AUDIOSLAVE - AUDIOSLAVE (2002)






Audioslave
é o álbum de estreia da banda norte-americana de mesmo nome, ou
seja, o Audioslave. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de
novembro de 2002 através dos selos Epic e Interscope Records. As
gravações ocorreram entre maio de 2001 e junho de 2002, em
diferentes estúdios da Califórnia, Estados Unidos. A produção
ficou sob responsabilidade de Rick Rubin e do próprio Audioslave.






O
segundo post de 2017 traz outra novidade para o Blog:
progressivamente, aparecerão mais álbuns lançados após o ano 2000
por aqui. A estreia desta nova coluna será com uma das bandas de
Rock com maior impacto durante o início do século XXI, o
Audioslave.










Em
21 de maio de 1996, o Soundgarden, um dos principais nomes da cena
“Grunge” norte-americana, lançava seu quinto álbum de estúdio,
Down on the Upside.





Nele
estão algumas ótimas composições da banda norte-americana, embora
apostando em uma sonoridade menos pesada, como “Rhinosaur”,
“Pretty Noose” e “Burden in My Hand”, todas lançadas como
single e alcançando posições intermediárias nas principais
paradas desta natureza.





O
disco, em si, atingiu a extraordinária 2ª posição da Billboard, a
principal parada norte-americana de álbuns, assim como a excelente
7ª colocação de sua correspondente britânica. Além disso foi um
grande sucesso comercial e supera a casa de 1 milhão de cópias
vendidas apenas nos Estados Unidos.





“Pretty
Noose” foi indicada para o Grammy de Melhor Performance de Hard
Rock
, em 1997. Apesar das críticas favoráveis e de bons
números, as vendas foram 'modestas', especialmente quando a base de
comparação foi o maior sucesso comercial do conjunto, seu disco
anterior, Superunknown, de 1994, que ultrapassa a casa
de 5 milhões de cópias vendidas.





A
banda tomou lugar na turnê Lollapalooza, em 1996, com o Metallica,
que havia insistido sobre a aparência do Soundgarden na mesma.
Depois do Lollapalooza, o grupo embarcou em uma turnê mundial e,
durante, as tensões já existentes aumentaram.





A
última parada da turnê ocorreu em Honolulu, no Havaí, em 9 de
fevereiro de 1997, quando o baixista Ben Shepherd jogou seu baixo para o ar,
em frustração, depois do equipamento falhar, e, posteriormente,
deixou o palco. A banda também retirou-se, com o vocalista Chris
Cornell retornando para concluir o show com uma apresentação solo.





Em 9
de abril de 1997, a banda anunciou que estava se separando. O
Soundgarden ainda lançou uma coletânea intitulada A-Sides,
em novembro de 1997.





Em
1998, Chris Cornell começou a trabalhar em material para um álbum
solo no qual recebeu colaboração de Alain Johannes e Natasha
Shneider, ambos da banda Eleven. O disco, intitulado Euphoria
Morning
, foi lançado em 21 de setembro de 1999.





Em
sua primeira turnê solo, Cornell passou sete meses na estrada, de 13
de setembro de 1999 a 7 de março de 2000, tocando em 61 shows, em
apoio a Euphoria Morning.







Chris Cornell





Cornell
fez duas apresentações coincidindo com a estréia do álbum em 21 e
22 de setembro de 1999, no Henry Fonda Theater, em Hollywood, na
Califórnia, Estados Unidos. O público para os 2 shows foi elevado,
especialmente se se considerar que a performance foi realizada sem os
fãs conhecerem suas novas canções.





A
banda da turnê foi composta por alguns dos músicos que contribuíram
com Cornell, como Alain Johannes, Natasha Shneider, Rick Markmann, e
Greg Upchurch. O álbum se provou um fracasso comercial, embora o
single “Can't Change Me” tenha sido indicado para o Grammy de
Melhor Performance Vocal Masculina de
Rock
, em 2000.





A
canção “Sunshower” (faixa bônus na versão japonesa de
Euphoria Morning) foi incluída na trilha sonora do filme
Great Expectations (dirigido por Alfonso Cuarón e estrelado
por Gwyneth Paltrow), de 1998.





Uma
versão retrabalhada da música “Mission”, renomeada “Mission
2000”, foi usado na trilha sonora do filme Missão: Impossível
II
(estrelado por Tom Cruise), de 2000.





Também
uma música inédita, chamada “Heart of Honey”, foi feita em
colaboração com Johannes e Shneider, durante este período. De
acordo com Alain Johannes, a canção foi gravada para o filme Titan
A. E.
, mas não foi utilizada.





Paralelamente,
em 1999, o Rage Against the Machine lançava seu terceiro álbum de
estúdio, The Batlle of Los Angeles.







Tom Morello





O
disco, o qual estreou já na épica 1ª posição da Billboard,
continha clássicos do conjunto como “Testify” e “Calm Like a
Bomb”.





The
Batlle of Los Angeles
vendeu 450 mil cópias apenas na primeira
semana, chegando à marca de mais de 2 milhões de cópias
comercializadas apenas nos Estados Unidos.





Naquele
mesmo ano, a canção “Wake Up” foi destaque na trilha sonora do
filme The Matrix (estrelado por Keanu Reeves), de 1999. A
faixa “Calm Like a Bomb” fez parte da trilha sonora da sequência,
The Matrix Reloaded, de 2003.





Em
2000, o grupo planejou uma turnê em conjunto com a banda Beastie
Boys, na sua “Rhyme and Reason” tour; no entanto, a turnê
foi cancelada quando o baterista do Beastie Boys, Mike D, sofreu uma
grave lesão.





Em
26 de janeiro de 2000, uma briga durante as filmagens do vídeo para
a canção “Sleep Now in the Fire”, dirigido por Michael Moore,
fez com que as portas do prédio da New York Stock Exchange (a Bolsa
de Valores), em Wall Street, fossem fechadas e a banda a fosse
escoltada do local pela segurança, após seus membros (e fãs)
tentarem invadi-la.





Em 7
de setembro de 2000, a banda participou do MTV Video Music Awards, e
tocou “Testify”. No entanto, após o prêmio de Melhor Vídeo
de Rock
ser dado ao Limp Bizkit, o baixista Tim Commerford subiu
em um andaime do set de filmagem.





Commerford
e seu guarda-costas foram condenados a uma noite na cadeia e o
vocalista, Zack de la Rocha, teria deixado o local após o episódio.
O guitarrista Tom Morello lembrou que Commerford havia relatado o seu
plano para o resto da banda, antes do show, e que tanto de la Rocha
quanto Morello o aconselharam contra, imediatamente após o Bizkit
ter sido premiado com o prêmio.





Em
18 de outubro de 2000, o vocalista Zack de la Rocha divulgou um
comunicado anunciando sua saída da banda.





Em
seu comunicado, Zack afirmou: “Sinto que é necessário abandonar o
Rage, pois não estamos conseguindo tomar decisões em conjunto”,
referiu à Imprensa. “Já não funcionamos mais como um grupo e eu
acredito que esta situação está destruindo os nossos ideais
políticos e artísticos. Estou muito orgulhoso com o nosso trabalho,
quer como ativistas quer como músicos. E também grato a cada pessoa
que expressou solidariedade e partilhou esta incrível experiência
conosco”.





Em 5
de dezembro de 2000, o Rage Against the Machine ainda lançou
Renegades, um álbum de covers. Em fevereiro de 2001, o grupo
lançaria um vídeo chamado The Battle of Mexico City.





Com
a saída de Zack de la Rocha, os membros remanescentes do Rage
Aagainst the Machine (o guitarrista Tom Morello, o baixista Tim
Commerford e o baterista Brad Wilk) decidiram se manter unidos e
buscarem um novo vocalista.





Vários
vocalistas ensaiaram com os três, incluindo B-Real, do Cypress Hill,
mas eles não queriam outro rapper ou qualquer pessoa que se
parecesse musicalmente com de la Rocha no grupo.





Foi
o produtor musical e amigo, Rick Rubin, quem sugeriu a eles o nome de
Chris Cornell, ex-vocalista do Soundgarden.





Foi
também Rubin o responsável em persuadir os três remanescentes do
Rage Against the Machine a fazerem terapia de grupo com o treinador
de desempenho Phil Towle, logo após a separação.





Rubin
estava convencido de que, com a nova voz certa, o Rage Against the
Machine tinha o potencial para se tornar uma banda melhor; algo como
“o The Yardbirds que se tornou o Led Zeppelin”.





Tim
Commerford mais tarde reconheceu que foi Rubin o catalisador que
trouxe o Audioslave à vida. Ele o chamou de “o anjo na
encruzilhada”, pois “se não fosse por ele, eu não estaria aqui
hoje”.





A
química entre Cornell e os outros três foi imediatamente visível;
com Morello descrevendo: “Ele deu um passo para o microfone, cantou
a música e eu não podia acreditar. Não soava apenas bom. Não
soava apenas grandioso. Soava transcendental. E… quando há uma
insubstituível química desde o primeiro momento, você não pode
negá-la”.





O
quarteto escreveu 21 músicas durante 19 dias de ensaios e começou a
trabalhar no estúdio no final de Maio de 2001, tendo Rubin como
produtor, enquanto discutiam as questões de gravadoras e de gestão.





Em
19 de março de 2002, o Audioslave foi confirmado na sétima edição
do Ozzfest, embora naquela época a banda não tivesse um nome ou
data de lançamento oficial do seu álbum de estreia.





Poucos
dias depois, surgiram relatos de que a banda havia se separado antes
mesmo de terem feito qualquer apresentação pública. O manager de
Cornell confirmou que o vocalista havia deixado a banda, sem nenhuma
explicação dada.





Sob
o nome de Civilian (ou The Project Civilian), 13 mixagens de músicas
em que a banda estava trabalhando vazaram em redes de
compartilhamento de arquivos na Internet, em maio de 2002. De acordo
com Morello, a banda ficou frustrada, pois as composições não
estavam em sua forma final e, em alguns casos, “não eram sequer as
letras, os solos de guitarra, as performances definitivos”.





Os
rumores iniciais sugeriram que Cornell teve problemas pelo fato de
haver dois gestores envolvidos ativamente no projeto (Jim Guerinot,
da Rebel Waltz, representava Cornell; e Peter Mensch, da Q Prime
tratava dos ex-Rage Against the Machine).







Tim Commerford





A
banda quase descarrilou antes do lançamento do álbum. Cornell
estava passando por problemas com álcool e a vaga no Ozzfest foi
cancelada. Durante este tempo, houve um rumor de que Cornell havia se
internado em uma clínica de reabilitação de drogas.





Em
um artigo do San Diego CityBeat, Cornell explicou que ele passou por
“uma crise pessoal horrível” durante a produção do primeiro
disco, “estando em reabilitação por dois meses e separado de sua
esposa”. Os problemas foram resolvidos e ele manteve-se sóbrio
desde esse tempo.





De
acordo com a banda, no entanto, a separação não havia sido
desencadeada por conflitos pessoais, mas pelos seus gestores em
disputa.





Após
a mixagem do álbum terminar, cerca de seis semanas mais tarde, o
grupo foi reformado e, simultaneamente, demitiram suas antigas
empresas de gestão e contrataram uma nova, a The Firm. Suas
gravadoras anteriores, Epic e Interscope, resolveram suas diferenças
ao concordarem em alternar os lançamentos de álbuns da banda.





A
banda divulgou seu nome oficial e lançou seu site no início de
setembro. O primeiro single, “Cochise”, foi publicado on-line, no
final de setembro, e estava nas rádios no início de outubro. Os
críticos elogiaram o estilo vocal de Cornell, um contraponto ao rap
de Zack de la Rocha.





A
capa do álbum foi desenhada por Storm Thorgerson (com Peter Curzon e
Rupert Truman), aquele, conhecido como o líder do grupo de artistas
denominado Hipgnosis, mais conhecido por seu trabalho de capas para
os álbuns do Pink Floyd. “Sabíamos que estávamos definindo essa
ideia de chama eterna, a chama gráfico, em Lanzarote, uma ilha
vulcânica, desde vulcões adequados a ameaçar o Audioslave”.





Vamos
às faixas:





COCHISE





"Cochise" possui um riff matador, um dos mais clássicos e reconhecidos que foram compostos pelo grupo. A canção é pequena, direta, pesada... indo direto ao ponto. Uma amostra do poder que o conjunto possuía.





A
letra se refere à religião:





I'm
not a martyr


I'm
not a prophet


And
I won't preach to you


But
here's a caution


You
better understand


That
I won't hold your hand


But
if it helps you mend


Then
I won't stop it










Lançada
como single, atingiu a 69ª posição na principal parada
norte-americana desta natureza, alcançando a 24ª colocação na
correspondente britânica.





“Cochise”
é baseada no Chefe Apache indígena de mesmo nome e “declarou
guerra ao Sudeste e expulsou milhares de colonos” (Nota do Blog:
sudeste dos Estados Unidos. “Os apaches são povos nativos dos
Estados Unidos que falam a língua apache e que habitam atualmente
reservas indígenas no sudoeste dos Estados Unidos. Antigamente, os
povos Apaches ocupavam territórios em Arizona, norte do México,
Novo México, oeste e sudoeste do Texas e sul de Colorado. Os locais
tradicionais dos Apaches consistiam em montanhas altas, vales
abrigados e fornecidos de água, grandes ravinas, desertos e as
Grandes Planícies do Sul”).





Falando
sobre o tema de mesmo nome, o guitarrista Tom Morello observou que
“Cochise, o Vingador, destemido e resoluto, atacou tudo em seu
caminho com uma fúria desenfreada”, afirmando que a música “meio
que soa assim”.





A
faixa foi bem recebida tanto pelo público quanto pela crítica.
Retrato dessa informação é sua indicação ao prêmio de Melhor
Single do ano pela revista britânica Metal Hammer.





“Cochise”
permaneceu como a música que encerrava os shows da banda durante a
turnê que promovia seu álbum de estreia.





A
canção aparece em várias versões do game Guitar Hero, no
filme Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby, de 2006 e
no game WWE 2K16.













SHOW
ME HOW TO LIVE





Cadenciada, mas com o peso na dose exata, esta é "Show Me How to Live". Desta feita, os vocais de Cornell estão mais suaves, tornando-se mais agressivos no - excelente - refrão. O trabalho de bateria de Brad Wilk é muito bom, com o baixo de Commerford acompanhando no mesmo nível. A guitarra de Morello determina a intensidade da composição. Excelente!





A
letra se refere à culpa e fé:





And
in the after birth


On
the quiet earth


Let
the stains remind you


You
thought you made a man


You
better think again


Before
my role defines you





Foi
lançada como single, alcançando a 67ª posição da principal
parada norte-americana desta natureza.





O
videoclipe para a música foi inspirado no filme Vanishing Point,
de 1971, dirigido por Richard Sarafian e estrelado por Barry Newman.
Inclusive, o carro utilizado nas gravações é uma réplica perfeita
do automóvel Dogde Challenger 1970 usado no filme.













GASOLINE





Outro riff formidável de Tom Morello é a base de "Gasoline". E a guitarra de Morello é o grande destaque da música, fazendo-se presente de maneira muito marcante, com seu timbre inconfundível. O peso é determinado pela grande atuação da seção rítmica. O solo de Morello é bem legal!





A
letra se refere à solidão:





New
day yawning another day of solitaire


House
is honest


Clearly
more than I can bear


Drag
me off


Before
I set my world on fire


Out
and gone the sun will never


Set
tonight





“Gasoline”
foi um single promocional voltado para as Rádios dos Estados Unidos.













WHAT
YOU ARE





Em "What You Are", o baixo de Tim Commerford está ainda mais presente, com linhas pesadas e determinantes para o sucesso da faixa. O refrão é bem mais pesado que as demais passagens da composição. Ótima atuação de Cornell.





A
letra pode ser interpretada como um relacionamento escravizante:





Cause
now I'm free from what you want


Now
I'm free from what you need


Now
I'm free from what you are





Lançada
como single, não causou maiores repercussões nas principais paradas
desta natureza.













LIKE
A STONE





Uma leve, suave, mas intrigante melodia, ditada pela guitarra 'rebelde' de Tom Morello, é a base da linda balada "Like a Stone". A seção rítmica faz um trabalho muito bom, mas o destaque vai para a espetacular atuação de Chris Cornell nos vocais. O refrão, mais forte, dá um ar mais intenso à faixa e é quando a fusão da voz do vocalista e a melodia instrumental se fundem perfeitamente. Morello ainda faz um solo repleto de criatividade. Música incrível!





A
letra novamente pode ser associada à fé, arrependimento e
liberdade:





And
on I read, until the day was gone


And
I sat in regret, of all the things I've done


For
all that I've blessed and all that I've wronged


In
dreams until my death, I will wander on










“Like
a Stone” é, muito provavelmente, o maior clássico da curta
carreira do Audioslave.





Lançada
como single, atingiu a 31ª posição da principal parada
norte-americana desta natureza. Além disso, o single atingiu 500 mil
cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.





O
baixista Tim Commerford afirmou que a canção é sobre um velho
esperando a morte e que se senta em uma casa sozinho, depois de todos
os seus amigos e familiares já estarem falecidos, à espera de se
reunir com eles.





No
entanto, enquanto Commerford inicialmente pensava se tratar de uma
canção sobre amor e romance, o vocalista e principal compositor da
banda, Chris Cornell, explicou: “É uma canção que se concentra
na vida após a morte e sobre o quê você poderia esperar, em vez da
normal abordagem monoteísta: Você trabalha duro toda a sua vida
para ser uma boa pessoa e ter uma personalidade moral, justa e
generosa, e então você vai para o inferno de qualquer maneira”.





Houve
rumores de que as letras de “Like a Stone” teriam sido inspiradas
na morte do vocalista do Alice in Chains, Layne Staley, que morreu em
abril de 2002. Chris Cornell acabou por negar os boatos, afirmando
que suas letras geralmente não são sobre assuntos específicos.





O
videoclipe para a faixa foi dirigido por Meiert Alvis, sendo gravado
em uma mansão de arquitetura espanhola, em Los Angeles, nos Estados
Unidos, e onde o guitarrista Jimi Hendrix viveu.













SET
IT OFF





"Set It Off" possui um ótimo riff, o qual transborda a influência do Hard Rock setentista na musicalidade do supergrupo. O andamento, mais Bluesy, remete a bandas como o Led Zeppelin, em uma estrutura mais clássica da faixa, mas sem soar datada, especialmente pela criativa guitarra de Morello. Ótimo momento do álbum.





A
letra é ácida e uma clara crítica a como a religião manipula a
mente dos fiéis:





Jesus
at the backdoor


Everything
is all right


All
we need is some direction


Every
time the wind blows


Everything
you don't know


Turns
into a revelation


And
it all adds up inside your head


Time
is wasted













SHADOW
ON THE SUN





"Shadow on the Sun" é mais cadenciada e, com exceção do refrão, mais suave e amena. O baixo de Commerford comanda totalmente as ações, sendo muito bem acompanhado por uma impressionante atuação vocal de Cornell. Conta com um dos solos mais legais da guitarra de Morello.





A
letra remete a transitoriedade da vida e as mudanças que o tempo
impõe:





Every
drop of flame


Lights
a candle in


Memory
of the one


Who
lives inside my skin













I
AM THE HIGHWAY





"I Am the Highway" possui uma levada bem cadenciada e tranquila, sendo a suavidade uma das marcas relevantes da canção. A atuação do vocalista Chris Cornell é o maior destaque da música, a qual agrada, mas sem maiores emoções.





A
letra é uma crítica a más escolhas feitas na vida:





Pearls
and swine bereft of me


Long
and weary my road has been


I
was lost in the cities


Alone
in the hills


No
sorrow or pity


For
leaving


I
feel










Lançada
como single, atingiu a 66ª posição da principal parada
norte-americana desta natureza.













EXPLODER





"Exploder" é a menor faixa do disco, e, embora cadenciada, não abre mão de um peso absurdo (para os padrões do Audioslave) especialmente no refrão. Bons vocais e boa presença, novamente, do baixo de Tim Commerford.





A
letra fala sobre loucura e suicídio:





There
was a man who had a face


The
looked a lot like me


I
saw him in the mirror and


I
fought him in the street


And
when he turned away


I
shot him in the head


Then
I came to realize


I
had killed myself













HYPNOTIZE





"Hypnotize" também é uma das menores músicas do álbum Audioslave, contando com um ritmo acelerado, mas com pouco peso e intensa presença da seção rítmica, especialmente do baterista Brad Wilk.





A
letra fala sobre a manipulação da informação:





Well,
if you set your mind upon it


I
know that you can


You've
got everything you wanted


You've
done everything you planned


So
let me make an offer


I'm
only trying to help


You
can make your load


Just
a little lighter


All
you've got to do is share the wealth













BRING
EM BACK ALIVE





O pesadíssimo riff de "Bring Em Back Alive" traz à memória o mestre das seis cordas, Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath. A faixa ultrapassa os limites do Hard Rock e flerta deliberadamente com o Heavy Metal, tornando-se uma composição extremamente pesada e densa, mas com um andamento incrivelmente arrastado. Como foi dito, reproduz a sonoridade 'sabática', muito presente também no Soundgarden.





A
letra menciona a fé cega:





I
am a virus, I live in silence


And
just like the heathens thinking


On
our feet we believe in God


And
with one step, two steps


Three
steps toward the graveyard


On
the high road to remembering


It
seems that we forgot













LIGHT
MY WAY





A introdução de "Light My Way" lembra, ainda que vagamente, a sonoridade mais Hard Rock do Rush. Mas, logo depois, a faixa é dominada por um andamento lento e arrastado, com o peso intensificado no refrão. Boa atuação de Cornell.





A
letra é sobre determinação:





So
when I'm lost


Or
I'm tired and deprayed


Or
when my high bullet mind


Goes
astray won't you light my way













GETAWAY
CAR





"Getaway Car" possui uma inconfundível levada Bluesy, composta por uma suave, embora não tão marcante melodia. O refrão é mais forte e a voz de Cornell se torna mais 'rasgada', sendo o vocalista o maior destaque da música.





A
letra é sobre um relacionamento:





Well
settle down, I won't hesitate


To
hit the highway


Before
you lay me to waste


Settle
up and I'll help you find


Something
to drive, before you drive me insane













THE
LAST REMAINING LIGHT





A décima quarta - e última - faixa de Audioslave é "The Last Remaining Light". Novamente, o grupo aposta em uma canção com o andamento severamente arrastado e com doses homeopáticas de peso. Os vocais de Cornell são bons e se casam perfeitamente com a massa instrumental. Encerra o disco de maneira não mais que correta.





A
letra é sobre a velocidade com que a vida se transforma:





Seven
moons and seven suns


Heaven
waits for those who run


Down
your winter and


Underneath
your waves


Where
you watch and you wait


And
pray for the day













Considerações
Finais





O
excesso de exposição, natural para um supergrupo, e a qualidade de
suas canções fez de Audioslave um grande sucesso.





Em
termos de paradas de sucesso, alcançou a ótima 7ª posição da
principal parada norte-americana desta natureza, conquistando a boa
19ª colocação na sua correspondente britânica. Ainda galgou os
6º, 5º e 4º lugares nas paradas canadense, norueguesa e
neozelandesa; respectivamente.





O
álbum vendeu cerca de 162 mil cópias somente em sua primeira semana
de lançamento, atingindo a marca de 500 mil cópias comercializadas
já no primeiro mês.





Apesar
de seu sucesso comercial, Audioslave recebeu críticas mistas.
Alguns jornalistas criticaram o esforço do grupo como sem inspiração
e previsível. Críticos do site norte-americano Pitchfork, Chris
Dahlen e Ryan Schreiber, elogiaram a voz de Cornell, mas criticaram
praticamente todas as outras partes do álbum, chamando-o de “o
pior tipo de álbum de estúdio de rock, rigorosamente controlado –
até mesmo rebaixado – artificialmente pelo estúdio”. Eles
descreveram as letras de Cornell como “completamente clichê” e
do trabalho de produção de Rick Rubin “sem emoção”.





Jon
Monks, do website britânico Stylus, tinha a mesma opinião. Ele
considerou a produção de Rubin excessivamente polida e escreveu que
“falta individualidade, distinção e imaginação neste álbum, é
excessivamente produzido, muito longo e muito indulgente”.





Por
outro lado, outros críticos elogiaram o estilo do supergrupo,
apontando uma reminiscência de Heavy Metal setentista e comparando-o
com nomes como Led Zeppelin e Black Sabbath, dizendo que eles
adicionaram uma sonoridade moderna muito necessária ao rock
mainstream contemporâneo e possuíam o potencial para se tornarem
uma das melhores bandas de rock do século 21.





Em
2005, Audioslave foi classificado como 281º lugar no livro The
500 Greatest Rock & Metal Albums of All Time
, da revista
alemã Rock Hard.





A
banda excursionou extensivamente em todo o mundo em 2003, ganhando
críticas positivas por suas performances ao vivo, inclusive no
festival Lollapalooza, o qual acabara de ser reativado.





Seu
desempenho na turnê Lollapalooza foi tão bem recebido pelos
leitores da extinta revista norte-americana Metal Edge que eles
ganharam a votação do público, em 2003, como Banda Favorita do
Lollapalooza, com enorme margem de vantagem.





Em
2004, o Audioslave estava entre os indicados para a 46ª edição do
Grammy Awards: “Like a Stone” foi indicada para “Melhor
Performance de Hard Rock” e Audioslave para “Melhor Álbum de
Rock”, embora não tenha vencido em nenhuma categoria.





Eles
passaram o restante de 2004 em pausa de turnês e trabalhando no
segundo álbum, Out of Exile, de 2005.





Audioslave
supera a casa de 3 milhões de cópias vendidas apenas nos Estados
Unidos.













Formação:


Chris
Cornell - Vocal


Tim
Commerford - Baixo


Brad
Wilk - Bateria


Tom
Morello - Guitarras





Faixas:


01.
Cochise (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 3:42


02.
Show Me How to Live (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:38


03.
Gasoline (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:39


04.
What You Are (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:09


05.
Like a Stone (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:54


06.
Set It Off (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:23


07.
Shadow on the Sun (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 5:43


08.
I Am the Highway (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 5:35


09.
Exploder (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 3:26


10.
Hypnotize (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 3:27


11.
Bring Em Back Alive (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 5:29


12.
Light My Way (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 5:03


13.
Getaway Car (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 4:59


14.
The Last Remaining Light (Cornell/Commerford/Wilk/Morello) - 5:17





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/audioslave/




Opinião
do Blog:



Em qualquer área da atividade humana, uma das maiores dificuldades, em especial no momento em que se apresenta um novo trabalho, é lidar com as expectativas que o mesmo gerou. Tudo se torna mais complicado de modo diretamente proporcional à quantidade das tais expectativas existentes.





Supergrupos, naturalmente, lidam com altas expectativas, especialmente quando são formados por nomes consagrados do Rock. Este foi o caso do Audioslave, especialmente por conter músicos de bandas tão diferentes como o ótimo Soundgarden e o Rage Against the Machine, este, um conjunto que não me desperta nenhuma atenção.





O início dos anos 2000 lidava, especialmente nos Estados Unidos, ao menos no Rock, com sonoridades desprezíveis como o famigerado "New Metal" e bandas insuportáveis como o Limp Bizkit. O Audioslave trouxe uma musicalidade mais clássica, mas com ar de contemporaneidade, sendo um alívio musical para as principais paradas de Rock dominadas pelo New Metal.





Assim, as avaliações sobre o álbum Audioslave dependem muito da expectativa que os críticos musicais possuíam quanto ao resultado do trabalho. Ouvindo o disco novamente, quase 15 anos depois, a sensação que me traz é gratificante.





Embora não goste do Rage Against The Machine, não há o que se discutir quanto à qualidade musical de nomes como Brad Wilk, Tim Commerford e Tom Morello. Todos, sem exceção, possuem grandes momentos dentro de Audioslave e são fundamentais por uma musicalidade tradicional, mas repleta de elementos essencialmente de seu tempo!





Chris Cornell dispensa maiores comentários e àquela altura já era consagrado pelo seu extraordinário trabalho no Soundgarden. Cornell é facilmente um dos meus vocais preferidos e o considero um dos melhores vocalistas de sua geração.





As letras possuem uma inegável vocação crítica, repletas de acidez e indignação, merecendo uma conferida.





E há algum problema com Audioslave? Para o Blog, sim, um erro comum em muitos álbuns que foram lançados após o surgimento do formato CD: o disco é mais longo que deveria, com algumas composições que, caso tivessem sido limadas, não reduziriam em nada o valor do trabalho, tornando-o menos cansativo.





Mas, simultaneamente, o álbum traz excelentes canções, algumas das melhores do início dos anos 2000. "Cochise" é eletrizante, "Show How To Live" mistura o peso do Hard Rock com uma levada essencialmente criativa, bem como a ótima "Gasoline". "Set It Off" possui uma energia magnetizante.





Claro, todos os elogios são poucos para a belíssima "Like A Stone", até hoje, para o Blog, uma das mais criativas e tocantes canções surgidas após o ano 2000. A atuação de Chris Cornell nesta música é surreal.





Concluindo, Audioslave é um grande álbum, talvez mais longo que deveria, mas também possuidor de faixas criativas e talentosas, executadas de maneira incrível. Certamente, um dos melhores trabalhos das últimas duas décadas. Extremamente recomendado!

AUDIOSLAVE - AUDIOSLAVE (2002)


Audioslave é o álbum de estreia da banda norte-americana de mesmo nome, ou seja, o Audioslave. Seu lançamento oficial aconteceu em 19 de novembro de 2002 através dos selos Epic e Interscope Records. As gravações ocorreram entre maio de 2001 e junho de 2002, em diferentes estúdios da Califórnia, Estados Unidos. A produção ficou sob responsabilidade de Rick Rubin e do próprio Audioslave.

KING CRIMSON - IN THE COURT OF THE CRIMSON KING (1969)






In
The Court of the Crimson King é o álbum de estreia da banda
britânica King Crimson. Seu lançamento oficial aconteceu em 10 de
outubro de 1969, através do selo Island Records. As gravações
ocorreram entre junho e agosto daquele mesmo ano, no Wessex Sound
Studios, em Londres, na Inglaterra. A produção ficou por conta do
próprio grupo.











Na
estreia do Blog em 2017, já começamos com uma novidade: o 'debut'
de um dos gigantes do Rock Progressivo setentista, estilo que
gradativamente começará a aparecer mais por aqui. Como tradição,
será feita uma descrição dos fatos que antecederam o lançamento
do disco para depois se abordar suas faixas.





A
história do King Crimson começa no ano de 1967, quando os irmãos
Michael Giles, baterista, e Peter Giles, baixista, fizeram um anúncio
procurando um músico que tocasse órgão e cantasse, a fim de
constituírem uma nova banda.





Peter
e Michael já tocavam profissionalmente em algumas bandas desde
meados de suas adolescências, portanto, tendo experiência no
assunto.





Quem
respondeu ao supracitado anúncio foi o guitarrista Robert Fripp, que
também era da mesma cidade dos irmãos Giles, Dorset, na Inglaterra.
O trio formou um novo conjunto e que foi batizado de Giles, Giles and
Fripp.





A
base musical do novo grupo era um Pop excêntrico, substancialmente
enriquecido por uma instrumentalidade bem complexa. O conjunto gravou
vários singles, todos com pouco ou nenhum sucesso, e até mesmo um
álbum, chamado The Cheerful Insanity of Giles, Giles e Fripp
(1968).





A
banda ficou pairando em torno do sucesso, incluindo várias aparições
em programas de Rádio e até mesmo uma na televisão, mas nunca
conseguiu gravar um hit o qual teria sido crucial para atingir o
almejado sucesso comercial.





Desta
forma, o disco não fez mais barulho que os singles, chegando a
receber uma crítica negativa do baterista do The Who, Keith Moon, em
uma revista.





Em
uma tentativa de expandir sua abordagem musical, o grupo recrutou o
tecladista Ian McDonald, o qual trouxe consigo sua então namorada,
Judy Dyble, ex-vocalista do conjunto Fairport Convention.





A
estadia de Judy foi bastante efêmera, com a vocalista deixando a
banda assim que seu relacionamento com McDonald chegou ao fim.





McDonald,
então, trouxe ao grupo o letrista, roadie e artista Peter Sinfield,
com quem havia escrito canções desde que Ian havia sugerido a
Sinfield que sua banda (de nome Creation) era musicalmente sem
esperança, mas que se juntasse a ele na qualidade de compositor.





Simultaneamente,
Robert Fripp assistiu a um show da banda Clouds,
no Marquee Club, em Londres, e que o inspiraria em acrescentar
elementos de música clássica e jazz na sua forma de compor música.





Ademais,
Fripp não estava mais disposto a prosseguir no estilo Pop
extravagante de Peter Giles e convidou seu amigo, o excelente
guitarrista e vocalista Greg Lake, para se juntar ao grupo e
substituir Peter Giles (ou seu irmão Michael).





Mais
tarde, Peter Giles chamaria este ato de Fripp de “sutil movimento
político” ao mesmo tempo em que, desiludido com a falta de sucesso
do Giles, Giles and Fripp, acabou deixando a banda e permitindo a
Greg Lake se tornar o baixista e vocalista do conjunto.





A
primeira encarnação do King Crimson surgiu na cidade inglesa de
Londres, em 30 de Novembro de 1968, e seu primeiro ensaio aconteceu em
13 de janeiro de 1969. O nome da banda foi cunhado por Sinfield,
embora não tivesse o objetivo de ser um sinônimo de Belzebu, o
príncipe dos demônios.





De
acordo com Robert Fripp, belzebu (em inglês Beelzebub) era uma forma
inglesa da frase árabe “B'il Sabab”, a qual significaria “o
homem com um objetivo”.





Histórica
e etimologicamente, um "King Crimson" seria qualquer
monarca em cujo reinado houve agitação civil e derramamento copioso
de sangue. Curiosamente, seu primeiro álbum estreou no auge da
oposição mundial ao envolvimento militar dos Estados Unidos no
sudeste asiático (Nota do Blog: Guerra do Vietnã).





Naquela
altura, Ian McDonald era o principal compositor do grupo, embora com
contribuições de Greg Lake e Robert Fripp, enquanto Peter Sinfield
escrevia as letras, criava e operava a iluminação de palco da
banda, sendo creditado nos termos “sounds e visions” (sons e
visões, em uma tradução literal).







Ian McDonald





Ian
McDonald sugeriu à banda a comprar um Mellotron e eles começaram a
usá-lo para criar um som de rock orquestral, inspirado na banda
inglesa The Moody Blues.
(Nota do Blog: Mellotron é um teclado eletromecânico
polifônico desenvolvido originalmente em Birmingham, Inglaterra, no
início da década de 1960, por uma empresa de mesmo nome).





Peter
Sinfield descreveu o King Crimson assim: “Se ele soasse muito
popular, estava fora. Portanto, ele deveria ser complicado, deveria
possuir acordes mais expansivos, e ter influências estranhas. Se
soasse muito simples, nós o tornaríamos mais complicado (...)”.





O
King Crimson fez a sua estreia, ao vivo, em 9 de abril de 1969, e
acabou tendo sua grande premier ao tocar com o Rolling Stones em seu
famoso concerto gratuito no Hyde Park, em Londres, em Julho de 1969,
ante um público estimado de 500 mil pessoas.





As
sessões iniciais para gravação do álbum foram realizadas no
início de 1969, com o produtor Tony Clarke, mais conhecido por seu
trabalho com o The Moody Blues. Estas sessões se revelaram um
fracasso e o grupo conseguiu a permissão para produzir o disco por
si mesmo.





O
álbum foi gravado no Wessex Sound Studios, em Londres, com o
engenheiro de som Robin Thompson e auxílio de Tony Page.





Com
o objetivo de alcançar os exuberantes sons orquestrais,
característicos do álbum, Ian McDonald passou muitas horas na
mixagem das camadas de Mellotron e dos vários instrumentos de sopro
usados na gravação.





Algum
tempo depois que o álbum havia sido concluído, no entanto,
descobriu-se que o gravador stereo master utilizado durante a
fase de mixagem do álbum havia alinhado as cabeças de gravação
incorretamente.





Este
desalinhamento resultou em perda de altas frequências e introduziu
alguma distorção indesejada. Isto é evidente em algumas partes do
disco, em particular em “21st Century Schizoid Man”.





Por
conseguinte, enquanto se preparava a primeira versão americana do
disco para a Atlantic Records, uma cópia especial foi feita a partir
do gravador 2-track stereo master
(analógico), em uma tentativa de corrigir algumas dessas
anomalias. (O processo de cópia da fita analógica geralmente
resulta em perda de qualidade).





De
1969 a 2003, essa cópia de gravação 'corrigida' foi a fonte usada
na produção de cópias em vinil, cassete e CD lançadas ao longo
dos anos. As gravações originais, no entanto, haviam sido
arquivadas logo após as sessões originais de mixagem, em 1969.
Estas fitas foram consideradas perdidas até o ano de 2003.







Greg Lake





Barry
Godber, um programador de computador, pintou a capa do álbum. Godber
morreu em fevereiro de 1970, de um ataque cardíaco, pouco depois do
lançamento do disco. Esta foi sua única capa de álbum e a pintura
original agora pertence a Robert Fripp.





Fripp
sobre Godber: “Peter trouxe esta pintura e a banda adorou.
Recentemente, recuperei o original dos escritórios (da E.G.
Records), porque eles mantiveram-no exposto à luz brilhante, com o
risco de estragá-lo, então eu acabei por removê-lo de lá. A face
do lado de fora é o Homem esquizóide, e a do interior é o King
Crimson. Se você cobrir o rosto sorridente, os olhos revelam uma
tristeza incrível. O que se pode acrescentar? Ele reflete a música”.





A
capa do álbum é pintada em uma parede no filme Surf Nazis Must
Die
, de 1987.





Vamos
às faixas:





21ST
CENTURY SCHIZOID MAN





O álbum começa com um flerte deliberado a sonoridades mais pesadas, seja pela guitarra pesada de Robert Fripp, seja pela voz transtornada de Greg Lake, alterada no estúdio. O peso e o riff magistral logo dão caminho a uma extensa jornada com pegada jazzística. Ao final, o retorno ao tema inicial. Faixa incrível!





A
letra é inteligente, apresentando uma linguagem que traduz figuras e
críticas à sociedade política:





Blood
rack, barbed wire


Politicians'
funeral pyre


Innocents
raped with napalm fire


Twenty
first century schizoid man





As
letras de "21st Century Schizoid Man" foram escritas por
Peter Sinfield e consistem, principalmente, de frases desconexas as
quais apresentam uma série de imagens. Todos as três estrofes
seguem um padrão definido em apresentar essas imagens.





O
primeiro verso de cada estrofe apresenta duas imagens relativamente
vagas, como “Cat's foot, iron claw”. O segundo verso é uma única
imagem, muitas vezes, mais específica que as duas primeiras, e o
terceiro verso se aproximaria de uma sentença real. O quarto e
último verso de cada estrofe é o título da canção.





A música faz referência à Guerra do Vietnã com as letras
“Politicians' funeral pyre/Innocents raped with napalm fire” sendo uma
referência às bombas de napalm usadas no conflito.





Antes
de uma performance ao vivo da canção, em 14 de dezembro de 1969,
ouvida no álbum ao vivo Epitaph (1997), Robert Fripp comentou
que a canção foi dedicada a “uma personalidade política
americana a quem todos nós conhecemos e amamos muito. Seu nome é
Spiro Agnew”. (Nota do Blog: Spiro Theodore Agnew foi um
político estadunidense, vice-presidente do seu país entre 1969 e
1973, de origem familiar grega. Teve uma notável subida na carreira
política: em apenas seis anos passou de executivo municipal a
vice-presidente. Renunciou ao cargo de vice-presidente em 1973 por
ter sido acusado de evasão fiscal).





A
canção é notável por seus vocais fortemente distorcidos, cantados
por Greg Lake, e sua seção instrumental no meio da execução,
batizada de “Mirrors”.





O
solo de guitarra de Robert Fripp foi escolhido como 82º colocado na
lista Top 100 Greatest Guitar Solos, de 2008, realizada pela
revista norte-americana Guitar World. Entre os fãs da canção, está
o ex-primeiro ministro britânico, Tony Blair.





Entre
algumas bandas famosas que gravaram versões para o clássico
atemporal do King Crimson estão as bandas Voivod, Gov't Mule e Ozzy
Osbourne.













I
TALK TO THE WIND





Já em sua segunda faixa, "I Talk to the Wind", Greg Lake canta de forma contida e suave, casando os vocais com a sonoridade leve, mas muito envolvente. Mas o grande destaque é a flauta sublime de Ian McDonald, que não apenas encanta o ouvinte, mas também cria uma atmosfera especial para a canção. Linda música.





A
letra é ótima e passa uma mensagem sobre a fugacidade do tempo:





You
don't possess me


Don't
impress me


Just
upset my mind


Can't
instruct me or conduct me


Just
use up my time





É a
única música do álbum que não possui uma seção separadamente
batizada. Entre algumas versões estão artistas como Opus III,
Jordan Rudess e Klaus Waldeck.













EPITAPH





Com mais de 8 minutos, "Epitaph" traz uma melodia belíssima, mas ao mesmo tempo uma sonoridade escurecida e totalmente melancólica. Impossível não ressaltar o trabalho de Greg Lake, não apenas nos vocais, mas sobretudo no Baixo. Mas o destaque maior fica para o trabalho de Ian McDonald no teclado Mellotron, responsável direto pelo clima sombrio da canção. Espetacular.





A
letra é profunda, mas pode ser inferida com um sentimento sombrio e
resignado:





Confusion
will be my epitaph


As
I crawl a cracked and broken path


If
we make it we can all sit back


And
laugh


But
I fear tomorrow I'll be crying


Yes,
I fear tomorrow I'll be crying





Em
“Epitaph”, estão incluídas duas passagens denominadas “March
for No Reason” e “Tomorrow and Tomorrow”.





A
música se tornou famosa pelo uso intenso do Mellotron, de Ian
McDonald.





O
título da canção, mais tarde, foi usado como o nome para um álbum
ao vivo do King Crimson, Epitaph, de 1997.





O
grandioso trio Emerson, Lake & Palmer, mais tarde, incorporaria um trecho de “Epitaph” em uma versão ao vivo de sua música
“Tarkus” (após uma parte denominada “Battlefield”), do álbum
Tarkus (1971), conforme documentado no disco ao vivo Welcome
Back My Friends to the Show That Never Ends... Ladies and Gentlemen

(1974).





A
gravadora Epitaph Records também tomou seu nome da canção.













MOONCHILD





"Moonchild" é a mais longa faixa do disco, superando a casa dos 12 minutos. Os vocais de Greg Lake são encontrados apenas nos primeiros minutos, dando passagem a uma extensa viagem instrumental, na qual técnica e improviso se abraçam harmoniosamente em uma turnê repleta de experimentalismo.





Embora
seja uma letra dotada de notável fantasia, há um inegável
sentimento de tristeza e melancolia em seu significado:





Call
her moonchild


Dancing
in the shallows of a river


Lonely
moonchild


Dreaming
in the shadows


Of
the willow





“Moonchild”
é dividida em duas seções denominadas “The Dream” e “The
Illusion”.





A
primeira seção, “The Dream”, é uma balada predominantemente
donimada pelo Mellotron, mas, após dois minutos e meio de execução,
ela muda para uma forma completamente livre de improvisação
instrumental da banda (chamada “The Illusion”), a qual dura até
o final da canção.





Robert
Fripp toca um trecho de “The Surrey With the Fringe on Top”
(retirada do musical Oklahoma, de Rodgers & Hammerstein) durante
a seção “The Illusion”.





Na
versão remasterizada do álbum, de 2009, a faixa foi editada por
Fripp e seu amigo músico, Steven Wilson, com os cerca de 2,30
minutos de improvisação original (exatamente o trecho “The Surrey
With the Fringe on Top”) sendo removido. Esta edição do álbum,
no entanto, oferece a versão original como faixa bônus.





A
canção também contém uma alternância única entre os pratos da
bateria, a qual foi elogiada por muitos críticos musicais da época.
Alguns críticos também descreveram a música como “Space Jam”.





A
banda italiana Twenty Four Hours fez uma versão para “Moonchild”.













THE
COURT OF THE CRIMSON KING





A quinta - e última - faixa de In the Court of the Crimson King é "The Court of the Crimson King". Com seus mais de 9 minutos, a última canção do álbum é belíssima. O coro de vozes ajuda a criar um clima denso e pesado, juntamente a uma melodia repleta de melancolismo. Toda esta beleza é auxiliada pela ótima interpretação de Greg Lake nos vocais. Uma música estupenda!





A
letra pode ser inferida como uma contenda através da dualidade do
bem com o mal:





The
gardener plants an evergreen


Whilst
trampling on a flower


I
chase the wind of a prism ship


To
taste the sweet and sour


The
pattern juggler lifts his hand


The
orchestra begin


As
slowly turns the grinding wheel


In
the court of the crimson king










Lançada
como single, atingiu a 80ª posição da principal parada
norte-americana desta natureza.





“The
Court of the Crimson King” é dividida em duas seções, chamadas “The Return of the Fire Witch” e “The Dance of the Puppets”.





A
faixa é dominada por um riff tocado no Mellotron. A principal parte
da música é dividida em 4 estrofes, dividido por uma seção
instrumental chamada “The Return of the Witch Fire”.





A
canção tem seu clímax por volta dos sete minutos, mas continua com
uma reprise (chamada de “The Dance of the Puppets”), antes de
terminar em uma abrupta livre escala de tempo.





A
faixa foi usada no filme Children of Men, dirigido por Alfonso
Cuarón, de 2006, aparecendo em sua trilha sonora. Também é
amplamente utilizada na série de televisão canadense Kenny vs.
Spenny.





A
parte instrumental da canção pode ser ouvida no filme francês
Cineman. A canção foi recentemente escolhida como tema de
encerramento para o videogame Natural Doctrine.





Entre
versões cover famosas estão a de bandas como Saxon, Asia e Arc
Angel.













Considerações
Finais





A
qualidade inquestionável do álbum foi refletida no seu desempenho
nas paradas de sucesso.





In
the Court of the Crimson King
conquistou a excepcional 5ª
posição da principal parada britânica de álbuns, alcançando a
28ª colocação na sua correspondente norte-americana. Ainda ficou
com o 27º e o 41º lugares nas paradas de Canadá e Polônia,
respectivamente.





O
álbum recebeu elogios públicos de Pete Townshend, guitarrista do
The Who, que chamou o disco de “uma obra de arte incrível”. O
som do trabalho, incluindo a sua faixa de abertura, “21st Century
Schizoid Man”, foi descrito como uma prévia do que se tornaria,
futuramente, o rock alternativo e o grunge, enquanto suas canções
mais suaves são referidas como possuidoras de sensações “etérea”
e “quase sagrado”.





Em
contraste com o Hard Rock, baseado no blues, das cenas britânica e
norte-americana da época, o King Crimson apresentou uma abordagem
mais europeizada, a qual misturava antiguidade e modernidade.







Robert Fripp





A
música do conjunto se baseou em uma ampla gama de influências
fornecidas por todos os cinco membros do grupo. Estes elementos
incluíam música clássica, o rock psicodélico encabeçado por Jimi
Hendrix, Folk, Jazz, música militar (parcialmente inspirada por Ian
McDonald), a improvisação ambiente, Victoriana e Pop britânico.





Inicialmente,
In the Court of the Crimson King recebeu reações mistas dos
críticos. Robert Christgau destruiu o disco. A revista
norte-americana Rolling Stone foi favorável, escrevendo que “eles
combinaram aspectos de muitas formas musicais para criarem uma obra
surreal de força e originalidade”. O álbum, desde então,
alcançou um status de clássico.





Bruce
Eder, do site AllMusic, dá nota máxima ao disco, realçando: “o
álbum definitivo do grupo, e um dos álbuns de estreia mais ousados
já registrados por qualquer banda”.





Em
seu livro de 1997, Rocking the Classics, o crítico e
musicólogo, Edward Macan, observa que, “In the Court of the
Crimson King
pode ser o mais influente álbum de rock progressivo
já lançado”.





Em
um especial das revistas britânicas Q e Mojo, chamado Pink Floyd
& The Story of Prog Rock
, o álbum ficou em quarto lugar na
lista de 40 Cosmic Rock Albums. O disco também foi incluído
na lista 50 Albums That Built Prog Rock da revista britânica
Classic Rock.





Em
2015, a revista norte-americana Rolling Stone nomeou In the Court
of the Crimson King
o segundo melhor álbum de rock progressivo
de todos os tempos, atrás apenas de The Dark Side of the Moon,
do Pink Floyd.





Depois
de fazer shows em toda a Inglaterra, a banda excursionou nos Estados
Unidos, com vários grupos pop e rock. Seu primeiro show foi no
Goddard College, em Plainfield, nos Estado de Vermont. Enquanto o seu som
original surpreendeu o público contemporâneo e críticos, algumas
tensões criativas já estavam se desenvolvendo dentro da banda.





Michael
Giles e Ian McDonald se esforçavam para lidar com o rápido sucesso
do King Crimson bem como com as realidades da vida em turnê e
ficaram desconfortáveis com a direção da banda.





Embora
não fosse o compositor principal e nem o frontman do grupo,
Robert Fripp representava sua força motriz e se tornou o porta-voz
da banda, levando o King Crimson a áreas musicais progressivamente
mais escuras e intensas.





McDonald
e Giles, privilegiando um estilo mais leve e mais romântico da
música, tornaram-se cada vez mais desconfortáveis com a proposta do
grupo e demitiram-se da banda durante a turnê norte-americana.





Para
salvar o que via como os elementos mais importantes do King Crimson,
Fripp se ofereceu a deixar ele mesmo o grupo, mas McDonald e Giles
declararam que a banda era “mais (ele) do que eles” e que
deveriam, portanto, serem eles a saírem.





O
line-up fez seu último show no Fillmore West, em San Francisco,
Estados Unidos, em 16 de dezembro de 1969.





Depois
de sua primeira turnê pelos Estados Unidos, o King Crimson estava em
um estado de fluxo com várias mudanças de formação, planos
frustrados de turnê, e dificuldades em encontrar uma direção
musical satisfatória.





Este
período foi posteriormente referido como o interregnum - um
apelido que implica que o 'King' (King Crimson) não estava
adequadamente nos eixos durante esse tempo. Por fim, Robert Fripp
tornou-se o único músico que permaneceu na banda, com Sinfield
expandindo seu papel criativo a tocar sintetizadores.





In
the Court of the Crimson King
supera
a casa de 500 mil cópias vendidas apenas na América do Norte.













Formação:


Robert
Fripp
- Guitarras


Michael
Giles
- Bateria,
Percussão, Backing Vocals


Greg
Lake
- Vocal, Baixo


Ian
McDonald
- Instrumentos
de sopro (Saxofone, Flauta, Clarinete, Clarinete baixo), Teclados
(Mellotron, Cravo, Piano, Órgão), Vibrafone, Backing Vocals


Peter
Sinfield
- Letras,
Iluminação





Faixas:


01.
21st Century Schizoid Man (Fripp/Giles/Lake/McDonald/Sinfield) - 7:24


02.
I Talk to the Wind (McDonald/Sinfield) - 6:04


03.
Epitaph (Fripp/Giles/Lake/McDonald/Sinfield) - 8:49


04.
Moonchild (Fripp/Giles/Lake/McDonald/Sinfield) - 12:13


05.
The Court of the Crimson King (McDonald/Sinfield) - 9:26





Letras:


Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/king-crimson/




Opinião
do Blog:



Após muito tempo, o Rock Progressivo aparece novamente no Blog, como forma magnífica de inaugurar as nossas atividade para o ano de 2017.





Dispensável gastar este espaço para ficar enaltecendo as indiscutíveis e amplamente reconhecidas qualidades do King Crimson como banda. Em sua estreia, músicos do quilate de Greg Lake, Ian McDonald e, claro, Robert Fripp, compunham uma formação que deve ser classificada como irretocável.





Cabe, então, discutir o peso da obra-prima chamada In the Court of the Crimson King,





Se em 1969, bandas como o The Nice, por exemplo, já haviam iniciado suas incursões pelo experimentalismo que conduziria ao surgimento do Rock Progressivo, In the Court of the Crimson King, entretanto, pode ser considerado como uma pedra fundamental para a incipiente vertente que estava aflorando.





Boa parte dos elementos os quais se tornariam presença constante nas principais obras do estilo progressivo durante os anos seguintes, apareceram consolidados no álbum.





A forma como Ian McDonald atua no teclado Mellotron se tornaria influência para grandes tecladistas do progressivo, como Rick Wright, do Pink Floyd. McDonald, outra vez, no uso belíssimo da flauta em canções como "I Talk to the Wind", tornou-se referência para diversas bandas progressivas, como Genesis e Jethro Tull.





O mesmo pode ser dito da atuação vocal de Greg Lake, contida, mas na exata medida que a sonoridade solicitava. A bateria de Michael Giles, fortemente identificada com o Jazz, é outra marca forte do álbum de estreia do King Crimson. Claro, Robert Fripp é um músico muito além de seu tempo, um verdadeiro artista de vanguarda.





Outra forte característica do álbum é a maneira como as músicas e, em especial, as passagens instrumentais foram construídas: com acordes em progressão e de forma a criar verdadeiros ciclos harmoniosos. Simplesmente genial.





As letras são normalmente sombrias e angustiantes, contrapondo o imaginário psicodélico tão em alta na segunda metade dos anos 60.





Difícil destacar faixas em um álbum tão espetacular como este. Claro, "21st Century Schizoid Man" é um clássico, pesada e inquietante. "I Talk to the Wind" é uma belíssima balada. E a faixa-título, "The Court of the Crimson King" é uma verdadeira aventura alucinante.





Mas o Blog aponta como favorita a magnífica "Epitaph", uma música com uma beleza inconfundível.





Concluindo, In the Court of the Crimson King, não é apenas um álbum clássico. Muito menos somente uma obra-prima. Este disco é uma das pedras fundamentais do Rock Progressivo e um dos trabalhos mais influentes da história do Rock. E, também, um dos melhores álbuns de todos os tempos. Obrigatório e essencial para fãs de boa música.