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ANGRA - REBIRTH (2001)


Rebirth é o quarto álbum de estúdio da banda brasileira Angra. Seu lançamento oficial aconteceu em 13 de novembro de 2001 através do selo Paradox Music. As gravações ocorreram entre junho e agosto daquele mesmo ano, nos estúdios House of Audio, na Alemanha, e Anonimato Studios, no Brasil. A produção ficou por conta de Dennis Ward.

ANGRA - REBIRTH (2001)







Rebirth
é o quarto álbum de estúdio da banda brasileira Angra. Seu
lançamento oficial aconteceu em 13 de novembro de 2001 através do
selo Paradox Music. As gravações ocorreram entre junho e agosto
daquele mesmo ano, nos estúdios House of Audio, na Alemanha, e
Anonimato Studios, no Brasil. A produção ficou por conta de Dennis
Ward.






Maio
é um mês em que, tradicionalmente, o RAC traz
novos posts de bandas as quais já apareceram aqui no site. O Angra
retorna ao site com um de seus álbuns mais interessantes. Clique no
link para ver o post anterior, sobre Holy Land, lá dos
primórdios do Blog.













Fireworks





Em
14 de julho de 1998, o Angra lançava Fireworks, seu
terceiro álbum de estúdio.





Nesta
época, a banda era formada pelo vocalista André Matos, pelos
guitarristas Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, pelo baixista Luis
Mariutti e pelo baterista Ricardo Confessori.





Fireworks
contém algumas excelentes músicas do grupo brasileiro como
“Lisbon”, “Metal Icarus” e “Speed”. Entretanto, o disco
traz menos influências da música brasileira e uma roupagem ainda
mais Heavy Metal à sua sonoridade.





O
álbum foi lançado na Europa pelo selo Steamhammer e na América do
Norte através do Century Media.





Uma
longa turnê mundial foi criada em suporte para o disco. A banda
apareceu na edição de Buenos Aires do festival Monsters of Rock,
enquanto eles (co)encabeçaram shows na Europa com os grupos Time
Machine
e Stratovarius, em 1999. Bruce Dickinson
fez uma aparição durante o show em Paris enquanto a banda também
tocou no festival Wacken Open Air. Outras aparições
importantes foram nos festivais Dynamo Open Air e Gods of
Metal
.





Durante
a turnê, os problemas de relacionamento dentro do conjunto se
intensificaram, aumentando a tensão entre os seus componentes.







Rafael Bittencourt





Idas
e vindas





Após
diversos desentendimentos com o empresário do grupo, Antônio
Pirani, o vocalista André Matos, o baixista Luis Mariutti e o
baterista Ricardo Confessori resolveram deixar o Angra,
em agosto de 2000.





O último show do grupo com Matos ocorreu em 23 de outubro de 1999,
em São Paulo.





Os
dois membros restantes do conjunto, os guitarristas Kiko Loureiro e
Rafael Bittencourt, então, partiriam para a busca de substitutos
para recomporem o Angra.





Eduardo Falaschi





A primeira experiência de Eduardo Falaschi com a música começou
ainda criança. Alguns de seus parentes eram músicos não
profissionais e o garoto costumava cantar com seu pai e seus tios
durante as reuniões familiares.





Quando
tinha 14 anos, Falaschi tinha aulas de guitarra, e seu interesse pela
música aumentou. Embora tenha sido fortemente influenciado pelos
cantores Ronnie James Dio
e Bruce Dickinson,
Falaschi decidiu por tocar músicas instrumentais.





Ele tocou bateria, por seis meses, em uma banda de blues com seus
amigos, e também tocou baixo e guitarra, além de fazer backing
vocals, com uma banda de cover. Em 1989, foi convidado, por amigos da
escola, para se juntar a uma banda como cantor e participar de um
concurso de música. Eles gravaram uma fita demo e tocaram para 5 mil
pessoas.





Posteriormente,
em 1990, alguns dos membros da banda decidiram formar o Mitrium,
uma banda de rock, na qual eles tocariam suas próprias composições.





O
Mitrium
começou a carreira
profissional de Falaschi como vocalista e compositor. Em 1991, eles
gravaram sua primeira fita demo com a música “Just Remember”.
Posteriormente, eles gravaram a segunda demo com as músicas “The
Shadows” e “You Can Choose The Side of Darkness”, ambas
compostas por Eduardo Falaschi.





A banda cresceu rapidamente na cidade de São Vicente, litoral do
estado de São Paulo, e então seus membros decidiram procurar
oportunidades em São Paulo, onde assinaram com a Army Records um
contrato de gravação.







Edu Falaschi





Assim,
em 1994, foi lançado um LP chamado
Eyes
of Time
com quatro
faixas compostas por Falaschi: “Eyes of Time”, “Run From the
Fire”, “Lives So Close” e “The Shadows”.





Em
1994, o Iron Maiden
estava à procura de um novo vocalista, através de um concurso
internacional patrocinado pela banda, resultando em milhares de fitas
sendo enviadas por aspirantes a estrelas do rock.





Com
o crescente reconhecimento do Mitrium,
Falaschi teve a chance de participar do concurso. Inesperadamente,
ele foi um dos cantores selecionados no Brasil (juntamente com Andre
Matos
, então vocalista do
Angra) e, mais tarde,
de todo o mundo, entrando em contato com Dick Bell, diretor de
produção da Iron
Maiden Holding LTD
.
No final, como se sabe, o
Maiden não escolheu
Falaschi.





Apesar
do sucesso na carreira profissional, em 5 de agosto de 1994, Falaschi
deixa o Mitrium,
devido a questões pessoais, mas continuou tocando, apenas por
diversão, com seus amigos e, mais tarde, gravou uma demo, com oito
músicas, em uma banda chamada Opium.





Após
um hiato de quase 4 anos, em meados de 1998, Falaschi foi convidado
pela banda Symbols
para produzir seu primeiro álbum. O líder da banda era Tito
Falaschi, seu irmão. Eduardo acabou produzindo o álbum e, também,
tornou-se um membro do grupo, assumindo os vocais.





Enquanto
o seu primeiro álbum, intitulado Symbols,
estava sendo lançado, ele foi convidado a participar do disco
Ordinary Existence,
do conjunto chamado Venus.






Em
2000, o Symbols
lançou seu segundo álbum, chamado Call
to the End
.





O
Angra estava à
procura de novos membros, e depois de disputar entre outros
vocalistas, Falaschi foi convidado a se juntar à banda em 2001.





Felipe Andreoli e Aquiles Priester





O
baixista escolhido pelo Angra foi Felipe Andreoli, talentoso músico
que havia gravado o álbum Nomad
com o ex-vocalista do Iron Maiden,
Paul Di’ Anno.







Kiko, Edu e Rafael





Na
bateria, a escolha foi por Aquiles Priester. Ele era líder da banda
Hangar, a qual já havia lançado 2 álbuns:
Last
Time
(1999) e Inside
Your Soul
(2001). Além
disso, Priester também havia participado do disco
Nomad,
de
Di’ Anno.





Rebirth





A
nova formação começou a ensaiar tão logo surgiu o seu
anúncio.





Um
novo álbum foi planejado e as gravações aconteceram no Brasil e na
Alemanha. Dennis Ward, produtor musical e baixista do Pink
Cream 69
, foi o escolhido para
a produção.





Rebirth,
renascimento em português, era o nome ideal para o disco,
demonstrando uma nova fase do conjunto. A capa, muito bonita,
é obra de Rafael Bittencourt e Isabel de Amorim.





Vamos às faixas:





IN
EXCELSIS





Apenas uma bela introdução para o álbum...













NOVA
ERA





"Nova Era" é uma amostra para o que seria a nova fase do Angra. A música é um Power Metal feroz, muito pesado e com alta intensidade, ritmo frenético, guitarras ensandecidas e bateria energética. Os bons vocais de Edu Falaschi complementam uma canção memorável. 





A letra representa a nova fase do Angra:





New day shines, fallen angels will arise


Nova Era brings the ashes back to life


All over now, all the pain and awful lies


Angels will arise


Back to life!













MILLENNIUM
SUN





"Millennium Sun" possui uma introdução mais lenta e suave antes de ganhar peso e intensidade. O trabalho frenético do baterista Aquiles Preister é uma das fortes marcas da faixa. A sonoridade tende mais ao Heavy Metal tradicional que ao Power Metal.





A letra aponta esperança por novos tempos:





So come millennium sun


Won't you show us the way


Future's begun


Some words from my mouth come


Whispering for your return


Show us the future's began


Burning millennium sun













ACID
RAIN





"Acid Rain" possui um tom com algum ar épico e a composição soa bastante interessante. O peso é uma constante, mas há uma considerável alternância de ritmos e sonoridades durante sua extensão, remetendo a bandas como o Dream Theater.





A letra fala sobre sofrimento e esperança:





Oooh, just some of us survived


At least a decent woman and a man


Wide awake! Am I alone in this place?


Someone hear me? My only hope!










Acid
Rain” foi a faixa escolhida como single para promover
Rebirth.













HEROES
OF SAND





"Heroes of Sand" é uma balada com personalidade e ótima atuação do vocalista Edu Falaschi. Os solos de guitarra são bem colocados e a melodia envolve o ouvinte. Uma boa canção.





A letra possui uma mensagem questionadora sobre heróis:





Haunted by the heavy clouds


Thunders scaring away


Howling like a mountain wolf


Warriors are leading the way













UNHOLY
WARS





"Unholy Wars" é predominantemente o power metal que havia consagrado o Angra anteriormente, sendo rápida e técnica em sua maior extensão. O início desta canção também remete ao passado do grupo, com uma interessante passagem sonora com influências do baião nordestino.





A letra menciona batalhas em nome de um deus:





Forgive us our father


For we have sinned


Blinded by pride


We know not what we do


Thy kingdom will be done


By holy wars





A canção está dividida em duas seções: “Imperial Crown” e
“Forgiven Return”.













REBIRTH





"Rebirth" acabou se tornando um clássico do Angra. A faixa é uma das mais belas baladas que o conjunto brasileiro compôs, possuindo uma calma, mas intensa, melodia e um refrão muito bonito. Excelente atuação do vocalista Edu Falaschi.





A letra é sobre redenção:





Ride the winds of a brand new day


High where mountain's stand


Found my hope and pride again


Rebirth of a man













JUDGEMENT
DAY





Já em "Judgement Day", o conjunto aposta na fusão do Heavy/Power Metal com elementos de música brasileira e algumas orquestrações. A boa presença do baterista Aquiles Priester e do baixista Felipe Andreoli conferem muito peso à sonoridade da faixa. 





A letra menciona o julgamento de seus atos:





One last minute passes by your soul


Just one minute lost in the horizon


You will face the judgement day


(Scream your voice free to the air)


Waiting for the judgement day













RUNNING
ALONE





"Running Alone" é um típico Power Metal da banda, contando com um ritmo intenso e muito veloz. A bateria frenética e as guitarras aceleradas são a tônica em uma composição interessante e dinâmica.





A letra fala sobre sofrimento e solidão:





Under the sun


In a solitary world


I am running alone (I am running alone)


Scars on my face


Weary hands from digging dirt


I was dying all alone













VISIONS
PRELUDE





A décima - e última - faixa de Rebirth é "Visions Prelude". O disco se encerra de modo sereno e com uma dose generosa de melancolia. Evidentemente, como a composição é uma adaptação de Chopin, sua melodia é belíssima.





A
letra fala sobre uma terra arrasada:





A treasure of the land


Torments have brought the end


We build again from the start


Holy lenient heart













Considerações
Finais





Rebirth
não apenas se tornou um clássico do Angra,
mas também – e mais importante – mostrou que o grupo deveria
seguir em frente.





Rebirth
atingiu a 74ª posição da principal parada francesa de álbuns,
enquanto conquistou a excelente 18ª colocação em sua
correspondente japonesa.





O álbum foi sucesso crítico e comercial, tanto no Brasil quanto
internacionalmente, vendendo mais de 100 mil cópias, por todo mundo,
em menos de dois meses.





O disco foi ouro no Brasil naquele mesmo ano, ou seja, superou as 50
mil cópias vendidas no país.





Embora
o crítico Gary Hill, do site AllMusic,
dê apenas uma nota 3 de um máximo de 5 ao disco, ele elogia
amplamente o trabalho: “Angra
encontrou um substituto na pessoa de Edu Falaschi e foi à
frente para gravar um ótimo álbum. Este álbum mostra a banda
mantendo sua tradição de fundir o lado mais metálico do prog
(Dream Theater) com o
lado mais proggy do metal (Fates Warning,
Queensrÿche) e o
metal europeu de base
clássica (Stratovarius,
Royal Hunt), para
criar um som que é todo seu. Uma vez que o disco faz um trabalho tão
bom de colmatar esses dois estilos, certamente deve atrair os fãs de
ambos”.





O
guitarrista e principal compositor do álbum, Rafael Bittencourt,
chegou a afirmar que Rebirth
é um disco conceitual, mas que sua sequência lógica parte da
última (“Visions Prelude”) para a primeira (“In Excelsius”)
canção, ou seja, que o álbum deve ser ouvido ‘de trás para
frente’.





O
Angra entrou em plena
divulgação do disco, com uma turnê por várias capitais
brasileiras ainda no final de 2001. Em janeiro de 2002, a banda
voltou aos estúdios, com Dennis Ward, para gravar o EP Hunters
and Pray
(lançado em
maio de 2002) e uma versão para “Kashmir”; esta, para um tributo
ao Led Zeppelin.





Em março de 2002, o grupo saiu em turnê pela Europa, fazendo 18
shows, no total, nos seguintes países: Itália, Alemanha, França,
Espanha, Holanda, Bélgica e Suíça. Depois, o conjunto retornou ao
Brasil e continuou o trabalho de divulgação com uma nova turnê
sul-americana.





Rebirth
supera a casa de 1,2 milhão de cópias vendidas pelo mundo.













Formação:


Edu Falaschi - Vocal


Kiko Loureiro - Guitarra


Rafael Bittencourt - Guitarra


Felipe Andreoli - Baixo


Aquiles Priester - Bateria


Músicos Adicionais:


Gunter Werno - Teclados


Andre Kbelo, Zeca Loureiro, Maria Rita, Carolin Wols - Backing Vocals


Roman Mekinulov - Cello


Douglas Las Casas - Percussão


Mestre Dinho & Grupo Woyekè - Vozes Maracatu em 06





Faixas:


01. In Excelsis (Loureiro) - 1:03


02. Nova Era (Andreoli/Loureiro/Falaschi) - 4:52


03. Millennium Sun (Bittencourt/Loureiro) - 5:11


04. Acid Rain (Bittencourt) - 6:08


05. Heroes of Sand (Bittencourt/Falaschi) - 4:39


06. Unholy Wars (Bittencourt/Loreiro) - 8:14


    I. "Imperial Crown"


    II. "Forgiven Return"


07. Rebirth (Bittencourt/Loureiro) - 5:18


08. Judgement Day (Bittencourt/Loureiro/Falaschi/Priester) - 5:40


09. Running Alone (Bittencourt) - 7:14


10.
Visions Prelude (*)
(Bittencourt/Loureiro) - 4:32


(*)
(Adaptada da Op. 24 em C menor de Chopin)





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/angra/




Opinião
do Blog:



Entre 2000 e 2001 o Angra passava por profunda crise e sofreu com uma mudança drástica e radical. E é este momento que o RAC traz para o retorno da banda ao Blog.





Reconstrução é a palavra de ordem para qualquer análise do disco, tanto que Rebirth (renascimento, em inglês) é o nome perfeito para o álbum em questão.





Felizmente, o Angra manteve seus dois ótimos guitarristas, Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt, como a espinha dorsal da banda. E encontrou ótimos substitutos para os músicos que deixaram a formação: Felipe Andreoli é muito bom baixista e Aquiles Priester também sobra na bateria.





Se Edu Falaschi não é André Matos, o vocalista trouxe talento e personalidade ao conjunto e sua atuação é fator preponderante para a qualidade do disco. Muito do sucesso de Rebirth pode ser creditado diretamente na conta de Falaschi.





Especialmente o guitarrista Rafael Bittencourt foi muito competente em criar o arcabouço temático das canções, com letras interessantes e que quase sempre fazem referência ao conceito de renascer/reconstruir.





De forma inteligente, o grupo retorna apostando naquilo que fazia de melhor. É óbvio que o Power Metal é a sonoridade predominante, mas com doses altas do Metal tradicional e um viés progressivo inegável, de bandas como o Dream Theater.





A influência da música brasileira é perceptível em faixas como "Unholy Wars" e "Judgement Day".





"Millennium Sun" possui a mistura clássica de leveza e intensidade, perfazendo uma bela canção. A supracitada "Unholy Wars" é muito interessante enquanto "Nova Era" é uma verdadeira paulada, refletindo a força de sua reconstrução.





Mas o RAC escolhe "Rebirth" como sua preferida no álbum, canção que é símbolo desta fase pela qual o grupo começaria a atravessar.





Rebirth é um álbum forte e símbolo do renascimento do Angra depois de um período de muitas incertezas. Com canções as quais apresentam seu novo poder de fogo, o disco pavimentava um novo caminho para o grupo e que levaria ao espetacular Temple of Shadows, de 2003. É bom trazer para o Blog uma das bandas preferidas de quem o faz com um de seus mais interessantes trabalhos.


ANGRA - HOLY LAND (1996)








Holy Land é o segundo álbum de estúdio da banda
brasileira Angra. Seu lançamento oficial ocorreu em Março de 1996, pelo selo
JVC e com a produção sob as responsabilidades de Charlie Bauerfeind e Sascha
Paeth. As gravações ocorreram no ano de 1995, nos estúdios Hansen (Hamburgo),
Big House (Hanover) e HG (Wolfsburgo), todos na Alemanha.













O Angra se tornou um dos grandes expoentes do Heavy
Metal brasileiro, conquistando uma boa base de fãs fora do país, em locais como
a Europa e o Japão.





A banda Angra foi formada por volta do ano de 1991,
quando o guitarrista Rafael Bittencourt voltou dos Estados Unidos com a ideia de
constituir um grupo que conseguisse fazer a fusão da agressividade do estilo
Heavy Metal com a profundidade da música erudita, ainda com generosos toques da
música brasileira.





Rafael, que à época cursava a faculdade de Música
na FASM – Faculdade Santa Marcelina - em São Paulo (pela qual se graduaria em
Composição e Regência no ano de 1996), encontrou-se com o já renomado vocalista
André Matos e decidem formar um grupo.





Matos já era um músico de sucesso quando ele se
encontrou com Rafael Bittencourt – eram ambos colegas da Faculdade de Música, na
FASM – pois havia sido vocalista da banda Viper entre os anos 1985 a 1990.





O guitarrista André Linhares, o baixista Luís
Mariutti e o baterista Marco Antunes foram chamados para constituírem a
primeira formação do Angra, juntamente com o vocalista André Matos e o
guitarrista Rafael Bittencourt.





Rafael Bittencourt










Matos trouxe consigo o primeiro empresário do
grupo, Antônio Pirani, conhecido desde os tempos do Viper. Pirani, com quem a
banda teria muitos problemas depois, era proprietário da revista Rock Brigade
e, também, da Rock Brigade Records.





A ideia do grupo era aproveitar a boa fase da
vertente do Heavy Metal conhecida como “Power Metal”, já que no início dos anos
90 bandas como Helloween e Gamma Ray estavam em alta em lugares como Europa,
Japão e o Brasil, claro.





Pouco tempo depois o guitarrista André Linhares
deixa a banda, sendo substituído por André Hernandes. Este também não permanece
por um longo período e o seu substituto seria o jovem, mas talentoso
guitarrista Kiko Loureiro.





Kiko Loureiro:










Com André Matos nos vocais, Rafael Bittencourt e
Kiko Loureiro nas guitarras, Luís Mariutti no baixo e Marco Antunes na bateria,
o Angra realiza ensaios por durante um ano antes de gravarem sua primeira “fita
demo”, chamada Reaching Horizons, em 1992.





Pouco conhecidos de público e crítica, o Angra
assina com a JVC Records, rumando para o Japão para realizarem a gravação de
seu primeiro álbum. Lançado em novembro de 1993, Angels Cry é a estreia do
grupo.





O álbum apresenta a proposta do grupo em fundir o
Heavy Metal com a música clássica, obtendo ótima repercussão no Brasil e,
principalmente, no Japão. Pouco tempo antes das gravações, o baterista Marco
Antunes deixou o grupo, com o instrumento sendo gravado pelo baterista Alex
Holzwarth.





Angels Cry possui alguns clássicos do grupo. A
excelente faixa título é um marco da banda. Além desta, o disco continha o
clássico “Carry On”, a excelente “Time” e o cover inusitado de Kate Bush
chamado “Wuthering Heights”.





Quem acaba assumindo a bateria do Angra foi Ricardo Confessori.





Em 1994, a banda é convidada para fazer a abertura
do AC/DC no Brasil e também para participar do Monsters of Rock, tocando com
nomes como Black Sabbath, KISS e Slayer. Depois, o grupo embarca em uma turnê
nacional que depois se estenderia pela Europa já no ano de 1995.





Foi no ano de 1995 que a banda iniciou o trabalho
de composição e gravação do que se tornaria o seu segundo álbum de estúdio,
Holy Land.





As gravações acabariam se estendendo por cerca de 8
meses, já que o vocalista André Matos teve sérios problemas em suas cordas
vocais durante a turnê na Europa naquele ano.





Holy Land acabaria por se tornar um álbum
conceitual, uma vez que o foco de suas músicas seria representar o Brasil por
volta do ano de seu “descobrimento”, 1500.





Assim, musicalmente, o trabalho apresenta muitas
influências de música brasileira, além de apresentar referências aos indígenas
e seu folclore. A Europa é representada, musicalmente, por muitos arranjos
clássicos.





A primeira canção do disco é uma missa de Giovanni
Pierluigi da Palestrina – representando a primeira missa realizada no Brasil,
celebrada por Henrique de Coimbra? – e as canções subsequentes apresentam o
Brasil antes do descobrimento e as mudanças realizadas após a chegada dos
portugueses.





A arte da capa foi desenhada por Alberto Torquato.





André Matos:










CROSSING





A primeira faixa de Holy Land é “Crossing” que,
como foi dito, é uma missa composta por Giovanni Pierluigi da Palestrina. É uma
canção curta, totalmente instrumental, a qual funciona como introdução para a
segunda música do álbum.













NOTHING TO SAY





A
segunda faixa de Holy Land é “Nothing To Say”.





Já no início da canção é percebida a influência de
musicalidade brasileira na faixa, pois a mesma apresenta sonoridades nacionais,
em especial na bateria. Entretanto, rapidamente a música se transforma em um
típico “power metal”, com um riff pesado e bem veloz, característico do estilo.
Matos opta por fazer um vocal bem cadenciado e mais suave, sem muitas firulas.





As letras representam o início da conquista da
terra brasileira:





Guilt and shame, it's all so insane


Pagan gods die with no defence


And we could go no further at all


Digging the graves of our conscience





“Nothing To Say” é uma das canções mais clássicas
do Angra. Ironicamente, em um álbum cheio de referências à música brasileira, a
faixa é, talvez, a mais tradicional dentro da vertente “power metal”. Presença
obrigatória nos shows do grupo.













SILENCE AND DISTANCE





A terceira faixa do álbum é “Silence And Distance”.





A canção se inicia quase como uma balada, com André
Matos cantando suavemente, acompanhado apenas de um piano clássico. A música,
embora se desenvolva posteriormente em uma sonoridade mais pesada, continua com
um ritmo bem suave, com algumas pitadas de um Heavy Metal bem acelerado. Boa
canção.





As letras da faixa podem inferir um misto de
sentimentos de conquista e remorso:





And now I know


In my heart, I won't forget


The sails against the blue sky


That taught me how to live


... with no sorrow


And tomorrow we'll share


Silence and distance


'till our faults are repaired


You'll be the mistress


Who I'll never forget













CAROLINA IV





“Carolina IV” é a quarta música de Holy Land.





“Carolina IV” é a maior faixa de Holy Land, com
mais de 10 minutos. Ela é toda permeada por diversas influências do grupo, com
passagens típicas de “power metal”, Heavy Metal tradicional, arranjos clássicos
e mesmo alguns trechos com profunda inspiração de música brasileira. Inclusive,
em “Carolina IV”, há um trecho da canção “Bebê”, de Hermeto Pascoal. Considerada
por muitos uma das obras-primas compostas pelo Angra.





As letras representam o desejo de sair pelo mar,
por terras e águas desconhecidas, rumo ao não sabido:





Carolina IV took a river to the sky


Seven men on board taking part


To take their hearts around


All around, around the world!













HOLY LAND





Homônima ao álbum, “Holy Land” é a quinta canção do
trabalho.





Os primeiros minutos de “Holy Land” apresentam uma
fusão de sonoridades extremamente interessantes, arranjos de música clássica
com sons brasileiros (uma espécie de baião). Mesmo quando a faixa é tomada
pelas guitarras, o riff permanece com fortes influências desta construção
sonora, além da percussão e teclados reforçarem esta intensa mistura de mundos
musicais diversos. Tudo plenamente recheado por um excelente trabalho vocal de
André Matos. Canção extraordinária!





“Holy Land” é uma metáfora para o Brasil:





Holy Land - Holy Land around


Holy Land - Holy Land is all...


Someone has sent


Somebody here


To bring an age


Long disappeared













THE SHAMAN





A
sexta faixa de Holy Land é “The Shaman”.





“The Shaman” mantém um ritmo mais cadenciado ao
álbum, com a bateria bastante presente durante toda a canção a qual, também,
conta com os teclados muito presentes. Há referências a música indígena. Nos
vocais, Matos escolheu uma atuação forte, mas sem muitos falsetes ou agudos.
Isto constrói uma canção bem intrigante.





Claramente, a música se refere a um ‘Shaman’, um
feiticeiro indígena:





Oh boys, I've seen the old man;


Straw mask around the forehead


The blaze, a blast and the awakening
dead


(The magic seeds will spread...)













MAKE BELIEVE





A sétima faixa do álbum é “Make Believe”.





A canção é uma clássica balada, com uma sonoridade
muito bonita e bastante suave, com linhas de guitarra e os teclados formando
uma belíssima melodia. André Matos a canta de maneira muito intensa, marcante, assim fazendo um dos grandes pontos altos do trabalho.













Como está expresso no refrão abaixo, “Make Believe”
faz referências às ambiguidades da vida, pesando o presente e o futuro da ‘Holy
Land’:





Make believe


There's no sorrow in your eyes


Can't you see


We could never get back from the
start


Minutes waiting, life's been wasted


... maybe I wanna die some other
day,...another day





“Make Believe” é outro grande clássico do grupo
muito presente em seus shows, mesmo quando a banda esteve com o vocalista Edu
Falaschi. Foi lançada como single, sem obter maiores repercussões em termos de
paradas de sucesso. Entretanto, o videoclipe teve extensa exibição na MTV
Brasileira.













Z.I.T.O.





A oitava faixa de Holy Land é “Z.I.T.O.”





“Z.I.T.O.” segue a linha mais tradicional do Angra,
contando com um riff bem veloz e a bateria em altíssima velocidade. Os vocais
de André Matos soam muito bem, assim como a dupla de guitarras. Embora não
inove, é uma boa música.





As letras continuam em um clima misto entre a
alegria e perspectivas do acontecimento e certo pesar pelas consequências das
descobertas:





New world was born out of man's
dreams


Now we walk on our own


The angels cried, you've heard them
weep


But now it's time to make them sing!













DEEP BLUE





A nona canção do trabalho é “Deep Blue”.





“Deep Blue” se inicia como uma balada que apresenta
um ritmo clássico em um órgão. Há orquestrações em seu início, contando com uma
atuação soberba de Matos. O ritmo cresce em peso com a presença das guitarras, mas
segue em linhas cheias de suavidade e melodia, de maneira muito tocante. Linda
canção.





As letras são mais complexas, em um tom de espera
por um futuro diferente:





Waiting for someday when the ocean
and sky


Will cover up the land in deep blue


Renaissance is over and I wonder:


- Should I close my eyes and pray?


- Always be the same?













LULLABY FOR LUCIFER





A décima – e última – música de Holy Land é
“Lullaby For Lucifer”.





A faixa se inicia com sons de pássaros e da
natureza. Em um tom suave, acompanhado por um violão, Matos canta de maneira
mais branda. Assim a canção permanece até o final, sempre com os efeitos de
natureza ao fundo em um profundo sentido de pesar.





As letras refletem este tom pesaroso supracitado, demonstrando um sentimento de melancolia:





On the sand, by the sea


I left my heart


To shed my grief


A vulture came begging me:


- Feed me with this piece of meat!













Considerações Finais:





Holy Land permanece como um dos álbuns prediletos dos fãs do
Angra até hoje – para muitos o favorito. O trabalho foi responsável por
aumentar, e muito, o sucesso internacional do grupo.





Embora não tenha obtido maior repercussão nas
tradicionais paradas de sucesso dos Estados Unidos e Reino Unido, o álbum foi
“disco de ouro” no Japão, atingindo a 17ª posição da parada de sucessos
nipônica.





Mais que isso, o sucesso de Holy Land permitiu que
as portas da Europa se abrissem de forma mais intensa, proporcionando que a
banda excursionasse por países como Itália e França. Neste último, o Angra
aproveitou para gravar uma apresentação em Paris e lançarem o EP Holy Live, em
1997, que continha quatro faixas ao vivo.





O clipe de “Make Believe” chegou a ser indicado ao
prêmio de clipe internacional no MTV Video Music Awards de 1997.





Foi na turnê de Holy Land que a banda se apresentou
pela primeira vez no Japão. Na turnê, o tecladista do grupo foi Leck Filho.













Ainda com André Matos, Luís Mariutti e Ricardo
Confessori em sua formação, o Angra lançaria o álbum Fireworks, em 1998. Após
isto, uma série de problemas cercou o grupo que culminou com a saída dos três
integrantes e uma nova formação da banda.





Formação:


Andre Matos - Vocal, Piano, Teclados


Kiko Loureiro - Guitarra


Rafael Bittencourt - Guitarra


Luis Mariutti - Baixo


Ricardo Confessori – Bateria





Faixas:


01. Crossing (G.P. da Palestrina) - 1:56


02.
Nothing to Say (Matos/Loureiro/Confessori) - 6:22


03.
Silence and Distance (Matos) - 5:33


04. Carolina IV (Bittencourt/Matos/Loureiro/Mariutti/Confessori)
- 10:36


05.
Holy Land (Matos) - 6:26


06.
The Shaman (Matos) - 5:24


07.
Make Believe (Bittencourt/Loureiro/Matos) - 5:53


08.
Z.I.T.O. (Bittencourt/Loureiro/Matos) - 6:04


09.
Deep Blue (Matos) - 5:48


10.
Lullaby for Lucifer (Bittencourt/Loureiro) - 2:40





Letras:


Para o conteúdo das letras, recomendamos o acesso
a: http://letras.mus.br/angra/





Opinião do
Blog:


Embora o Blog evite usar rótulos musicais, desta
vez foi muito difícil falar do Angra sem mencionar o que se convencionou chamar
Power Metal (bandas que tocam com riffs de guitarra em grande velocidade).





Com o passar do tempo, surgiu uma ‘subvertente’
do Power Metal, a qual se denominou “Metal Melódico”. O termo é horrível, é
como se as outras vertentes do Heavy Metal não tivessem melodia. Mas dentro
deste rótulo péssimo, colocaram bandas como Kamelot, Sonata Arctica, Nightwish,
e, também, o Angra.





O Blogueiro deve dizer que nenhuma destas bandas
supracitadas, assim como o tal “Metal Melódico” despertam seu maior interesse. Com
exceção do Angra. Por motivos de puro preconceito musical, quem faz este blog
não valorizava o trabalho do Angra totalmente e, menos ainda, de André Matos.
Talvez, para muitas pessoas, somente o tempo e o envelhecer fazem com que elas
percam pré-conceitos idiotas (baseados em sabe-se lá o que), aprendendo a
valorizar, compreender e curtir o trabalho de artistas que antes não eram
admirados. E isto, penso, não vale somente para a música.





Falando mais especificamente do Angra, é uma banda
que, em muito, se difere do chamado Metal Melódico. Primeiro, por se tratar de
um grupo que prima pelo talento de seus músicos e, também, pela incrível
criatividade e inventividade de seus compositores.





Em Holy Land, o “Power Metal” está presente. De
maneira mais dominante em “Nothing To Say” e “Z.I.T.O.”. No restante do álbum,
o estilo está presente em passagens mais isoladas dentro das composições. E o
que ocorre?





Acontece que as passagens mais pesadas do álbum
estão recheadas de riffs de Heavy Metal Tradicional e, em algumas, flertes com
o Hard Rock. É esta versatilidade do grupo brasileiro que o coloca anos-luz à
frente das demais bandas do chamado “Melódico”.





Mais que isto, em muitas passagens do álbum há
construções musicais incrivelmente belas. Fusões de arranjos clássicos e música
“mais brasileira” feitas de maneira extremamente competente. Um ótimo exemplo
disso é a extraordinária “Carolina IV”.





Matos está cantando de maneira formidável em Holy
Land. Não há exageros, o que se houve é um vocalista competente e envolvido de
maneira que suas capacidades contribuam para o sucesso das canções.





Enfim, o Angra conseguiu boa repercussão no cenário
internacional. Com toda justiça, pois se trata de uma banda muito talentosa.
Holy Land é o álbum com a primeira formação do grupo que reflete todo este
talento. Um álbum incrível.