Double
Eclipse é o álbum de estreia da banda norte-americana chamada
Hardline. Seu lançamento oficial aconteceu em 28 de abril de 1992,
através do selo MCA Records. As gravações ocorreram entre 1991 e
1992 no A&M Studios e no NRG Recording Studios, ambos em
Hollywood, na California, nos Estados Unidos. A produção ficou por
conta do guitarrista Neal Schon.
HARDLINE - DOUBLE ECLIPSE (1992)
Double
Eclipse é o álbum de estreia da banda norte-americana chamada
Hardline. Seu lançamento oficial aconteceu em 28 de abril de 1992,
através do selo MCA Records. As gravações ocorreram entre 1991 e
1992 no A&M Studios e no NRG Recording Studios, ambos em
Hollywood, na California, nos Estados Unidos. A produção ficou por
conta do guitarrista Neal Schon.
Eis
o momento da banda Hardline fazer sua estreia no RAC,
justamente com seu trabalho de estreia. Vai-se abordar as origens do
grupo, de modo bastante resumido, para depois se adentrar nas faixas
do trabalho propriamente dito.
Neal Schon
Neal
Joseph Schon nasceu na Tinker Air Force Base, Oklahoma, filho de
Barbara e Matthew Schon. Ele é de ascendência alemã.
Schon
pegou o violão, pela primeira vez, por volta dos cinco anos de
idade. Um aprendiz rápido, ele se juntou ao Santana ainda
adolescente, aos 15 anos de idade.
Schon
já afirmou que foi convidado, por Eric Clapton, a se juntar
ao Derek and the Dominos, mas que se juntou ao
Santana em vez disso, atuando nos álbuns Santana III e
Caravanserai.
Schon
também tocou no grupo Azteca antes de seguir, em 1973, para
formar o Journey, um conjunto que ele continua a liderar até o
presente.
Bad
English
Em
1987, Neal Schon e o tecladista Jonathan Cain, ambos do Journey,
aproveitaram que a banda estava em um hiato e formaram um novo grupo.
Para
o Bad English, Cain convidou o vocalista John Waite e o
baixista Ricky Phillips, com quem havia tocado na banda The Babys.
O baterista Deen Castronovo completou o conjunto.
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| Neal Schon |
Jonathan
Cain e o guitarrista Neal Schon, que experimentaram enorme sucesso no
Journey, formaram o Bad English com Waite após o Journey “acabar”.
O
primeiro álbum, autointitulado, foi um grande vendedor, contendo
três singles de sucesso: o número um “When I See You Smile”,
escrito por Diane Warren; o top 10 “Price of Love” e
“Possession”.
Outra
faixa do álbum de estreia, “Best of What I Got”, a qual também foi
destaque na trilha sonora do filme Tango and Cash, foi lançada
como single promocional para a Rock Radio, na qual a melodia agraciou
o top 10.
O
segundo álbum da banda, Backlash (1991), surgiu sem muito
barulho.
O
único single, “Straight To Your Heart”, não atingiu o Top 40.
Ricky Phillips escreve em seu site que o grupo se separou antes que o
segundo álbum tivesse sido mixado.
Phillips
e o guitarrista Neal Schon expressaram frustração com o lado "pop"
das músicas da banda e queriam uma abordagem mais Hard.
No
fim, o disco provou ser a destruição da banda à medida que todos
partiram para buscar outros projetos.
Johnny
Gioeli
A
carreira musical do vocalista Johnny Gioeli começou no início dos
anos 80, depois de formar a banda Phaze com seu irmão mais
velho, Joey. O grupo sofreu uma reforma e ele começou a trabalhar
com a banda Killerhit, em 1983, aos 16 anos.
Compartilhando
vocais com Joey, o conjunto atingiu o circuito de clubes da Costa
Leste com enorme sucesso, ganhando o suficiente para comprar seus
próprios equipamento de iluminação, caminhão e ônibus turístico
(adquirido do guitarrista de Jimmy Buffett, em Memphis), por volta de
1987.
Mudando
para Hollywood, o Killerhit juntou-se ao amigo da banda e
guitarrista Christopher Paul, o qual era amigo de Bret Michaels,
vocalista do Poison.
Percebendo
a necessidade de um frontman, Johnny desocupou o banco da bateria
indo para o centro do palco, e o nativo de Las Vegas, Darek Thomas
Cava, tomou seu lugar de baterista.
Pouco
depois, a banda percebeu que não havia um único loiro entre eles, e
mudou seu nome para Brunette. Ela quebrou o recorde
de audiência do The Doors e do Van Halen, em único fim de semana, no lendário clube Sunset Strip, em Hollywood. Sua
sensação logo atraiu atenção e admiração para a indústria
fonográfica. Os caras foram cortejados pelos principais executivos de
gravadoras por meses, pois o conjunto havia construído uma fiel base de fãs.
As
diferenças começaram a se desenvolver no Brunette antes que
um acordo de gravação pudesse ser garantido e a banda decidiu por
encerrar suas atividades, em 1991. Gioeli começou a trabalhar com
seu irmão Joey em músicas para um álbum que eles chamariam de
‘Brothers’.
No
entanto, Neal Schon, o guitarrista do Journey (que estava
namorando com a irmã deles na época) se encontrou com os irmãos
Gioeli e perguntou se ele poderia tocar com eles, os quais
concordaram.
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| Johnny Gioeli |
Todd
Jensen e Deen Castronovo
O
baixista Todd Jensen era um músico já experiente naquela época.
Com a banda Sequel, havia gravado os álbuns Sequel
(1982) e Daylight Fright (1983), além do autointitulado álbum
do grupo Harlow, em 1990.
Deen
Castronovo havia trabalhado com a banda Wild Dogs quando Neal
Schon o convidou para ser o baterista do Bad English.
Hardline
Assim,
com Johnny Gioeli nos vocais, Neal Schon e Joey Gioeli nas guitarras,
Todd Jensen no baixo e Deen Castronovo na bateria, surgia a primeira
formação do Hardline.
Entre
1991 e 1992, a banda gravou as faixas que formariam seu disco de
estreia, Double Eclipse, nos estúdios A&M Studios e no
NRG Recording Studios. O próprio guitarrista Neal Schon seria o
produtor. O álbum seria lançado pela MCA Records.
Vamos
às faixas:
LIFE’S
A BITCH
A faixa de abertura do disco apresenta um bom riff como base, apostando em um ritmo cadenciado e com o baixo de Todd Jensen bastante presente. As guitarras de Neal Schon e Joey Gioeli dão as cartas enquanto Johnny faz um competente trabalho vocal. Um bom Hard Rock.
A
letra menciona um pai severo:
I
can hear myself screamin' at the backdoor, yeah
An'
I'm numb from the hitting
Can't
take no more, I can't take no more
DR.
LOVE
Na versão do Hardline para "Dr. Love", os sintetizadores aparecem no início para depois a guitarra de Neal Schon dominar a cena completamente. O peso é acentuado, embora o andamento seja mais lento e o refrão traga a tradicional "aliviada". Mas é um ponto alto do disco.
A
letra possui conotação sexual:
You've
got a nasty little fever and it's climbing up high
Nothing
you can do to stop the aching inside
I
can relieve you, you know that I could
You've
got it bad, baby I'll make it good
Trata-se
de uma versão para a música “Dr. Love”, originalmente composta
pelo grupo Steelhouse Lane.
RHYTHM
FROM A RED CAR
Nesta canção, a banda continua imprimindo peso e intensidade a sua musicalidade. As guitarras permanecem dominantes, com um riff simples, mas que funciona perfeitamente. Os vocais de Johnny Gioeli são mais agressivos e complementam, a gosto, a parte instrumental. Outro Hard Rock que flerta com o AOR.
A
letra se refere a carros e sexo:
Hit
like lightnin', and my head stops spinnin' around
I'm
caught in a shuffle on the corner of lost and found
Well
wait and see truth by me, didn't need to say a word
Her
lips did all the talkin', and not a sound was ever heard
Pray,
pretty, won't you tell me what's on your mind
CHANGE
OF HEART
Já em "Change of Heart", o grupo pisa no freio e aposta em uma sonoridade bem leve e acessível. Evidentemente, trata-se de uma balada, mas em que as guitarras ainda estão com certo peso. Há um certo ar de Journey na faixa, inegavelmente. O refrão é legal e o resultado final é bem positivo. Belo solo do guitarrista Neal Schon.
A
letra revela um sofrimento amoroso:
Sometimes
words don't come out easy
Though
we try and try again, the hurt never ends
Maybe
we'll learn to love tomorrow
It's
my heart that's yearns to follow, more faithfully
EVERYTHING
As guitarras continuam dominando em "Everything", em uma pegada Hard/AOR explícita. O refrão é exemplo perfeito da afirmação anterior e ainda conta com boa atuação de Johnny Gioeli. Uma canção bastante agradável.
A
letra é, novamente, romântica:
Cause
you're everything I want
You've
got everything I need
I
can't get over you
No
matter what I do
You're
everything to me
TAKIN’
ME DOWN
Em "Takin' Me Down", o Hardline continua com sua veia Hard Rock, mas, desta feita, aumentando a potência, em um tom mais malicioso. O flerte com a musicalidade de grupos como o Van Halen é bem nítido. Johnny está muito bem nos vocais e o trabalho da bateria de Deen Castronovo é muito bom.
A
letra possui sentido amoroso:
And
now my love is cold, it's my heart you sold
And
every night you're haunted 'til you gotta let go
Girl
you're takin' me down, you make the walls come crumblin' down
Girl,
get me around, and now my love is cold, it's my heart you sold
“Takin’
Me Down” é um dos maiores sucessos do Hardline.
Ela
foi lançada como primeiro single para promoção de Double
Eclipse, alcançando a 37ª posição da parada norte-americana
Hot Mainstream Rock Tracks, da Billboard, e nela permanecendo
por 4 semanas.
HOT
CHERIE
A pegada de "Hot Cherie" é bem oitentista e lembra bastante aquilo que o Whitesnake fez naquela década. O refrão possui uma incontestável áurea AOR e Neal Schon, novamente, brilha nos solos de guitarra.
A
letra tem conotação sexual:
You're
gettin' me hot, Cherie
And
I want what you got all over me
Isn't
my love strong enough?
I'm
ready to rock you long and rough
“Hot
Cherie” também se tornou um sucesso do Hardline.
Na
realidade, a canção é uma versão para a música originalmente
composta pelos membros da banda Streetheart e que fez sucesso
na voz de Danny Spanos.
Ela
também foi lançada como single, alcançando a 25ª colocação da
parada norte-americana Hot Mainstream Rock Tracks, da
Billboard, e nela permanecendo por incríveis 14 semanas.
BAD
TASTE
A seção rítmica formada por Todd Jensen e Deen Castronovo está bem afiada na animada "Bad Taste". O ritmo é mais acelerado e a intensidade é alta, embora o peso não esteja tão acentuado.
A
letra fala sobre uma garota má:
You
leave a bad taste, honey (yeah, bad taste), such a bad, bad taste
Such
a sad taste, honey (yeah, bad taste), oh you leave me with this
Bad,
bad taste
Ooh,
it comes around, there's somethin' goin' down
CAN’T
FIND MY WAY
Surge a segunda balada do álbum, "Can't Find My Way". O ritmo é bem lento, a melodia suave e tocante. A atuação de Johnny Gioeli é bastante convincente e Schon esbanja o habitual talento - e bom gosto - na guitarra. Ótimo momento do disco.
A
letra, novamente, possui sentido romântico:
I
can't find my way, yeah
I
can't find my way, yeah yeah
All
those stormy nights can't wash away the pain
I
can't find my way, yeah
A
canção “Can’t Find My Way” (em sua forma demo) é exibida
durante uma cena de amor do filme Rapid Fire, de 1992,
estrelado pelo saudoso Brandon Lee.
I’LL
BE THERE
"I'll Be There" possui um flerte incontestável com o AOR do fim dos anos 70, de bandas como Boston, Foreigner e, claro, o próprio Journey. O refrão é 'grudento', no melhor sentido do termo. Uma canção cativante.
A
letra é sobre um grande amor:
Anytime
you need me, I'll be there, anytime at all - just say the word
Just
you say the word and I'll be there - anytime you need me, girl
I
will be there
A
música “I'll Be There” é tocada durante os créditos de
encerramento do filme Rapid Fire. Ela, assim como “Can’t
Find My Way” foram incluídas no filme como resultado de Brandon
Lee, pessoalmente, sugerir as músicas do Hardline.
31-91
"31-91" é uma pequena faixa instrumental, tocada apenas ao violão.
IN
THE HANDS OF TIME
A décima-segunda - e última - faixa de Double Eclipse é "In the Hands of Time". Embora com um andamento arrastado, a derradeira música do disco possui intensidade ao apostar em um refrão crescente, com peso e força. Johnny Gioeli tem uma ótima performance, tanto nos momentos mais contidos quanto nos mais altos. Grande solo do guitarrista Neal Schon.
A
letra é sobre acreditar:
Living
every moment, with a dream burning bright
Never
stop reachin' when the dream shines its light
Will
I take it for granted, when the tryin's all set and done
Your's
the pain of rememberin' fragrant dreams are one
Considerações
Finais
Double
Eclipse acabou fazendo um sucesso moderado, especialmente por ter
sido lançado no auge do Grunge e sob o efeito pós-Nirvana.
Em
termos das principais paradas de sucesso, não obteve maior
repercussão.
As
críticas, em geral, costumam ser positivas sobre o disco. A revista
alemã Rock Hard dá ao trabalho uma nota 8,5 (de 10), através
do crítico Oliver Klemm.
Já
o crítico Doug Stone, do site AllMusic, dá ao álbum uma
nota 2,5 (de 5), apontando: “Liberado dos limites corporativos de
Journey e Bad English, Schon desencadeia o poder de
fogo reprimido da guitarra. As melhores músicas da oferta solitária
do Hardline trazem vibração, balanço e rock”.
Em 2
de novembro de 1992, a música “In the Hands of Time” foi tocada
na sua totalidade durante uma montagem do episódio ‘Princess of
Tides’, da série de TV chamada Baywatch.
Depois
que o Hardline perdeu seu contrato de gravação, Neal Schon
partiu para começar vários projetos antes de finalmente se juntar,
novamente, ao Journey.
A
antiga lenda do Jag Panzer e da Shrapnel Records, Joey Tafolla, foi
abordada para se juntar ao grupo, mas não conseguiu participar,
naquele momento, devido ao seu horário de trabalho, consistindo
principalmente em construir sua empresa de merchandising no sul da
Califórnia.
Todd
Jensen e Deen Castronovo juntaram-se à banda de apoio de Ozzy Osbourne, embora Jensen fosse substituído por Geezer Butler.
Eventualmente, Deen Castronovo acabou se unindo ao Journey.
Um
segundo álbum, II, surgiria apenas em 2002, com uma formação
que mantinha apenas os irmãos Gioeli do conjunto original.
Formação:
Johnny
Gioeli - Vocal, Guitarra acústica, Guitarra-Base, Percussão
Neal
Schon - Guitarra-Solo, Guitarra-Base, Sintetizador, Backing Vocals
Joey
Gioeli - Guitarra-Base, Backing Vocals
Todd
Jensen - Baixo, Backing Vocals
Deen
Castronovo - Bateria, Backing Vocals
Faixas:
01.
Life's a Bitch (Gioeli/Gioeli/Schon) – 4:22
02.
Dr. Love (Baker/Connors/Slamer) – 5:31
03.
Rhythm from a Red Car (Gioeli/Gioeli/Schon) – 3:40
04.
Change of Heart (Gioeli/Gioeli/Schon) – 4:42
05.
Everything (Schon/Gioeli/Gioeli/Money/Cain/Marty/Tanner) – 3:55
06.
Takin' Me Down (Gioeli/Gioeli/Schon) – 3:34
07.
Hot Cherie (Bishop/Gutheil/Neill/Shields/Sinnaeve) – 4:47
08.
Bad Taste (Gioeli/Gioeli/Schon) – 4:23
09.
Can't Find My Way (Gioeli/Gioeli/Schon) – 5:28
10.
I'll Be There (Schon/Gioeli/Gioeli/Cain) – 4:36
11.
31-91 (Schon) – 1:33
12.
In the Hands of Time (Gioeli/Gioeli/Schon) – 6:18
Letras:
Opinião
do Blog:
Chegou a vez do RAC trazer mais uma banda a qual ainda não havia aparecido em nossas páginas até agora: o Hardline.
Verdade seja dita, o Hardline não é dos nomes mais conhecidos mesmo entre os fãs casuais de Rock. Entre idas e vindas e alguns hiatos, o grupo norte-americano já conta com 5 álbuns de estúdio lançados e diferentes formações.
Um fato positivo a se apontar no conjunto, que fazia a sua estreia, é contar com músicos competentes e experientes como o baixista Todd Jensen e o baterista Deen Castronovo. E é inegável que a grande força criativa do conjunto era o já então consagrado guitarrista Neal Schon.
Os irmãos fundadores da banda não fazem feio. Joey Gioeli faz um trabalho confiável nas bases da guitarra enquanto Johnny Gioeli se revela um bom vocalista, saindo-se bem tanto nos momentos mais contidos quanto nas passagens em que é mais exigido.
Como foi apontado logo acima, em Double Eclipse, fica evidente que a principal figura compositora do grupo foi Neal Schon, ao menos em termos instrumentais.
A sonoridade do álbum é inegavelmente um Hard Rock que conta com guitarras fortes e pesadas, mas que caminha lado a lado com o AOR, o qual consagrara Schon no Journey. Fãs deste, ao ouvirem o trabalho, serão imediatamente remetidos ao grupo em várias passagens de Double Eclipse.
O disco também possui passagens mais pesadas, lembrando o então moribundo Glam Metal, mas proporcionando músicas interessantes. As letras são absolutamente simples.
Mas o álbum foi lançado em 1992, quando o Nirvana - e o grunge - estavam pegando fogo e o rock oitentista já estava sendo deixado de lado. Isto explica, em partes, porque seu lançamento foi praticamente ignorado.
Double Eclipse é um álbum de boas composições e muito divertido para fãs do Hard Rock - caso explícito do Blog, o qual elege suas preferidas. A versão pesada de "Dr. Love", com uma ótima pegada Glam Metal, é facilmente das melhores do disco.
Em termos de baladas, Double Eclipse está bem servido. "Change of Heart" funciona bem, entretanto, "Can't Find My Way" é ainda melhor, com muita cara de anos oitenta.
Mas o RAC elege a pesada "Takin' Me Down" e a criativa "In the Hands of Time" como suas preferidas no disco.
Enfim, Double Eclipse em nenhum momento tenta criar uma sonoridade nova ou reinventar a roda. O Hardline é uma boa banda, apresentando um Hard Rock que flerta com AOR e Glam Metal, deliberadamente, e executado de modo competente e divertido. Indicado para fãs destas sonoridades, mas que pode entreter qualquer um que se disponha a ouvi-lo.
NEIL YOUNG - NEIL YOUNG (1969)
Neil
Young é o álbum de estreia da carreira-solo do músico canadense
chamado Neil Young. Seu lançamento oficial aconteceu em 22 de
janeiro de 1969, através do selo Reprise Records. As gravações
ocorreram nos estúdios Wally Heider Recording, Sunset Sound
Recording e TTG Recording, todos na Califórnia, nos Estados Unidos,
entre os meses de agosto e outubro de 1968. A produção ficou sob
responsabilidade do produtor David Briggs e dos músicos Neil Young,
Jack Nitzsche e Ry Cooder.
NEIL YOUNG - NEIL YOUNG (1969)
Neil
Young é o álbum de estreia da carreira-solo do músico canadense
chamado Neil Young. Seu lançamento oficial aconteceu em 22 de
janeiro de 1969, através do selo Reprise Records. As gravações
ocorreram nos estúdios Wally Heider Recording, Sunset Sound
Recording e TTG Recording, todos na Califórnia, nos Estados Unidos,
entre os meses de agosto e outubro de 1968. A produção ficou sob
responsabilidade do produtor David Briggs e dos músicos Neil Young,
Jack Nitzsche e Ry Cooder.
Finalmente
o RAC faz justiça a um dos grandes nomes da
história do Rock, o inacreditável canadense Neil Young. O
Blog vai abordar os primórdios de sua carreira, de maneira breve,
para depois se focar no álbum propriamente dito.
Primeiros
anos de Young
Neil
Young nasceu em 12 de novembro de 1945, em Toronto, no estado de
Ontário, no Canadá. Seu pai, Scott Alexander Young, foi jornalista
e crítico esportivo, que também escrevia ficção. Sua mãe, Edna
Blow Ragland, "Rassy" Young, foi membro da chamada
Daughters of the American Revolution. (Nota do Blog:
A The Daughters of the American Revolution (DAR) é uma organização
de serviço de adesão baseada em mulheres que são diretamente
descendentes de alguma pessoa envolvida nos esforços dos Estados
Unidos para sua independência. É um grupo sem fins lucrativos, o
qual trabalha para promover a preservação histórica, a educação
e o patriotismo. A associação da organização é limitada às
descendentes lineares diretas de soldados, ou outros, do período
revolucionário que ajudaram a causa da independência; as candidatas
devem ter atingido os 18 anos de idade e são revisadas no nível do
capítulo para a admissão).
Embora
canadense, a mãe de Young tinha ascendência americana e francesa.
Os pais de Young se casaram em 1940, em Winnipeg, no Canadá, e seu
primeiro filho, Robert ‘Bob’ Young, nasceu em 1942. Pouco depois
do nascimento de Neil Young, em 1945, sua família se
mudou para Omemee, uma região rural canadense, e a qual Young
descreveu com carinho como um “pequeno lugar sonolento”.
Neil
sofreu de poliomielite, em 1951, durante o último grande surto da
doença em Ontário (a cantora e compositora canadense Joni
Mitchell, então com nove anos, também contraiu o vírus durante
esta epidemia). (Nota do Blog: A poliomielite, também chamada
de pólio ou paralisia infantil, é uma doença infecciosa viral
aguda transmitida de pessoa a pessoa, principalmente pela via
fecal-oral. O termo deriva do grego poliós, que significa "cinza",
myelós ("medula"), referindo-se à substância cinzenta da
medula espinhal, e o sufixo -itis, que denota inflamação, ou seja,
inflamação da substância cinzenta da medula espinhal).
Após
sua recuperação, a família Young passou férias na Flórida, nos
Estados Unidos. Durante esse período, Young participou brevemente da
Escola Primária Chisolm, em New Smyrna Beach.
Em
1952, ao retornar ao Canadá, Young mudou-se de Omemee para
Winnipeg, por um ano, antes de se mudar novamente para Toronto e
Pickering, ambas no mesmo país. Young se interessou pela
música popular que ouvia no rádio.
Quando
Neil tinha doze anos, seu pai, que teve vários casos
extraconjugais, deixou sua mãe. Ela pediu divórcio, que foi
concedido em 1960. Young foi morar com sua mãe, que voltou
para Winnipeg, enquanto seu irmão Bob ficou com seu pai em Toronto.
Durante
meados da década de cinquenta, Young ouviu rock 'n’ roll,
rockabilly, doo-wop, R&B, country e western pop. Ele idolatrou
Elvis Presley e depois se referiu a ele em várias de suas
músicas. (Nota do Blog: Doo-wop é um estilo de música vocal
baseado no rhythm and blues. Surgiu inicialmente na comunidade negra
norte-americana, na década de 1940, e tornou-se popular nos Estados
Unidos durante as década de 50 e 60. O estilo é caracterizado por
um backing vocal harmonioso e suave, que muitas vezes os cantores
faziam com a boca, imitando os próprios instrumentos musicais e que,
frequentemente, repete onomatopeias).
Outras
influências musicais iniciais incluíram Link Wray, Jimmy Gilmer and
the Fireballs, The Ventures, Cliff Richard and the Shadows, Chuck
Berry, Hank Marvin, Little Richard, Fats Domino, The
Chantels, The Monotones, Ronnie Self, Fleetwoods, Jerry Lee Lewis,
Johnny Cash, Roy Orbison e Gogi Grant.
![]() |
| Neil Young |
O
jovem primeiro começou a tocar música em um ukulele de plástico,
como mais tarde relataria, passando para “de um ukulele melhor para
um ukulele de banjo e para um ukulele de barítono - tudo menos uma
guitarra”. (Nota do Blog: O ukulele é um instrumento
musical de cordas beliscadas, geralmente com 4 cordas de tripa ou com
materiais sintéticos como nylon, nylgut, fluorocarbono, entre
outros).
Juventude
de Young
Young
e sua mãe se instalaram na área, da classe trabalhadora, de Fort
Rouge, em Winnipeg, onde um jovem tímidos Neil se matriculou na Earl
Grey Junior High School. Foi lá que ele formou sua primeira
banda, a The Jades, e conheceu Ken Koblun. (Nota do Blog: Ken
Koblun é um músico canadense que, durante os anos 60, tocou ao lado
de Neil Young na banda The Jades, the Squires, the
Stardusters, e brevemente no Buffalo Springfield).
Ao
frequentar a Kelvin High School, em Winnipeg, Neil
tocou em vários grupos instrumentais de rock, eventualmente
abandonando a escola em favor de uma carreira musical. A primeira
banda estável de Young foi o The Squires, com Ken
Koblun, Jeff Wuckert e Bill Edmondson na bateria, e que teve um hit
local chamada “The Sultan”.
A
banda tocou na cidade de Fort William, onde gravou uma série de
demos produzidas por um produtor local, Ray Dee, que Young chamou de
‘Briggs original’.
Ao
tocar em local chamado The Flamingo,
Young conheceu Stephen Stills, cuja banda The Company
estava tocando no mesmo local, e eles se tornaram amigos. A The
Squires tocou em vários salões de dança e clubes, em Winnipeg e no
estado de Ontário.
Depois
de deixar o The Squires, Young trabalhou em clubes populares
de Winnipeg, onde ele conheceu Joni Mitchell. Mitchell
recorda-se de Young como tendo sido altamente influenciado por Bob
Dylan naquela época.
Foi
nesta época em que Neil compôs algumas de suas músicas mais
antigas, populares e duradouras, como “Sugar Mountain”, sobre a
juventude perdida. Mitchell compôs “The Circle Game”, em
resposta.
A
conhecida banda de Winnipeg, The Guess Who (com Randy Bachman
como guitarrista principal) teve um hit canadense com “Flying on
the Ground is Wrong”, a qual foi o primeiro grande sucesso de Young
como compositor.
Tempo
de mudanças
Em
1965, Young fez uma turnê pelo Canadá como artista solo. Em
1966, enquanto estava em Toronto, ele se juntou ao Mynah Byrds,
de Rick James. A banda conseguiu garantir um contrato de gravação
com o selo Motown Records, mas, enquanto gravavam seu primeiro álbum,
James foi preso por ser desertor da Marinha norte-americana.
Depois
que o Mynah Byrds se dissolveru, Young e o baixista Bruce
Palmer se mudaram para Los Angeles, nos Estados Unidos. Neil admitiu,
em uma entrevista de 2009, que ele estava nos Estados Unidos
ilegalmente até receber um green card (permissão de
residência permanente), em 1970.
Buffalo Springfield
Uma
vez que chegaram a Los Angeles, Young e Palmer se encontraram
com Stephen Stills, Richie Furay e Dewey Martin para formar a
sensacional banda Buffalo Springfield.
Uma
mistura de folk, country, psicodelia e rock, deu uma ponta Hard dada
pelas guitarras-gêmeas de Stills e Young, fez do Buffalo
Springfield um sucesso de crítica e comercial.
Entre
1966 e 1968, o grupo gravou e lançou 3 álbuns de estúdio: Buffalo
Springfield (1966), Buffalo Springfield Again (1967) e
Last Time Around (1968). Dar-se-á maiores detalhes sobre o
grupo posteriormente, aqui mesmo no RAC.
Em
maio de 1968, e de comum acordo, a banda se separou para sempre.
Carreira
solo
Após
a separação do Buffalo Springfield, Young assinou um
acordo solo com a Reprise Records, casa de sua colega e amiga Joni
Mitchell, com quem compartilhou o manager, Elliot Roberts, que
gerencia Neil até hoje.
Young
e Roberts imediatamente começaram a trabalhar no primeiro disco solo
do músico, que se chamaria simplesmente Neil Young.
Entre
agosto e outubro de 1968, deram-se as gravações do disco, sendo
realizadas em diferentes estúdios situados na Califórnia: Wally
Heider Recording, Sunset Sound Recording e TTG Recording.
A
produção ficou sob responsabilidade do produtor David Briggs e dos
músicos Neil Young, Jack Nitzsche e Ry Cooder.
![]() |
| Neil Young |
Para
as gravações, Young contou com alguns músicos tarimbados em
estúdio, incluindo Ry Cooder e Jack Nitzsche, além de seu
companheiro no Buffalo Springfield, Jim Messina.
A
capa, simples, mas bonita, conta com uma pintura estilizada do
próprio Neil Young. Obra do artista Roland Deihl.
Vamos
às faixas:
THE
EMPEROR OF WYOMING
A pequena obra instrumental, mas bela, "The Emperor of Wyoming" abre o disco com um ar sessentista, pequenas orquestrações, em um tom bucólico e cativante.
THE
LONER
A voz única de Neil Young aparece na clássica "The Loner". As guitarras já se encontram mais presentes, bem como o trabalho do baixo de Jim Messina. O refrão é muito bom e a distorção de sua guitarra já demonstra traços que formariam sua musicalidade posteriormente. Grande faixa!
A
letra pode ser inferida sobre alguém de que se desconfia:
He's
a perfect stranger,
Like a cross
Of himself and a fox
He's
a feeling arranger
And a changer
Of the ways he talks
He's
the unforeseen danger
The keeper of
The key to the
locks
Know when you see him,
Nothing can free him
Step
aside, open wide,
It's the loner
“The
Loner” tornou-se um clássico da carreira de Neil Young,
sendo uma presença constante no repertório ao vivo do músico.
A
faixa foi lançada como o single principal para promover o álbum
Neil Young, mas não repercutiu entre as principais paradas
desta natureza. “The Loner” foi composta enquanto o Buffalo
Springfield estava em seus momentos finais.
O
pressuposto amplamente assumido é de que a música foi composta
sobre Stephen Stills e talvez não possa ser refutada (o
próprio Young raramente fornece clareza sobre tais
problemas), mas talvez seja mais provável que a música seja de
natureza autobiográfica, pois Young era, de todos os membros
do Springfield, o mais incomodado em ser membro de uma banda.
A
música foi gravada com o ex-membro da Springfield, Jim
Messina, no baixo e com George Grantham na bateria, embora ambos não
tenham sido creditados na capa do álbum, e é a primeira canção de
Young produzida por David Briggs, com quem o músico
colaboraria até a sua morte, em 1995.
Os
arranjos dos instrumentos de cordas foram organizados por David
Blumberg, que Young conheceu através de Briggs. As letras são
caracterizadas por medo e desorientação, provenientes de um
‘protagonista imobilizado’ que ‘testemunha exibições visuais
extraordinárias’.
Os
elogios surgiram rapidamente, por exemplo, na crítica sobre o álbum
presente na revista norte-americana Rolling Stone: ““The
Loner” é um lamento contemporâneo que caracteriza uma mistura
agradável da guitarra de Neil com cordas, de forma não
invasiva, permitindo que o gelado vocal equilibrado de Young
puxe efetivamente o ouvinte”.
A
música ainda é tocada ao vivo, assim como outra presente em Neil
Young, “The Old Laughing Lady”. Também Stephen Stills
tocou a música, ao vivo, com e sem Young.
Stephen
Stills regravou “The Loner” para seu álbum Illegal
Stills, de 1976. Outras versões famosas foram gravadas pelo
grupo Three Dog Night e pelo músico Nils Lofgren.
IF
I COULD HAVE HER TONIGHT
Um rock bem simples, suave e tocante é a marca de "If I Could Have Her Tonight". Os vocais de Neil Young são bem dosados e se casam perfeitamente com a sonoridade. Uma canção bem pequena, mas bonita.
A
letra demonstra alguém apaixonado:
Lately
I've found myself
Losing my mind
Knowing how badly I need
her
It's something hard to find
I’VE
BEEN WAITING FOR YOU
Embora a abordagem continue sendo mais voltada para a sutileza, esta composição apresenta mais força e presença em comparação com sua antecedente. Um bom trabalho da bateria acompanha um solo de guitarra incrível de Young. Excelente canção!
A
letra fala sobre esperança e amor:
I've
been waiting for you
And you've been coming to me
For such
a long time now
Such a long time now
“I’ve
Been Waiting for You” é uma canção de Neil Young que já
foi ‘vítima’ de diversas versões, incluindo nomes como Pixies
e Dinosaur Jr.
Mas
a versão cover mais conhecida é a que foi gravada pelo inesquecível
David Bowie (e que conta com Dave Grohl na guitarra), presente
no álbum Heathen, de 2002. Esta versão foi lançada como
single no Canadá onde conquistou a 11ª posição da parada do país.
THE
OLD LAUGHING LADY
"The Old Laughing Lady" possui um toque suave e, ao mesmo tempo, uma atmosfera triste e contemplativa. Boa parte deste ambiente é criado pelas orquestrações e um eficiente trabalho de backing vocals, tomando parte de uma sonoridade que busca influências do Blues e do Soul norte-americanos. Belíssima canção!
A
música se refere a velhos hábitos:
See
the drunkard of the village
Falling on the street
Can't
tell his ankles
From the rest of his feet
He loves his old
laughing lady
'Cause her taste is so sweet
But his laughing
lady's loving
Ain't the kind he can keep
STRING
QUARTET FROM WHISKEY BOOT HILL
Pequena faixa instrumental orquestrada.
HERE
WE ARE IN THE YEARS
A atmosfera sessentista continua muito nítida na bela "Here We Are in the Years", a qual conta com uma abordagem Rock, mas com um pé no Folk. O trabalho do violão é muito bonito e acaba por cativar o ouvinte com sua inquietante suavidade.
A
letra é uma ode à vida no campo:
While
people
Planning trips to stars
Allow another boulevard to
claim
A quiet country lane
It's insane
WHAT
DID YOU DO TO MY LIFE?
Nesta música, a guitarra de Young volta a aparecer de forma mais "agressiva" e marcante, mesmo que por pouco tempo. Os vocais mais contidos voltam a funcionar perfeitamente para a sonoridade proposta.
A
letra pode ser interpretada como um amor que se perdeu:
It's
hard enough losing
Without the confusion
Of knowing I
tried
But you've made your mind up
That I'll be alone
Now
there's nothing to hide
I’VE
LOVED HER SO LONG
Nesta bela composição, o flerte com o Folk continua, em uma musicalidade suave. O trabalho do baixo é otimamente construído, assim como os eficientes backing vocals, lembrando os grupos de Soul, bastante comuns no sul dos EUA.
A
letra fala de um amor passado:
Oh,
I've loved her so long
Oh, I've loved her so long
There's a
place that I know
We could go
get away for a while
I
can bring her the peace
That she needs
Give her reason to
smile
THE
LAST TRIP TO TULSA
A décima - e última - faixa de Neil Young é "The Last Trip to Tulsa". Com quase 10 minutos de duração, a derradeira música do disco é um atestado inicial do talento de Young. Contando, apenas, com o violão e a voz de Neil - e sua pegada Folk inconfundível - a canção envolve e comove, muito por causa de uma interpretação emocionante do canadense nos vocais. Fecha o álbum incrivelmente.
A
letra é uma longa história sobre confiança:
Well,
I used to be a folk singer
Keeping managers alive,
When you
saw me on a corner
And told me I was jive
So I unlocked
your mind, you know
To see what I could see
If you
guarantee the postage,
I'll mail you back the key
Well I
woke up in the morning
With an arrow through my nose
There
was an indian in the corner
Tryin' on my clothes
Considerações
Finais
Embora
seja de qualidade inquestionável, o disco Neil Young não fez
grande sucesso comercial.
Também,
o álbum não causou nenhuma repercussão em termos das principais
paradas de sucesso. O trabalho ficou mais conhecido à medida que a
carreira solo de Neil Young decolou e seus novos fãs
procuravam seus discos anteriores.
O
primeiro lançamento, de janeiro de 1969, usou o sistema de
codificação Haeco-CSG. Esta tecnologia destinava-se a tornar
os discos lançados em estéreo compatíveis com gravadores mono, mas
teve o infeliz efeito colateral de degradar o som.
Neil
Young estava infeliz com o primeiro lançamento. “A primeira
mixagem foi horrível”, foi a forma com que ele foi informado,
segundo afirmou ao Cash Box, em 6 de setembro de 1969.
O
álbum foi, portanto, remixado e relançado sem o processamento
Haeco-CSG. O nome ‘Neil Young’ foi adicionado à
capa do álbum. No entanto, novas cópias com a remixagem foram
soltas no mercado com a capa original de janeiro de 1969, e, então,
existem cópias de ambas as mixagens com a capa original.
Entretanto,
as cópias com a mixagem original são agora raras e procuradas, pois
muitos fãs de Neil Young acreditam que o remix prejudicou as
músicas, especialmente “Here We Are in the Years”.
Neil
Young foi remasterizado e lançado em CD, codificados em HDCD, e
download digital, em 14 de julho de 2009, como parte da série Neil
Young Archives Original Release. Foi lançado, também, em
vinil audiophile, em dezembro de 2009, tanto
individualmente como parte de um Box Set dos primeiros quatro LPs do
Neil, estando disponíveis em seu site oficial.
A
supracitada Box Set foi limitada a 1000 cópias; uma versão da mesma
em CD contava com 3000 cópias. Um disco Blu-ray digital, de alta
resolução, está planejado, embora nenhuma data de lançamento
tenha sido definida.
A
revista norte-americana Rolling Stone fez uma crítica
favorável a Neil Young, afirmando: “em muitos aspectos, uma
repetição deliciosa desse som do Springfield feito de uma
nova maneira”.
Já
o site AllMusic, através do crítico William Ruhlmann, dá ao álbum
uma nota 3,5 de um máximo de 5, atestando: “Os elementos de
Country e Western que tingiram o som do Springfield também
estavam presentes, principalmente na faixa de abertura, “The
Emperor of Wyoming”, uma instrumental que lembrou a música do
Springfield “A Child's Claim to Fame”. Ainda inseguro de
sua voz, Young cantava em um alto tenor o qual poderia
assombrar com tanta frequência quanto era apático e choramingando”.
Por
fim, Ruhlmann conclui: “Ainda assim, Neil Young faz uma
introdução desigual e discreta à carreira solo de Young e,
quando lançado, foi um fracasso comercial, seu único álbum que não
entrou nas paradas de sucesso”.
Para
o seu próximo álbum, Young recrutou três músicos de uma
banda chamada The Rockets: Danny Whitten na guitarra, Billy
Talbot no baixo e Ralph Molina na bateria.
Estes
três tomaram o nome Crazy Horse (inspirados na figura
histórica de mesmo nome), e, seu segundo disco solo, o aclamado
Everybody Knows This Is Nowhere, lançado em maio de 1969, é
creditado a Neil Young with Crazy Horse.
Formação:
Neil
Young - Vocal, Guitarras, Piano, Sintetizador, Cravo, Órgão
Ry
Cooder - Guitarra
Jack
Nitzsche - Piano elétrico, Arranjos
Jim
Messina, Carol Kaye - Baixo
George
Grantham, Earl Palmer - Bateria
Merry
Clayton, Brenda Holloway, Patrice Holloway, Gloria Richetta Jones,
Sherlie Matthews, Gracia Nitzsche - Backing Vocals
Faixas:
01.
The Emperor of Wyoming (Young) - 2:14
02.
The Loner (Young) - 3:55
03.
If I Could Have Her Tonight (Young) - 2:15
04.
I've Been Waiting for You (Young) - 2:30
05.
The Old Laughing Lady (Young) - 5:58
06.
String Quartet from Whiskey Boot Hill (Nitzsche) - 1:04
07.
Here We Are in the Years (Young) - 3:27
08.
What Did You Do to My Life? (Young) - 2:28
09.
I've Loved Her So Long (Young) - 2:40
10.
The Last Trip to Tulsa (Young) - 9:25
Letras:
Opinião
do Blog:
Peço licença aos leitores, pois, hoje, o Opinião do Blog será um pouco diferente do que se está acostumado a acontecer por aqui. É mais um desabafo que qualquer outra coisa.
Por muitos anos, ignorei completamente a carreira de Neil Young. Não o ouvia e nem procurava seus trabalhos para conhecer. Mas, felizmente, um dia quebrei este estigma e o único arrependimento que tenho é de não ter feito isto anteriormente.
Young possui uma carreira incrível e que deve ser apreciada sem moderações. É óbvio que, com uma discografia tão extensa, ocorram altos e baixos, mas, em sua maioria, os discos da carreira-solo de Neil Young são altamente referendados pelo RAC.
Minha fase preferida do canadense é aquela que vai do fim da década de 60 até os anos finais da década seguinte. O leitor que não está iniciado no músico canadense pode começar com estes discos.
Neil Young, primeiro álbum solo de Neil Young, ainda não apresenta sua sonoridade mais clássica, um Rock em que sua guitarra brilha de modo crucial. Isto pode ser ouvido mais precisamente, neste trabalho, na clássica e atemporal "The Loner".
A abordagem fundamental neste trabalho aqui comentado é mais voltada para a sutileza, para a suavidade e de modo bem intimista. Neil Young cria uma atmosfera por vezes bucólica, rústica e, insisto, sutil, mas construída com absoluto bom gosto.
Além da supracitada "The Loner", destaco as belíssimas "I've Been Waiting for You", "The Old Laughing Lady"e "What Did You Do to My Life". Também merece ser reverenciada a minimalista "The Last Trip to Tulsa", uma amostra da genialidade de Young.
É claro que o RAC indica Neil Young como uma forma de adentrar a obrigatória carreira do canadense Neil Young. O disco está distante de seus trabalhos mais célebres e influentes, mas, mesmo assim, apresenta um belo conjunto de composições e deve ser apreciado sem restrições.
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