Master
of Puppets é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana
Metallica. Seu lançamento oficial aconteceu em 3 de março de 1986
através do selo Elektra Records. Suas gravações ocorreram entre 1º
de setembro e 27 de dezembro de 1985, no Sweet Silence Studios, em
Copenhagen, na Dinamarca. A produção ficou por conta da própria
banda e de Flemming Rasmussen.
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METALLICA - MASTER OF PUPPETS (1986)
Master
of Puppets é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana
Metallica. Seu lançamento oficial aconteceu em 3 de março de 1986
através do selo Elektra Records. Suas gravações ocorreram entre 1º
de setembro e 27 de dezembro de 1985, no Sweet Silence Studios, em
Copenhagen, na Dinamarca. A produção ficou por conta da própria
banda e de Flemming Rasmussen.
Este post especial é uma homenagem aos 30 anos de lançamento deste álbum e, também, uma comemoração pelos 5 anos do Blog Rock: Álbuns Clássicos.
O
Metallica retorna mais uma vez ao Blog para se contar a história de
um dos álbuns mais influentes da história do Heavy Metal. Como
sempre, um breve histórico antecederá o tradicional faixa a faixa
do disco em questão.
Em
27 de julho de 1984, o Metallica lançava seu segundo álbum de
estúdio, Ride The Lightning.
O
álbum já apontava para um apuro maior nas composições da banda,
intensificando a incorporação de elementos do Heavy Metal mais
tradicional ao Thrash Metal, este, a sonoridade inicial do grupo
californiano.
Neste
trabalho há faixas emblemáticas do Metallica como “For Whom The
Bell Tolls”, “Fade to Black” e “Creeping Death”.
Avesso
à mídia e ao Mainstream, naquela época, o disco atingiu o 87º
lugar na parada britânica, conquistando a 100ª posição na
correspondente norte-americana. Entretanto, a crítica especializada
e o público headbanger consagrou o trabalho.
Michael
Alago, diretor da gravadora Elektra Records A&R, e o cofundador
da Q-Prime Management, Cliff Burnstein, assistiram a um show do
Metallica em setembro de 1984. Eles ficaram impressionados com o
desempenho do grupo e tanto a Elektra quanto a Q-Prime firmaram
contrato com a banda.
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| James Hetfield |
O
sucesso crescente do Metallica foi tal que o selo britânico Music
for Nations lançou “Creeping Death” como um single de edição
limitada, o qual vendeu 40 mil cópias. Nele havia dois covers, “Am
I Evil”, do Diamond Head e “Blitzkrieg”, do grupo de mesmo
nome.
O
Metallica embarcou em sua primeira grande turnê europeia com a banda
inglesa Tank, com um público médio de 1300 pessoas.
Retornando
para os EUA, o grupo continuou em turnê, desta vez em conjunto com o
W.A.S.P. e o Armored Saint.
O Metallica
tocou seu maior show, até então, no festival Monsters of Rock, em
Donington Park, Inglaterra, em 17 de Agosto de 1985, com Bon Jovi e
Ratt, para um público na casa de 70 mil pessoas.
Outro
grande show ocorreu em Oakland, Califórnia, no festival Day on the
Green, quando a banda tocou para uma multidão de 60 mil pessoas.
Desta
forma, o Metallica estava motivado para gravar um novo álbum, o qual
impressionaria aos críticos e fãs, começando a escrever novo
material em meados de 1985.
O
baterista Lars Ulrich e o frontman James Hetfield foram os principais
compositores do novo álbum, já intitulado Master of Puppets.
Ambos desenvolveram suas ideias em uma garagem, em El Cerrito,
Califórnia, antes de convidarem o baixista Cliff Burton e o
guitarrista Kirk Hammett para complementarem os ensaios.
Hetfield
e Ulrich descrevem o processo de composição a partir de riffs de
guitarras, trabalhados até soarem como uma canção.
Master
of Puppets foi o primeiro álbum do Metallica a não apresentar
contribuições do ex-guitarrista Dave Mustaine. Mustaine alegou que
tinha coescrito “Leper Messiah”, baseado em uma velha canção
chamada “The Hills Ran Red”. A banda negou, embora tenha admitido
que, em uma seção, incorporou ideias do ex-guitarrista.
A
banda não estava satisfeita com a acústica dos estúdios americanos
os quais consideraram para a gravação e assim decidiram realizar o
processo na terra natal de Lars Ulrich, a Dinamarca.
Ulrich
teve aulas de bateria e Hammett trabalhou com o grande guitarrista Joe Satriani para
aprimorarem o ato de gravar de forma mais eficiente. Ulrich também esteve em
negociações com Geddy Lee, baixista do Rush, para produzir o álbum,
mas a colaboração nunca se concretizou por causa de diferenças nas
agendas.
O
Metallica gravou o álbum com o produtor Flemming Rasmussen, no Sweet
Silence Studios, em Copenhaguen, na Dinamarca, de 1º de Setembro a 27
de dezembro de 1985.
A
composição de todas as músicas, excetuando-se “Orion” e “The
Thing That Should Not Be”, foi concluída antes da chegada da banda
em Copenhagen. Rasmussen afirmou que a banda trouxe demos bem
preparadas das canções e apenas pequenas mudanças no estúdio
foram feitas para as composições.
A
gravação demorou mais que a do álbum anterior, porque o Metallica
havia desenvolvido um senso de perfeccionismo e também possuía
ambições maiores para este trabalho. O grupo também evitou a produção e
os sintetizadores, em voga na época, para álbuns de Hard Rock e
Heavy Metal então contemporâneos, como usados por Bon Jovi, Iron
Maiden e Judas Priest.
Apesar
de uma reputação de consumidores ávidos de bebidas alcoolicas, a
banda permaneceu sóbria durante os dias de gravação.
O
guitarrista Kirk Hammett recordou que, na época, o grupo estava
“apenas fazendo um outro álbum”, concluindo que “não fazia
idéia de que o registro teria essa grande influência que passaria a
ter”.
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| Kirk Hammett |
Rasmussen
e Metallica não conseguiram concluir as mixagens como planejado.
Assim, as fitas master foram enviadas em janeiro de 1986 para
Michael Wagener, que terminou a mixagem do álbum.
A
capa foi idealizada pelo Metallica e por Peter Mensch e desenhada e
executada por Don Brautigam. Ela retrata um campo de cemitério com
cruzes brancas amarradas com cordas, manipuladas por um par de mãos
em um céu vermelho. Ulrich explicou que a obra de arte resumiu o
conteúdo das letras do álbum: pessoas que estão sendo
inconscientemente manipuladas.
A
obra de arte original foi vendida, no Rockefeller Plaza, em New York
City, por 28 mil dólares, em 2008.
Vamos
às faixas:
BATTERY
A introdução acústica e suave embala o ouvinte, mas não se engane: você está diante de um dos hinos do Thrash Metal em todos os tempos. Velocidade alucinante e seção rítmica galopante são marcas registradas de "Battery". Os vocais agressivos de Hetfield são intensos. O andamento é veloz, embalados por um riff classudo da melhor escola californiana do Thrash Metal. O solo de guitarra de Hammett é ótimo. Um clássico!
A
letra se refere à raiva e agressão:
Smashing
through the boundries
Lunacy has found me
Cannot stop the
Battery
Pounding out aggression
Turns into obsession
Cannot
kill the Battery
Cannot kill the family
Battery is found in
me
Battery
MASTER
OF PUPPETS
"Master of Puppets" se inicia com um dos mais brilhantes riffs de guitarra de todos os tempos. E uma pequena variação dele é a condução principal deste hino do Heavy/Thrash Metal. A intensidade e rapidez da canção combinam com a interpretação nervosa de Hetfield nos vocais. O refrão é sensacional. O meio da música reserva uma considerável passagem instrumental, a primeira, mais cadenciada, com boa influência do Rock setentista. Outra, uma trilha Thrash como quase nunca se ouve, embalada pelo solo alucinante da guitarra de Hammett. Espetacular!
A
letra fala sobre o vício em cocaína:
Taste
me you will see
More is all you need
You're dedicated to
How
I'm killing you
Indubitavelmente,
“Master of Puppets” é um dos grandes clássicos da história do
Metallica.
Lançada
como single principal para promover o álbum, não atingiu nenhuma
das principais paradas de sucesso deste tipo de lançamento.
No
entanto, com o passar do tempo, a canção acabou ganhando o
reconhecimento necessário. Tanto que o single ultrapassa a marca de
500 mil cópias comercializadas.
É
tida como a canção mais executada pela banda em seus shows, mesmo
que durante os anos 90 tenha ficado um certo período fora do set
list, ou mesmo sendo executada parcialmente nas apresentações
do grupo.
Várias
são as premiações recebidas pela canção. O canal de TV
norte-americano VH1 colocou “Mater of Puppets” na 3º posição
de sua lista greatest heavy metal song ever. Já a revista
britânica Q Magazine, coloca a música na 22ª colocação na lista
100 Greatest Guitar Tracks.
O
jornalista e crítico musical canadense, Martin Poppof, posicionou
“Master of Puppets” no 2º lugar em seu livro The Top 500 Heavy
Metal Songs of All Time.
Incontáveis
são as versões cover existentes para a faixa. Como exemplo,
citam-se bandas como Trivium e Dream Theater, além do violonista
David Garrett.
A
canção também aparece como trilha sonora nos filmes Old School,
de 2003, e The Big Short, de 2015. Além disso aparece na
série animada Simpsons, no episódio The Mook, the Chef, the Wife
and Her Homer, além de estar no game Guitar Hero: Metallica.
THE
THING THAT SHOULD NOT BE
Já em "The Thing That Should Not Be", o Metallica continua com sua jornada pesada e intensa, mas de modo um pouco mais cadenciado. Aqui a influência do Heavy Metal mais tradicional é bem perceptível, contando com um riff bem 'a la Black Sabbath'. O refrão é, outra vez, um show à parte. Tanto o baixo de Cliff Burton quanto a bateria de Lars Ulrich se destacam em outra faixa impressionante.
A
letra é baseada no conto do escritor H. P. Lovecraft, The Shadow over
Innsmouth:
Fearless
wretch
Insanity
He watches
Lurking beneath the sea
Great
old one
Forbidden site
He searches
Hunter of the shadows is
rising
Immortal
In madness you dwell
WELCOME
HOME (SANITARIUM)
"Welcome Home (Sanitarium)" é a 'balada' do álbum. Na verdade, sua primeira parte conta com uma melodia suave, mas ao mesmo tempo triste e densa e, claro, belíssima. O solo de abertura, de Hammett, é curto, mas exuberante. A interpretação de Hetfield é assustadoramente perfeita para combinar com a massa sonora. Quando a faixa se transforma em um Thrash Metal típico, a banda acerta mais uma vez, com um ritmo alucinante. Kirk Hammett nunca mais foi tão incrível quanto nesta composição. Um espetáculo!
A
letra é baseada no romance One Flew Over the Cuckoo's Nest,
de Ken Kesey:
Sleep,
my friend, and you will see
That dream is my reality
They keep
me locked up in this cage
Can't they see it's why my brain says
"rage"
DISPOSABLE
HEROES
"Disposable Heroes" retorna com a fúria do Thrash Metal típico do Metallica. A banda oscila em andamentos ora mais contidos em uma sonoridade mais tradicional e outras vezes mais veloz e agressivo, como fez em Kill 'Em All. Não há momentos calmos ou menos intensos. O refrão é ótimo. O solo de guitarra de Hammett aos 4:30 é muito legal!
A
letra mostra uma mensagem contra a guerra:
Soldier
boy, made of clay
Now an empty shell
Twenty one, only son
But
he served us well
Bred to kill, not to care
Do just as we
say
Finished here, Greeting Death
He's yours to take away
LEPER
MESSIAH
Mais cadenciada e arrastada, mas não menos brilhante. Esta é "Leper Messiah". Outro riff bem 'sabáthico' e o baixo de Cliff Burton ditando o ritmo são marcas impressivas da canção. A atuação precisa e envolvente de Hetfield nos vocais também engrandecem uma das melhores composições da discografia do Metallica. Pena que não seja tão reverenciada quanto deveria. O solo de Hammett é de arrepiar.
A
letra fala sobre fé cega:
Time
for lust
Time for lie
Time to kiss your life goodbye
Send me
money, send me green, heaven you will meet
Make a contribution and
you'll get a better seat
Bow to Leper Messiah
O
título da música deriva do clássico de David Bowie “Ziggy
Stardust”.
ORION
Como era costume nos primeiros álbuns do grupo, sempre havia uma faixa instrumental. Esta é "Orion". O baixo de Cliff Burton é que dá as cartas por aqui, desde a introdução da música. A canção apresenta um conjunto de melodias, ora tendendo ao Heavy Metal tradicional, em outras vezes flertando com até mesmo com o Hard Rock setentista. Alternando peso e suavidade, "Orion" encanta por manter sua unidade melódica ao longo de toda sua extensão de maneira brilhante.
DAMAGE,
INC.
A oitava - e última - faixa de Master of Puppets é "Damage, Inc.". Após uma introdução de pouco mais de 1 minuto o ouvinte estará diante da mais pura fúria Thrash Metal que o Metallica já produziu. O andamento é rápido e com uma absurda intensidade. Hetfield casa seus vocais perfeitamente com a massa sonora. Umas das - senão a melhor - melhores atuações de Lars Ulrich em um álbum do grupo. Fecha o álbum com chave-de-ouro.
A letra
é sobre a violência sem sentido e represália a um alvo não
especificado:
Dealing
out the agony within
Charging hard and no one's gonna give
in
Living on your knees, conformity
Or dying on your feet for
honesty
Inbred, our bodies work as one
Bloody, but never cry
submission
Following our instinct not a trend
Go against the
grain until the end
Considerações
Finais
Em
comparação aos trabalhos antecedentes, Master of Puppets foi bem
melhor em relação a paradas de sucesso.
Atingiu
a 41ª colocação na principal parada britânica, conquistando a 29ª
posição na correspondente norte-americana. Ainda ficou com 18º
lugar na parada da Suíça.
O
álbum permaneceu cerca de 72 semanas na Billboard 200 e deu à
banda sua primeira certificação de ouro.
A
Billboard informou que o álbum vendeu 300 mil cópias em suas três
primeiras semanas. Apesar de praticamente nenhum airplay de rádio e
não existirem videoclipes, de acordo com a atitude anti-mainstream
propagada, então, pelo Metallica, o álbum vendeu mais de 500 mil
cópias em seu primeiro ano.
Master
of Puppets foi aclamado pela crítica especializada em música. O
editor Tom King disse que Metallica estava em seu ápice de
composição durante as sessões de gravação, em parte porque o
baixista Cliff Burton contribuiu com as canções.
O
álbum foi aclamado como uma obra-prima pela crítica fora do público
Heavy Metal e citado por alguns como o maior álbum do gênero.
![]() |
| Cliff Burton |
Em
uma revisão contemporânea, Tim Holmes, da revista norte-americana
Rolling Stone, afirmou que a banda havia redefinido o Heavy
Metal com a habilidade técnica e a sutileza exibidos no álbum, que
ele descreveu como “o som da paranoia global”.
A
revista inglesa Kerrang! escreveu que Master of Puppets “finalmente
colocou o Metallica nas grandes ligas a que pertence”.
Já
Steve Huey, do AllMusic, vê Master of Puppets como o melhor álbum
do Metallica e observou que, embora não fosse tão inesperado quanto
Ride the Lightning, é um disco mais musical e tematicamente
consistente. Greg Kot, do jornal Chicago Tribune, disse que as
canções da banda ficaram mais intensas nesse ponto, apontando para
uma “tendência progressiva do Rush”.
Para
não dizer que tudo são flores, a revista Spin e o crítico Robert
Christgau não fizeram críticas positivas ao trabalho.
Master
of Puppets tem aparecido em listas de melhores álbuns de várias
publicações. Ele foi classificado como número 167 na lista 500
greatest albums of all time, da revista Rolling Stone.
A
revista Time o incluiu em sua lista dos 100 melhores álbuns de todos
os tempos, com Josh Tyrangiel, afirmando que o disco reforça a velocidade em se tocar Heavy Metal e diminui alguns dos seus clichês.
A
Slant Magazine colocou o álbum na 90ª posição de sua lista dos
melhores álbuns da década de 1980. O álbum é destaque no livro
1001 Albums You Must Hear Before You Die. O site IGN chama
Master of Puppets de “o melhor álbum de heavy metal de todos os
tempos”. A revista Guitar World o elegeu como o quarto melhor álbum
de guitarra de todos os tempos, em 2006.
Em
2016, o álbum foi considerado “culturalmente, historicamente ou
esteticamente significante” pela Biblioteca do Congresso Nacional
dos Estados Unidos, sendo selecionado para preservação no National
Recording Registry.
O
Metallica optou por uma extensa turnê em vez de liberar um
videoclipe para promover o álbum. O grupo passou entre março e
agosto de 1986 em turnê como banda de abertura para Ozzy Osbourne,
nos Estados Unidos, sendo sua primeira turnê para plateias de
grandes arenas.
O
grupo costumava tocar riffs do Black Sabbath durante as
passagens de som, sendo que Osbourne percebia como um escárnio para
com ele.
Referindo-se
a essa ocasião, Ulrich afirmou que o Metallica teve a honra de tocar
com Osbourne, o qual o tratou muito bem durante a turnê. De acordo
com Ulrich, o público em grandes cidades já estava familiarizado
com a música do Metallica, ao contrário das cidades menores que
visitou.
Ulrich
afirmou: “Nos mercados menores, as pessoas realmente não nos
conheciam. Mas, depois de 45 ou 50 minutos, nós podemos dizer que já
o conquistamos. E os fãs que vinham para ouvir Ozzy iam para casa
gostando do Metallica”.
A
turnê serviu para lentamente ser o início de estabelecer um público
mainstream para a banda.
Nesta
época, o Metallica ganhou reputação da mídia por seu hábito de
beber em excesso, durante as turnês, ganhando o apelido de
Alcoholica. Os membros da banda, ocasionalmente, usavam
camisetas com os dizeres Alcoholica/Drink 'em All,
brincando com o nome de seu álbum inicial.
A
turnê, no entanto, foi marcada por vários incidentes. Hetfield
quebrou o pulso em um acidente de skate, e seu técnico de guitarra,
John Marshall, tocou a guitarra-base em diversas datas.
A
parte europeia da Damage, Inc. Tour teve início em setembro de
1986, com o Anthrax como a banda de apoio, e acabaria se tornando uma tragédia inesquecível.
Após
o show de 26 de setembro em Estocolmo, o ônibus da banda rolou em um
trecho da estrada recoberto por gelo, na manhã seguinte. O baixista
Cliff Burton foi jogado por uma janela e morreu instantaneamente.
Cliff
Burton faleceu com apenas 24 anos de idade.
O
motorista do ônibus afirmou que atingiu um pedaço de gelo negro,
mas Hetfield não concordou com isto. O motorista foi acusado de
homicídio, mas não foi condenado.
A
banda voltou para San Francisco e, após algumas audições,
contratou o baixista Jason Newsted, ex-Flotsam and Jetsam, para
substituir Burton. Muitas das canções que apareceriam no próximo
álbum da banda, ...And Justice for All, foram compostas enquanto
Burton ainda estava vivo.
Master
of Puppets supera a casa dos 6 milhões de álbuns vendidos apenas
nos Estados Unidos.
Formação:
James
Hetfield - Vocal, Guitarra-Base
Kirk
Hammett - Guitarra
Cliff
Burton - Baixo, Backing Vocals
Lars
Ulrich - Bateria
Faixas:
01.
Battery (Hetfield/Ulrich) - 5:12
02.
Master of Puppets (Hetfield/Ulrich/Burton/Hammett) - 8:36
03.
The Thing That Should Not Be (Hetfield/Ulrich/Hammett) - 6:37
04.
Welcome Home (Sanitarium) (Hetfield/Ulrich/Hammett) - 6:27
05.
Disposable Heroes (Hetfield/Ulrich/Hammett) - 8:17
06.
Leper Messiah (Hetfield/Ulrich) - 5:40
07.
Orion (Hetfield/Ulrich/Burton) - 8:28
08.
Damage, Inc. (Hetfield/Ulrich/Burton/Hammett) - 5:29
Letras:
Opinião
do Blog:
Em Kill 'Em All e Ride The Lightning, o Metallica já havia provado que não era apenas mais uma banda surgida na década de 80, a mais fundamental na história do Heavy Metal. Os dois primeiros discos do grupo são essenciais para fãs de estilos mais pesados dentro do Rock.
Mas a banda quis ir além. E o passo definitivo para entrar na história foi dado em seu terceiro álbum. Master of Puppets eleva o nível do grupo a patamares estratosféricos.
Provando estar no ápice de seu entrosamento e criatividade, o Metallica entrega uma atuação impecável de todos os seus membros. Dispensável mencionar a categoria de Cliff Burton no baixo da banda. Lars Ulrich também tem sua melhor atuação em um álbum do grupo.
O grande diferencial do grupo é mesmo as guitarras. Tanto a base de Hetfield quanto os solos de Hammett estão impecáveis, intensos e precisos. Não há passagens supérfluas, tudo é feito de modo a tornar as composições melhores.
Até mesmo é possível perceber a melhora da atuação de James Hetfield como vocalista, atuando de maneira muito mais confiante e segura, especialmente quando comparado aos álbuns anteriores do conjunto.
As letras fogem dos lugares comuns, questionam e instigam. Merecem uma conferida atenta, especialmente a faixa-título e "Leper Messiah".
Master of Puppets é daqueles casos em que não há canção de enchimento e mais se parece a uma coletânea, pois seu conteúdo é de qualidade poucas vezes igualado. Mas a tradição do Blog manda destacar algumas faixas e é isto o que temos que fazer!
A fúria Thrash descomunal de "Battery" e "Damage, Inc." encanta qualquer fã do estilo Thrash Metal com ambas estando entre as melhores composições da história desta vertente do Heavy Metal.
Mas o Blog destaca a faixa-título, como uma amostra perfeita da genialidade do Metallica em seus primeiros anos. O DNA da banda está ali, escancarado a todos.
"Welcome Home (Sanitarium)" é uma faixa atemporal, belíssima e tocante, ao mesmo tempo em que se apresenta agressiva e intensa. "Orion" é de uma beleza inquietante e "Leper Messiah" traz peso e intensidade em uma execução absolutamente extraordinária.
Enfim, seria Master of Puppets o melhor álbum de Heavy Metal de todos os tempos? Pergunta dificílima, mas quem o aponta como tal não está cometendo nenhuma heresia. Trata-se de um disco que influenciou praticamente todas as bandas de Metal que surgiriam após seu lançamento. Candidato fortíssimo ao posto e presença obrigatória em qualquer lista de melhores álbuns de todos os tempos, independente do estilo musical. Obrigatório, essencial e necessário!
Nada como uma obra-prima deste quilate para comemorar os 5 anos do Blog e agradecer a todos os nossos poucos, mas fiéis, leitores. Muito obrigado e continuem conosco!
METALLICA - KILL 'EM ALL (1983)
Em
lembrança aos 30 anos do lançamento deste álbum
Kill ‘Em All é o álbum de estreia da banda
norte-americana chamada Metallica. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 25 de
julho de 1983, sob o selo Megaforce. A produção ficou sob a responsabilidade de
Paul Curcio com as gravações acontecendo no Music America Studios, em
Rochester, Estados Unidos. As gravações se deram entre os dias 10 e 27 de maio
daquele ano.
METALLICA - KILL 'EM ALL (1983)
Em
lembrança aos 30 anos do lançamento deste álbum
Kill ‘Em All é o álbum de estreia da banda
norte-americana chamada Metallica. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 25 de
julho de 1983, sob o selo Megaforce. A produção ficou sob a responsabilidade de
Paul Curcio com as gravações acontecendo no Music America Studios, em
Rochester, Estados Unidos. As gravações se deram entre os dias 10 e 27 de maio
daquele ano.
Falar do Metallica é comentar sobre uma das grandes
instituições do Rock & Roll dos últimos 30 anos. Vai-se tratar, brevemente,
dos primórdios da banda e sobre os fatos que levaram ao surgimento de seu álbum
de estreia.
Os primórdios do Metallica datam do fim de 1981, em
Los Angeles, Califórnia. O baterista dinamarquês Lars Ulrich colocou um anúncio
no jornal local (The Recycler) que dizia algo como: “Baterista procura outros
músicos de Heavy Metal para tocar Tygers of Pan Tang, Diamond Head e Iron
Maiden. Os guitarristas da banda Leather Charm responderam ao anúncio. Eram
eles Hugh Tanner e James Hetfield.
A sessão não foi bem sucedida e Ulrich continuou
sem uma banda. Mesmo assim ele procurou seu amigo Brian Slagel, fundador da
Metal Blade Records, e propôs que gravasse uma canção para ser parte da nova
compilação que Slagel lançaria em seu selo, chamada Metal Massacre.
Lars Ulrich
Slagel acabou consentindo com a proposta de Ulrich
e este voltou a se comunicar com James Hetfield, para que este fosse o
vocalista e guitarrista da futura banda. Isto ocorreu por volta de Outubro de
1981, cerca de 5 meses depois do primeiro encontro dos dois.
O amigo de Ulrich, Ron Quintana, estava se
decidindo sobre qual nome ele utilizaria em um novo fanzine. Ele pensava em
Metalmania e Metallica e, Lars, espertamente, sugeriu que ele utilizasse
Metalmania no fanzine para, assim, apoderar-se do nome Metallica para sua nova
banda.
Um novo anúncio no jornal The Recycler foi postado,
desta vez procurando um guitarrista solo. Após Hetfield e Ulrich virem o
equipamento praticamente profissional do cara que respondeu ao anúncio, ele foi
efetivado como o guitarrista solo do Metallica. Seu nome: Dave Mustaine.
No início de 1982, o Metallica grava sua primeira
faixa, para a compilação Metal Massacre I: era “Hit The Lights”. Hetfield
cantou, tocou guitarra e o baixo, Ulrich foi o baterista e a guitarra solo foi
creditada para Lloyd Grant, um guitarrista mais focado no Blues.
James Hetfield
Embora creditada erroneamente no primeiro lote da
Metal Massacre I, como ‘Mettallica’, a banda fez certo barulho com sua “Hit The
Lights” e, assim, conseguiu que sua primeira apresentação fosse conquistada: em
14 de março de 1982, no Radio City, em Anaheim, na Califórnia, já com o novo
baixista, Ron McGovney.
Assim, a primeira formação da banda contava com
James Hetfield nos vocais e guitarra-base, Lars Ulrich na bateria, Dave
Mustaine na guitarra-solo e Ron McGovney no baixo.
Com esta formação, o grupo gravaria sua primeira
demo, Power Metal, que contava com 4 faixas: “Hit The Lights”, “Jump In The
Fire”, “The Mechanix” e “Motorbreath”. James Hetfield se referia ao som do
grupo como Power Metal.
Mais tarde naquele ano, Hetfield e Ulrich foram a
um show no clube noturno Whisky a Go Go, em West Hollywood. A apresentação da
banda Trauma surpreendeu os dois, especialmente durante os solos de seu grande
“guitarrista”. Ao fim do show, quando foram cumprimentá-lo, descobriram que o
músico que usava o pedal wah-wah era um baixista. Seu nome era Cliff Burton.
Ele foi convidado a se juntar ao Metallica, mas declinou do pedido.
Hetfield e Mustaine estavam insatisfeitos com o
baixista Ron McGovney, pois ele em nada contribuía para a banda.
Cliff Burton acabou aceitando entrar no Metallica
mais para o final de 1982, fazendo a exigência de que o grupo deixasse Los
Angeles e se mudasse para El Cerrito, na região da Bay Area de San Francisco,
onde o novo movimento de bandas ligadas ao Heavy Metal e a nascente nova
vertente do estilo fervilhava... o Thrash Metal.
Cliff Burton
O primeiro show com Cliff Burton no Metallica foi
em Março de 1983 e sua primeira gravação com o grupo foi a demo conhecida como
Megaforce, do mesmo ano.
Foi o promotor de shows Johnny Z Zazula, que ouviu
a demo No Life ‘til Leather (dos tempos de McGovney no baixo) quem começou a
ajudar o grupo com seu desejo de gravar um álbum. Primeiro, ele tentou vários
acordos com gravadoras da Costa Leste dos Estados Unidos, mas não obteve
nenhuma resposta interessante.
Assim, foi o próprio Zazula que bancou os custos da
produção do primeiro álbum do Metallica e assinou com o grupo com a sua própria
gravadora, a Megaforce Records.
Em 11 de abril de 1983, aconteceria um fato que
mudaria a história do Heavy Metal: o Metallica demitiu o guitarrista Dave
Mustaine. A alegação foi de que os abusos constantes de álcool e drogas do
guitarrista, aliado ao seu comportamento extremamente violento, estava
prejudicando o desenvolvimento do grupo.
O guitarrista convidado para substituir Mustaine
foi o da banda Exodus, Kirk Hammett. Mesmo vários anos depois, a mágoa de
Mustaine para com o Metallica permaneceu. Hammett foi para a costa leste dos
Estados Unidos na mesma noite. O primeiro show com Hammett foi em 16 de abril
de 1983, em Dover, Nova Jérsei. A banda dividiu o palco com o Anthrax e sua
formação que contava com Dan Lilker e Neil Turbin. Era a primeira vez que os
grupos tocavam juntos!
Em maio de 1983 o grupo viajou para Rochester,
próximo a Nova York, para gravar o seu álbum inicial que teria o excêntrico
nome de Metal Up Your Ass. Tanto o selo quanto as distribuidoras se recusaram a
divulgar um álbum com este nome e o Metallica foi obrigado a mudar a
denominação do disco.
Ao saber disto, Cliff Burton teria dito “Matem a
todos” (Kill ‘Em All, em tradução livre) e acabou rebatizando o trabalho. A
arte da capa, com uma imagem de um martelo ensanguentado, dá o mote para o
impacto.
HIT THE LIGHTS
A primeira faixa de Kill ‘Em All é “Hit The
Lights”.
O início da canção já mostra para o ouvinte o que
ele terá por todo o álbum: a fúria do Heavy Metal tocada a toda velocidade. O
riff de “Hit The Lights” é de alta velocidade e é acompanhado pela inquieta
bateria de Lars Ulrich e solos frenéticos. Hetfield opta por gritar as letras
na mesma intensidade da música. É um grande começo para o disco.
As letras são bem simples e mostram a emoção de uma
banda de rock “incendiando” seus fãs:
You know our fans are insane
We are gonna blow this place away
With volume higher
Than anything today the only way
When we start to rock
We never want to stop again
“Hit The Lights” é uma composição antiga de James
Hetfield, dos tempos de sua primeira banda, o Leather Charm.
THE FOUR HORSEMEN
A segunda canção do álbum é “The Four Horsemen”.
Um riff sensacional cheio de peso, mas um pouco
mais cadenciado, é a base da música e se estende por toda a sua duração. Desta
vez, os vocais de Hetfield estão um tanto quanto mais contidos, embora ele
continue ‘atacando’ as letras. Os solos são sensacionais, assim como a parte
mais melódica no meio da faixa. A canção deixa mais claro como a NWOBHM exerceu
influências na banda. Música espetacular.
Em uma interpretação mais livre, a canção remete
aos textos bíblicos do Apocalipse, referindo-se aos seus 4 cavaleiros:
Time
Has taken its toll on you
The lines that crack your face
Famine
Your body it has torn through
Withered in every place
Pestilence
For what you have had to endure
And what you have put others through
Death
Deliverance for you for sure
There is nothing you can do
Há também uma interpretação de que as letras se
referem ao próprio Metallica como 4 cavaleiros.
Fato é que a composição de “The Four Horsemen” é
controversa. Primeiro porque se trata de uma composição de Dave Mustaine nos
tempos de sua banda anterior ao Metallica, que se chamava Panic. Ao entrar no
Metallica, Mustaine trouxe a canção que se denominava “The Mechanix”.
Segundo, pois, depois de Mustaine ser chutado da
banda, Hetfield se debruçou sobre a mesma, modificando-a. O primeiro passo foi
alterar a velocidade com que a mesma era executada, tornando-a um pouco mais
cadenciada. O segundo passo foi alterar a letra da faixa: “The Mechanix” tinha
conteúdo sexual, enquanto “The Four Horsemen” passou a tratar de temática
apocalíptica.
O terceiro passo foi colocar um interstício mais
lento e melódico durante a canção, que como pode ser ouvida em algumas demos
lançadas anteriormente pelo grupo, inexistia. Dave Mustaine afirma que também
esta parte foi composta por ele, inspirada no clássico do Lynyrd Skynyrd,
“Sweet Home Alabama”, que ele sempre ouvia na companhia de Cliff Burton.
No álbum de estreia do Megadeth, Mustaine incluiu
“The Mechanix” conforme ele mesmo havia a criado.
MOTORBREATH
A terceira faixa do trabalho é “Motorbreath”.
A canção começa e se mantém por toda a sua duração
em mais alta velocidade. Uma pequena variação do riff é sentida entre os
refrãos e os versos. Hetfield mantém seus vocais de maneira mais agressiva e o
solo de Hammett, embora mais curto, é bastante eficiente. Outro ponto
interessante do trabalho.
A letra é simples e fala de como se viver a toda
velocidade:
Motorbreath
It's how I live my life
I can't take it any other way
Motorbreath
The sign of living fast
It is going to take
Your breath away
JUMP IN THE FIRE
A quarta música do disco é “Jump In The Fire”.
O riff de “Jump In The Fire” é bem criativo e
original e embala a canção como um todo, sendo que a banda opta por uma levada
mais cadenciada para esta faixa. Os vocais se casam perfeitamente com o ritmo
da música e se demonstram perfeitos para o resultado final do trabalho. O solo
de Hammett é genial!
A letra de “Jump In The Fire” se remete à visão do
diabo para as pessoas que pecam e serão, inevitavelmente, dragadas para o
inferno:
Down in the depths of my fiery home
The summons bell will chime
Tempting you and all the earth
To join our sinful kind
There is a job to be done and I'm
the one
You people make me do it
Now it is time for your fate and I
won't hesitate
To pull you down into this pit
“Jump In The Fire” é das primeiras composições do
Metallica. Quando Dave Mustaine se juntou ao grupo, ele escreveu as primeiras
versões das letras da faixa, optando por um conteúdo mais sexual. Novamente,
quando ele foi demitido do conjunto, Hetfield alterou a letra da canção para o
conteúdo mais ‘infernal’.
A verdade é que quando Hetfield foi reescrever a
letra de “Jump In The Fire”, segundo Lars Ulrich, o conjunto ouvia bastante o
single do Iron Maiden “Run To The Hills” e o Metallica desejava que sua nova
canção soasse como o clássico dos britânicos.
“Jump In The Fire” foi lançada como single e não
repercutiu nas paradas de sucesso. A capa do single é uma cópia da capa do
romance “The Devils of D-Day”, de Graham Materston, a qual foi pintada por Les
Edwards.
No single original de 1983, a canção era
acompanhada por versões “ao vivo” de “Phantom Lord” e “Seek And Destroy” as quais,
na verdade, eram versões alternadas de estúdio com o barulho do público
colocado no estúdio.
(ANESTHESIA) – PULLING TEETH
A quinta faixa do trabalho é “(Anesthesia) –
Pulling Teeth”.
‘Anesthesia’ é uma reprodução do solo que Cliff
Burton realizava pela primeira vez em que foi visto pela dupla Lars Ulrich e
James Hetfield com sua banda Trauma. Mais para o final do solo, Ulrich o
acompanha com a bateria. Cliff faz uso da técnica conhecida como tapping e
também do pedal com efeitos wah-wah. ‘Anesthesia’ está presente no filme de
2011 chamado Hesher.
WHIPLASH
“Whiplash” é a sexta canção do disco.
O riff em velocidade alucinante é a grande marca da
sexta faixa de Kill ‘Em All em uma amostra genuína daquilo que se convencionou
a chamar de Thrash Metal. “Whiplash” segue em altíssima rapidez por toda sua
extensão, com vocais que acompanham perfeitamente o ritmo da música e a bateria
e o baixo frenéticos dando o tom desta obra espetacular.
A letra é uma verdadeira celebração da
interatividade entre banda e fã:
Late at night all systems go
You have come to see the show
We do our best You're the rest
You make it real you know
There is a feeling deep inside
That drives you fuckin' mad
A feeling of a hammerhead
You need it oh so bad
“Whiplash” foi o primeiro single para promover o álbum
Kill ‘Em All, embora também não tenha repercutido entre as paradas de sucesso.
Durante
os shows, James Hetfield costuma trocar a letra original que diz “We will never
quit cause we are METALLICA” por “We will never quit cause YOU are METALLICA”. Quando
o baixista do grupo era Jason Newted, algumas vezes este assumia os vocais na
execução desta canção.
Incontáveis são as versões covers existentes para o
clássico: Pantera, Destruction e até mesmo o Motörhead fizeram covers para
“Whiplash”. A versão do Motörhead, inclusive, rendeu ao grupo um prêmio Grammy.
A faixa também aparece nos games Tony Hawk’s
Underground 2 e Guitar Hero: Metallica.
PHANTOM LORD
A sétima música de Kill ‘Em All é “Phantom Lord”.
Nos primeiros momentos da canção o ouvinte já sabe
que o peso será mantido. O riff principal é, ao mesmo tempo, genial, pesado e
veloz, em mais uma aula do que é Thrash Metal. Os vocais de Hetfield também
contribuem para o ritmo frenético da faixa. No refrão há uma pequena variação
no ritmo do riff principal. O solo de Hammett é, novamente, arrasador.
As letras contam com um claro e sombrio tema de
terror:
Hear the cry of War
Louder than before
With his sword in ha o
To control the land
Crushing metal strikes
On this frightening night
Fall onto your knees
For the
Phantom Lord
O Anthrax fez uma versão bem interessante para
“Phantom Lord”.
NO REMORSE
A oitava composição do álbum é “No Remorse”.
Mais uma demonstração do poder do Thrash Metal é o
que se ouve nos instantes iniciais da incrível “No Remorse”. Kirk Hammett faz
um solo inicial abusando do feeling. Desta vez o ritmo frenético de algumas
faixas anteriores aparece, mas intercalado por certa cadência. O andamento,
embora pesado, é mais lento. O Thrash Metal ultra veloz volta de maneira
perfeita ao final do trabalho.
Absolutamente genial!
A letra de “No Remorse” é a melhor do álbum.
Hetfield leva-nos para uma reflexão, embora simples, de como a guerra é apenas
um joguete de poder para quem o detém:
War without end
No remorse No repent
We don't care what it meant
Another day Another death
Another sorrow Another breath
No remorse No repent
We don't care what it meant
Another day Another death
Another sorrow Another breath
Os gigantes do estilo Death Metal, Cannibal Corpse,
fizeram uma versão para esta fabulosa canção.
Para quem é mais antigo se lembrará de que os
instantes finais de “No Remorse” eram a trilha sonora da vinheta (intervalo) do
programa “Fúria”, especializado em Heavy Metal que era transmitido na MTV
Brasil.
SEEK AND DESTROY
A nona faixa de Kill ‘Em All é um dos maiores
clássicos do Metallica, “Seek And Destroy”.
Um dos grandes riffs de todos os tempos embala esta
fantástica canção. O mesmo se estende por toda a sua extensão e a banda opta
por diminuir um pouco a velocidade, mas sem perder nada em questões de peso e
intensidade do trabalho. James Hetfield também a canta de maneira mais
‘contida’, dando o tom perfeito de um dos hinos do Heavy Metal. Simplesmente
incrível! Os solos de Hammett são quase perfeitos.
As letras são simples, em um tom de fúria
assassina:
Our brains are on fire with the
feeling to kill
And it will not go away until our
dreams are fulfilled
There is only one thing on our minds
Don't try running away 'cause you're
the one we will find
“Seek And Destroy”, desde seu lançamento, foi a
canção de Kill ‘Em All que permaneceu quase sempre no set list dos shows da
banda através do tempo. Normalmente, nos últimos anos, tem sido usada para
fechar as apresentações do conjunto.
Tanto James Hetfield quanto Lars Ulrich afirmam que
a inspiração para “Seek And Destroy” veio de uma canção da banda inglesa
Diamond Head (uma das confessas e principais influências do Metallica) chamada
“Dead Reckoning”. Também a faixa do Saxon “Princess Of The Night” teria
influenciado na construção do clássico do Metallica.
Versões covers são incontáveis. Somente para citar
alguns exemplos para o leitor: Apocalyptica, Primal Fear, Pantera e Testament
são alguns dos grupos que executaram a música.
METAL MILITIA
A décima – e última – faixa de Kill ‘Em All é
“Metal Militia”.
Uma aula de Thrash Metal é o que se pode ouvir em
“Metal Militia”. O início da canção é em ritmo e velocidade alucinantes,
mostrando o poder do Heavy Metal que o Metallica compunha. Durante toda a sua
extensão a música permanece em alta velocidade, com vocais bem característicos
de James Hetfield. O solo de Hammett é mais uma vez matador e Lars mostra seu
trabalho frenético na bateria. Outro dos melhores pontos do disco!
As letras são simples e em um tom da formação de
uma Milícia do Metal.
We are as one as we all are the same
Fighting for one cause
Leather and metal are our uniforms
Protecting what we are
Joining together to take on the
world
With our heavy metal
Spreading the message to everyone
here
Come let yourself go
On through the mist and the madness
We are trying to get the message to
you
Também era parte das vinhetas do programa Fúria da
MTV Brasil, mais precisamente da sua abertura.
Considerações
Finais
Comercialmente, o álbum de estreia do Metallica não
pode ser considerado um sucesso de início. Calcula-se que cerca de 300 mil
cópias foram vendidas em sua primeira prensagem. Com o passar dos anos e o
aumento do sucesso do Metallica, Kill ‘Em All foi gradativamente aumentando a
sua vendagem, chegando a ocupar a 120ª posição da parada norte-americana de
álbuns.
Kirk Hammett
Em 1989, a revista Rolling Stone colocou Kill ‘Em
All na 35ª posição de uma lista dos 100 melhores álbuns dos anos 80. Já a
Kerrang colocou o álbum na 29ª posição de sua lista de 100 melhores discos de
Heavy Metal de todos os tempos.
A qualidade incontestável do álbum, aliado ao seu
pioneirismo, trouxe ao Metallica um enorme respeito e público crescente no
movimento underground. Além disto, em conjunto com o álbum Show no Mercy
(1983), do Slayer, marcam o aparecimento ao mundo do movimento Thrash Metal
norte-americano.
Quem, até pouco tempo atrás, não ficava nada
satisfeito com os resultados do álbum de estreia do Metallica era Dave Mustaine.
À revista Metal Forces (que elegera Kirk Hammett o guitarrista número 1 do ano pela
sua atuação em Kill ‘Em All), Dave afirmou que era engraçado Hammett ser tão
celebrado tendo “roubado” os solos que ele (Mustaine) havia criado.
Mustaine prometeu criar, por vingança, uma banda
mais rápida e pesada que o Metallica e acabou fundando o Megadeth. Em seu álbum de estreia, Killing Is
My Business... and Business Is Good! (1985), Mustaine incluiu a faixa
“The Mechanix”, como originalmente ele havia composto para mostrar como se faz
ao Metallica.
Voltando ao que realmente interessa, o Metallica
embarcou em uma turnê para a promoção do álbum, a Kill ‘Em All For One tour,
com os ingleses do Raven. Depois o Metallica foi a banda de abertura para o
Venom em sua turnê Seven Dates of Hell, na qual participou de um festival
chamado Aardschok, em Zwolle, na Holanda, frente a 7 mil pessoas.
Estima-se que Kill ‘Em All tenha superado a casa de
3 milhões de cópias vendidas.
Formação:
James Hetfield – Vocal, Guitarra-Base
Lars
Ulrich – Bateria
Cliff
Burton – Baixo, Backing Vocals
Kirk Hammett – Guitarra-Solo
Faixas:
01.
Hit the Lights (Hetfield/Ulrich) - 4:16
02.
The Four Horsemen (Hetfield/Ulrich/Mustaine) - 7:13
03.
Motorbreath (Hetfield) - 3:08
04.
Jump in the Fire (Hetfield/Ulrich/Mustaine) - 4:41
05.
(Anesthesia) - Pulling Teeth (Burton)
- 4:15
06.
Whiplash (Hetfield/Ulrich) - 4:10
07.
Phantom Lord (Hetfield/Ulrich/Mustaine) - 5:02
08.
No Remorse (Hetfield/Ulrich) - 6:26
09.
Seek & Destroy (Hetfield/Ulrich) - 6:55
10.
Metal Militia (Hetfield/Ulrich/Mustaine) - 5:09
Letras:
Opinião do
Blog:
Kill ‘Em All é um dos marcos – e aqui não vou
entrar no mérito de quem foi o criador do estilo – do início da vertente do
Heavy Metal que se convencionou chamar de Thrash Metal. Além disto, é o debut
de uma das maiores bandas de todos os tempos, goste-se ou não, o Metallica.
Com a fúria juvenil de seus membros, o trabalho é
uma verdadeira porrada no ouvinte. Os riffs presentes em todo o trabalho são
uma aula de peso associado à velocidade, com construções brilhantes por parte
da banda. A dupla de guitarristas formada por Hetfield e Hammett dá um
verdadeiro show.
James Hetfield canta de maneira agressiva e pouco
técnica, mas que se adéqua como poucos à sonoridade instrumental das faixas.
Além disto, já neste primeiro trabalho da banda, ele demonstrava porque é um
dos melhores guitarristas base de todos os tempos, além de exímio compositor.
Não entrando na celeuma de Mustaine (e ele
efetivamente contribuiu com o álbum, enquanto compositor de 4 faixas), Hammett
executa os solos com sua técnica costumeira. Os solos esbanjam feeling e
velocidade e se casam perfeitamente com as canções.
Cliff Burton se destaca monstruosamente em seu solo
‘Anesthesia’ e contribui bastante com seu baixo nas demais músicas. Ele
passaria a compor mais efusivamente nos 2 trabalhos posteriores do grupo. Já
Ulrich opta por tocar seu instrumento freneticamente, no ritmo de todo o
trabalho.
Fica claro que o Metallica bebeu na produtiva e
farta fonte da New Wave Of British Heavy Metal, pois várias passagens do álbum
remetem ao estilo britânico, à época, recentemente explodido nas paradas de
sucesso. Isto fica evidente em canções como “Seek And Destroy” e “Jump In The
Fire”.
Também é observado o pioneirismo e força criativa de
uma das bandas fundadoras do Thrash Metal norte-americano. Por todo o álbum, a
rifferama infernal (no melhor sentido) é passível de apreciação. Canções
incríveis como “Whiplash”, “Motorbreath” e “Hit The Lights” são das melhores
amostras da então nova vertente do Heavy Metal que surgia.
Além disto, há músicas soberbas como “Phantom
Lord”, “No Remorse” e “Metal Militia”, que trazem o melhor em termos de peso e
velocidade sem perder um naco de criatividade melódica.
Kill ‘Em All é um dos grandes álbuns da história do
Heavy Metal, tendo influenciado incontáveis números de bandas. Marca, como dito
anteriormente, o surgimento de uma das maiores bandas de todos os tempos e
representa o nascedouro de uma das mais interessantes e prolíficas vertentes do
Heavy Metal, o Thrash Metal norte-americano.
Enfim, um álbum obrigatório para qualquer fã do
estilo. Um disco genial!
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