No ano de 1981, o Accept já havia lançado seus dois primeiros álbuns de estúdio: Accept [1979] e I’m Rebel [1980], ambos pelo selo Brain Records e sem atingir o sucesso esperado.
Balls
to the Wall é o quinto álbum de estúdio da banda alemã Accept.
Seu lançamento oficial aconteceu em 5 de dezembro de 1983, através
do selo RCA Records. As gravações ocorreram no Dierks Studios, em
Colônia, na Alemanha, entre julho e agosto daquele mesmo ano. A
produção ficou com a própria banda.
Balls to the Wall é o quinto álbum de estúdio da banda alemã Accept. Seu lançamento oficial aconteceu em 5 de dezembro de 1983, através do selo RCA Records. As gravações ocorreram no Dierks Studios, em Colônia, na Alemanha, entre julho e agosto daquele mesmo ano. A produção ficou com a própria banda.
Após 4 anos, o Accept retorna ao Blog com outra pérola de sua discografia. Brevemente, o Blog vai atentar aos fatos que antecederam o lançamento do disco para depois se ater ao próprio álbum.
Restlessand Wild, quarto álbum de estúdio do Accept, foi lançado em outubro de 1982.
O álbum contava com grandes clássicos como “Restless and Wild” e “Fast as a Shark”, mas não foi um grande sucesso comercial na época. Conquistou a 98ª posição na principal parada de álbuns britânica e também obteve a 27ª posição na parada sueca correspondente.
Entretanto, Restless And Wild foi um definidor do estilo a se seguir pelo Accept e possibilitou uma maior abertura de novos mercados para a banda.
Udo Dirkschneider
O guitarrista Herman Frank, contratado pouco tempo antes do lançamento de Restless And Wild, agora tomaria parte da composição e gravação do novo trabalho do grupo, o que se tornaria Balls to the Wall.
Liricamente, o álbum seria mais conceitual e incluiria temas líricos sobre política, sexualidade e relacionamentos humanos.
A capa de Balls to the Wall, idealizada pela gerente (e letrista) da banda, Gaby “Deaffy” Hauke e posta em prática pelo artista Jean Lessenich, traria certa polêmica.
Alguma repercussão do álbum pode, sem dúvida, ser atribuída à publicidade gerada a partir de uma pequena controvérsia que eclodiu logo após o lançamento do mesmo nos Estados Unidos. O disco estaria associado ao homoerotismo.
Devido ao seu título e sua capa, o trabalho foi considerado por uma minoria como homoerótico, bem como as letras das canções "London Leatherboys" e "Love Child", que supostamente teriam por objeto os homossexuais.
No entanto, o guitarrista Wolf Hoffmann deixou de lado a polêmica, afirmando anos mais tarde: “Vocês americanos são tão tensos sobre isso. Na Europa, nunca foi um grande negócio... só queríamos ser controversos e diferentes, e tocarmos sobre estes assuntos delicados, porque nos daria boa publicidade e funcionou maravilhosamente, você sabe”.
Já o baterista Stefan Kaufmann explicou que muitos dos temas do álbum foram sobre minorias oprimidas, em geral. "London Leatherboys" era realmente sobre motociclistas, citando, por exemplo:
“Eles são pessoas normais, eles só se aparentam diferentes e se comportam de modo diferente. Mas eles são pessoas normais, outra minoria. E 'Love Child' era sobre gays, é verdade, mas é basicamente sobre as pessoas que são oprimidas", afirmou Kaufmann.
No que diz respeito a si mesmo e às questões da homossexualidade, Kauffmann disse em entrevista à revista francesa Enfer (n° 7, 1983): “É um fenômeno que deve ser levado em consideração. Porque ele existe, em grande escala, e deve ser desmistificado. Na verdade, este é um fenômeno da sociedade que deve ser tomado como tal. Por um longo tempo, as pessoas homossexuais têm sido consideradas como doentes ou loucas. E, no entanto, é hora de respeitar essas pessoas, abrir nossas mentes que muitas vezes estão fechadas”.
Stefan Kaufmann
Já a manager e letrista da banda, Gaby Hauke, afirmou, em entrevista: “Deixe-me responder esta (e a próxima) pergunta em uma, ok? Tenho sido muito rebelde e de nenhuma forma eu teria escrito nada “normal”! Nunca! A questão sexual sobre o contexto de determinadas letras são jogos mentais e pura interpretação de estranhos. Esta é uma banda que se porta individualmente – e que pouco tem a ver com a controvérsia e absolutamente nada em particular com qualquer coisa, mas se mantendo muito direta”.
Claro, a polêmica trouxe mais repercussão à banda, mas ao Blog o que importa é a música. Então, vamos às faixas:
BALLS TO THE WALL
A bateria de Stefan Kaufmann pulsante e um brilhante riff de guitarras são algumas das marcas de "Balls to the Wall". O ritmo é cadenciado e arrastado, mas nunca deixa de lado o peso intenso do Heavy Metal clássico. A atuação brilhante de Udo Dirkschneider faz tudo ficar mais grandioso. Um clássico!
A letra fala sobre minorias:
Too many people do not know Bondage is over the human race They believe slaves always lose And this fear keeps them down
“Balls to the Wall” é um dos maiores clássicos de toda a carreira do Accept.
Também foi o principal single lançado para promover o álbum. Seu videoclipe teve boa circulação na MTV norte-americana durante a época de lançamento do disco.
Foi a 38ª colocada na lista 40 Greatest Metal Songs, do canal musical de TV norte-americano VH1. Também aparece nos games Grand Theft Auto: Vice City Stories e Guitar Hero Encore: Rocks the 80s.
Entre as versões cover, citam-se como exemplos as de bandas como Fozzy, Warrant e Amon Amarth. A canção é trilha sonora do filme The Wrestler, de 2008, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Mickey Rourke.
A banda da carreira solo do vocalista Udo Dirkschneider, a UDO, também apresenta “Balls to the Wall” regularmente em suas apresentações.
LONDON LEATHERBOYS
O Accept mantém a pegada mais arrastada e lenta da faixa de abertura, mas sem abrir mão do peso. Desta feita, o baixo de Peter Baltes está mais presente, auxiliando na manutenção do ritmo. Também é destaque outro criativo riff.
A letra fala sobre juventude:
Walking down the main street I see the city's face Boys dressed in leather Girls dressed in lace See the easy riders They're roaring down their way They need to give full speed ahead
FIGHT IT BACK
Já em "Fight it Back", a banda ameniza (bem pouco, é verdade) o peso, apostando em um andamento um tanto quanto mais veloz, lembrando a pegada do álbum anterior, Restless and Wild. O ritmo urgente, em uma canção bem direta, contagia.
A letra fala sobre profetas:
Always been the prophets Who make the world evolve Always been the average breaking it down Majority, the unknown Giving us the rules It's more than luck to get the standard
HEAD OVER HEELS
O baixo de Peter Baltes volta a ser destaque na faixa "Head Over Heels". O riff forte e intenso das guitarras e o andamento cadenciado remetem diretamente ao Judas Priest oitentista e, também, à NWOBHM. Não menos espetacular é a atuação do vocalista Udo Dirkschneider. O baixinho abusa de sua voz agressiva, elevando a qualidade da composição. Ótimo momento do álbum!
A letra reflete medo:
Late at night in the park I saw them slipping in the dark For heaven's sake what's going on It's like someone is here Gotta follow now Like being in a trance for me There's silence here More than all the noise Spurting in the dark head over heels
LOSING MORE THAN YOU'VE EVER HAD
Outro ótimo riff, que sobrevive na tênue linha entre Hard e Heavy, é a base da música. A banda mantém o ritmo mais lento, mas, desta feita, a pegada Hard Rock é um pouco mais acentuada, entretanto, o nível permanece muito alto.
A letra fala sobre dor e vingança:
Man, why are you running blind for the past Why don't you try to understand When I found her she' was dying Trying to kill herself
LOVE CHILD
A urgência do Heavy Metal tradicional está presente na diretíssima "Love Child", faixa na qual os guitarristas Wolf Hoffmann e Herman Frank são os destaques. Os solos são bem executados e o riff principal da composição traz peso e intensidade a esta ótima canção.
A letra fala sobre aceitação:
Don't know what I am A woman or a man Many troubles behind me I'm doing all I can But I'm what I am
Foi outro single retirado do álbum para sua promoção.
TURN ME ON
Um extraordinário riff de guitarra é a base da excelente "Turn me On". Peso e intensidade são as tônicas desta música, sendo elevados a outro patamar graças a uma atuação soberba de Udo Dirkschneider, dosando sua voz agressiva até mesmo no refrão. Uma composição com o DNA do Accept.
A letra é sobre sexualidade:
All what you've gotta give I'm coming to the point - where I can't hold myself You shouldn't hold it back - it has to be done Please, turn me on, turn me on, I can't hold it
LOSERS AND WINNERS
"Losers and Winners" possui um riff principal que bebeu na fonte da NWOBHM, lembrando bandas como Iron Maiden e Saxon, por exemplo, A bateria frenética de Kaufmann dita o ritmo, o qual, desta feita, é bem mais acelerado. Outro momento memorável do álbum.
A letra fala sobre conquistar uma garota:
You told me that you like her But she doesn't wanna know You tried so much to take her But there's no way to go
GUARDIAN OF THE NIGHT
O início suave de "Guardian of the Night" pode até enganar o ouvinte com sua levada suave, mas a composição segue a linha de um Heavy Metal pesado e cadenciado. Ótima presença do baixo de Baltes e outra atuação impactante de Udo. Ótima canção.
A letra é uma crítica à sociedade:
I don't like people working all day Only working just to see next tomorrow But they are happy while they're living that way In that world I gotta beg, steal or borrow
WINTERDREAMS
A décima - e última - faixa de Balls to the Wall é "Winterdreams". O início da canção possui um ritmo lento e arrastado e o peso está praticamente ausente. Udo Dirkschneider dá uma amostra de sua versatilidade com uma atuação mais contida, abandonando sua agressividade característica. Fecha o trabalho em grande estilo.
A letra passa um sentimento de nostalgia:
There's snow on the mountain And fog in the street Flickering candles in the room Hear the church bell ring See the children playing I feel their pure delight And the snow is falling Taking me away
Considerações Finais
Catapultado pelo sucesso de sua faixa-título, Balls to the Wall conseguiu um significativo sucesso comercial e foi aclamado pela mídia especializada.
O álbum foi o primeiro a entrar na principal parada de sucessos norte-americana, atingindo o 74º lugar. Tambél alçou as 59ª e 10ª posições nas paradas da Alemanha e Suécia, respectivamente.
Balls to the Wall recebeu críticas muito positivas e foi elogiado por músicos contemporâneos e posteriores à banda. Ty Tabor, da banda norte-americana de Hard Rock King's X, era um fã do álbum e de sua produção, dizendo que: “definiu um novo padrão para como o rock pesado poderia soar em uma gravação”.
Doro Pesch, do Warlock, e Kai Hansen, do Helloween, eram fãs do grupo e consideram o Accept entre as suas principais influências musicais.
O crítico canadense Martin Popoff gostou da complexidade das letras combinadas com um limpo e contido som, que dão ao álbum “sofisticação sutil” e um “efeito singular”. Ele colocou Balls to the Wall no 1º lugar de sua lista Top 100 Heavy Metal Albums of the '80s.
Eduardo Rivadavia, do AllMusic, refere-se ao disco como um “álbum essencial do heavy metal”, apenas “um pouco mais melódico” e “menos agressivo” que Restless and Wild. Também considera a faixa-título “irresistível, uma obra-prima, que veio a resumir o moderno e lento hino do metal, como ficou conhecida”.
Durante um show de 1983, em sua cidade natal (Solingen, na Alemanha), a banda, por acaso, encontrou-se com seu antigo guitarrista Jörg Fischer e, por insistência da manager Gaby Hauke, Fischer retornou ao Accept.
Uma turnê mundial seguiu durante 1984, incluindo uma apresentação no festival Monsters of Rock. Por esta altura, o grupo era suportado pela banda Bad Steve, um conjunto que continha ex-membros do Accept: Dieter Urbach, Janko Emmet e Frank Friedrich.
Balls to the Wall supera a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.
Formação:
Udo Dirkschneider - Vocal
Wolf Hoffmann - Guitarra
Herman Frank - Guitarra
Peter Baltes - Baixo
Stefan Kaufmann - Bateria
Faixas:
01. Balls to the Wall (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 5:45
02. London Leatherboys (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 3:57
03. Fight It Back (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 3:30
04. Head Over Heels (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 4:19
05. Losing More Than You've Ever Had (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 5:04
06. Love Child (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 3:35
07. Turn Me On (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 5:12
08. Losers and Winners (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 4:19
09. Guardian of the Night (Deaffy/Udo/Hoffmann/Frank/Baltes/Kaufmann) - 4:25
Para o Blog, se existe uma banda dentro do Heavy Metal que deveria ser mais reconhecida do que de fato o é, esta é o Accept. Entre o final da década de 70 e mais da metade da seguinte, o grupo alemão lançou grandes álbuns em sequencia, auxiliando a moldar o estilo.
Claro, a década de 80 foi dourada para o Heavy Metal, com grande parte das bandas fundamentais para o estilo lançando seus principais álbuns. É neste contexto em que o Accept estava inserido.
Composta por músicos competentes e que faziam do conjunto seu maior destaque, a banda ainda contava com um vocalista único e de voz marcante, realçando a qualidade de suas próprias composições.
Se no trabalho anterior a banda lançou canções que ajudariam a moldar o Power Metal, como "Fast as a Shark", neste o grupo apostou em uma sonoridade mais tradicional, com fortes influências do Judas Priest e da NWOBHM.
Balls to the Wall pode ser considerado seu ápice de sucesso comercial e de crítica. Um trabalho coeso, calcado no Heavy Metal tradicional, mas com o inconfundível talento do Accept em criar riffs pesados e "pegajosos", os quais conquistam o ouvinte.
Também merecem destaques as letras, as quais, por vezes, abordam temáticas polêmicas e que não se contentam com lugares comuns.
Um álbum desta magnitude não possui canções fracas e nem de enchimento. Todas merecem a atenção do ouvinte. A audição é fácil e transcorre naturalmente, envolvendo e contagiando.
A aposta em um ritmo mais cadenciado, baseado no peso e intensidade é marcada por faixas de grande importância na carreira da banda como "London Leatherboys", "Head Over Heels" e "Losers and Winners".
Mas o Blog precisa reverenciar a grandeza de uma composição que traduz tudo o que é o Accept: "Balls to the Wall" é um dos hinos de toda a história do Heavy Metal. Além disso, a pesadíssima "Turn Me On" e a melancólica "Winterdreams"são faixas exuberantes.
Concluindo, Balls to the Wall é um dos principais álbuns da história do Heavy Metal, merecendo ser reverenciado e ouvido por todas as gerações de fãs da vertente mais pesada do Rock. Enfim, um dos álbuns que o blogueiro indica para quem quiser saber o que é Heavy Metal. Essencial e obrigatório!
Restless
And Wild é o quarto álbum de estúdio da banda alemã chamada Accept. As suas
gravações ocorreram de fevereiro a março, e em junho, de 1982, com seu
lançamento ocorrendo ainda naquele ano. O estúdio utilizado foi o Dieter Dierks
Studios, em Colônia, na Alemanha. O próprio Accept foi responsável pela
produção do álbum.
Restless And Wild é o quarto álbum de estúdio da banda alemã chamada Accept. As suas gravações ocorreram de fevereiro a março, e em junho, de 1982, com seu lançamento ocorrendo ainda naquele ano. O estúdio utilizado foi o Dieter Dierks Studios, em Colônia, na Alemanha. O próprio Accept foi responsável pela produção do álbum.
O início do grupo que viria a se tornar o Accept se deu no ano de 1968, quando o vocalista Udo Dirkschneider e o guitarrista Michael Wagener formaram uma banda chamada Band X. Mais tarde, o grupo passaria a se chamar Accept.
As inúmeras e incontáveis mudanças na formação do grupo manteve o Accept em um nível amador durante muitos anos, fazendo aparições esporádicas em concertos e festivais.
Já estamos em 1976, ano em que podemos considerar o início do profissionalismo do Accept. Com a seguinte formação - Udo Dirkschneider, Michael Wagener, Gerhard Wahl, Dieter Rubach e Frank Friedrich - a banda é convidada para participar de um dos primeiros festivais que ocorriam na Alemanha, o Rock Am Rhein.
A apresentação foi convincente a ponto de proporcionar ao grupo um contrato para a gravação de seu primeiro álbum.
Em setembro e dezembro de 1978, o Accept entra no estúdio Delta, em Wilster, Alemanha, para gravarem o álbum homônimo ao grupo, o qual seria lançado em 1979. Nesta época, o Accept era formado pelo vocalista Udo Dirkschneider, os guitarristas Wolf Hoffmann e Jörg Fischer, o baixista Peter Baltes e o baterista Frank Friedrich.
Lançado pelo selo alemão Brain Records, o álbum Accept não obteve grande sucesso comercial. As músicas eram todas composições próprias, as quais foram um apanhado de canções que a banda tocava nos anos anteriores, segundo o guitarrista Hoffmann.
Udo disse que foi muito importante e excitante entrar em estúdio pela primeira vez para gravarem músicas próprias, mas a pouca repercussão causou certo desapontamento. Entretanto, o vocalista recorda que foi fundamental para a banda começar a excursionar por países vizinhos, como França, Bélgica e Holanda.
Udo Dirkschneider:
O baterista Frank Friedrich desiste de ser músico profissional e abandona o Accept semanas antes do lançamento do álbum de estreia, sendo substituído por Stefan Kaufmann.
O álbum de estreia do grupo já demonstra um pouco do talento dos alemães, um Heavy Metal tradicional com bastante melodia. Ótimas faixas estão nele, como “Lady Lou”, “Tired Of Me” e a belíssima “Seawinds”, esta, com os vocais sendo feitos pelo baixista Peter Baltes. Ele também fez os vocais de “Sounds Of War”. O produtor do trabalho foi Frank Martin.
Em 1979, o grupo volta aos estúdios para gravar seu segundo álbum de estúdio, I’m A Rebel, lançado em junho de 1980. Neste álbum o baixista Peter Baltes continuou fazendo os vocais em duas faixas: “No Time To Lose” e “The King”.
Se o leitor do blog abrir o encarte do álbum I’m A Rebel, verá que das 8 faixas, 7 foram escritas e compostas pelo grupo. A faixa-título, “I’m A Rebel” é creditada a um tal George Alexander, e tem uma história interessante.
O guitarrista Wolf Hoffmann relembra que muita gente disse que o primeiro álbum do Accept não repercutiu, pois ele não possuía um “hit”, feito para tocar nas rádios e dar maior visibilidade ao grupo. Foi aí que surgiu ‘George Alexander’.
George Alexander é um pseudônimo de Alex Young, irmão do músico e produtor George Young e dos guitarristas Angus e Malcolm Young, do AC/DC. Alex Young se envolveu com o Accept através do produtor do álbum, Dirk Steffens, oferecendo a faixa “I’m A Rebel”, a qual teria sido oferecida ao AC/DC, mas que os australianos não teriam utilizado. Ela se tornaria o primeiro videoclipe da banda.
O álbum permitiu contratos para ser lançado nos Estados Unidos e Reino Unido, com uma capa diferente e que facilitou a associação do grupo com o público Heavy Metal.
I’m A Rebel possui boas músicas. A faixa-título é bem empolgante, “Save Us” tem mais a cara do Accept e é uma ótima canção, assim com “China Lady”. “The King” é uma linda balada.
Mas o vocalista Udo Dirkschneider revê o álbum como sendo “pouco inspirado”. Segundo Udo, o grupo fez muitas experimentações não muito bem sucedidas, pois ainda não tinha uma base e identidade musicais sólidas. Com muita gente tentando manipular e gerenciar o grupo, o resultado não foi tão satisfatório, pelo menos para o frontman do Accept.
Mesmo assim, I’m A Rebel trouxe atenção da mídia para a banda.
Já em 1981, o grupo lançaria seu terceiro álbum de estúdio, Breaker. Gravado no Delta Studio e com produção de Dirk Steffens, o álbum ainda contém participações do baixista Peter Baltes nos vocais. Ele canta em “Breaking Up Again” e partes de “Midnight Highway”.
Com tanta gente dando palpites durante as gravações de I’m A Rebel, desta vez o Accept preferiu se fechar e gravar o álbum segundo exclusivamente suas próprias convicções, em outras palavras, sem aceitar nenhuma inferência de ninguém que não fossem os músicos da banda.
O resultado é um álbum mais forte e impactante. Breaker se tornou um dos álbuns favoritos do vocalista Udo Dirkschneider, tanto que é o nome da gravadora que o vocalista criou anos mais tarde.
Em Breaker há ótimas faixas. “Starlight” e “Breaker” são excelentes, “Feelings” é uma música incrível, e ainda há a ‘mais comercial’ “Midnight Highway”. Enfim, o álbum todo é ótimo.
Foi nesta época que o Accept conheceu e começou a trabalhar com a manager Gaby Hauke, a qual ajudaria a banda a escrever várias canções no futuro.
Breaker permitiu ao Accept mais reconhecimento. O grupo foi convidado a fazer uma turnê com os gigantes do Heavy Metal, Judas Priest, em uma turnê mundial, trazendo reconhecimento fora da Europa pela primeira vez.
O próximo passo seria a composição de um álbum que mantivesse e aumentasse o sucesso do grupo em todo o mundo. Este seria Restless And Wild.
Pela primeira vez o Accept abandonou o Delta Studio, e foi gravar seu quarto álbum no estúdio Dieter Dierks em Stommeln, na Alemanha.
Outra mudança foi a saída do guitarrista Jörg Fischer pouco antes da gravação de Restless And Wild. Jan Koemmet entrou na banda pouco tempo antes da gravação do álbum, mas não chegou a participar das gravações, saindo logo em seguida. O novo guitarrista seria Herman Frank, que embora creditado em Restless And Wild, não gravou nenhuma faixa. Todas as guitarras do disco foram feitas por Wolf Hoffmann.
Foi também o primeiro trabalho do grupo em que o vocalista Udo Dirkschneider fez todos os vocais em todas as músicas.
A manager do Accept, Gaby Hauke, foi pela primeira vez creditada como compositora em duas faixas do disco, com o codinome “Deaffy”.
O antigo guitarrista Michael Wagener (e fundador do grupo) foi creditado no álbum auxiliando nas mixagens e aparelhagem do Accept nos estúdios.
A capa, simples, mas clássica, traz duas guitarras “pegando fogo”, literalmente.
FAST AS A SHARK
A primeira faixa de Restless And Wild é “Fast As A Shark”.
Um riff furioso e muito rápido abre o álbum, após uma reprodução de uma música tradicional da Alemanha. A guitarra de Wolf Hoffmann faz um trabalho absolutamente brilhante. Udo também canta a música de uma maneira empolgante, imprimindo muita emoção à mesma. Ressalte-se o desempenho extraordinário da seção rítmica formada por Kaufmann e Baltes.
“Fast As A Shark” foi envolta em uma polêmica. A canção que é reproduzida no início da música é chamada "Ein Heller und ein Batzen", tradicional entre crianças na Alemanha. O fato é que essa canção, criada em 1830, foi uma marcha popular na era nazista e assim se manteve para muitos ouvintes, fato que os integrantes do grupo desconheciam completamente.
"Ein Heller und ein Batzen" somente foi incluída em “Fast As A Shark”, pois o grupo achou que iria fazer um contraste engraçado com o seu som Heavy Metal, e, também, pelo fato que o jovem proprietário do estúdio, Dieter Dierks a cantarolava durante as gravações de Restless And Wild.
Além da polêmica, fato é que “Fast As A Shark” é considerada uma faixa precursora do gênero Speed Metal, muito pela velocíssima bateria presente na canção. Wolf disse que é legal pensar que a música foi a primeira do gênero Speed Metal, mas que, na realidade, a banda não pensava que estava criando algo dramaticamente novo e que apenas faziam o que tinham vontade, sem pensar muito no que realizavam.
As letras são simples e envolvem um assassino em ação, como ressalta o excepcional refrão – cantado maravilhosamente por Udo:
Fast as a shark he'll cut out of the dark
He's a killer - he'll rip out your heart
On a one way track and you're not coming back
'cause the killer's on the attack
Embora seja a canção mais conhecida do álbum e uma das preferidas dos fãs do grupo, “Fast As A Shark” não foi lançada como single. Está presente em gravações ao vivo da banda.
Bandas como Witchery, Helloween, Holy Grail e Rage fizeram versões do clássico. Foi classificada na 33ª posição do livro de Martin Popoff chamado “The Top 500 Heavy Metal Songs Of All Time”.
RESTLESS AND WILD
A faixa-título “Restless And Wild” é a segunda do álbum.
Um riff sensacional é a base de toda a canção, ora sendo executado com mais velocidade, ora se desenvolvendo de maneira mais arrastada. O refrão é sensacional, com ótima interpretação do vocalista Udo, sendo respondido por vozes em coro. Um Heavy Metal de primeira qualidade. Wolf faz um solo bem inspirado.
As letras de “Restless And Wild” formam um contexto que leva em conta a efemeridade da vida:
Stay down - time will roll on
How do you feel when the night is gone
Stay down - time will come 'round
You are the man made for highway life
For the highway life
City lights moving on
No tomorrows - no destinations
Like a wheel turning on and on
You're a man born to run
Foi lançada como single no Reino Unido já em 1984, mas não obteve maior repercussão. Uma das faixas preferidas deste ‘blogueiro’ em toda discografia do Accept.
AHEAD OF THE PACK
A terceira faixa do álbum é “Ahead Of The Pack”.
“Ahead Of The Pack” se inicia com um riff bem forte e tradicional, em um estilo que lembra o Judas Priest. O ritmo da canção cresce no refrão no qual a banda usa vozes e coro novamente, contribuindo para o clima da faixa. O solo é simples, mas eficiente.
As letras também são simples, mas contém uma mensagem entusiasta, dando forças a um líder:
'cause there is no future
And there'll be no past
Live for today
The going is going fast
Get up and roll on
Get up and go on
The going's going fast
SHAKE YOUR HEADS
A quarta faixa de Restless And Wild é “Shake Your Heads”.
Com um riff excelente, a música nos traz um Heavy Metal tradicional de primeiríssima qualidade, misturando peso e muita melodia. O refrão é forte, marcante e contagia. O maior destaque é a atuação vigorosa e empolgante do vocalista Udo Dirkschneider. O solo feito por Wolf Hoffmann aposta mais no feeling e é muito bem sucedido. Faixa sensacional!
A mensagem desta vez é pessimista com relação à situação do mundo:
See the world around you
Deep, dark and grey
Grieving heartbreaks all your life
Seems to be the way
Wars of aggression
Mankind's favourite game
A press on the button
A world in flames
Every night and every day
Frustrations in your heart
Like a one way ticket
No return - you're torn apart
NEON NIGHTS
A quinta faixa do álbum é “Neon Nights”.
A canção começa mais suave e em pouco tempo mostra outra vez o Heavy Metal tradicional em que a banda apostou. O riff, simples, mas grudento – no melhor sentido da palavra – é ótimo. O ritmo é realmente mais arrastado, mas a faixa é belíssima. A atuação de Udo é impecável, o ponto alto da música. O refrão é tocante, formando uma das melhores faixas do disco.
É a primeira faixa de Restless And Wild em que a manager Gaby Hauke é creditada como compositora, com o pseudônimo Deaffy:
Red eye whisky
And lady luck
Have always been good friends
Their love is pain
The same old stuff
Always alone in the end
Could they be me and you
Watching how the nights move
GET READY
“Get Ready” é a sexta faixa de Restless And Wild.
Uma bateria empolgante abre a canção que é rapidamente acompanhada por um riff bem inspirado, com uma boa veia de Hard Rock. Mais um refrão bem animado compõe outra grande música do álbum.
As letras são bem simples, em tom de comemoração jovem:
Hell what a night - get ready
Hell what a night - hey
Take your pick - get the kick
It's gonna be hell tonight
DEMON’S NIGHT
A sétima faixa do álbum é “Demon’s Night”.
O Heavy Metal tradicional está de volta na sétima faixa, “Demon’s Night”. Aqui o Accept inicia a canção de forma mais arrastada, intercalando com momentos em que o ritmo acelera. O vocal de Udo está bastante agressivo, casando-se de maneira perfeita com o clima da música. Outro destaque é a seção rítmica, que funciona perfeitamente.
FLASH ROCKIN’ MAN
A oitava faixa de Restless And Wild é “Flash Rockin’ Man”.
Um riff excelente abre a canção, no melhor estilo de bandas da NWOBHM. Rapidamente ele passa a ser acompanhado por vocais excelentes de Udo, que contribuem decisivamente para a qualidade da música. Novamente o refrão é empolgante e o trabalho das guitarras feito por Wolf Hoffmann merece ser ressaltado.
DON’T GO STEALIN’ MY SOUL AWAY
A nona faixa do álbum é “Don't Go Stealin' My Soul Away”.
A menor faixa do álbum traz uma levada bem mais Hard Rock, sendo bem divertida. Os vocais de Udo estão em um tom mais descontraído, sem perder nenhum pouco da eficiência. As guitarras estão, outra vez, em um nível de qualidade absurdo! Sem dúvidas, um dos pontos mais altos deste incrível disco!
O refrão é ótimo:
Don't go stealing my soul away
I'm giving it to you
Don't go stealing my soul away
I'm living just for you, for you
Alright
PRINCESS OF THE DAWN
A décima e última faixa do álbum é a excepcional “Princess Of The Dawn”
Um riff sensacional que se estende por toda a faixa embala a canção, de maneira que é até difícil de classificar sem parecer bajulação. Quase impossível ouvir a canção e não ficar com o riff na sua cabeça. A atuação do vocalista Udo Dirkschneider é totalmente perfeita e decisiva para a qualidade do que se ouve. Uma canção infinitamente acima da média.
Os gigantes do Death Metal, a banda Cannibal Corpse, fizeram uma versão para “Princess Of The Dawn”.
O vocalista Udo gosta bastante desta canção, descrevendo-a como um conto de fantasia, como se fosse retirada do livro O Senhor dos Anéis – ou mesmo uma história de Cinderela. Já Wolf Hoffmann disse que o resultado final da canção não era o que ele realmente esperava, mas que acabou funcionando.
Como demonstra o trecho abaixo, a letra é repleta de fantasia:
There's rain on the mountain
A white frost on the moors
It's an epoch of eternity
Waters touch the holy shore
It's a land of mystery
The world of unseen eyes
You can feel the shadow of a princess
She waits for you inside
Considerações Finais
Restless And Wild falhou em entrar na parada norte-americana de álbuns, mas conseguiu a modesta 98ª posição na parada de álbuns britânica. Também obteve a 27ª posição na parada sueca correspondente.
O álbum foi lançado apenas em 1983 nos Estados Unidos e Reino Unido, quase um ano após seu lançamento oficial na Europa continental.
Udo Dirkschneider aceita a avaliação de que Restless And Wild é um álbum impactante na história do Heavy Metal e, segundo ele, o mais importante na história do Accept. Já Wolf Hoffmann o considera como apenas mais um registro, sendo que o mais importante naquela época foi que a banda entrou em estúdio e fez o que queria, sem muitos temores ou nada a perder.
Wolf Hoffmann:
Restless And Wild foi um definidor do estilo a se seguir pelo Accept e possibilitou uma maior abertura de novos mercados para a banda. Depois disso o grupo já lançou mais 9 álbuns de estúdio e vendeu mais de 27 milhões de cópias pelo mundo.
Em um show especial na Suíça, a banda executou o álbum na íntegra, em 25 de janeiro de 2011.
Em tempo: embora creditado no encarte do álbum, o guitarrista Herman Frank não tocou no trabalho.
Formação:
Udo Dirkschneider - Vocal
Wolf Hoffmann - Guitarras
Stefan Kaufmann - Bateria
Peter Baltes – Baixo
Faixas:
01. Fast as a Shark (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes) – 3:49
02. Restless and Wild (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes/R. Smith-Diesel) – 4:12
03. Ahead of the Pack (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes) – 3:24
04. Shake Your Heads (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes) – 4:17
05. Neon Nights (Deaffy/R. Smith-Diesel) – 6:02
06. Get Ready (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes/R. Smith-Diesel) – 3:41
07. Demon's Night (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes) – 4:28
08. Flash Rockin' Man (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes) – 4:28
09. Don't Go Stealin' My Soul Away (Hoffmann/Kaufmann/Dirkschneider/Baltes/R. Smith-Diesel) – 3:16
10. Princess of the Dawn (Deaffy/Robert. Smith-Diesel) – 6:16
A Alemanha é o berço de ótimas bandas de Rock e Heavy Metal – cita-se aqui o Scorpions, apenas como exemplo – e o Accept é um dos maiores grupos que aquele país nos ofereceu.
A banda é sinônimo de Heavy Metal de extrema qualidade. Riffs precisos e empolgantes, vocais agressivos e abundante melodia em suas canções. Os álbuns do grupo são extremamente recomendados aos fãs do estilo pelo Blog.
Como foi dito, é difícil de falar sobre uma banda que se gosta muito com maior isenção e é sempre o que se procura se fazer aqui no Blog. Entretanto, com o Accept e seu álbum Restless And Wild, isso é quase impossível. O disco beira próximo da excelência em termos de Heavy Metal.
“Fast As A Shark” é tida como um marco para o Speed Metal e é uma faixa excelente. Assim como podemos citar as ótimas “Neon Nights”, “Flash Rockin’ Man”, a espetacular faixa-título, além de “Princess Of The Dawn”, a qual dispensa mais comentários.
Udo Drikschneider tem um vocal que, para este Blog, lembra muitas vezes Brian Johnson, do AC/DC, mas em um tom um pouco mais agressivo e com maior alcance, fazendo um trabalho quase perfeito em Restless And Wild.
Outro grande destaque é o guitarrista Wolf Hoffmann, uma máquina eficiente de riffs e solos bastante inspirados. Wolf compôs uma verdadeira aula de Heavy Metal tradicional em Restless And Wild e, que por muitas vezes, lembra o grande Judas Priest.
Enfim, se você, caro leitor, gosta de Heavy Metal e ainda não conhece o Accept de forma mais profunda, vá correndo o fazer. E um ótimo começo é Restless And Wild.