’m So Glad” é suave com linhas quase acústicas e melódicas, mas que logo são reforçadas pelos vocais fortes e intensos de Jack Bruce. Baker faz um excelente trabalho na bateria, dando peso e dinâmica à execução. Do meio pra frente da faixa, a guitarra de Clapton toma conta, com solos repletos de técnica e feeling.

É outra composição presente no álbum que se trata de uma releitura feita pelo Cream. A original foi composta por mais um ‘Bluesman’, Skip James. Entretanto, a versão do Cream é uma das faixas mais conhecidas e queridas pelos fãs da banda.



TOAD

A décima – e última – faixa de Fresh Cream é “Toad”.

“Toad” tem um início bem pesado, com guitarras distorcidas e seção rítmica bem pesada. Mas quase sua totalidade de duração é preenchida por um excelente solo de bateria feito por Ginger Baker, um dos primeiros a serem gravados por bandas de Rock. Portanto, trata-se de uma composição instrumental.



Considerações Finais

Para a promoção do álbum, foi lançado o single “I Feel Free”, presente apenas na versão norte-americana do disco, mas que atingiu a 11ª posição da parada britânica de singles e foi o primeiro sucesso do Cream.

O álbum foi sucesso no Reino Unido, alcançando a excelente 6ª posição na parada britânica desta natureza (foi 10º colocado na parada australiana). Mas, entretanto, inicialmente não repercutiu nos Estados Unidos, onde só foi bem com o lançamento dos discos posteriores do grupo.

Nos shows o Cream aumentava consideravelmente a duração das composições presentes em Fresh Cream, incluindo longos solos de seus virtuosos músicos. No Reino Unido, as apresentações sempre eram muito concorridas.

Mas, na primeira excursão aos Estados Unidos a banda não repercutiu e os shows foram cada vez mais curtos e sem público. A situação mudaria com o lançamento do clássico Disraeli Gears, segundo álbum da banda, em 1967, o qual aumentaria, também, as vendas de Fresh Cream nos EUA.

Estima-se que, apenas nos Estados Unidos, Fresh Cream supere a casa de 500 mil cópias vendidas.



Formação:
Ginger Baker - Bateria, Percussão
Jack Bruce - Vocal, Baixo, Gaita
Eric Clapton – Guitarra

Faixas:
01. N.S.U. (Bruce) - 2:43
02. Sleepy Time Time (Bruce/Godfrey) - 4:20
03. Dreaming (Bruce) - 1:58
04. Sweet Wine (Baker/Godfrey) - 3:17
05. Spoonful (Dixon) - 6:30
06. Cat's Squirrel (Tradicional) - 3:03
07. Four Until Late (Johnson) - 2:07
08. Rollin' and Tumblin' (Tradicional) - 4:42
09. I'm So Glad (James) - 3:57
10. Toad (Baker) - 5:11

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, indica-se o acesso a: http://letras.mus.br/cream/

Opinião do Blog:
O Cream é uma das bandas mais incríveis e importantes do Rock, mesmo tendo uma duração e carreira tão curta e efêmera. Pode ser considerado um dos primeiros “supergrupos” (aqueles conjuntos formados por músicos já consagrados) que se têm notícia e uma das bandas que influenciou o surgimento do Hard Rock na década seguinte.

Além disso, Fresh Cream marca a estréia do extraordinário Eric Clapton aqui no Blog.

Falando-se mais especificamente de Fresh Cream, a rapidez entre o surgimento do grupo e a gravação do primeiro álbum de estúdio foi responsável que boa parte das canções do trabalho fossem versões de composições de outros autores.

Nada disto, porém, tira o brilho de Fresh Cream. O trabalho é todo muito coeso, consistente, sem pontos baixos. A sonoridade é um Blues Rock vigoroso, forte, o qual apontava para o futuro e para explosão do Hard Rock dos anos setenta, mesmo que em doses ainda pequenas.

Como é costume do Blog, analisam-se apenas as letras das composições próprias do grupo autor do álbum em questão. Mas pode-se dizer que a temática abordada pelo Cream neste trabalho inicial é simples, mas condizente com as características do Blues.

Dispensável abordar a qualidade dos músicos presentes no grupo que, com o passar do tempo, tornaram-se referências para o Rock. Ginger Baker, Jack Bruce e Eric Clapton despejam talento, feeling e técnica por todo o álbum. Bruce ainda arrasa na gaita!

O Blog destaca “N.S.U.”, “Sleepy Time Time”, “Sweet Wine” e a versão incrível para “I’m So Glad”, embora, como já mencionado, não existam pontos baixos no trabalho.


Enfim, o Blog recomenda fortemente o primeiro (e todos os demais) álbum do Cream como referência para todo fã de Rock que se preze. Obrigatório!