Fragile
é o quarto álbum de estúdios da banda inglesa Yes. Seu lançamento
oficial aconteceu em 12 de novembro de 1971. As gravações ocorreram
entre agosto e setembro daquele mesmo ano, no estúdio Advision, em
Londres. A produção ficou a cargo da própria banda com o Eddy
Offord e o selo foi o Atlantic.
The
Yes Album é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Yes. Seu
lançamento oficial aconteceu em 19 de fevereiro de 1971, através do
selo Atlantic Records. As gravações ocorreram no segundo semestre
de 1970, no Advision Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção
ficou por conta de Eddie Offord e do próprio Yes.
The Yes Album é o terceiro álbum de estúdio da banda inglesa Yes. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de fevereiro de 1971, através do selo Atlantic Records. As gravações ocorreram no segundo semestre de 1970, no Advision Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Eddie Offord e do próprio Yes.
Após um longo período, o Yes retorna às nossas páginas com um trabalho muito interessante e determinante para os rumos da banda. Nosso primeiro post sobre o grupo pode ser visto aqui. O RAC, como de praxe, vai contar os antecedentes ao lançamento do álbum para se contextualizar sua obra.
Time and a Word
Em 24 de julho de 1970, o Yes lançava seu segundo álbum de estúdio, Time and a Word.
Nesta época, o Yes era formado pelo vocalista Jon Anderson, pelo guitarrista Peter Banks, pelo baixista Chris Squire, pelo tecladista Tony Kaye e pelo baterista Bill Bruford.
O disco acabou alcançando a 45ª posição da principal parada britânica desta natureza, sendo o primeiro álbum do Yes a conseguir este feito. “Time and a Word” e “Sweet Dreams” foram os dois singles lançados para promoverem o trabalho.
O álbum teve uma recepção mista. Recebeu uma crítica entusiasta de Roy Carr, da revista britânica New Musical Express, em agosto de 1970, que o saudou como um dos melhores lançamentos do ano.
Para o revisor, seu material era “mentalmente exultante” e a faixa ““No Opportunity Necessary, No Experience Needed” (na verdade, um cover da canção composta por Richie Havens) definiu o padrão e o humor das restantes sete faixas”. Os arranjos de Cox foram louvados, o que combinou bem com a habilidade do grupo “para tocar passagens de conjunto intrincadas e altamente complexas com meticulosa destreza e precisão”. (Nota do Blog: Richard Pierce "Richie" Havens foi um cantor e compositor norte-americano. Sua música englobava elementos de folk, soul e blues. Ele é mais conhecido por seu estilo intenso de guitarra rítmica, covers espirituosos de canções pop e folk e por seu desempenho na abertura no Festival Woodstock, em 1969).
Carr creditou a força instrumental da banda através do baixo ‘identificável’ de Squire, a qual criou uma seção rítmica ‘formidável’ quando emparelhada com a ‘experiência’ de Bruford.
Chris Squire
O álbum não vendeu mais cópias do que o disco de estreia do grupo, Yes (1969), fato este que levou o gerenciamento da Atlantic Records considerar dispensá-lo do selo. Phil Carson, um diretor da Atlantic e fã do Yes, conseguiu convencer a gravadora a manter o conjunto, no mesmo momento em que a banda garantia Brian Lane como seu novo manager.
O guitarrista Peter Banks deixa o grupo em maio de 1970, dois meses antes do lançamento do álbum. Tendo manifestado a insatisfação com a ideia de gravar com uma orquestra, bem como com a dispensa de Flynn no início do ano, Banks indicaria, mais tarde, que ele foi demitido por Anderson e Squire - e que Kaye e Bruford não tinham conhecimento prévio daquilo que estava acontecendo. (Nota do Blog: Roy Flynn foi Manager do Yes entre 1968 e 1970).
Time and a Word apresenta músicas originais e duas novas versões - “Everydays”, do Buffalo Springfield e, como foi dito, “No Opportunity Necessary, No Experience Needed”, de Richie Havens.
O substituto de Banks foi o guitarrista da banda Tomorrow, Steve Howe, o qual aparece na fotografia do grupo na versão americana do disco, apesar de não ter tocado nele.
The Yes Album
A banda se retirou para uma fazenda alugada em Devon, Reino Unido, para escrever e ensaiar novas músicas para o seu próximo álbum.
Steve Howe se estabeleceu como parte integrante da sonoridade do grupo com sua Gibson ES-175 e várias guitarras acústicas. (Nota do Blog: A Gibson ES-175 é uma guitarra elétrica fabricada pela Gibson Guitar Corporation, atualmente ainda em produção. É uma guitarra completa de corpo oco de 24 ¾", com um cordão de trapézio e uma ponte Tune-O-Matic. É uma das guitarras de jazz mais famosas da história. Entre guitarristas famosos que usavam o modelo estão B.B. King, Pat Metheny, Wes Montgomery, Joe Pass, Keith Richards, Howard Roberts e, claro, Steve Howe).
Com o produtor e engenheiro de som, Eddy Offord, as sessões de gravação duraram até 12 horas, com cada faixa sendo montada por pequenas seções simultâneas, as quais foram reunidas para formar uma canção completa.
Bill Bruford
A banda então aprenderia a tocar a música completa após a conclusão da mixagem final.
Conforme dito, o Yes já havia gravado dois álbuns para a Atlantic Records até meados de 1970, mas nenhum deles havia sido comercialmente bem-sucedido e o selo estava pensando em demiti-los.
A adição de Steve Howe, o qual apreciava tocar uma variedade mais ampla de estilos, incluindo música folk e country, permitiu uma interessante mistura de guitarras elétricas e acústicas. O vocalista Jon Anderson afirmou que Howe poderia “pular de uma coisa para a outra, muito rápido, muito talentoso”.
Após alguns shows de aquecimento com Howe, a banda se mudou para Devon, para compor e ensaiar novo material. Eles chegaram a uma casa de campo em Churchill, ao norte de Barnstaple, mas o grupo sentiu-se restrito no local, pois não era permitido nenhum barulho após o anoitecer.
O conjunto fez um anúncio no jornal local para uma nova locação, mudando-se para Langley Farm em Romansleigh, perto de South Molton, a cerca de 20 milhas de distância. Howe, em particular, gostava de trabalhar na fazenda e, eventualmente, comprou-a.
Após os ensaios, a banda foi até os Advision Studios, em Londres, com o produtor Eddie Offord, e realizou a gravação no outono. A banda gostou das sessões e logo teve material suficiente para um álbum.
Em novembro de 1970, o grupo esteve envolvido em um acidente de carro quando retornava de um show em Basingstoke. A banda sofreu um choque, e Kaye quebrou o pé. O tecladista teve que fazer os próximos shows e a sessão de fotos da capa do álbum com o membro engessado.
Howe usou principalmente uma guitarra semi-acústica Gibson ES-175 e uma acústica Martin 00-18 para a gravação, embora ele tentasse tocar uma variedade de estilos com os dois instrumentos. Os principais instrumentos de Kaye foram o órgão Hammond e um piano, incluindo um solo em “A Venture”.
Kaye já havia tocado com o Hammond M-100, mas para este álbum usou o B-3, um movimento que ele viu como ‘um ponto de viragem’. Ele não estava interessado em tocar teclados eletrônicos, que começaram a aparecer no mercado.
A capa da frente foi fotografada por Phil Franks, no dia seguinte ao acidente de Basingstoke. Franks já havia tirado algumas fotos do show do em Lyceum, mas achava que precisava de algo mais para a capa. A banda estava atrasada, no hospital, no início daquele dia, e apenas 30 minutos estavam disponíveis para uma fotografia.
Steve Howe
Incapaz de obter uma foto satisfatória no estúdio, Franks levou o grupo para seu apartamento, pegou uma cabeça de manequim de poliestireno de uma lixeira, colocou uma lâmpada de 1.000 watts na luz da cozinha e improvisou a fotografia.
Franks creditou ao designer da capa, o diretor de arte da edição britânica da Rolling Stone, Jon Goodchild, por ter feito do trabalho um sucesso.
Quando o Yes tocou uma versão ao vivo de “Yours Is No Disgrace”, para a série de televisão alemã Beat-Club, em abril de 1971, a filmagem da banda foi combinada com a de outra cabeça de manequim, girando sobre uma cadeira, imitando o conceito da capa.
O encarte do disco mostra Kaye tocando um órgão Hammond, enquanto a capa frontal mostrava sua perna engessada, após o acidente. Anderson é creditado como ‘John Anderson’ no disco, mas ele deixou cair o ‘h’ de seu primeiro nome para o próximo trabalho.
Vamos às faixas:
YOURS IS NO DISGRACE
"Your Is No Disgrace" é um excelente esforço progressivo do Yes e a qual apresenta algumas das primordiais características do grupo. A onipresença do baixo de Chris Squire é indiscutível. O tema principal da canção conta com um riff magistral do guitarrista Steve Howe e a dominância do teclado de Tony Kaye. As mudanças de ritmo e sonoridade são impressivas, com direito a passagens jazzísticas. Excelente composição!
A letra, padrão Yes, é uma mensagem antiguerra:
Battleships confide in me and tell me where you are
Shining, flying, purple wolfhound, show me where you are
Lost in summer, born in winter, travel very far
Lost in losing circumstances, that's just where you are
“Yours Is No Disgrace” é um clássico do Yes.
A música também foi lançada como single em alguns países da Europa continental, como Itália e Holanda. Na Itália, a música foi dividida entre o lado A e o lado B. Na Holanda, foi lançada como um maxi single, apoiada por “Your Move” e “Sweet Dreams”.
A canção tem sido uma presença comum nos shows do Yes. Também aparece em muitos álbuns ao vivo e coletâneas, incluindo Yessongs, Classic Yes e Yesstory.
CLAP
"Clap" é uma excepcional demonstração do quão acertada foi a decisão do Yes em contar com o guitarrista Steve Howe. Em um esforço acústico, inteiramente desenvolvido por ele, "Clap" é simplesmente empolgante.
STARSHIP TROOPER
A beleza de "Starship Trooper" é estonteante. Novamente, é impossível ignorar os protagonismos de Chris Squire e Tony Kaye, dominando boa parte da canção. Por volta do minuto 3:30, Steve Howe toma a música de assalto para si, brilhantemente e abruptamente, da mesma forma com que sucumbe, em uma passagem acústica soberba. Os vocais de Jon Anderson estão sensacionais e o solo final do guitarrista Steve Howe é de cair o queixo. Monumental!
A letra foi inspirada no romance Starship Troopers, do escritor Robert A. Heinlein:
Mother life, hold firmly on to me
Catch my knowledge higher than the day
Lose as much as only you can show
Though you've seen them, please don't say a word
What I don't know, I have never shared
“Starship Trooper” possui mais de 9 minutos e é dividida em três partes: “Life Seeker”, “Disillusion” and “Würm”.
“Starship Trooper” foi construída a partir de peças de música escritas separadamente por Anderson, Howe e Squire. Anderson foi o principal autor de “Life Seeker”.
Squire escreveu a maior parte da seção “Disillusion”; sendo que esta seção já havia sido usada com letras ligeiramente diferentes como a ponte para a música “For Everyone”, com o próprio Squire fornecendo os vocais principais.
Howe escreveu a seção instrumental “Würm” enquanto estava em uma banda anterior, a Bodast.
A música foi fortemente construída em estúdio de gravação e, como resultado, a banda nunca conseguiu reproduzi-la, em pleno modo, como foi gravada. A canção varia seus humor, ritmo, tempo e estilo continuamente, mas, de acordo com o biógrafo do Yes, Chris Welch, ainda consegue ‘mantê-los unidos’.
Os autores Pete Brown e Lisa Sharken descrevem a seção “Würm” como “uma espécie de bolero”, na qual a “sequência de acordes que se constrói em um solo explosivo”. Eles apontam que o solo de Howe incorpora elementos da música rockabilly e do country, em vez da música baseada no blues com distorção, como é típico para esses tipos de solos.
“Starship Trooper” aparece em muitos álbuns e DVDs ao vivo do Yes, incluindo Yessongs, 9012Live, Keys to Ascension e Symphonic Live. Também aparece em coletâneas como Yesstory.
I’VE SEEN ALL GOOD PEOPLE
O primeiro momento de "I've Seen All Good People", denominado de 'Your Move', é um extraordinário esforço folk do grupo, com as flautas de Colin Goldring tendo um papel determinante na beleza da melodia. Na sua segunda metade, "All Good People", aparece o Yes mais tradicional e roqueiro, com grande atuação da guitarra de Steve Howe, contando com uma pegada bluesy, bem sessentista. Genial!
A letra é uma metáfora genial sobre relacionamentos:
Don't surround yourself with yourself
Move on back two squares
Send an instant karma to me
Initial it with loving care
Don't surround yourself
“I’ve Seen All Good People” é dividida em duas partes chamadas “Your Move” e “All Good People”.
A seção “Your Move” foi lançada como single e atingiu a 40ª posição da principal parada de singles norte-americana.
O crítico norte-americano do jornal Village Voice, Robert Christgau, chamou a canção de um ‘grande corte’, sendo aquele em que o ecletismo do Yes se une.
A música foi incluída em vários álbuns de compilação, como o Classic Yes e The Ultimate Yes, desde o lançamento inicial em The Yes Album, em 1971. Foi tocada muitas vezes durante as turnês do Yes, uma versão ao vivo foi lançada recentemente em Live at Montreux, de 2003, que foi distribuído pela Eagle Records.
Tanto “I’ve Seen All Good People” quanto a parte “Your Move” foram alvos de versões por diferentes artistas como Matthew Sweet e Susanna Hoffs, Shaw Blades e a banda norte-americana Ra.
A VENTURE
O ponto que mais chama a atenção em "A Venture" é a dominância do baixo de Chris Squire, ditando tanto o ritmo quanto o pulso melódico da canção de maneira incontestável, abrindo espaço para que o piano de Tony Kaye apareça de maneira protagonista.
A letra se refere à bravura:
He told all his sons of all the antics of adventure,
Then he told another one who drove himself to drink
Not to hide away, hide away
PERPETUAL CHANGE
A sexta - e última - faixa de The Yes Album é "Perpetual Change". A derradeira canção do disco é uma amostra da grandiosidade do Yes enquanto banda, com alternância de ritmos, algum tom épico, mas dotada de melodias sutis e simultaneamente brilhantes. Fantástica atuação do vocalista Jon Anderson.
A inspiração para a letra foi a passagem da banda pela casa de campo em Churchill:
And there you are
Making it up but you're sure that it is a star
And boy you'll see
It's an illusion shining down in front of me
And then you'll say
Even in time we shall control the day
When what you'll see
Deep inside base controlling you and me
Considerações Finais
The Yes Album foi o disco que conduziu o Yes ao sucesso comercial.
O álbum atingiu a excelente 4ª posição da principal parada britânica desta natureza, conquistando a 40ª colocação em sua correspondente norte-americana. Ainda ficou com os 7º, 46º e 20º lugares nas paradas de Holanda, Canadá e Austrália; respectivamente.
O baixista Chris Squire disse posteriormente que uma razão fundamental para o sucesso do álbum foi que houve uma greve postal a qual impediu que os lojistas enviassem seus dados de vendas reduzindo os disponíveis a alguns varejistas em Londres.
Como o Yes possuía sua maior base de fãs nessas lojas, isso permitiu uma boa posição na parada britânica. Entretanto, quando a greve terminou, o disco começou a vender bem devido ao seu sucesso inicial aparente.
O álbum teve uma recepção positiva dos críticos. John Koegel, escrevendo para a revista norte-americana Rolling Stone, elogiou a unidade instrumental entre Squire, Howe e Kaye, mas sentiu falta de músicas ‘cover’ presentes nos álbuns anteriores da banda.
O álbum é um dos três do Yes a aparecer no livro 1,000 Recordings to Hear Before You Die. O autor, Tom Moon, prefere a unidade do grupo que ele afirma desaparecer em lançamentos posteriores do Yes e deu uma impressão positiva aos vocais de Anderson.
Anderson estava preocupado com a resposta inicial ao álbum, mas, após cerca de um mês, percebeu que os fãs começaram a cantar as canções nos concertos e concluiu que esse estilo musical poderia ser desenvolvido e ainda permanecer popular.
Kaye concluiu que, em geral, era “um álbum bastante simples, considerando onde o Yes chegou a partir de lá”. O vocalista e baixista do Rush, Geddy Lee, incluiu The Yes Album entre seus álbuns favoritos. Já o tecladista do Genesis, Tony Banks, disse que este era seu álbum favorito do Yes e preferia a banda quando Kaye era membro.
J. D. Considine, escrevendo no The New Rolling Stone Album Guide, afirma: “Foi a adição da pirotecnia do violão de Steve Howe que finalmente permitiu ao Yes encontrar sua verdadeira identidade. O The Yes Album é um salto gigante para a frente”.
Bruce Eder, do site AllMusic, dá ao álbum uma nota 4 de um máximo possível de 5, afirmando: “The Yes Album cumpriu o que tinha que fazer, superando os dois primeiros álbuns do grupo e fazendo da banda uma presença estabelecida na América, onde, pela primeira vez, começaram a se exibir regularmente no rádio FM”.
O Yes embarcou em uma excursão de 28 dias pela Europa, com o Iron Butterfly, em janeiro de 1971. Seu primeiro show na América do Norte ocorreu em 24 de junho, em Edmonton, no Canadá, apoiando o Jethro Tull.
O tecladista Tony Kaye fez seu show final no Yes no Crystal Palace Bowl, em agosto. A decisão foi tomada após a fricção que surgiu entre Howe e ele, na turnê, por conta de sua relutância declarada em tocar Mellotron e sintetizador Minimoog.
O Yes encontrou seu novo tecladista - Rick Wakeman, um músico de formação clássica que deixou o grupo de folk rock Strawbs no início daquele ano.
The Yes Album supera a marca de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.
Formação:
Jon Anderson - Vocal, Percussão
Chris Squire - Baixo, Vocal
Steve Howe - Guitarras Elétricas e Acústicas, Vachalia, Vocal
Tony Kaye - Piano, Órgão, Moog
Bill Bruford - Bateria, Percussão
Músicos adicionais:
Colin Goldring - Flautas em “Your Move”
Faixas:
01. Yours Is No Disgrace (Anderson/Squire/Howe/Kaye/Bruford) - 9:41
Após um longo período, o Yes retorna ao RAC com aquilo que definitivamente o consagrou na história da música: seu inconfundível Rock Progressivo.
The Yes Album é um ponto importante na carreira do grupo britânico. É o marco inicial da solidificação da sonoridade da banda em torno da temática progressiva e de seus elementos, com várias alternâncias de ritmos, complexidade de arranjos, técnica e aspecto épico andando lado a lado, de maneira simbiótica.
Esta mudança sonora ficou facilitada com a adição do extraordinário guitarrista Steve Howe e seu talento pode ser ouvido por todo o disco. Riffs, solos, abordagens acústicas, enfim, Howe despeja sua técnica soberba por onde se quer olhar no álbum.
Claro, a dominância do baixo de Chris Squire é assustadora, no melhor sentido da afirmação. Talento incrível! Jon Anderson dispensa comentários, bem como o baterista Bill Bruford. E o pianista/tecladista Tony Kaye é outro grande destaque do trabalho.
As letras são muito boas e valem mais que uma conferida.
Sem pontos baixos, The Yes Album é um disco que merece ser ouvido na íntegra, atenciosamente e sem interrupções. Sua 'unicidade variante' é especialmente saborosa.
"Yours Is No Disgrace" é um clássico da banda, belíssima em sua forma progressiva. "I've Seen All Good People", a qual varia entre o Folk e o Rock, é outra canção incrível. E "Perpetual Change" mostra do que o Yes era capaz.
Mas o RAC elege a maravilhosa "Starship Trooper", com uma monumental atuação do trio Kaye/Squire/Howe, como a melhor do álbum. Simplesmente fantástica!
Enfim, The Yes Album é um disco formidável e dá início ao melhor momento da carreira do Yes, quando o grupo definitivamente encontrou sua identidade dentro do Rock Progressivo e que resultaria posteriormente em trabalhos antológicos como Fragile e Close to the Edge. Enfim, The Yes Album é extremamente recomendado pelo Blog.
90125 é o décimo-primeiro álbum de estúdio da banda inglesa chamada Yes. Seu lançamento oficial ocorreu no dia 14 de novembro de 1983, com sua gravação acontecendo basicamente em parte do primeiro semestre daquele ano. A produção ficou a cargo do conceituado produtor Trevor Horn e o disco saiu sob o selo da Atco Records.
O espaço aqui é muito pequeno para se contar a história de um grupo como o Yes até o ano de 1983, então, o blog preferiu fazer apenas uma rápida pincelada no passado (glorioso) do conjunto e se ater à época mais especificamente do lançamento de 90125.
O início do Yes data do ano de 1968, quando o baixista Chris Squire foi apresentado ao cantor Jon Anderson, sendo que ambos possuíam interesse em músicas como as de Simon & Garfunkel e, também, em harmonias vocais.
Com uma formação que contava com Jon Anderson nos vocais, Chris Squire no baixo, Peter Banks na guitarra, Tony Kaye no órgão/piano e Bill Bruford na bateria, a banda lançaria seu primeiro álbum, homônimo ao grupo e que é considerado por alguns como o primeiro disco de rock progressivo da história.
Com a mesma formação do grupo, sairia o segundo álbum da banda, Time And a Word, de 1970.
Foi por volta de 1971, já com Steve Howe nas guitarras – substituindo Peter Banks – que o Yes trouxe para o grupo o excelente tecladista Rick Wakeman, para o lugar de Tony Kaye. Wakeman traria para o Yes maiores contribuições para o estilo Progressivo/Sinfônico que a banda tanto gostava.
O primeiro trabalho com Wakeman no Yes foi seu quarto álbum de estúdio, o aclamado Fragile, de 1971.
Durante os anos setenta, o Yes lançou vários álbuns de sucesso, com praticamente todos entre as 10 primeiras posições da parada britânica de discos, sendo que dois deles atingiram o topo: Tales From Topographic Oceans (1974) e Going For The One (1977).
O grupo também sofreu com algumas mudanças de formação durante o período – como a saída de Wakeman em 1974, insatisfeito com o resultado das gravações de Tales From Topographic Oceans – voltando poucos anos depois.
Após a gravação do nono álbum de estúdio do grupo, Tormato (1978), tensões surgiriam dentro do Yes e que causariam algumas mudanças na direção musical do conjunto.
Para o próximo trabalho, o Yes se reuniu em Paris com o produtor Roy Thomas Baker, que durante as sessões musicais favorecia as partes desenvolvidas pelo vocalista Jon Anderson e o tecladista Rick Wakeman. Estas passagens eram mais leves e delicadas, fato este que inervou o grupo formado por Chris Squire, Steve Howe e Alan White, que desejavam uma veia mais rock and roll para as músicas.
Chris Squire
Em 1980, Squire, Howe e White não gostaram de nenhuma das composições apresentadas por Jon Anderson como material para o próximo trabalho, mais uma vez consideradas “leves demais”. Para complicarem mais as coisas, as sessões de gravação tiveram que serem interrompidas, pois Alan White quebrou seu pé enquanto patinava.
Quando o grupo voltou para novas gravações, a situação se tornou irremediável. Diferenças musicais – e, talvez financeiras – fizeram com que Jon Anderson deixasse o Yes. Logo em seguida, pensando em que a banda não conseguiria prosseguir sem sua voz, Wakeman também sai do conjunto.
Em 1980, a dupla pop The Buggles era formada pelo tecladista Geoffrey Downes eo vocalista Trevor Horn, com Brian Lane como um gerente musical. Eles tiveram um sucesso mundial com o single "Video Killed the Radio Star" e estavam trabalhando no mesmo escritório com o Yes.
Inclusive, a dupla já tinha uma música chamada "We Can Fly From Here", que tinha sido escrita com o Yes em mente. Para a surpresa dos The Buggles, eles foram convidados a participar do Yes como membros em tempo integral. Aceitando o convite, apareceram no álbum Drama, de 1980.
O álbum exibiu um som mais pesado, certamente mais rock que o material gravado com Anderson em 1979, abrindo com a faixa "Machine Messiah", certamente bem mais forte que o habitual. O disco alcançou a segunda posição na parada do Reino Unido e 18ª na correspondente norte-americana.
A turnê de 1980, na América do Norte e no Reino Unido, recebeu uma reação mista das audiências. Eles foram bem recebidos nos Estados Unidos e premiados com um certificado comemorativo depois de terem conquistado um recorde de 16 apresentações consecutivas com ingressos esgotados no Madison Square Garden (Nova Iorque), desde 1974.
Após a turnê, o Yes se reuniu na Inglaterra para decidir o próximo passo da banda. Eles demitiram Lane como gerente e Horn escolheu seguir uma carreira na produção musical.
White e Squire foram os próximos a partirem, deixando Downes e Howe, como os únicos membros do grupo. Eles optaram por não continuarem com a banda e seguiram caminhos separados em dezembro de 1980. Uma coletânea de performances ao vivo 1976-1978 foi lançada com o nome de Yesshows, que chegou à 22ª colocação no Reino Unido e à 43ª nos EUA.
O anúncio oficial veio março 1981, confirmando que o Yes já não existia mais. Downes e Howe se reuniram para formar a Ásia com o ex-baixista e vocalista do King Crimson, John Wetton, e o baterista Carl Palmer; do Emerson, Lake e Palmer.
Squire e White continuaram a trabalharem juntos, inicialmente sessões de gravação com Jimmy Page para uma proposta de banda chamada XYZ (abreviação de "ex-Yes-e-Zeppelin"). Robert Plant também chegou a estar envolvido como vocalista, mas ele perdeu o entusiasmo, citando seu luto pelo recentemente falecido baterista do Led Zeppelin, John Bonham.
O grupo produziu poucas faixas demo, elementos que apareceriam na banda de Page e Paul Rodgers, The Firm, e em canções futuras do Yes, como "Drive Mind" e "Can You Imagine?".
Em 1981, Squire e White lançaram "Run With The Fox", um single de Natal com Squire nos vocais e com letra de Peter Sinfield, que recebeu boa divulgação de rádios nas décadas de 1980 e início de 1990, durante os períodos de Natal. Uma coletânea do Yes, Classic Yes, foi lançada em Novembro de 1981.
Em 1982, Squire e White juntaram-se ao cantor e guitarrista sul-africano Trevor Rabin, em uma nova banda, a qual teria o nome de Cinema. Rabin havia feito o seu nome com um conjunto chamado Rabbitt, posteriormente, lançou três álbuns em carreira solo, trabalhou como produtor musical e até mesmo tocou em uma versão inicial da banda Ásia. Squire também recrutou outro músico que tocou no Yes, Tony Kaye, que cuidaria das partes referentes a teclados no novo grupo. Apesar da presença de três músicos oriundos do Yes, o Cinema não foi, inicialmente, concebido para ser uma continuação do Yes.
A banda Cinema, posteriormente, entrou em estúdio para gravar um álbum. Apesar de Rabin e Squire inicialmente compartilharem os vocais, Trevor Horn foi convidado para o projeto para atuar como vocalista, mas posteriormente mudou de função, tornando-se o produtor da banda. Horn trouxe para as canções da banda efeitos modernos de estúdio e toques digitais usando o CMI Fairlight, além de, também, desempenhar um papel de destaque nos arranjos vocais (contribuindo para os backing vocals).
Trevor Rabin
No entanto, seus confrontos com Tony Kaye (complicados pelo fato de que Rabin estava tocando a maioria dos teclados durante as sessões de gravação), levou à saída de Kaye, após cerca de seis meses de ensaio. Trevor Horn e Trevor Rabin estavam se revezando nos teclados, com Eddie Jobson sendo convidado a entrar para ser tecladista. Por motivos legais, algum tempo depois, Tony Kaye voltou para o grupo e Jobson, caiu fora.
Enquanto isso, Jon Anderson lançou dois álbuns solo desde que deixou o Yes. Também alcançou sucesso com o projeto Jon and Vangelis. Anderson e Squire encontraram-se em uma festa em Los Angeles, e Squire mostrou-lhe faixas demo da banda Cinema e, posteriormente, convidou-o para se tornar o vocalista principal do grupo.
Anderson se juntou ao projeto durante as últimas semanas de sessões de gravações, tendo relativamente pouco contribuído com o processo criativo, apenas adicionando seus vocais e reescrevendo algumas letras.
Por sugestão dos executivos da gravadora, Cinema, então, mudou seu nome para Yes. Rabin inicialmente se opôs a isso, pois, agora, tinha, inadvertidamente, unido-se a uma banda reunida, com uma história, bagagem e expectativas, em vez de ajudar a lançar um novo projeto.
No entanto, a presença de quatro ex-membros da banda Yes (sendo três membros fundadores, incluindo o vocalista principal) sugeriu que a mudança de nome seria uma estratégia benéfica no sentido comercial.
O novo álbum marcou uma mudança radical no estilo musical do Yes. O “novo” grupo adotou um som pop rock, que mostrou pouco de suas raízes progressivas e sinfônicas. Esta encarnação da banda, popularmente, por vezes foi informalmente conhecida como "Yes-West", refletindo a nova base do conjunto, que se moveu para Los Angeles, em vez de Londres.
O nome do álbum, 90125, é originalmente o número de catálogo que a Atco Records deu ao novo disco do Yes. Garry Mouat foi o responsável por desenvolver e criar a capa do trabalho.
OWNER OF A LONELY HEART
Abre o álbum “Owner Of A Lonely Heart”.
O riff inicial até engana, pois é pesado e com ótima pegada, mas ele é apenas a base melódica para o que se ouve depois. A canção é dominada pelos teclados de Rabin, mesmo que em certos momentos sua guitarra seja também ouvida. Jon Anderson canta de maneira bastante suave e melosa, construindo uma música com uma veia pop bastante acentuada.
Embora as letras sejam simples, elas contêm uma mensagem bastante interessante, podendo ser inferida uma mensagem de sentido libertário:
Say you don't want to chance it
You've been hurt so before
Watch it now the eagle in the sky
How he dancin' one and only
You, lose yourself
No, not for pity's sake
There's no real reason to be lonely
Be yourself, give your free will a chance
You've got to want to succeed
“Owner Of A Lonely Heart” é um dos maiores sucessos da carreira do Yes. A canção foi lançada como single e atingiu a 1ª posição da parada de singles desta natureza nos Estados Unidos, conquistando a 9ª colocação em sua correspondente britânica.
A música foi composta originalmente por Trevor Rabin, em 1980, que a “guardou” em uma fita-demo. Rabin chegou a mostra-la para o produtor Trevor Horn, que a descartou completamente de início.
Após a conclusão da gravação de todas as outras faixas de 90125, Horn sentia que o álbum carecia de uma canção com forte apelo para se tornar um single de sucesso. Ao se lembrar da fita-demo de Rabin, Horn sentiu que algumas passagens tinham potencial, e, assim, ele se debruçou sobre a mesma realizando várias modificações na versão original, resultando no que se ouve no álbum.
Além de um videoclipe, “Owner Of A Lonely Heart” está presente em muitas coletâneas do Yes. Também possui incontáveis versões remixadas, além de diversas gravações “covers” por parte de muitos grupos musicais.
É considerada uma canção que influenciou decisivamente a música pop dos anos oitenta. Um dos maiores legados da faixa é, sem dúvida, o início da ZTT Records e do grupo eletrônico The Art of Noise. Sendo um ex-membro do Yes, Trevor Horn teve o papel de produtor global durante a gravação de 90125.
Sua equipe regular incluía Gary Langan, J.J. Jeczalik e Anne Dudley, que trabalharam como músicos de sessão, programadores, engenheiros de teclado e arranjadores em vários projetos de Horn. De posse de uma coleta de amostras e loops diretamente retirados dessas sessões de gravação do Yes (assim como de amostras do trabalho feito no grupo de Malcolm McLaren, Duck Rock, produzido por Horn), a supracitada mesma equipe regular de gravação, posteriormente, formou o Art of Noise sob os auspícios de Trevor Horn, tornando-se o primeiro contratado do selo ZTT Records.
Os ‘samples’ orquestrais e os tambores ensurdecedores de "Owner Of A Lonely Heart" foram reutilizados nas gravações iniciais do The Art Of Noise. O Mix do The Red & Blue para a versão de “Owner Of A Lonely Heart”, incluído no cassete de remix chamado Twelve Inches on Tape, lançado pelo Yes, mostra o emergente som do The Art Of Noise muito claramente.
De acordo com Questlove, baterista do The Roots, "Owner Of A Lonely Heart" continha o primeiro uso de um ‘sample’ como um ‘breakbeat’ (em oposição a um efeito de som). O Yes incorporou cinco segundos de Funk, Inc. 's "Kool Is Back" (1972), um cover de Kool & the Gang "Kool Is Back".
HOLD ON
A segunda faixa de 90125 é “Hold On”.
Em “Hold On”, o Yes continua a apostar em um som pop, baseado em melodias vocais bem características, com o uso de várias vozes simultaneamente. Em alguns momentos a guitarra de Trevor Rabin se faz presente, incluindo um pequeno, mas sensível, solo.
Mais uma vez, as letras são belíssimas. Elas podem ser traduzidas com uma mensagem de esperança, ao mesmo tempo em que flertam com o aspecto de finitude (ou transitoriedade) da vida, de maneira brilhante:
Talk the simple smile
Such platonic eye
How they drown in incomplete capacity
Strangest of them all
When the feeling calls
How we drown in stylistic audacity
Charge the common ground
Round and round and round
We living in gravity
Shake - We shake so hard
How we laugh so loud
When we reach
We believe in eternity
I believe in eternity
“Hold On” foi composta originalmente pelo guitarrista Trevor Rabin, antes de entrar para o Yes, mas como duas canções diferentes: “Hold On” e “Moving In”. À época de gravação de 90125, Chris Squire e Jon Anderson acabaram combinando as duas músicas e fazendo novos arranjos. Tanto que nesta faixa, não somente Trevor Horn é creditado como produtor, tanto que o próprio Yes se dá os méritos da produção.
Lançada como single em 1985, não teve maior repercussão nas paradas de sucesso desta natureza.
IT CAN HAPPEN
A terceira canção do álbum é “It Can Happen”.
Um som típico de cítara indiana acompanhado de uma bateria marcante é o que se apresenta no minuto inicial da música. Depois, a faixa se desenvolve em um misto de um Pop/Rock bem criativo com momentos de um teclado extremamente presente, dando um toque “New Wave” ao que se ouve. Sonoramente, é uma canção menos ‘alegre’ que as anteriores.
As letras, outra vez, são brilhantes. Em “It Can Happen”, pode-se inferir uma tentativa de contrapor o orgulho humano ao fator destino:
It can happen today
As it happens
It happens in every way
This world I like
We architects of life
A song a sigh
Developing words that linger
Through fields of green through open eyes
This for us to see
Look up - Look down
Lançada como single, atingiu a 51ª posição da parada desta natureza nos Estados Unidos. “It Can Happen” foi composta na época em que Chris Squire e Alan White se juntaram a Trevor Rabin, formando o que teria sido a banda Cinema. Quando Jon Anderson se juntou ao novo Yes, ele reescreveu as letras e também fez os vocais da música.
CHANGES
A quarta música do trabalho é “Changes”.
“Changes” deixa o ouvinte intrigado, pois em grande parte da canção, que quase se apresenta como uma balada, misturam-se alguns momentos de um rock quase psicodélico, com doses pequenas – quase homeopáticas – de um pop-rock (mas com a guitarra de Rabin muito presente) e um rock tradicional bem construído. A faixa é absolutamente genial.
Embora “Changes” retrate o ‘batido’ tema do fim de um romance, o Yes o aborda de maneira especial, demonstrando a fase depressiva como agente de transformação da vida:
I look into the mirror
I see no happiness
All the warmth I gave you
Has turned to emptiness
The love we had has fallen
The love we used to share
You've left me here believing
In love that wasn't there
“Changes” também foi um single que falhou ao entrar nas principais paradas de sucesso do gênero. Amostra clara do brilhante compositor que Trevor Rabin era, a faixa foi composta inicialmente por ele antes de formar a banda Cinema. Alan White e Jon Anderson acabaram a modificando para a versão encontrada em 90125.
A banda Din Whitin fez uma versão cover da canção.
CINEMA
A quinta faixa de 90125 é “Cinema”.
“Cinema” é um pequeno momento de volta ao passado do Yes, pois apresenta um pequeno trecho apenas instrumental. A passagem é bem psicodélica, lembrando, em partes, o que o grupo fazia na década de setenta.
A canção é uma das menores na discografia do Yes, embora tivesse sido projetada para ter mais de 20 minutos e sob o nome de “Time”. Foi inicialmente composta no momento em que o grupo que se chamaria Cinema estava se compondo.
LEAVE IT
A sexta música do trabalho é “Leave It”.
“Leave It” se inicia com um coral de vozes cantando de maneira demasiadamente forte. Após este início inusitado, a canção se desenvolve em um pop com fortes influências da chamada música “New Wave”, com boas doses de efeitos eletrônicos e um teclado marcante. Uma faixa bem excêntrica.
Outra vez o Yes esbanja talento na construção das letras, pois a música pode ser entendida em um contexto que simboliza a eterna solidão do músico:
No phone can take your place
You know what I mean
We have the same intrigue
As a court of kings
Lançada como single, alcançou a 24ª e a 56ª posições nas paradas de singles dos Estados Unidos e Reino Unido, respectivamente. Inúmeros remixes foram realizados na música através do tempo.
OUR SONG
A sétima faixa do álbum é “Our Song”.
Em “Our Song”, teclados e guitarras se intercalam de maneira bem criativa. A base da canção é ainda um pop com leves – e bote leve nisso – pitadas de Rock, que dá as caras nos momentos em que a guitarra é reforçada. Mas o melhor da música são os vocais de Jon Anderson. O pequeno solo de Rabin também é interessante.
Nas letras, a cidade de Toledo, em Ohio, na qual a banda fez um show memorável em 1977 e que foi o de maior temperatura (dentro do ginásio) na história do Yes até aquele momento – cerca de 52 graus celsius:
Toledo was just another good stop
Along the good king's highway
My fortification took me by surprise
And hit me sending me sideways
Lançada como single, não obteve maiores repercussões nas principais paradas de sucesso.
CITY OF LOVE
“City Of Love” é a oitava faixa de 90125.
A música segue o mesmo ritmo da faixa anterior, com o teclado e efeitos eletrônicos bem proeminentes, mas, ao mesmo tempo, a guitarra de Rabin aparece em alguns momentos com mais intensidade. Entretanto, a canção é destacadamente pop, com o destaque indo para como as harmonias vocais são unidas, às vezes com realce em Jon Anderson, em outros para os backing vocals.
As letras desta vez são mais simples, em um tom de conquista e luxúria:
Take him for a ride
Have a good time
Like a legend the man he sharp
His woman gladly watching
As he strides out of the dark
Better be quick get away
HEARTS
A nona – e última – música do álbum é “Hearts”.
“Hearts” é a maior faixa de 90125. Ela segue em um ritmo bem cadenciado, em uma fusão de pop com rock tradicional (mesmo que este esteja bem suave). A voz de Jon Anderson imprime uma harmonia melódica que é fundamental para o sucesso da canção. Trevor Rabin faz um belo solo de guitarra no meio da música. Faixa bem cativante.
Com letras brilhantes, “Hearts” faz uma ode à essência da vida, com metáforas representando os momentos mais intensos da existência:
As we flow down life's rivers
I see the stars glow - One by one
All angels of the magic constellation
Be singing us now
Considerações Finais
Comercialmente, não há o que se discutir o sucesso de 90125. O álbum soava contemporâneo, moderno e inspirador; com o advento da MTV norte-americana, os videoclipes retirados das canções de 90125 trouxe uma nova legião de fãs para o grupo que não estava habituada ao antigo Yes.
Em termos de parada de sucesso, o álbum alcançou a 5ª posição na parada norte-americana de álbuns, com a 16ª posição na sua correspondente do Reino Unido.
O sucesso de “Owner Of A Lonely Heart” foi fundamental para alavancar as vendas e repercussão de 90125, especialmente pelo fato de atingir o topo da parada norte-americana de singles.
Também a faixa “Cinema” proporcionou honra ao grupo: ela deu ao Yes seu único prêmio Grammy, como “Best Rock Instrumental Performance”.
Jon Anderson
A turnê da banda entre 1984 e 1985 foi a mais lucrativa de sua história e gerou 9012Live, um filme-concerto dirigido por Steven Soderbergh, com adição de efeitos especiais Charlex que custaram US $ 1 milhão. O mini-LP lançado, em 1985, 9012Live:The Solos, deu ao Yes uma nomeação para um segundo Grammy para o prêmio de Best Rock Instrumental Performance para o solo de guitarra de Squire, uma versão de "Amazing Grace".
Inegavelmente um maior sucesso comercial nos Estados Unidos que no Reino Unido (onde o álbum não foi tão bem, mas longe de ir mal), estima-se que 90125 vendeu mais de 6 milhões de cópias pelo mundo, sendo o mais bem sucedido álbum, comercialmente falando, da história do Yes.
Mudanças na música costumam ser traumáticas, especialmente para a relação entre bandas e suas bases de fãs, em particular no que diz respeito ao Rock. Muitos fãs da vertente não veem com bom grado uma alteração de estilo em seus grupos favoritos.
Em 90125, o Yes abandonou quase que por completo a sua sonoridade característica dos anos 1970, em que o estilo era mais voltado ao Rock And Roll, com um viés progressivo/sinfônico muito marcante.
No álbum em questão, 90125, o Yes virou-se para uma sonoridade muito mais Pop, com boas influências de New Wave e toques com efeitos eletrônicos. O Rock aparece em doses quase homeopáticas, com uma guitarra mais forte aqui e um solinho acolá.
O Blog deve afirmar ao leitor que o estilo em questão do disco não é o prato principal de quem o escreve. Longe disso. Mas é necessário marcar a importância que 90125 teve tanto para o Yes quanto para o desenvolvimento da música pop dos anos 1980. O contraditório é que o espasmo do som setentista na banda dentro do disco, “Cinema”, deu ao grupo seu único prêmio Grammy.
Outra característica marcante de 90125 é o seu conteúdo lírico. As letras são absolutamente sensacionais. Esqueçam abordagens superficiais, romantismo clichê ou músicas sobre bebedeiras ou sexo. O Yes faz reflexões intensas sobre aspectos da vida com toques dotados de profundidade e sutileza. Genial.
Enfim, se o leitor também gosta de uma música mais suave, o álbum é altamente recomendado. O Yes é uma grande banda da história do Rock e marca presença, agora, no Blog.