FREE - FREE (1969)


Free é o segundo álbum de estúdio da banda britânica de mesmo nome, ou seja, o Free. Seu lançamento oficial ocorreu em outubro de 1969 pelo selo Island Records. As gravações se deram entre janeiro e junho daquele mesmo ano, nos estúdios Morgan Studios e Trident Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Chris Blackwell.

O Blog tem como um de seus melhores posts aquele sobre o álbum Fire And Water (1970), justamente do Free, que pode ser visto aqui. Brevemente, far-se-á uma pequena introdução sobre o grupo para depois se analisar o álbum.


Tons Of Sobs, primeiro álbum do Free, foi lançado no Reino Unido em 14 de março de 1969. O estilo proposto em sua estreia é predominantemente o Blues Rock.

Embora o álbum não houvesse conseguido repercutir nas paradas de sucesso do Reino Unido, chegou ao humilde 197º lugar nos Estados Unidos.

O Free era uma nova banda quando gravou Tons Of Sobs e seus músicos eram extremamente jovens; nenhum deles havia feito vinte anos e o mais jovem, o baixista Andy Fraser, estava com apenas 16 anos de idade.

O grupo havia conseguido uma boa experiência através de constantes turnês, sendo que seu álbum de estreia consistiu na maior parte de seu set-list ao vivo.

Quando a banda assinou contrato com a Island Records, de Chris Blackwell, Guy Stevens foi contratado para produzir o álbum (e ele mais tarde se tornaria inesquecível produzindo os primeiros álbuns do Mott the Hoople e do lendário álbum do The Clash, London Calling, de 1979).

Andy Fraser
Ele optou por uma atitude minimalista na produção, muito devido ao extremamente baixo orçamento de cerca de 800 libras, criando um som muito cru e estridente. Embora a relativa inexperiência da banda, com estúdios, também fosse um fator que contribuiu para o resultado final da produção.

Mesmo assim, o trabalho traz canções memoráveis como “Walk In My Shadow” e “I'm A Mover”.

Mas o Free conquistaria o público através de suas performances impressionantes nos shows da banda.

Na turnê para divulgar seu primeiro trabalho, o Free faria shows de abertura para o Blind Faith (de Eric Clapton) no Reino Unido e depois seguindo para a Europa onde fariam a abertura de bandas como Spooky Tooth e Jethro Tull.

Entre a turnê de divulgação para seu trabalho de estreia, o Free intercalava sessões de estúdio já trabalhando para seu segundo disco, desta feita autointitulado.

Há uma diferença marcante na musicalidade da banda para seu segundo trabalho, bem como na voz de Paul Rodgers. Se Tons Of Sobs havia sido produzido por Guy Stevens, Free foi produzido pelo próprio chefe da Island Records, Chris Blackwell.

Este álbum viu o florescimento da parceria musical entre Paul Rodgers e o baixista Andy Fraser, que havia sido vislumbrado em Tons Of Sobs em canções como “I'm A Mover”, sendo que oito das nove faixas são creditadas à parceria Fraser e Rodgers.

Possivelmente, como um dos resultados da influência de Fraser como compositor, o baixo é muito mais proeminente neste trabalho em relação ao álbum anterior. O instrumento é usado como uma guitarra-base, dirigindo as músicas, enquanto a guitarra de Kossoff se desenvolve a partir dele.

O álbum é notável por sua capa extremamente inovadora e impressionante, creditada a Ron Rafaelli, da The Visual Thing Inc. Ele é destaque no livro 100 Best Album Covers, ao lado de exemplos mais conhecidos, como a lendária capa, de autoria de Peter Blake, para Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles.

Paul Rodgers
Rafaelli fez a capa fotografando sua modelo com luzes estroboscópicas para fazer uma silhueta de encontro a um fundo, no qual poderia, então, sobrepor um design.

Assim, o álbum tem um design de uma mulher feita de estrelas pulando em todo o céu. O nome da banda é impresso em letras extremamente pequenas na parte superior da capa (desta forma, como o formato CD é muito menor que o LP, isso o torna quase ilegível no primeiro).

Vamos às faixas:

I'LL BE CREEPIN'

Um bom riff é a base da primeira faixa do álbum Free. O baixo de Andy Fraser está bastante proeminente e domina o ambiente. A pegada Bluesy é muito marcante e o ritmo cadenciado encanta. A atuação vocal de Paul Rodgers é impecável. O solo principal da guitarra de Paul Kossoff esbanja talento. Faixa incrível!

A letra é sobre desilusão amorosa:

Take all you things and move far away
Take all your furs and rings baby
But don't you sing hurray
You can change your address
But you wont get far
Don't make no difference wherever you are
Yeah 'cos I'll be creepin' baby
And I'll be creeping 'round your door


“I'll Be Creepin'” foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão em termos de paradas de sucesso.



SONGS OF YESTERDAY

Outra vez em um ritmo bem cadenciado, "Songs Of Yesterday" traz o baixo de Andy Fraser como o principal destaque da canção, em uma posição dominante. Quem também brilha é o baterista Simon Kirke, fazendo um ótimo trabalho. Kossoff transborda feeling nos solos e Rodgers tem outra grande atuação nos vocais.

A letra possui alto teor de melancolia:

Sad song
Then i'll get on
On my way
Just like a song of yesterday
Listen to what i'm gonna say



LYING IN THE SUNSHINE

Uma lenta e suave melodia é a marca inicial da terceira composição presente no disco. O andamento arrastado traz um clima melancólico para a música, mas longe de ser ruim. Paul Rodgers opta por uma atuação vocal mais sóbria e contida e que se casa de maneira eficiente com o instrumental. A faixa demonstra uma faceta mais intimista do conjunto.

A letra possui sentido de leveza:

So let us lie in the sun
Let us dream all alone
Let our worries fly away
So happy here
So let me stay



TROUBLE ON DOUBLE TIME

O Rock com forte influência de Blues está de volta em "Trouble On Double Time". Aqui a guitarra de Paul Kossoff está mais ativa, embora o baixo de Andy Fraser ainda se sobressaia de maneira bastante acentuada. Kossoff destrói em outro solo muito bom. Mais um grande momento do álbum.

A letra é simples e se refere à fidelidade:

You know my school teacher
Told me before i left school
That a man with two women's
Not a man but a fool



MOUTHFUL OF GRASS

"Mouthful Of Grass" é uma faixa instrumental, a qual é dominada por um andamento arrastado e preenchida por um sentimento bastante bucólico. Há uma certa influência celta na melodia da canção, na qual se destacam Fraser e Kossoff.



WOMAN

"Woman" traz novamente uma pegada Bluesy, mas com uma dose surpreendente de peso, flertando muito proximamente com o Hard Rock da década seguinte. Desta maneira, a guitarra de Paul Kossoff brilha intensamente, sobre uma base perfeita construída por Fraser e Kirke. Como toque final, outra brilhante atuação de Rodgers. Faixa sensacional!

A letra é divertida e tem teor de interesse:

Marry me today
I'll give you everything, except my car, baby
Marry me today
I'll give you everything, but my guitar
But my guitar and my car



FREE ME

A introdução de "Free Me" apresenta o baixo de Fraser ainda mais dominante, em um clima tenso e obscuro. A voz de Rodgers contribui decisivamente para este aspecto sombrio apresentado pela canção. Kossoff faz um solo minimalista por volta dos dois minutos e meio que extrapola no feeling. Uma composição com forte influência Blues/Soul em um momento interessantíssimo do disco.

A letra intercala amor e sofrimento:

Morning comes
And the evening follows
Life without you
Knows no tomorrow
You leave me weary
And you leave me tired
But you fill my soul
With strange desire
But I love you babe
Yes I love all of you



BROAD DAYLIGHT

"Broad Daylight" talvez seja a faixa mais conhecida do álbum Free. A canção apresenta a guitarra de Paul Kossoff imprimindo peso e intensidade em um novo toque no Hard Rock. A melodia apresentada é belíssima, envolve o ambiente, catalisada pela monumental atuação de Paul Rodgers. O solo da guitarra de Kossoff é incrível. Um clássico.

A letra é uma mensagem de esperança:

Now the clock says it's time for bed
Time for sleep the moon just said
Time for tears in your dreams
Will the tears all disappear come


“Broad Daylight” é um dos maiores clássicos do Free. Mesmo assim, lançada como single, não conseguiu repercutir nas principais paradas de sucesso.



MOURNING SAD MORNING

A nona - e última - faixa de Free é "Mourning Sad Morning". Logo no início é possível ouvir a flauta de Chris Wood, um dos fundadores da banda Traffic. Trata-se de outra canção com uma pegada mais leve e lenta, mas desta feita com uma musicalidade bastante triste e melancólica. Rodgers casa de maneira perfeita seu vocal com a sonoridade e é o maior destaque da música.

A letra possui sentido romântico:

In the evening i sit
And my thoughts they turn to you
In the evening i think of my home
And i need you to remember
All the love we used to know
Think of me sometimes
My love



Considerações Finais

Com seus singles causando pouco (ou mesmo nenhum) barulho, o álbum não foi nada bem, comercialmente falando, em seu período de lançamento.

Mesmo assim, atingiu a modesta 22ª posição na principal parada de sucesso britânica, mas não repercutiu nada na correspondente norte-americana.

Mas, com o passar do tempo e o Free se tornando conhecido – bem como seus membros no decorrer de suas próprias carreiras – o álbum Free passou a ser admirado e muito respeitado. Tanto que a banda Three Dog Night fez versões cover de “I'll Be Creepin'” e “Woman”.

Ao mesmo tempo, enquanto Fraser e Rodgers fortaleciam uma parceria como compositores, as tensões dentro da banda aumentavam.

Kossoff, cuja espontaneidade natural tinha sido alimentada até então, particularmente, ressentia-se em ser obrigado a seguir rigidamente partes muito específicas da guitarra-base criadas por Fraser.

Foi um período estranho que viu ambos, Kossoff e o baterista Simon Kirke, chegarem perto de deixarem a banda.

Só a intervenção sempre diplomática do chefe da gravadora, Chris Blackwell, parece ter evitado isso, assim como manteve a banda disciplinada e focada na gravação do disco.

Dave Thompson, do Allmusic, dá ao álbum uma nota 4 de um 5 máximo possível, apontando o disco como uma referência no Blues Rock britânico.

Apesar dos problemas, a banda continuou junta, fazendo turnês e se mantendo sempre exibindo seu talento em shows durante todo o ano de 1969.

Assim, entre um show e outro, o grupo entra o ano de 1970 já compondo e fazendo gravações do que seria seu terceiro álbum de estúdio, Fire And Water.


Formação:
Paul Rodgers - Vocal
Paul Kossoff - Guitarra
Andy Fraser - Baixo
Simon Kirke - Bateria

Faixas:
01. I'll Be Creepin' (Fraser/Rodgers) – 3:27
02. Songs of Yesterday (Fraser/Rodgers) – 3:33
03. Lying in the Sunshine (Fraser/Rodgers) – 3:51
04. Trouble on Double Time (Fraser/Rodgers/Kirke/Kossoff) – 3:23
05. Mouthful of Grass (Fraser/Rodgers) – 3:36
06. Woman (Fraser/Rodgers) – 3:50
07. Free Me (Fraser/Rodgers) – 5:24
08. Broad Daylight (Fraser/Rodgers) – 3:15
09. Mourning Sad Morning (Fraser/Rodgers) – 5:04

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/free/

Opinião do Blog:
Certamente o Free não teve o sucesso que merecia e, até hoje, permanece uma banda não tão conhecida do público em geral, ao menos no Brasil. Mas trata-se de uma das formações mais talentosas da história do Rock.

Seus álbuns iniciais, como o que está apresentado neste post, mostra uma banda com forte influência do Blues norte-americano, fundindo-o de maneira especial com sua forte veia Rock. Mais que isto, já em Free, a banda apresenta pequenos toques do Hard Rock sensacional que apresentaria no futuro, como no álbum Fire And Water (1970).

Saber que se tratavam de adolescentes gravando este trabalho de tanta qualidade realmente causa espanto. O baixo de Andy Fraser está o tempo todo presente, criando a base sobre a qual a guitarra de Paul Kossoff desfila todo o talento do músico. Tudo isto é recheado com uma atuação impecável de Paul Rodgers, um vocalista muito acima da média.

As letras são simples, mas não comprometem a qualidade do trabalho.

O álbum Free ainda não representa o ápice do conjunto homônimo, mas é um disco de qualidade muito alta. As composições são fortes e de um bom gosto absurdo.

A Bluesy "I'll Be Creepin'" encanta com seu ritmo lento e forte, bem como em "Songs Of Yesterday". As baladas com toques melancólicos funcionam de maneira muito eficiente como em "Lying In The Sunshine" e em "Mourning Sad Morning".

Ainda há a incrível e pesada "Broad Daylight", um clássico inconteste da banda. Sem falar em "Woman", uma das melhores composições do catálogo do grupo.

Enfim, o Free era uma banda composta por músicos muito jovens, mas com um talento extraordinário para suas baixas idades. Seu segundo trabalho apresenta um grupo desenvolvendo sua identidade musical, demonstrando canções inspiradas e de muito bom gosto, apontando para um futuro que seria brilhante. Álbum muito bem recomendado pelo Blog!

FREE - FREE (1969)






Free é o
segundo álbum de estúdio da banda britânica de mesmo nome, ou
seja, o Free. Seu lançamento oficial ocorreu em outubro de 1969 pelo
selo Island Records. As gravações se deram entre janeiro e junho
daquele mesmo ano, nos estúdios Morgan Studios e Trident Studios, em
Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Chris
Blackwell.





O Blog
tem como um de seus melhores posts aquele sobre o álbum Fire And
Water (1970), justamente do Free, que pode ser visto aqui.
Brevemente, far-se-á uma pequena introdução sobre o grupo para
depois se analisar o álbum.










Tons Of
Sobs, primeiro álbum do Free, foi lançado no Reino Unido em 14 de
março de 1969. O estilo proposto em sua estreia é predominantemente
o Blues Rock.





Embora o
álbum não houvesse conseguido repercutir nas paradas de sucesso do
Reino Unido, chegou ao humilde 197º lugar nos Estados Unidos.





O Free
era uma nova banda quando gravou Tons Of Sobs e seus músicos eram
extremamente jovens; nenhum deles havia feito vinte anos e o mais
jovem, o baixista Andy Fraser, estava com apenas 16 anos de idade.





O grupo
havia conseguido uma boa experiência através de constantes turnês,
sendo que seu álbum de estreia consistiu na maior parte de seu
set-list ao vivo.





Quando a
banda assinou contrato com a Island Records, de Chris Blackwell, Guy
Stevens foi contratado para produzir o álbum (e ele mais tarde se
tornaria inesquecível produzindo os primeiros álbuns do Mott the
Hoople e do lendário álbum do The Clash, London Calling, de 1979).







Andy Fraser


Ele optou
por uma atitude minimalista na produção, muito devido ao
extremamente baixo orçamento de cerca de 800 libras, criando um som
muito cru e estridente. Embora a relativa inexperiência da banda,
com estúdios, também fosse um fator que contribuiu para o resultado
final da produção.





Mesmo
assim, o trabalho traz canções memoráveis como “Walk In My
Shadow” e “I'm A Mover”.





Mas o
Free conquistaria o público através de suas performances
impressionantes nos shows da banda.





Na turnê
para divulgar seu primeiro trabalho, o Free faria shows de abertura
para o Blind Faith (de Eric Clapton) no Reino Unido e depois seguindo
para a Europa onde fariam a abertura de bandas como Spooky Tooth e
Jethro Tull.





Entre a
turnê de divulgação para seu trabalho de estreia, o Free
intercalava sessões de estúdio já trabalhando para seu segundo
disco, desta feita autointitulado.





Há uma
diferença marcante na musicalidade da banda para seu segundo
trabalho, bem como na voz de Paul Rodgers. Se Tons Of Sobs havia sido
produzido por Guy Stevens, Free foi produzido pelo próprio chefe da
Island Records, Chris Blackwell.





Este
álbum viu o florescimento da parceria musical entre Paul Rodgers e o
baixista Andy Fraser, que havia sido vislumbrado em Tons Of Sobs em
canções como “I'm A Mover”, sendo que oito das nove faixas são
creditadas à parceria Fraser e Rodgers.





Possivelmente,
como um dos resultados da influência de Fraser como compositor, o
baixo é muito mais proeminente neste trabalho em relação ao álbum
anterior. O instrumento é usado como uma guitarra-base, dirigindo as
músicas, enquanto a guitarra de Kossoff se desenvolve a partir dele.





O álbum
é notável por sua capa extremamente inovadora e impressionante,
creditada a Ron Rafaelli, da The Visual Thing Inc. Ele é destaque no
livro 100 Best Album Covers, ao lado de exemplos mais
conhecidos, como a lendária capa, de autoria de Peter Blake, para
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles.







Paul Rodgers


Rafaelli
fez a capa fotografando sua modelo com luzes estroboscópicas para
fazer uma silhueta de encontro a um fundo, no qual poderia, então,
sobrepor um design.





Assim, o
álbum tem um design de uma mulher feita de estrelas pulando em todo
o céu. O nome da banda é impresso em letras extremamente pequenas
na parte superior da capa (desta forma, como o formato CD é muito
menor que o LP, isso o torna quase ilegível no primeiro).





Vamos às
faixas:





I'LL
BE CREEPIN'





Um bom riff é a base da primeira faixa do álbum Free. O baixo de Andy Fraser está bastante proeminente e domina o ambiente. A pegada Bluesy é muito marcante e o ritmo cadenciado encanta. A atuação vocal de Paul Rodgers é impecável. O solo principal da guitarra de Paul Kossoff esbanja talento. Faixa incrível!





A letra é
sobre desilusão amorosa:





Take
all you things and move far away


Take
all your furs and rings baby


But
don't you sing hurray


You
can change your address


But
you wont get far


Don't
make no difference wherever you are


Yeah
'cos I'll be creepin' baby


And
I'll be creeping 'round your door










“I'll
Be Creepin'” foi lançada como single, mas não obteve maior
repercussão em termos de paradas de sucesso.













SONGS
OF YESTERDAY





Outra vez em um ritmo bem cadenciado, "Songs Of Yesterday" traz o baixo de Andy Fraser como o principal destaque da canção, em uma posição dominante. Quem também brilha é o baterista Simon Kirke, fazendo um ótimo trabalho. Kossoff transborda feeling nos solos e Rodgers tem outra grande atuação nos vocais.





A letra
possui alto teor de melancolia:





Sad
song


Then
i'll get on


On my
way


Just
like a song of yesterday


Listen
to what i'm gonna say













LYING
IN THE SUNSHINE





Uma lenta e suave melodia é a marca inicial da terceira composição presente no disco. O andamento arrastado traz um clima melancólico para a música, mas longe de ser ruim. Paul Rodgers opta por uma atuação vocal mais sóbria e contida e que se casa de maneira eficiente com o instrumental. A faixa demonstra uma faceta mais intimista do conjunto.





A letra
possui sentido de leveza:





So let
us lie in the sun


Let us
dream all alone


Let
our worries fly away


So
happy here


So let
me stay













TROUBLE
ON DOUBLE TIME





O Rock com forte influência de Blues está de volta em "Trouble On Double Time". Aqui a guitarra de Paul Kossoff está mais ativa, embora o baixo de Andy Fraser ainda se sobressaia de maneira bastante acentuada. Kossoff destrói em outro solo muito bom. Mais um grande momento do álbum.





A letra é
simples e se refere à fidelidade:





You
know my school teacher


Told
me before i left school


That a
man with two women's


Not a
man but a fool













MOUTHFUL
OF GRASS





"Mouthful Of Grass" é uma faixa instrumental, a qual é dominada por um andamento arrastado e preenchida por um sentimento bastante bucólico. Há uma certa influência celta na melodia da canção, na qual se destacam Fraser e Kossoff.













WOMAN





"Woman" traz novamente uma pegada Bluesy, mas com uma dose surpreendente de peso, flertando muito proximamente com o Hard Rock da década seguinte. Desta maneira, a guitarra de Paul Kossoff brilha intensamente, sobre uma base perfeita construída por Fraser e Kirke. Como toque final, outra brilhante atuação de Rodgers. Faixa sensacional!





A letra é
divertida e tem teor de interesse:





Marry
me today


I'll
give you everything, except my car, baby


Marry
me today


I'll
give you everything, but my guitar


But my
guitar and my car













FREE
ME





A introdução de "Free Me" apresenta o baixo de Fraser ainda mais dominante, em um clima tenso e obscuro. A voz de Rodgers contribui decisivamente para este aspecto sombrio apresentado pela canção. Kossoff faz um solo minimalista por volta dos dois minutos e meio que extrapola no feeling. Uma composição com forte influência Blues/Soul em um momento interessantíssimo do disco.





A letra
intercala amor e sofrimento:





Morning
comes



And
the evening follows



Life
without you



Knows
no tomorrow



You
leave me weary



And
you leave me tired



But
you fill my soul



With
strange desire



But I
love you babe



Yes I
love all of you













BROAD
DAYLIGHT





"Broad Daylight" talvez seja a faixa mais conhecida do álbum Free. A canção apresenta a guitarra de Paul Kossoff imprimindo peso e intensidade em um novo toque no Hard Rock. A melodia apresentada é belíssima, envolve o ambiente, catalisada pela monumental atuação de Paul Rodgers. O solo da guitarra de Kossoff é incrível. Um clássico.





A letra é
uma mensagem de esperança:





Now
the clock says it's time for bed


Time
for sleep the moon just said


Time
for tears in your dreams


Will
the tears all disappear come










“Broad
Daylight” é um dos maiores clássicos do Free. Mesmo assim,
lançada como single, não conseguiu repercutir nas principais
paradas de sucesso.













MOURNING
SAD MORNING





A nona - e última - faixa de Free é "Mourning Sad Morning". Logo no início é possível ouvir a flauta de Chris Wood, um dos fundadores da banda Traffic. Trata-se de outra canção com uma pegada mais leve e lenta, mas desta feita com uma musicalidade bastante triste e melancólica. Rodgers casa de maneira perfeita seu vocal com a sonoridade e é o maior destaque da música.





A letra
possui sentido romântico:





In the
evening i sit


And my
thoughts they turn to you


In the
evening i think of my home


And i
need you to remember


All
the love we used to know


Think
of me sometimes


My
love













Considerações
Finais





Com seus
singles causando pouco (ou mesmo nenhum) barulho, o álbum não foi
nada bem, comercialmente falando, em seu período de lançamento.





Mesmo
assim, atingiu a modesta 22ª posição na principal parada de
sucesso britânica, mas não repercutiu nada na correspondente
norte-americana.





Mas, com
o passar do tempo e o Free se tornando conhecido – bem como seus
membros no decorrer de suas próprias carreiras – o álbum Free passou a ser
admirado e muito respeitado. Tanto que a banda Three Dog Night fez
versões cover de “I'll Be Creepin'” e “Woman”.





Ao mesmo
tempo, enquanto Fraser e Rodgers fortaleciam uma parceria como
compositores, as tensões dentro da banda aumentavam.





Kossoff,
cuja espontaneidade natural tinha sido alimentada até então,
particularmente, ressentia-se em ser obrigado a seguir rigidamente
partes muito específicas da guitarra-base criadas por Fraser.





Foi um
período estranho que viu ambos, Kossoff e o baterista Simon Kirke,
chegarem perto de deixarem a banda.





Só a
intervenção sempre diplomática do chefe da gravadora, Chris
Blackwell, parece ter evitado isso, assim como manteve a banda
disciplinada e focada na gravação do disco.





Dave
Thompson, do Allmusic, dá ao álbum uma nota 4 de um 5 máximo possível,
apontando o disco como uma referência no Blues Rock britânico.





Apesar
dos problemas, a banda continuou junta, fazendo turnês e se mantendo
sempre exibindo seu talento em shows durante todo o ano de 1969.





Assim,
entre um show e outro, o grupo entra o ano de 1970 já compondo e
fazendo gravações do que seria seu terceiro álbum de estúdio,
Fire And Water.










Formação:


Paul
Rodgers - Vocal


Paul
Kossoff - Guitarra


Andy
Fraser - Baixo


Simon
Kirke - Bateria





Faixas:


01. I'll
Be Creepin' (Fraser/Rodgers) – 3:27


02. Songs
of Yesterday (Fraser/Rodgers) – 3:33


03. Lying
in the Sunshine (Fraser/Rodgers) – 3:51


04.
Trouble on Double Time (Fraser/Rodgers/Kirke/Kossoff) – 3:23


05.
Mouthful of Grass (Fraser/Rodgers) – 3:36


06. Woman
(Fraser/Rodgers) – 3:50


07. Free
Me (Fraser/Rodgers) – 5:24


08. Broad
Daylight (Fraser/Rodgers) – 3:15


09.
Mourning Sad Morning (Fraser/Rodgers) – 5:04





Letras:


Para o
conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
http://letras.mus.br/free/




Opinião
do Blog:



Certamente o Free não teve o sucesso que merecia e, até hoje, permanece uma banda não tão conhecida do público em geral, ao menos no Brasil. Mas trata-se de uma das formações mais talentosas da história do Rock.





Seus álbuns iniciais, como o que está apresentado neste post, mostra uma banda com forte influência do Blues norte-americano, fundindo-o de maneira especial com sua forte veia Rock. Mais que isto, já em Free, a banda apresenta pequenos toques do Hard Rock sensacional que apresentaria no futuro, como no álbum Fire And Water (1970).





Saber que se tratavam de adolescentes gravando este trabalho de tanta qualidade realmente causa espanto. O baixo de Andy Fraser está o tempo todo presente, criando a base sobre a qual a guitarra de Paul Kossoff desfila todo o talento do músico. Tudo isto é recheado com uma atuação impecável de Paul Rodgers, um vocalista muito acima da média.





As letras são simples, mas não comprometem a qualidade do trabalho.





O álbum Free ainda não representa o ápice do conjunto homônimo, mas é um disco de qualidade muito alta. As composições são fortes e de um bom gosto absurdo.





A Bluesy "I'll Be Creepin'" encanta com seu ritmo lento e forte, bem como em "Songs Of Yesterday". As baladas com toques melancólicos funcionam de maneira muito eficiente como em "Lying In The Sunshine" e em "Mourning Sad Morning".





Ainda há a incrível e pesada "Broad Daylight", um clássico inconteste da banda. Sem falar em "Woman", uma das melhores composições do catálogo do grupo.





Enfim, o Free era uma banda composta por músicos muito jovens, mas com um talento extraordinário para suas baixas idades. Seu segundo trabalho apresenta um grupo desenvolvendo sua identidade musical, demonstrando canções inspiradas e de muito bom gosto, apontando para um futuro que seria brilhante. Álbum muito bem recomendado pelo Blog!

MOTÖRHEAD - BOMBER (1979)


Bomber é o quarto álbum de estúdio gravado pela banda inglesa Motörhead (o terceiro a ser lançado). Seu lançamento oficial aconteceu em 27 de outubro de 1979, através do selo Bronze Records. As gravações se deram entre 7 de julho e 31 de agosto daquele mesmo ano, nos estúdios Roundhouse Studios e Olympic Studios, ambos em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta de Jimmy Miller.

O Motörhead é uma verdadeira instituição do Rock & Roll e que dispensa quaisquer apresentações. O Blog vai tratar dos fatos que antecederam o lançamento do disco para depois apresentá-lo, faixa à faixa, como manda a nossa tradição.


Em 9 de março 1979, o Motörhead tocou a música "Overkill" no famoso programa da televisão britânica daquela época, Top of the Pops, para apoiar o lançamento do single previamente ao álbum Overkill.

Overkill foi lançado em 24 de março de 1979 e se tornou o primeiro álbum do Motörhead a entrar no top 40 da parada de álbuns do Reino Unido, alcançando a 24ª colocação, com o single “Overkill” atingindo a 39ª posição na parada de singles.

Estes lançamentos foram seguidos pela "Overkill" Tour, pelo Reino Unido, que começou em 23 de março daquele ano.

Outro single para promover Overkill foi lançado em junho de 1979, acoplando a faixa "No Class", como o lado A, com a canção inédita "Like a Nightmare" no lado B. Ele saiu-se pior, em comparação, tanto com o álbum quanto em relação ao single anterior, mas alcançou o 61º lugar na parada de singles do Reino Unido.

Durante Julho e Agosto, com exceção de uma pausa para aparecer no Reading Festival, a banda estava trabalhando em seu próximo álbum, o qual viria a ser Bomber. Para a produção, o lendário Jimmy Miller (que havia trabalhado com ninguém menos que os Rolling Stones) foi o escolhido.

No entanto, a banda não teve a oportunidade de trabalhar as músicas em shows previamente, como eles haviam feito com o álbum anterior, Overkill.

Segundo Lemmy: "eu gostaria que tivéssemos tocado as canções no palco em primeiro lugar, como fizemos com o álbum Overkill, se nós pudéssemos tê-las tocado por três semanas na estrada o resultado seria menos polido".

Ainda sobre o resultado das canções no disco, Joel McIver cita o vocalista e baixista Lemmy em seu livro Overkill: The Untold Story of Motörhead: "Ouça a nossa forma de tocá-las ao vivo e compare-as com o álbum".

Durante a gravação de Bomber, Jimmy Miller estava cada vez mais sob a influência de heroína, em um ponto de desaparecer completamente do estúdio e ser encontrado adormecido ao volante de seu carro. Ironicamente, o álbum apresenta primeira canção anti-heroína da banda - “Dead Men Tell No Tales”.

Lemmy Kilmister
Miller havia produzido alguns dos trabalhos mais alardeados do Rolling Stones entre 1968 e 1973, mas, após muitos contratempos durante as sessões de Goats Head Soup (1973), a relação teve fim.

No documentário The Guts and the Glory, o baterista Phil "Philthy Animal" Taylor se maravilha, "Nós costumávamos pensar que estávamos mal em estarmos atrasados, mas ele estava, assim, metade de um dia de atraso, ou ainda mais atrasado, e suas desculpas eram maravilhosas".

Em sua autobiografia, White Line Fever, Lemmy afirma: "Overkill era supostamente uma espécie de álbum de retorno para Jimmy Miller, que é exatamente o que acabou por ser para ele. Ele havia se envolvido muito pesadamente com heroína (que provavelmente começou quando ele estava trabalhando com os Stones) e se perdeu por alguns anos ... mas meses mais tarde, quando estávamos a trabalhar com Miller em Bomber, foi tristemente claro que ele estava de volta à droga".

A banda voltou para o Roundhouse Studios em Londres, com uma gravação adicional ocorrida no Olympic Studios.

Em uma das faixas, “Step Down”, Eddie Clarke é destaque nos vocais. Em seu livro de memórias, Lemmy revela que Clarke "vinha reclamando que eu estava ficando o centro das atenções, mas ele não quis fazer nada sobre isso. Eu fiquei doente dele tanto reclamar, então eu disse, 'Certo, você vai cantar uma merda neste álbum' ... ele odiava, mas na verdade, ele era um bom cantor, Eddie ".

'Fast' Eddie Clarke
Durante a gravação de Bomber, o Motörhead tocou no Reading Festival ao lado de Police e do Eurythmics.

A capa é bem legal, contando com o mascote da banda, Snaggletooth, o qual foi criado por Joe Petagno. Vamos às faixas:

DEAD MEN TELL NO TALES

Logo na primeira faixa de Bomber é possível sentir a identidade musical do Motörhead. Um riff pesado, direto, embora um pouco mais cadenciado para os padrões da banda. A bateria de Phil Taylor está insana e o baixo de Lemmy dá as cartas. Ótimo início.

A letra é uma mensagem anti-heroína:

You used to be my friend,
But that friendship´s coming to an end,
My meaning must be clear,
You know pity is all that you hear,
But if you´re doing smack,
You won´t be coming back,
I ain´t the one to make your bail,
Dead Men Tell No Tales

“Dead Men Tell No Tales” é um dos clássicos do Motörhead. A faixa é uma das prediletas entre a sua grande massa de fãs.



LAWMAN

A intensidade do álbum continua pesada na sua segunda canção. Outra vez o Motörhead aposta em um ritmo mais cadenciado, mas sem abrir mão de seu peso característico. Outro bom trabalho de Taylor na bateria e os vocais agressivos de Lemmy se casam perfeitamente com o instrumental. Um solo muito interessante da guitarra de Eddie Clarke coroa a música.

A letra faz uma dura crítica à Polícia:

Every time you speak to me
Makes it plain that you don't see
What´s really happening here
You just confuse respect with fear



SWEET REVENGE

Em "Sweet Revenge" o andamento fica ainda mais lento, embora o peso continue muito presente. O caminhar arrastado da canção dá maior destaque ao trabalho de Taylor na bateria, bem destacado. Outro inspirado solo da guitarra de Eddie Clarke. Mais um momento de brilho no álbum.

A letra seugere o tema vingança e tortura:

So sweet to see you,
Writhe and crawl and scream for life,
But I can´t listen now,
I´m too busy with the knife,
I don´t hear you laughing,
My dismembered friend,
I don´t hear you laughing,
You don´t like my Sweet Revenge



SHARPSHOOTER

Já na quarta faixa do disco, o Motörhead apresenta uma música bastante direta e rápida, capitaneada por um riff muito veloz e um baixo, por parte de Lemmy, bem destacado. A interpretação de Kilmister nos vocais é interessante.

A letra é boa e remete a armas:

You´re the contract, I´m gonna nail you down,
I´m the contact, with your final round,
And I´m stalking you, and that ain´t all I do,
Sharpshooter



POISON

Nesta faixa, o grupo aposta em um Rock bem direto e com um riff muito bom, conquistando o ouvinte com sua intensidade. Na canção, o destaque total é da guitarra de 'Fast' Eddie Clarke, brilhando tanto nos solos quanto na base.

A letra é uma crítica duríssima ao casamento e a forma como o pai de Lemmy abandonou-o com sua mãe:

My Father, he used to be a Preacher,
Never taught me nothing but scorn,
If I ever catch him on the street, yeah,
I´ll make him wish he´d never been born



STONE DEAD FOREVER

A marcante introdução de "Stone Dead Forever", ao baixo de Lemmy Kilmister, é uma das mais conhecidas dentro da discografia do Motörhead. A canção apresenta um riff simples, mas tão bom quanto contagiante. O ritmo é rápido e intenso; o refrão também se destaca. A música ainda contém um dos melhores solos da guitarra de 'Fast' Eddie Clarke. Clássico!

A letra é boa e fala sobre o destino:

It's been a long time
And a long long wait
And you caught your fingers in the pearly gates
You better leave your number
And we'll call you
You know your problems they ain't exactly new
The dark side of the road
And it´s your time to go
Whatever happened to your life
Stone dead forever

“Stone Dead Forever” é um grande clássico do Motörhead e uma de suas mais vibrantes composições.

Uma das mais famosas versões para a canção está presente no álbum Garage Inc. (1998), do Metallica.



ALL THE ACES

A guitarra de 'Fast' Eddie Clarke está ainda mais pesada em "All The Aces", abusando de solos que simplesmente 'cortam' a canção. O ritmo é mais rápido, mas muito envolvente. Outra boa composição presente no álbum.

A letra é uma duríssima crítica ao show business:

You know you´re the boss, but I´m the one it costs,
Gotta see the books, you give me dirty looks,
You know you make me vomit, and I ain´t far from it,
You know you can rob me, but you can´t stop me,
All The Aces, don´t like people who ain´t got no faces



STEP DOWN

Já em "Step Down", o Motörhead apresenta uma pegada mais Bluesy, com a guitarra de Clarke dando um verdadeiro show, abusando de um feeling acima da média. Os vocais são feitos pelo próprio Clarke e, embora não façam feio, não possuem o inigualável timbre único de Kilmister. O ritmo arrastado e malicioso fazem da faixa uma peça única e brilhante do disco.

A letra tem sentido de nostalgia:

I ain´t no beauty, but I´m a secret fox,
I´m gonna put all my presents, inside my favourite box,
And then so long, the universal song,
I know I mustn´t Step Down

O guitarrista Eddie Clarke é quem faz os vocais nesta música.



TALKING HEAD

Já em sua nona canção, Bomber apresenta uma típica sonoridade da discografia do Motörhead: rápida, pesada e muita intensa. O riff principal e base da música é bom e inspirado. A bateria de Taylor faz outro bom trabalho.

A letra é uma crítica à televisão:

Television screams, this ought to be a dream,
Remember what I say,
Don´t be hypnotised by sugar coated lies,
Don´t switch it on today,
It´s the way things are, from that pickle jar,
You´re hungry you get fed,
But if you play the game, you become the same,
Another Talking Head



BOMBER

A décima - e última - faixa de Bomber é homônima ao álbum, ou seja, "Bomber". Rápida, em alta velocidade, contando com a dose corretíssima de peso e transpirando inspiração, Bomber é uma canção incrível. Destaque para a atuação vocal perfeita de Lemmy e o feeling absurdo da guitarra de Eddie Clarke. Fecha o disco de maneira perfeita.

A letra é baseada no romance de mesmo nome, ou seja, Bomber, escrito por Len Deighton:

No night fighter,
Gonna stop us getting through,
The sirens make you shiver,
You bet my aim is true,
Because, you know we aim to please,
Bring you to your knees,
It´s a Bomber


“Bomber” é um dos maiores clássicos da história do Motörhead e uma de suas canções que definem sua sonoridade.

O bombardeiro a que se refere a canção se tornou a inspiração para um equipamento de iluminação usado para seus shows, um tubo de alumínio de quarenta pés, uma réplica de um bombardeiro Heinkel He 111.

A canção foi lançada como single, atingindo a 34ª colocação na principal parada de sucesso desta natureza.

O lado B do single continha uma faixa até então inédita, “Over the Top”, a qual depois foi incluída em relançamentos posteriores do álbum.

Presente quase que constantemente nos shows, “Bomber” é facilmente encontrada em vários álbuns ao vivo que foram lançados pelo Motörhead durante sua carreira, como o clássico No Sleep 'til Hammersmith (1981) e Everything Louder than Everyone Else (1999), por exemplo.

Entre as versões cover mais famosas estão as de bandas como Girlschool, Mudhoney e Onslaught.


Considerações Finais

Bomber foi muito bem recebido, especialmente pela então crescente base de fãs do, na época, jovem Motörhead.

O álbum atingiu a excelente 12ª posição da principal parada de sucessos do Reino Unido, embora não tenha causado repercussão na correspondente norte-americana.

Em 1º de Dezembro, o disco foi seguido pelo lançamento do single "Bomber", que, conforme foi citado acima, atingiu o número 34 na parada de singles britânica.

A turnê britânica e europeia veio em seguida, com o Saxon como banda de apoio. Os shows contavam com uma aeronave espetacular, em forma de bombardeiro, como equipamento de iluminação.

Durante a turnê de "Bomber", a United Artists juntou várias gravações do Motörhead ocorridas durante as sessões no Rockfield Studios, entre 1975 e 1976 e lançou-as como o álbum On Parole, que alcançou a posição número 65 na principal parada de sucessos britânica, em dezembro de 1979.

Jason Birchmeier do Allmusic escreve: “Há um par de canções assassinas aqui, a saber “Dead Men Tell No Tales”, “Stone Dead Forever” e “Bomber”, mas no geral, as canções de Bomber não são tão fortes quanto as de Overkill foram. Assim, este é um ponto discutível para se levantar, mas Bomber ainda é um álbum Top do Motörhead, um dos seus melhores de todos os tempos, sem dúvida”.

Em 2011, o biógrafo do Motörhead, Joel McIver escreveu: "Alguns pensam que o esforço de escrever dois álbuns 'assassinos' no espaço de um ano foi demais para Motörhead, nesta fase inicial, e que Bomber - lançado em 27 de outubro, sete meses após seu antecessor - não poderia almejar confrontar Overkill".

Em sua autobiografia, White Line Fever, Lemmy chama Bomber de "um registro de transição", mas admite que "há um par de faixas realmente bobas nele, como "Talking Head"".

Em 1980, em entrevista na revista Sounds, Clarke comparou Bomber desfavoravelmente em relação ao clássico Ace of Spades (1980), indicando: "Bomber parecia errado. Não estava tudo lá".

Bomber ultrapassa a casa de 60 mil cópias vendidas no ano de lançamento apenas no Reino Unido.



Formação:
Lemmy (Ian Kilmister) - Vocal, Baixo, Baixo de oito cordas
"Fast" Eddie Clarke - Guitarra, Backing Vocal, vocal principal "Step Down"
Phil "Philthy Animal" Taylor - Bateria

Faixas:
01. Dead Men Tell No Tales (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:07
02. Lawman (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:56
03. Sweet Revenge (Kilmister/Clarke/Taylor) - 4:10
04. Sharpshooter (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:19
05. Poison (Kilmister/Clarke/Taylor) - 2:54
06. Stone Dead Forever (Kilmister/Clarke/Taylor) - 4:54
07. All the Aces (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:24
08. Step Down (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:41
09. Talking Head (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:40
10. Bomber (Kilmister/Clarke/Taylor) - 3:43

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/motorhead/

Opinião do Blog:
O Motörhead é uma das instituições da história do Rock. A longa e duradoura carreira do grupo, na ativa desde o final da década de 70, e os seus 22 álbuns de estúdio lançados, confirmam uma banda batalhadora e talentosa.

Além disso, o conjunto que possui como líder e mentor uma das mais emblemáticas figuras do Rock, o baixista Lemmy Kilmister, possui uma identidade sonora única, um DNA inconfundível, capaz de tornar identificável quaisquer de suas músicas já nos minutos iniciais. Coisa para poucos.

Bomber é produto da fase dourada do grupo, período este que originou seus álbuns mais significativos, como Overkill (1979) e Ace of Spades (1980). Bomber se localiza exatamente entre eles e, para o Blog, se não no mesmo, está em um patamar muito próximo de qualidade.

Phil Taylor faz jus ao apelido Philty Animal e destroça insanamente a bateria ao longo de Bomber. O baixo de Lemmy se faz presente e sua voz única é um ingrediente essencial da sonoridade do Motörhead. 'Fast' Eddie Clarke talvez seja quem mais brilhe no disco, com riffs contagiantes e precisos, além de solos que transbordam feeling.

A visão única de vida de Lemmy Kilmister é refletida em suas letras, as quais fogem dos lugares comuns e trazem uma abordagem visceral, por vezes angustiante, sobre a realidade da vida. Muito interessante.

Não há música de enchimento em Bomber. Suas 10 faixas são, no mínimo, boas. Mas há algumas canções realmente matadoras no trabalho.

Composições que orgulhosamente estão no melhor patamar sobre o qual a lendária banda produziu contagiam os ouvintes como as 'matadoras' "Dead Men Tell No Tales", "Lawman" e "Sweet Revenge".

A banda esbanja feeling na marcante "Step Down", a qual o Blog considera que estaria perfeita na voz única de Kilmister.

Mas há ainda duas das melhores músicas que o Motörhead já fez: a inigualável "Stone Dead Forever" e "Bomber", uma canção que sintetiza o que o grupo é, constituinte de seu próprio DNA.

Enfim, não importa muito o que os críticos pensam sobre Bomber. Para o Blog, o álbum está entre os melhores discos da longa carreira do Motörhead e é um dos preferidos de quem escreve este site. O grupo capitaneado por Lemmy Kilmister é um dos mais importantes e influentes da história do Rock, influência esta decisiva para o Heavy Metal e sua vertente Thrash Metal. Bomber é um álbum excelente e obrigatório na coleção de qualquer fã de Rock.