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SEPULTURA - BENEATH THE REMAINS (1989)

 


Beneath the Remains é o terceiro álbum de estúdio da banda brasileira chamada Sepultura. O seu lançamento oficial aconteceu em 7 de abril de 1989, através do selo Roadrunner. As gravações ocorreram entre 15 e 28 de dezembro de 1988, nos estúdios Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, Brasil. A produção ficou a cargo de Scott Burns e da própria banda.

SEPULTURA - BENEATH THE REMAINS (1989)

 


Beneath
the Remains é o terceiro álbum de estúdio da banda brasileira
chamada Sepultura. O seu lançamento oficial aconteceu em 7 de abril
de 1989, através do selo Roadrunner. As gravações ocorreram entre
15 e 28 de dezembro de 1988, nos estúdios Nas Nuvens, no Rio de
Janeiro, Brasil. A produção ficou a cargo de Scott Burns e da
própria banda.






O
RAC abre novamente suas páginas para a
fantástica banda brasileira Sepultura com um de seus melhores
álbuns.










Formação






O
Sepultura foi formado em 1984, em Belo Horizonte, capital de Minas
Gerais, Brasil. A banda foi fundada pelos irmãos Max e Igor
Cavalera, filhos de Vânia, uma modelo, e Graciliano, um diplomata
italiano abastado cujo ataque cardíaco fatal deixou sua família em
ruínas financeiras.






A
morte de Graciliano afetou profundamente seus filhos, inspirando-os a
formar uma banda em um dia depois que Max ouviu o álbum Vol. 4
, do Black Sabbath. Eles escolheram o nome da banda Sepultura
quando Max traduziu a letra da música do Motörhead
"Dancing on Your Grave".






As
primeiras influências dos irmãos incluíam Led Zeppelin,
Black Sabbath e Deep Purple, e artistas de metal e hard
rock do início dos anos 80, como Van Halen, Iron Maiden,
Motörhead, AC/DC, Judas Priest, Ozzy
Osbourne
e V8.






Eles
viajavam para uma loja de discos em São Paulo que mixava fitas dos
últimos discos de bandas americanas. Seus hábitos de escuta mudaram
drasticamente depois de serem apresentados ao Venom.






Os
irmãos Cavalera começaram a ouvir bandas de metal mais extremas na
época, como Hellhammer, Celtic Frost, Kreator, Sodom, Slayer,
Megadeth, Exodus e Exciter. Eles também tiveram
influências no metal brasileiro de bandas como Stress, Sagrado
Inferno e Dorsal Atlântica. Em 1984, os irmãos abandonaram a
escola.






Após
várias mudanças iniciais de membros, o Sepultura se
estabeleceu uma formação estável com Max na guitarra, Igor na
bateria, o vocalista Wagner Lamounier e o baixista Paulo Jr.
Lamounier saiu do conjunto em março de 1985 após desentendimentos
com a banda, e passou a se tornar o líder da banda brasileira
pioneira de black metal Sarcófago






Após
sua partida, Max assumiu as funções vocais. Jairo Guedes foi
convidado a integrar a banda como guitarrista principal.


Max







Primeiros
passos






Após
cerca de um ano de apresentações, o Sepultura assinou
contrato com a Cogumelo Records em 1985. Mais tarde, naquele ano,
eles lançaram Bestial Devastation, um EP compartilhado com a
banda brasileira Overdose.






Bestial
Devastation
foi gravado e autoproduzido em apenas dois dias. A
banda gravou seu primeiro álbum completo, Morbid Visions, em
agosto de 1986 e que continha seu primeiro hit, "Troops of
Doom", que ganhou alguma atenção da mídia. A banda então
decidiu se mudar para uma cidade maior: São Paulo.






Sequência






No
início de 1987, Jairo Guedz saiu da banda. Guedz foi substituído
pelo guitarrista de São Paulo Andreas Kisser, e o grupo lançou seu
segundo álbum de estúdio, Schizophrenia, no final daquele
ano. O álbum refletiu uma mudança estilística em direção a um
som mais thrash metal, mantendo os elementos de death metal de Morbid
Visions
.






Schizophrenia
foi uma melhoria na produção e no desempenho e tornou-se uma
sensação para a crítica menor em toda a Europa e América, bem
como uma importação muito procurada. A banda enviou fitas para os
Estados Unidos que fizeram playlists de rádio em um momento em que
eles estavam lutando para agendar shows, porque os donos de clubes
tinham medo de reservá-los devido ao seu estilo.






Entretanto,
a banda ganhou atenção da Roadrunner Records, que os contratou e
lançou Schizophrenia internacionalmente antes de ver a banda
se apresentar pessoalmente.


Iggor







Beneath
the Remains






O
álbum melhorou a produção e a composição em comparação com os
álbuns anteriores da banda. Com o tempo seria aclamado como um
clássico do gênero thrash metal. De acordo com o vocalista Max
Cavalera, o Sepultura "realmente encontrou [seu] estilo"
neste álbum.






Max
Cavalera viajou para Nova York, em fevereiro de 1988, e passou uma
semana inteira negociando com a gravadora Roadrunner. Apesar de ser
oferecido um contrato de sete discos para o Sepultura, a
gravadora não tinha certeza do potencial de venda da banda.






O
orçamento do álbum foi pequeno para os padrões da gravadora (8 mil
dólares), mas, no final, o custo foi quase o dobro do orçamento
original.






Scott
Burns, o qual já havia feito engenharia de discos de bandas de death
metal como Obituary, Death e Morbid Angel, foi o
produtor escolhido. Burns concordou em trabalhar por uma taxa baixa
(2 mil dólares) porque estava curioso sobre o Brasil.






O
Sepultura passou a última quinzena de dezembro de 1988
gravando o disco no Nas Nuvens Studio, no Rio de Janeiro, das 20h às
5h. O estúdio foi escolhido especificamente por ser aquele onde
alguns anos antes a banda brasileira de rock Titãs havia gravado seu
clássico álbum Cabeça Dinossauro, que impressionou o
Sepultura.






Burns
trouxe para o Brasil alguns equipamentos de bateria e amplificadores
Mesa Boogie (um item raro para os padrões de produção da época)
que ajudaram a melhorar a qualidade do som.






Este
foi seu primeiro álbum a apresentar uma capa de Michael Whelan.
Houve um pouco de controvérsia em torno da arte da capa usada para
este álbum.






O
Sepultura havia, inicialmente, planejado usar outra arte de
Michael Whelan, Bloodcurdling Tales of Horror and the Macabre. Igor
Cavalera chegou mesmo a tatuar parte do quadro no braço. No entanto,
a Roadrunner Records convenceu o Sepultura a usar Nightmare in
Red, pois achavam que era mais adequada para Beneath the Remains.






Monte
Conner, da Roadrunner, mais tarde enviou a arte original para a banda
Obituary, que a usou em seu álbum, Cause of Death, que
foi lançado um ano depois de Beneath the Remains. Durante
anos após o incidente, Igor Cavalera ficou chateado com Monte Conner
por esta situação.


Max, Igor, Andreas e Paulo







Vamos
às faixas:






BENEATH
THE REMAINS






O
início acústico engana, mas logo a fúria assassina do Sepultura
surge.






A
letra traz um mundo devastado:






Cities
in ruins


Bodies
packed on minefields


Neurotic
game of life and death


Now
I can feel the end






INNER
SELF






Um
clássico com fúria Thrash, “Inner Self” é sensacional.






A
letra é sobre autodeterminação:






Nobody
will change my way


Life
betrays but i keep on going


There's
no light but there's hope


Crushing
oppression I win






STRONGER
THAN HATE






"Stronger
Than Hate” traz o Thrash em estado de urgência!






As
letras demonstram um desespero:






I
can't decide on which way to turn


My
choices are few and far between


A
lifetime of remorse


There's
no place that I've ever been






MASS
HYPNOSIS






Mass
Hypnosis” também soa brutal e intensa, contando com um refrão
incrível.






As
letras demonstram controle de massas:






Soldiers
going nowhere


Believers
kneeling over their sins


Inhuman
instinct of cowardly leaders


Make
the world go their own way


Tens
of thousands hypnotized


Trying
to find a reason why


Look
inside your empty eyes


Obey
'till the end






SARCASTIC
EXISTENCE






Sarcastic
Existence” traz um ótimo trabalho das guitarras de Andreas, com a
sonoridade abraçando o Death Metal.






A
letra reflete uma vida miserável:






It
could be seen through the window


The
eye of disgust and scorn


When
you hear the laugh of a madman


That's
about to die


To
suffer alone in disgrace


His
hate is his own


Always
hating being alive


Sarcastic
existence






SLAVES
OF PAIN






A
trilha Thrash de “Slaves of Pain” é insana:






A
letra fala sobre o sentimento de culpa:






To
die to run away


To
forget what i've been


To
erase my past


To
kill my guilt






LOBOTOMY






Lobotomy”
traz a bateria bem violenta de Iggor.






A
letra é brutal:






You
receive your just reward


Now
i'll live my life with indifference


I’ve
tortured without remorse


I've
slaughtered without fear






HUNGRY






Hungry”
traz uma introdução baseada em um riff muito bom.






A
letra traz uma violência genuína:






Hungry
for pleasure, you act like a robot


The
tears in your eyes as red as blood


Your
pleasure is pain, your pleasure is torture


Hunger
is your pleasure, hungry for the future






PRIMITIVE
FUTURE






Primitive
Future” encerra o disco com a clássica sonoridade do Sepultura no
início de carreira: brutal!






A
letra fala sobre vazio:






My
head is heavy but empty


Everything
around me is void, without movement


Without
perspectives


The
night invades the sky


That
darkens the dry ground


Making
my shadow join the big stain that's forming


My
steps become slow and agonize






Considerações
Finais






Beneath
the Remains
foi um sucesso imediato e ficou conhecido nos
círculos do thrash metal como um clássico do mesmo tamanho de Reign
in Blood
, do Slayer. O disco foi aclamado pela revista
Terrorizer como um dos 20 melhores álbuns de thrash metal de todos
os tempos, bem como ganhando um lugar em seus 40 melhores álbuns de
death metal de todos os tempos.






Eduardo
Rivadavia, do site AllMusic, deu ao álbum 4,5 estrelas de 5 e disse:
"A completa ausência de [músicas de] preenchimento aqui faz
deste um dos álbuns de death/thrash metal mais essenciais de todos
os tempos".






Uma
longa turnê européia e americana aumentou a reputação da banda,
apesar do fato de que eles ainda eram falantes de inglês muito
limitados. As primeiras datas ao vivo do Sepultura fora do
Brasil foram como banda de abertura para o Sodom em sua turnê
Agent Orange na Europa; depois disso foi o primeiro show do
Sepultura nos EUA, que foi realizado em 31 de outubro de 1989
no Ritz em Nova York, abrindo para a banda de heavy metal
dinamarquesa King Diamond.






A
banda filmou seu primeiro vídeo para a música "Inner Self",
que recebeu considerável airplay no Headbangers Ball, da MTV dos
Estados Unidos, dando ao Sepultura sua primeira exposição na
América do Norte. A turnê de divulgação de Beneath the Remains
continuou durante grande parte de 1990, incluindo três shows no
Brasil com o Napalm Death, datas européias com Mordred
e uma turnê nos Estados Unidos com as bandas Obituary e
Sadus.






Em
janeiro de 1991, o Sepultura tocou para mais de 100 mil
pessoas no festival Rock in Rio II. A banda se mudou do Brasil para
Phoenix, Arizona, nos EUA, em 1990, obtendo nova gestão e gravou o
álbum Arise no Morrisound Studios em Tampa, na Flórida.









Formação:


Max
Cavalera – Vocal, Guitarra-base


Igor
Cavalera – Bateria, Percussão


Paulo
Jr. – Baixo (creditado, mas não tocou)


Andreas
Kisser – Guitarra-solo, Baixo


Músicos
Convidados:


Kelly
Shaefer (Atheist) – background vocals em "Stronger Than Hate"


John
Tardy (Obituary) – background vocals em "Stronger Than Hate"


Scott
Latour (Incubus) – background vocals em "Stronger Than Hate"


Francis
Howard (Incubus) – background vocals em "Stronger Than Hate"


Henrique
Portugal – Sintetizadores






Faixas:


1.
Beneath the Remains (Max/Andreas) - 5:11


2.
Inner Self (Max/Andreas) -5:07


3.
Stronger Than Hate (K. Shaefer/Max/Andreas) - 5:50


4.
Mass Hypnosis (Max/Andreas) - 4:22


5.
Sarcastic Existence (Max/Andreas) - 4:43


6.
Slaves of Pain (Max/Andreas) - 4:00


7.
Lobotomy (Max/Andreas) - 4:55


8.
Hungry (Max/Andreas) - 4:28


9.
Primitive Future (Max/Andreas) – 3:08






Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/sepultura/






Opinião
do Blog:


O
Sepultura é bem provavelmente minha banda brasileira
preferida desde sempre.






Beneath
the Remains
traz o grupo caminhando mais em direção ao Thrash
Metal e fazendo sua sonoridade brutal com mais dinâmicas e
possibilidades. Assim, o disco conta com a ferocidade habitual do
grupo, mas com melodias mais interessantes.






Faixas
como “Hungry”, “Stronger Than Hate” e “Mass Hypnosis”
fazem coro às afirmações acima e são peças importantes do
catálogo da banda. Ainda há o clássico “Inner Self”, uma das
melhores músicas da banda em geral.






Enfim,
não há muito a dizer sobre uma das minhas bandas preferidas e um de
seus grandes trabalhos sem soar muito condescendente. Portanto, só
cabe dizer: ouça Beneath the Remains.






Publicado,
em partes, originalmente no site Consultoria do Rock.

SEPULTURA - ROOTS (1996)








Roots é o sexto álbum de estúdio da banda brasileira de Heavy Metal chamada Sepultura. Seu lançamento oficial aconteceu no dia 20 de fevereiro de 1996 e teve sua produção em uma parceria entre o produtor Ross Robinson e a própria banda. As gravações ocorreram entre outubro e dezembro de 1995 no Indigo Ranch, em Malibu, na Califórnia, nos Estados Unidos.





Foi por volta do ano de 1984 que o Sepultura foi formado, pelos irmãos Max e Igor Cavalera, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Os irmãos convidaram os amigos de colégio para formarem uma banda. Após a morte de seu pai, os irmãos ficariam mais determinados a montarem um grupo musical.





As primeiras influências musicais dos irmãos Max e Igor foram as bandas clássicas, como Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. O nome Sepultura surgiu quando Max fez a tradução da canção do Motorhead “Dancing On Your Grave”. Os irmãos também gostavam de bandas como Judas Priest, Iron Maiden e Motorhead, mas a vida deles mudaria quando lhes apresentaram uma fita cassete com músicas da banda Venom. Isto inspirou até a primeira forma como o nome da banda apareceria nos primeiros lançamentos.





O antigo logo da banda:













A banda passa por mudanças em sua formação, incluindo a presença do vocalista Wagner Lamounier, que se tornaria o líder da banda Sarcófago, mas acabaria se estabilizando com Max Cavalera nos vocais e guitarra base, Paulo Júnior no baixo, Jairo Guedes na guitarra solo e Igor Cavalera na bateria.





Em um festival de bandas, o dono da gravadora Cogumelo Records assiste à uma apresentação do Sepultura e decide contratá-los. É dada ao grupo a oportunidade de fazer seu primeiro lançamento, um EP lançado pela gravadora e dividido com outra banda mineira, o Overdose. É lançado em 1985 o EP Bestial Devastation, e a banda parte em turnê pelo Brasil para sua divulgação.





Em agosto de 1986 é lançado o álbum de estreia da banda, também pela Cogumelo Records, Morbid Visions. A gravadora relançaria o álbum e o EP anterior juntos em um mesmo LP. Nesta época, o Sepultura processaria o selo Shark por lançar estes álbuns fora do Brasil sem possuir os direitos para tal.





Os primeiros lançamentos do Sepultura retratam uma sonoridade mais próxima ao Death Metal, com temática e sonoridade bastante agressivas.





Próximo à virada de ano de 1986 para 87, o Sepultura passaria por algumas mudanças. A primeira delas foi a decisão do conjunto se mudar e estabelecer sua base em São Paulo. A outra seria em sua formação, pois o guitarrista Jairo Guedes demonstra desinteresse em tocar “Death Metal”, e se retira da banda.





O escolhido para substituir Jairo no Sepultura foi um paulista. O guitarrista Andreas Kisser já havia feito algumas Jams com a banda e pareceu ser o nome ideal para fazer parte do conjunto.





Em 1987 a banda grava seu segundo álbum de estúdio e o último pela Cogumelo Records, Schizophrenia. O disco já foi feito com Andreas Kisser na guitarra solo, apresentando uma nova orientação musical, demonstrando mais influências do Thrash Metal. O álbum vende cerca de dez mil cópias apenas nas primeiras semanas depois de seu lançamento.





Enquanto a banda tinha dificuldades em marcar mais shows – muitos donos de casas noturnas temiam marcar apresentações da banda devido ao seu estilo – o Sepultura envia fitas para rádios norte-americanas. Finalmente, a banda consegue chamar a atenção de uma grande gravadora, a Roadrunner Records, que, após assistirem a uma apresentação da banda, decidem lançar Schizophrenia no mercado internacional.





Já em 1989 o Sepultura lançaria seu terceiro álbum de estúdio, Beneath The Remains. O álbum foi gravado no Rio de Janeiro e contou com a produção do norte-americano Scott Burns, que já havia trabalhado com nomes como Death e Morbid Angel. A Roadrunner Records tinha algumas dúvidas sobre a capacidade de venda do grupo e disponibilizou um pequeno orçamento para a gravação do trabalho. Mesmo assim, Burns aceita trabalhar com o grupo, pois tinha interesse em conhecer o Brasil. Intérpretes foram utilizados para a comunicação entre produtor e conjunto.





Com clássicos do quilate de “Inner Self” e “Mass Hypnosis”, Beneath The Remains foi sucesso imediato. Apostando ainda mais em uma sonoridade próxima ao Thrash Metal, o álbum foi aclamado pela crítica especializada, sendo até mesmo comparado ao clássico Reign In Blood, do Slayer (de 1986). A revista Terrorizer chegou a elegê-lo como um dos 20 melhores álbuns de Thrash Metal de todos os tempos.





É o primeiro álbum do Sepultura a ter sua arte da capa feita pelo artista Michael Whelan e no qual a banda deixa seu logotipo original que tinha um estilo mais Death Metal. Max Cavalera ainda afirmaria que foi em Beneath The Remains que a banda encontrou sua verdadeira sonoridade.





Beneath The Remains foi o responsável por abrir as portas do exterior para o Sepultura. Uma longa turnê por Europa e Estados Unidos foi agendada e auxiliou a promover a fama de performances poderosas da banda em seus shows, mesmo com seus membros sendo limitados falantes da língua inglesa. Na Europa a banda toca com os alemães do Sodom. O primeiro show nos Estados Unidos ocorre em 31 de outubro de 1989, no Ritz, em Nova Iorque, sendo banda de abertura de King Diamond.





Em 1990 a banda decide deixar sua terra natal e mudar definitivamente para os Estados Unidos, indo viver em Phoenix, no Arizona. A banda excursiona bastante durante o ano de 1990, tocando em diversos festivais.





Em um deles a banda conhece a empresária da banda Sacred Reich, Gloria Bujnowski, que mais tarde, o grupo convidaria para também ser sua empresária. Ainda em 1990, o grupo regrava o clássico “Troops Of Doom”, seu hit do álbum Morbid Visions, para ser lançada juntamente com o álbum Schizophrenia, remixado pela Roadrunner. Beneath The Remains é tido por muitos fãs, como o melhor trabalho da banda.





Em 1991 sairia outro álbum clássico do Sepultura, Arise. O álbum foi gravado na “casa de Scott Burns”, no Morrisound Studios, em Tampa, na Flórida. Também contando com um orçamento significativamente melhor, Arise possuiu uma gravação e resultado final significativamente melhor que seus precedentes.





Embalado por clássicos como “Arise”, “Dead Embryonic Cells” e “Desperate Cry”, o álbum Arise colocou definitivamente o Sepultura entre as grandes bandas de Thrash Metal da época. Várias resenhas de diversos e importantes veículos de comunicação especializados em Heavy Metal apresentavam críticas positivas tanto para o álbum quanto para a banda.





Em 1991, o Sepultura faz grandes shows, como no Rock In Rio II, para cerca de 70 mil pessoas. Arise chega a vender 160 mil cópias apenas nas primeiras 8 semanas de seu lançamento.





Já em 1992, as turnês com as bandas Helmet e Ministry e, depois, com Alice In Chains e Ozzy Osbourne, consagram a banda internacionalmente. No mesmo ano, Max se casa com a empresária da banda, Gloria. Arise é tido por muitos fãs como o ponto mais alto da carreira da banda.





Em 1993 foi lançado o quinto álbum de estúdio da banda, Chaos A. D. O trabalho trouxe ainda mais sucesso para o grupo tanto junto à crítica quanto comercialmente. Algumas resenhas de críticos do exterior chegam a afirmar que ‘Chaos’ é um dos melhores álbuns de Heavy Metal de todos os tempos.





‘Chaos’ mostra um Sepultura diferente. A banda aposta em elementos diferentes em sua sonoridade. O Death/Thrash metal são postos praticamente de lado, e, embora mantenha o peso nas canções, há uma aposta em sonoridades tribais, em mais groove, em elementos de música chamada ‘industrial’, deixando a agressividade característica da banda em um segundo plano.





Liricamente o grupo aposta em temas políticos e sociais. No álbum há faixas que se tornaram clássicos da banda como “Refuse/Resist” e “Territory”, ambas seguindo a temática política. Há também a faixa “Manifest”, que denuncia o massacre ocorrido no penitenciária do Carandiru, em São Paulo, no início dos anos 90.





A versão brasileira do álbum ainda trazia uma versão de “Polícia”, dos Titãs. Ainda em 1994 a banda lança o EP Refuse/Resist e é convidada para tocar no famoso festival de Donnington Park, onde se apresentou para mais de 50 mil pessoas.





Em 1995, o Sepultura se prepara para compor e gravar seu sexto álbum de estúdio, Roots. Este seria consideravelmente diferente de seus predecessores, um álbum muito mais experimental. Nele é possível ver a banda procurando mais elementos de música brasileira para serem incorporados a sua música, assim como certa influência de bandas como Deftones e Korn em sua sonoridade.





Neste ano, o Sepultura vai ao Mato Grosso para conhecer a tribo Xavante, com quem passam um tempo. Igor disse que o Sepultura se identificava com os indígenas da tribo, pois, segundo ele, ambos viviam à margem da sociedade e os estilos musical e de vida da banda, assim como dos indígenas, eram difíceis de serem assimilados pela maior parte da sociedade atual.





A banda na tribo Xavante:













A arte da capa representa um indígena e foi realizada pelo artista Michael Whelan.





“Roots Bloody Roots” é a primeira faixa do álbum. Permanece ainda hoje como uma das mais conhecidas canções da banda e já apresenta o grupo com uma sonoridade bem diferente de períodos anteriores, com o som bem mais ‘grooveado’, guitarras mais abafadas. Além disso, o ritmo da canção tem um andamento consideravelmente mais cadenciado.





O videoclipe da canção apresenta a banda tocando em cavernas, além de apresentar os membros da banda andando por Salvador, com imagens da cidade. Foi muito exibido na época pelos canais de televisão especializados em música.





“Roots Bloody Roots” foi o primeiro single lançado para promover o álbum. Suas letras têm características de protesto, condenando povos e pessoas que ignoram suas raízes ou sentem vergonha delas.





A música permanece no set list da banda até os dias de hoje, assim como Max Cavalera também se mantém executando a faixa com suas bandas posteriores a sua saída do Sepultura.





“Attitude” é a segunda faixa do álbum e é outra das mais conhecidas músicas da banda. A introdução da música tocada por Max Cavalera ao berimbau acabou se tornando um clássico. A música possui um riff um pouco mais rápido e muito bom.





O videoclipe apresenta a banda tocando em uma espécie de campeonato de artes marciais, estilo UFC, com direito a octógono e participação especial da famosa família Gracie.





As letras foram escritas pelo enteado de Max Cavalera, Dana Wells, que foi quem também teve a ideia principal do vídeo. Dana morreria poucos meses depois do lançamento do álbum.





Foi lançada como single para promover o álbum e, assim como “Roots Bloody Roots”, permanece como presença praticamente fixa no set list da banda, assim como é tocada pelas bandas de Max.





A terceira faixa do álbum é “Cut-Throat”, a qual continua apresentando uma sonoridade com aposta mais em um som com groove e batidas mais tribais. O destaque da faixa é para o vocal bem mais agressivo de Max em comparação com as faixas anteriores. Mais para o final da faixa, durante o pequeno solo, uma gotícula de Thrash Metal pode ainda ser ouvida.





A quarta faixa de Roots é uma das mais experimentais da banda até então, “Ratamahatta”. É uma parceria da banda com o cantor Carlinhos Brown, que participou tanto da composição da música quanto de sua gravação.





É uma faixa das mais experimentais da banda, com fortíssima influência de percussão e sons mais tribais, consideravelmente diferente do que a banda fazia. Há a participação do baterista do Korn, David Silveria, na percussão.





Permanece uma das canções mais famosas da banda, assim como seu clip, todo feito em animação, sendo um dos mais exibidos na época do lançamento do álbum. Faz parte de apresentações ao vivo da banda, assim como do Soufly. O lutador brasileiro Thiago Silva, do UFC, usou a canção algumas vezes em sua entrada para o ringue.





“Breed Apart” continua com a fortíssima influência de sons tribais do álbum, este sendo o maior destaque da faixa. Também o riff principal é dos melhores do álbum. “Straighthate” possui uma longa introdução que encontra uma guitarra bastante distorcida com a bateria marcante. Uma das melhores faixas do álbum. “Spit” é uma faixa bem pequena e bem mais direta do trabalho, contando com um bom riff.





Em “Lookaway”, as letras foram feitas pelo vocalista Jonathan Davis da banda Korn. Mike Patton (Faith No More) e o próprio Davis cantam na faixa, cuja música foi feita pelo Sepultura em parceria com o DJ Lethal. Bem experimental, mas um dos pontos mais baixos do álbum.





“Dusted” segue o ritmo da maioria das canções de Roots, com muito groove e ritmo mais cadenciado das canções, mesmo também sendo pesada. “Born Stubborn” também começa com batidas tribais, mas apresenta um riff mais criativo e um ritmo mais acelerado, uma das melhores faixas do álbum.





“Jasco” é uma canção acústica, tocada ao violão e totalmente instrumental. Possui uma bela melodia, mas foge totalmente à proposta musical do Sepultura até então. “Itsári” é uma faixa totalmente experimental, gravada com a tribo Xavante e contando com a participação da mesma entoando cânticos e participando da percussão. Música diferente.





“Ambush” possui um riff bom que embala o início da faixa, sendo uma música mais pesada e com boa pegada, sendo intercalada por um momento mais experimental. "Endangered Species" é outra faixa com um ritmo mais cadenciado, com muito groove, pesada e que abre espaço para experimentações, especialmente com a percussão.





Já “Dictatorshit” é uma faixa bem curta, com pouco mais de um minuto e letras inspiradas no golpe de Estado de 1964. É a faixa com riffs mais velozes do trabalho. Há, ainda, "Canyon Jam", uma faixa ‘oculta’, não se tratando propriamente de uma música, somente uma mistura de sons.





Na versão brasileira do álbum havia duas faixas extras, “Procreation (Of The Wicked)” e o cover do Black Sabbath, “Symptom Of The Universe”.





Roots foi um sucesso comercial e de crítica. Além de ser o álbum mais vendido da banda, recebeu críticas muito positivas. A publicação The Daily News chegou a comparar o Sepultura com o Led Zeppelin, pela fusão de estilos, mas ressaltando o caráter original dos brasileiros ao buscar a fusão do Heavy Metal com música nativa de seu próprio país, enquanto o Led Zeppelin buscava sonoridades estrangeiras.





Martin Popoff, autor do livro The Collector's Guide to Heavy Metal, coloca Roots como o décimo primeiro melhor álbum de Metal de todos os tempos, assim como o crítico musical Piero Scaruffi, que colocou o álbum na 9ª posição de melhor álbum de Heavy Metal.





A revista Q magazine colocou Roots em uma lista dos "50 Heaviest Albums Of All Time", enquanto a Kerrang!, outra revista, colocou Roots na segunda posição dos "100 records that you have to hear before dying".





Depois do lançamento de Roots, a banda sai em turnê para divulgação do álbum. Roots atingiu a 27ª posição na parada norte-americana de álbuns, enquanto alcançou a 4ª posição da parada britânica de mesma natureza.





Em meados de 1996, Max e Glória são obrigados a deixar a turnê de divulgação do álbum, por conta do assassinato do enteado de Max, Dana Wells. Isso ocorre momentos antes da banda se apresentar em Donnington Park, no Monsters Of Rock. Na ocasião, o grupo se apresenta como trio, com Andreas Kisser assumindo os vocais. A turnê termina no Ozzfest, com a banda tendo que cancelar três semanas de shows agendados.





Insatisfeitos com a maneira como Gloria promovia a banda, alegando que era dada visibilidade apenas a Max (contrariamente ao início da banda, quando todos eram focados); Andreas, Igor e Paulo decidem que queriam demitir a esposa de Max como empresária do Sepultura. Max, sentindo-se traído, então, decide deixar o grupo.





Os três membros remanescentes decidem que procurariam um novo vocalista e dariam continuidade aos trabalhos sob o nome Sepultura. O escolhido foi o vocalista norte-americano Derrick Green, que continua na banda até este momento.





Em entrevista em 2010 ao Faceculture, Max Cavalera afirmou que a causa de sua saída do Sepultura foi devido ao fato da esposa de Andreas Kisser ter tentado organizar o funeral de Dana Wells antes mesmo da chegada dele, Max, e Gloria vindos da Inglaterra. Disse também que a banda chegou a oferecer que ele e Igor continuassem sendo empresariados por Gloria, com Andreas e Paulo tendo outro empresário, o que Max acabou rejeitando.





A formação clássica: pela ordem, Andreas, Igor, Max e Paulo













Por fim, Max disse que uma reunião da formação clássica do Sepultura é bastante improvável, devido a suas históricas diferenças com o guitarrista Andreas Kisser. A última apresentação de Max Cavalera à frente do Sepultura foi em 16 de dezembro de 1996, no Brixton Academy, na Inglaterra.





Formação:


Max Cavalera - Vocal, Guitarra Base, Berimbau


Andreas Kisser – Guitarra Solo, Violão, Backing Vocals


Paulo Jr. - Baixo, Timbau Grande


Igor Cavalera - Bateria, Percussão, Timbau





Faixas:


01. Roots Bloody Roots (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 3:32


02. Attitude (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 4:15


03. Cut-Throat (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 2:44


04. Ratamahatta (Max/Andreas/Paulo/Igor/Carlinhos Brown) - 4:30


05. Breed Apart (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 4:01


06. Straighthate (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 5:21


07. Spit (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 2:45


08. Lookaway (Max/Andreas/Paulo/Igor/Jonathan Davis) - 5:26


09. Dusted (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 4:03


10. Born Stubborn (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 4:07


11. Jasco (Andreas) - 1:57


12. Itsári (Max/Andreas/Paulo/Igor/Tribo Xavante) - 4:48


13. Ambush (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 4:39


14. Endangered Species (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 5:19


15. Dictatorshit (Max/Andreas/Paulo/Igor) - 1:26


16. Canyon Jam (hidden track) - 13:16





Letras:


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Opinião do Blog:


Goste-se ou não do Sepultura, é preciso dar crédito aos seus membros pelas conquistas que tiveram ao longo de sua carreira.





Sua batalha e persistência em busca de se lançarem como banda reconhecida internacionalmente são de se admirar. O sucesso obtido pelo Sepultura não teria sido conseguido sem grandes doses de insistência.





Mas não foi somente por conta da insistência da banda que o sucesso foi obtido. Nada teria sido possível se o grupo não tivesse produzido trabalhos de qualidade e consistentes.





De Bestial Devastation até Roots, mesmo que sejam álbuns com grandes diferenças musicais, o Sepultura tinha grande criatividade e produzia músicas que caíam no gosto de seu público. As turnês e as performances cheias de energia da banda conseguiram conquistar um grande número de fãs e que se mostravam bastante fiéis.





Obviamente, a saída de Max Cavalera foi um choque não apenas para seus fãs, mas também para a própria banda. Para este blog, a ausência de seu vocalista e, principalmente, a principal mente criativa por trás do Sepultura, deixou uma lacuna que não foi preenchida. Os álbuns produzidos após a saída de Max são, logicamente, na opinião deste blog, incomparavelmente piores quando comparados com a fase clássica da banda.





Roots é um álbum clássico por se tratar do último a conter a melhor formação do grupo, que gravou seus álbuns mais importantes. Além disso, foi um trabalho que teve excepcional repercussão perante a crítica internacional, sendo o de maior vendagem do grupo até hoje.





Clássicos do grupo estão presentes em Roots: “Roots Bloody Roots”, “Attitude”, “Cut-Throat” e “Ratamahatta”. Além disso, é um álbum consideravelmente influente para o famigerado “New Metal”, sendo citado como forte influência por bandas muito importantes do cenário do Heavy Metal mundial, como Slipknot (goste-se ou não).





Particularmente, o blog prefere a dobradinha Beneath The Remains e Arise como estilo musical da banda. Mas nenhum álbum possui tanta aclamação por acaso e recomendamos a audição de Roots, nem que seja como forma de reconhecer o Sepultura como um dos responsáveis por abrir as portas do metal nacional no exterior e por colocar o nome do nosso país no mapa do Heavy Metal!





Vídeos Relacionados:






Roots Bloody Roots










Attitude










Ratamahatta










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