Spectres
é o quinto álbum de estúdio da banda norte-americana Blue Öyster
Cult. Seu lançamento oficial ocorreu em novembro de 1977 através do
selo Columbia Records. As gravações aconteceram entre julho e
setembro daquele mesmo ano, no estúdio The Record Plant, em Nova
York, Estados Unidos. A produção ficou por conta de Murray Krugman,
Sandy Pearlman, David Lucas e do próprio grupo.
BLUE ÖYSTER CULT - SPECTRES (1977)
Spectres
é o quinto álbum de estúdio da banda norte-americana Blue Öyster
Cult. Seu lançamento oficial ocorreu em novembro de 1977 através do
selo Columbia Records. As gravações aconteceram entre julho e
setembro daquele mesmo ano, no estúdio The Record Plant, em Nova
York, Estados Unidos. A produção ficou por conta de Murray Krugman,
Sandy Pearlman, David Lucas e do próprio grupo.
Chegou
a vez do Blue Öyster Cult voltar às páginas do RAC,
após um longo período, com outro de seus mais notáveis trabalhos.
O Blog vai tratar de alguns fatos que se antecederam ao lançamento
do disco para depois abordar as faixas que o compõem.
Agents
of Fortune
Como
o link acima aponta, o RAC, em seus primórdios,
já abordou este disco e o leitor que quiser mais informações e
detalhes sobre o mesmo pode encontrar no post de 6 anos atrás!
Em
suma, Agents of Fortune foi um ponto de virada para a banda.
O
álbum possui alguns clássicos do conjunto como “This Ain't the
Summer of Love”, “E.T.I. (Extra Terrestrial Intelligence)” e,
principalmente, “(Don't Fear) The Reaper”.
O
disco foi muito bem nas principais paradas de sucesso
(norte-americana e britânica), alçando o grupo a um novo patamar,
permitindo que tocasse em arenas maiores e para um público cada vez
mais numeroso.
Há
outros fatores importantes envolvidos na composição, produção e
lançamento de Agents of Fortune.
![]() |
| Joe Bouchard |
O
primeiro é que o Blue Öyster Cult começou a abandonar uma
roupagem mais Heavy Metal para trazer uma sonoridade que, embora com
algum inegável peso, trazia riqueza de melodias e uma incontestável
sonoridade Hard setentista.
O
segundo fator, e tão importante quanto, é que os membros da banda
passaram a compor individualmente as canções em vez de trabalharem
em conjunto nas composições. Agora, cada músico apresentava a
canção já previamente formatada ao restante da banda quando
começava o trabalho de gravação.
Próximo
trabalho
O
conjunto continuava com a mesma formação do trabalho anterior: Eric
Bloom na guitarra, Donald "Buck Dharma" Roeser também na
guitarra, Allen Lanier nos teclados, Joe Bouchard no baixo e Albert
Bouchard na bateria. Como se sabe, os vocais eram divididos por todos
os membros, embora Bloom e Roeser fossem os vocalistas mais
prioritários.
Após
extensa turnê, a qual contava com equipamento de Lasers para
iluminação, o grupo começou a trabalhar em seu novo álbum, o qual
se tornaria Spectres.
![]() |
| Albert Bouchard |
Para
a produção, a banda trouxe a mesma equipe bem-sucedida do trabalho
anterior: Murray Krugman, o manager Sandy Pearlman e o produtor David
Lucas, além do próprio grupo auxiliar neste trabalho.
As
gravações ocorreram entre julho e setembro de 1977 e, novamente, o Record
Plant em Nova York foi o estúdio escolhido.
A
capa apresenta uma fotografia do grupo, trabalho de Eric Meola. (Nota
do Blog: Eric Meola é um fotógrafo americano. Graduou-se na
Universidade de Syracuse em 1968 e é autodidata na arte da
fotografia. Em Nova York, ele aprendeu com o fotógrafo Pete Turner,
o qual o influenciou no uso de cores saturadas e design gráfico da
arte de Meola. Ele viajou por todo o mundo e é reconhecido pelo uso
brilhante da cor em sua fotografia. Uma de suas fotos mais famosas,
Coca (Cola) Kid, foi tirada no Haiti).
Vamos
às faixas:
GODZILLA
"Godzilla" é ancorada por um riff de guitarra sensacional criado por Donald Roeser. O trabalho das guitarras é incrível e o baixo de Joe Bouchard é fundamental para a sólida base construída. A fusão do peso do Hard Rock com as melodias cativantes é o fator que torna a canção tão incrível. Clássico!
A
letra é baseada no monstro japonês Godzila:
History
shows again and again
How
nature points up the folly of men
Godzilla!
“Godzilla”
é um dos maiores clássicos do Blue Öyster Cult e se tornou
presença obrigatória nos shows do grupo. Roeser e Bloom dividem os
vocais nesta composição.
A
faixa foi lançada como single, mas não obteve maior repercussão em
termos das principais paradas desta natureza, a britânica e a
norte-americana.
Em
resposta à ausência da música na trilha sonora do filme Godzilla,
de 1998, os membros do Blue Öyster Cult, Eric Bloom e Buck
Dharma, criaram sua própria paródia chamada “NoZilla”, lançada
somente para estações de rádio.
Além
de aparecer em vários álbuns Ao Vivo e Coletâneas da banda, a
música “Godzilla” aparece em diversas outras mídias, como os
games Guitar Hero: Smash Hits e Rock Band. É trilha
sonora nos filmes Detroit Rock City e Dogtown and Z-Boys.
Entre
bandas que fizeram versões para a canção estão nomes como Racer
X, Fu Manchu, The Smashing Pumpkins, Sebastian
Bach e Fighting Gravity.
GOLDEN
AGE OF LEATHER
A ótima "Golden Age of Leather" possui a pegada Hard Rock setentista da banda, contando com guitarras aguçadas e marcantes. E, novamente, também possui a capacidade incrível do grupo em soar extremamente melódico. A presença dos teclados são uma constante e eles perfazem um aspecto interessante da sonoridade.
A
letra remete a um ritual de motoqueiros:
Then
the wind whipped the desert with a giant hand
And
the humans and the Harleys caught the shifting sand
And
the old ranger weathered the storm
And
he topped the rise by the middle of morn
He
saw rippled dunes, calm and surreal
And
a glint of a shaft of chromium steel
Os
vocais são feitos por Donald Roeser.
DEATH
VALLEY NIGHTS
Já nesta canção, o conjunto optou por uma abordagem mais contida e intimista. O trabalho do baixista continua como protagonista e o solo de guitarra é ótimo. Os vocais de Albert Bouchard combinam muito bem com a sonoridade.
A
letra possui um conteúdo apaixonado:
What
I need is a kiss from you babe
Before
it's hangover time
What
I need is some love from you babe
Before
the stampede arrives
I
need you
Os
vocais são feitos por Albert Bouchard.
SEARCHIN’
FOR CELINE
"Searchin' for Celine" possui um inegável aspecto setentista. Contagiante, a faixa traz à mente a sonoridade de bandas como o Queen (o que é ótimo). Eficiente em equilibrar as guitarras com uma musicalidade maliciosa e dançante, a canção funciona perfeitamente.
A
letra fala sobre uma mulher:
I
know where she's working
I
know where she hides
I
know why she's cursing
She
knows why I lie
Os
vocais são feitos por Eric Bloom.
FIREWORKS
"Fireworks" é uma canção em que o DNA do Blue Öyster Cult se expressa de modo completo: guitarras muito presentes, melodia cativante e uma dose perfeita de acessibilidade ao rock. Trabalho muito bem feito.
A
letra tem um conteúdo fantástico:
She
went down on a snow white pillow
To
cast herself in the looking glass
He
knew the time had finally come now
To
break the spell they shared at last
Os
vocais são feitos por Albert Bouchard.
R.
U. READY 2 ROCK
Nesta música, o grupo volta a apostar mais fortemente no Hard/Heavy. As guitarras soam mais pesadas e a seção rítmica está mais intensa. Os solos de guitarra estão muito bons e o vocal de Eric Bloom é incrível. Petardo!
A
letra é em tom de rebeldia:
I
ain't gonna catch those countdown blues
I
ain't gonna catch those countdown blues
I
only love to be born again
I
only love to be born again
I
only love to be born again
Os
vocais são feitos por Eric Bloom.
CELESTIAL
THE QUEEN
"Celestial the Queen" é um rock saboroso. A melodia é suave, o ritmo cadenciado e a atmosfera criada soa envolvente. A leveza 'quase pop' da sonoridade acaba conquistando o ouvinte.
A
letra se refere a uma figura feminina:
She
came from the dark she came from a dream
All
leather and chains the rising queen
Born
into the night born into the spotlight
She
spread her wings and then she was gone
Os
vocais são feitos por Joe Bouchard.
GOIN’
THROUGH THE MOTIONS
Os teclados são novamente os protagonistas em "Goin' Through the Motions". A canção possui um inconfundível toque dançante e o ritmo conta com um balanço contagiante. Excelente trabalho de Eric Bloom nos vocais.
A
letra é sobre consequências:
It's
a game, it's a game, no let's call it a shame
'Cause
there's no one to blame just to pay
You
were a friend for a day, so don't cry if I say
That
you got what you want, it's ok
Os
vocais são feitos por Eric Bloom.
“Goin'
Through the Motions” foi lançada como single e atingiu a 40ª
posição da principal parada britânica desta natureza.
I
LOVE THE NIGHT
"I Love the Night" possui um aspecto mais sombrio e inegavelmente boêmio. Sua levada mais contida e mais intimista compõem uma música diferente no conjunto do álbum, mas não menos interessante. Há um aspecto bluesy cativante em outro ponto alto do disco.
A
letra é bonita:
No
mortal was meant to see such wonder
One
look in the mirror told me so
Come
darkness I'll see her again
Yes
I'm gonna go 'cause now I know
Os
vocais são feitos por Donald Roeser.
“I
Love the Night” foi lançada como single não obtendo maior
repercussão em termos das principais paradas desta natureza, a
britânica e a norte-americana.
NOSFERATU
A décima - e última - faixa de Spectres é "Nosferatu". A derradeira canção do álbum é uma amostra da eficiência do Blue Öyster Cult em criar atmosferas perfeitas para a temática literária de suas composições. Brilhante!
A
letra menciona o famoso vampiro Nosferatu:
This
ship pulled in without a sound
The
faithful captain long since cold
He
kept his log till the bloody end
Last
entry read "Rats in the hold.
My
crew is dead, I fear the plague"
Os
vocais são feitos por Joe Bouchard.
Considerações
Finais
Spectres
acabou fazendo sucesso comercial e manteve a linha ascendente de
crescimento do Blue Öyster Cult.
O
álbum alcançou a 43ª posição da principal parada norte-americana
desta natureza, conquistando a 60ª colocação de sua correspondente
britânica. Ainda atingiu o 47º e o 58º lugares nas paradas de
Canadá e Suécia; respectivamente.
Spectres
teve o sucesso radiofônico “Godzilla” e se tornaria um dos
álbuns mais vendidos da banda, com outras músicas bem conhecidas
como “I Love The Night” e “Goin' Through The Motions”. No
entanto, suas vendas não foram tão fortes quanto as do álbum
anterior, Agents of Fortune, tornando-se seu primeiro álbum a vender
menos que o antecessor.
Ele
apresentou uma produção ainda mais polida e continuou a tendência
dos vocais principais amplamente compartilhados entre os membros do
grupo, embora Allen Lanier não tenha cantado em nenhuma faixa.
Tal
como acontece com o álbum anterior, Eric Bloom foi o vocalista
principal em menos da metade das músicas.
A
crítica tem apreço pelo trabalho. Robert Christgau deu uma nota ‘B’
ao disco. Martin Popoff, em seu The Collector's Guide to Heavy
Metal: Volume 1: The Seventies, dá nota máxima ao disco.
Já
Thom Jurek, do site AllMusic, dá a Spectres uma nota
3,5 (de 5), afirmando: “(…) eles queriam cimentar seu lugar.
Spectres não é a obra-prima que Agents of Fortune é,
mas não precisava ser. No entanto, ao ouvir Spectres de novo,
o álbum oferece a prova de que a vantagem comercial e criativa de
Agents of Fortune ainda
estava em vigor em determinados momentos e a banda apresentou um
single de abertura importante, “Godzilla”, uma melodia - por mais
boba que seja - é tão memorável quanto “(Don’t Fear) The
Reaper””.
Por
fim, Jurek conclui: “O BOC era a única banda em sua liga,
caminhando pela linha entre AOR, rock e metal, e oferecendo
narrativas tão detalhadas”. (Nota do Blog: BOC = Blue
Öyster Cult).
O
conjunto saiu em turnê após o lançamento do disco com algumas
apresentações sendo gravadas, as quais tomariam parte no álbum ao
vivo Some Enchanted Evening, de 1978, o trabalho mais
bem-sucedido, em vendas, do Blue Öyster Cult.
Spectres
supera a casa de 500 mil cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.
Formação:
Eric
Bloom - Guitarra, Vocal
Donald
"Buck Dharma" Roeser - Guitarra Base e Solo, Vocal
Allen
Lanier - Teclados, Guitarra
Joe
Bouchard - Baixo, Guitarra, Vocal
Albert
Bouchard - Bateria, Harmônica, Vocal
Músicos
adicionais:
Newark
Boys Chorus - coral em “Golden Age of Leather”
Faixas:
01.
Godzilla (Roeser) - 3:41
02.
Golden Age of Leather (Roeser/Abbott) - 5:53
03.
Death Valley Nights (A. Bouchard/Meltzer) - 4:07
04.
Searchin' for Celine (Lanier) - 3:35
05.
Fireworks (A. Bouchard) - 3:14
06.
R. U. Ready 2 Rock (A. Bouchard/Pearlman) - 3:45
07.
Celestial the Queen (J. Bouchard/Wheels) - 3:24
08.
Goin' Through the Motions (Bloom/Hunter) - 3:12
09.
I Love the Night (Roeser) - 4:23
10.
Nosferatu (J. Bouchard/Wheels) - 5:23
Letras:
Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/blue-oyster-cult/
Opinião
do Blog:
Finalmente o Blue Öyster Cult retorna às páginas do RAC, mas, felizmente, com outra de suas obras mais impactantes: Spectres.
Assim como em seu impressionante antecessor, Agents of Fortune, o grupo contava com uma formação harmônica e bem talentosa. As guitarras de Eric Bloom e Donald Roeser são precisas e ferozes, mas é inegável o protagonismo dos teclados de Allen Lanier e do baixo de Joe Bouchard.
Desta forma, o Blue Öyster Cult continua, em Spectres, o caminho iniciado em Agents of Fortune: sem abrir mão, o Hard Rock e o Heavy Metal vão permitindo espaço para o Rock e para o AOR (de bandas como Boston e Journey, por exemplo) na musicalidade de suas composições.
Portanto, Spectres soa pesado e intenso, mas também melódico, suave e cativante, sendo, por vezes, até "dançante". E seu maior mérito está justamente na qualidade de sua sonoridade em integrar esta gama de musicalidades sem soar artificial ou forçado.
As letras também são bem legais e merecem uma conferida mais atenta. Com vários compositores e vocalistas, Spectres é um disco com muitas possibilidades e variantes. Ora flerta com o Black Sabbath, ora lembra o Queen.
A intimista "Death Valley Nights" e a boêmia "I Love the Night" demonstram uma fachada mais contida do grupo. "Nosferatu" é um Rock maiúsculo e criativo.
Mas as preferidas do Blog são as pauladas "Godzilla" e "R. U. Ready 2 Rock", estas, entre as melhores faixas compostas pela banda em sua extensa discografia.
Enfim, Spectres é mais uma amostra de como o Blue Öyster Cult foi um expoente do Rock/Hard/Heavy nos anos setenta e, também, da forma subestimada com a qual é tratado nos dias de hoje. Um álbum excelente, sem pontos baixos e que apresenta uma banda, literalmente, 'pegando fogo'! Altamente recomendado!
DR. SIN - BRUTAL (1995)
Brutal
é o segundo álbum de estúdio da banda brasileira Dr. Sin. Seu
lançamento oficial aconteceu em 1995 através dos selos Laser
Company/Unimar Music. As gravações ocorreram no Carriage House, em
Stamford, nos Estados Unidos. A produção ficou por conta de Johnny
Montagnese e da própria banda.
O
RAC traz pela primeira vez a banda brasileira
Dr. Sin, com o álbum Brutal. De maneira muito breve,
vai-se abordar os primórdios do grupo para depois se partir para o
tradicional faixa a faixa.
Andria
e Ivan
Andria
Busic e seu irmão mais novo, Ivan Busic, são filhos do famoso
trompetista André Busic, fundador da Traditional Jazz Band.
Sob
influência paterna, os dois irmãos começaram a desenvolver
interesse pelo Rock desde cedo por bandas como Beatles, Rush,
Led Zeppelin, etc, além de outros estilos musicais como
Country, Blues e, evidentemente, o Jazz.
Andria
logo se interessou pelo Baixo.
Platina
Em
1981, Andria e Ivan se juntaram ao guitarrista Daril Parisi com a
intenção de formarem um conjunto Country. Ivan, originalmente nos
vocais, foi deslocado para a bateria, pois o grupo foi incapaz de
conseguir um baterista.
Já
em 1982, ainda com Ivan como vocalista, o grupo gravou a canção
“Campestre”.
Fãs
de KISS e Black Sabbath, os caras resolveram mudar sua
sonoridade para o Hard Rock/Heavy Metal, fundando a banda Prisma
e se apresentando como um Power Trio, tocando covers. Nesta
época, Andria já havia assumido a posição de vocalista. (Nota
do Blog: Um power trio é um formato de banda de rock and roll
popularizado na década de 1960. O power trio tradicional é composto
por uma guitarra, um baixo e uma bateria).
![]() |
| Ivan Busic |
Em
1984, o conjunto mudou seu nome para Platina. Em abril daquele
ano, a banda se apresentou no Teatro Lira Paulistana e logo depois
foi convidada para gravar um disco, através do produtor Luiz Calanca, pelo selo Baratos Afins. (Nota do Blog: Baratos Afins é
uma gravadora, produtora e loja musical situada na capital de São
Paulo (Galeria do Rock), de propriedade do lendário produtor Luiz
Calanca).
Durante
os ensaios para a gravação do disco, surgiu a necessidade de um
novo vocalista, o qual foi encontrado na figura de Sergio Sêman.
O
estúdio Vice Versa, em São Paulo, foi o local escolhido para as
gravações. Platina, o álbum de estreia do grupo, continha 6
faixas e foi lançado no início de 1985, no formato de 45 rotações.
Em
1986, o grupo gravou um videoclipe para a faixa “Fascínio”. Já
em 1987, quando o Platina se preparava para um novo disco, o
conjunto se desfez por diferenças musicais.
Cherokee
e Wander Taffo
Andria,
Ivan e Sêman se juntaram ao guitarrista Renato Nunes, formando o
grupo Cherokee e lançando um álbum, autointitulado.
Já
em 1989, Andria e Ivan participariam do álbum Wander Taffo, o
primeiro da carreira solo do saudoso Wander Taffo. (Nota do
Blog: Wanderley Taffo Júnior foi um cantor e guitarrista
brasileiro e proprietário da EM&T (Escola de Música e
Tecnologia). Ele tocou com Rita Lee, Guilherme Arantes e nas bandas
Memphis, Made in Brazil, Secos & Molhados, Gang 90 e as
Absurdettes, Joelho de Porco, Rádio Táxi e Banda Taffo).
Já
em 1991, e como a banda Taffo, o grupo grava o aclamado álbum
Rosa Branca. Durante este tempo, eventualmente, os irmãos
Busic faziam Jams na noite paulistana com o guitarrista Eduardo
Ardanuy.
Eduardo
Ardanuy
Ardanuy
começou a estudar música e tocar violão aos 13 anos.
Aos
16 anos, ele começou a estudar guitarra, quando seu pai lhe deu uma
guitarra elétrica e, portanto, seu interesse pelo rock aumentou,
inspirado por bandas como Deep Purple, Black Sabbath e
Led Zeppelin.
Edu
estudava por até dez horas por dia, inspirado em artistas como Eddie Van Halen, Yngwie Malmsteen, Ritchie Blackmore, Jimmy Page, Jimi Hendrix, Jeff Beck, Alex Lifeson, entre outros.
Em
1989, Edu se juntou ao A Chave Do Sol, com quem lançou o
disco A New Revolution, no mesmo ano.
Logo
depois, Edu decidiu deixar A Chave Do Sol e se juntou ao Anjos
da Noite, o qual lançou o álbum Anjos da Noite, pela
gravadora Sony BMG, em 1990. Na sequência, Edu deixou o Anjos da
Noite.
Supla
Edu,
Andria e Ivan formaram a banda de apoio do vocalista Supla, o
qual estava em carreira solo. Com ele, gravaram o álbum Supla
(também chamado de Encoleirado), lançado em 1991.
Os
três deixaram o vocalista e formaram um projeto próprio. Surgia ali
o Dr. Sin.
Dr.
Sin
Com
Andria nos vocais e no baixo, Ivan na bateria e Edu na guitarra,
estava formado o Dr. Sin.
Entre
1991 e 1992, o grupo grava uma fita demo para enviar para gravadoras.
O primeiro show da banda foi no dia 11 de Janeiro de 92, no Black
Jack, em São Paulo.
Entre
fevereiro e março de 1992, eles fazem 3 shows em Nova York nos EUA
para buscarem uma carreira musical. Em maio, abrem para o Ian Gillan em São Paulo.
![]() |
| Eduardo Ardanuy |
Finalmente,
ainda em 1992, o grupo assina com a gravadora Warner Music, mesmo sem
nenhum material oficial para apresentar.
Já
em 1993, o Dr. Sin participa do Hollywood Rock Festival, onde
compartilharam o palco com nomes como Nirvana e L7.
O
álbum Dr. Sin
Em
23 de outubro de 1993, o Dr. Sin lança seu autointitulado
álbum de estreia.
O
disco foi gravado no estúdio Carriage House, em Stamford, Estado de
Connecticut, nos Estados Unidos, em julho de 1993, sendo produzido
pelo renomado Stephan Galfas e lançado pela gravadora Warner Music.
A
faixa “Emotional Catastrophe” foi trilha da novela brasileira
Confissões de Adolescente e
o videoclipe da mesma ficou em primeiro lugar nas paradas da MTV
do Brasil.
Foram
gravados videoclipes para outras duas músicas, a balada “You Stole
My Heart” e a pesada “Scream and Shout”.
O
álbum foi lançado em 9 países, fazendo sucesso no Brasil.
Em
1994, o grupo participa de inúmeros festivais, tais como o M2000
Summer Concerts, no qual dividiu palco com bandas como Mr.
Big, The Lemonheads e Rollins Band, e a primeira
edição brasileira do Monsters of Rock, junto com Slayer,
Black Sabbath e KISS.
Em
1995, a banda teve um especial na MTV norte-americana, com muitos
vídeos sobre o registro do primeiro álbum, clipes e shows.
Segundo
álbum
Ainda
em 1995, o grupo partiu para os Estados Unidos, com a finalidade de
registrar seu segundo álbum de estúdio, o qual se chamaria Brutal.
As
gravações aconteceram novamente no estúdio Carriage House, mas,
desta feita, o próprio conjunto resolveu produzir o trabalho, pois
buscava uma identidade musical. Para auxiliá-lo, o produtor Johnny
Montagnese foi escolhido.
Com
uma capa bem legal, o disco possui 15 canções. Vamos a elas:
SILENT SCREAM
"Silent Scream" se inicia com peso, técnica e muito senso melódico. O ótimo trabalho da seção rítmica permite que a guitarra de Eduardo Ardanuy assuma o comando. Hard Rock empolgante, com uma pegada técnica que lembra o Rush.
A
letra revela sofrimento:
Millions
of people
It's
the life on the brink
Everyone's
shouting
Can't
hear yourself think
A
parade of confusion
Of
loss and regret
Sold
out for convenience
They
deserve what they get
“Silent
Scream” foi uma das canções escolhidas para promover Brutal,
tanto que teve um videoclipe filmado para promovê-la.
KARMA
"Karma" conta com um riff criativo e pegajoso (no melhor sentido possível da palavra). Novamente, e de modo extremamente louvável, o grupo une peso e melodia, construindo uma canção empolgante. Os ótimos vocais Andria Busic são a chamada "cereja do bolo".
A
letra possui uma mensagem sobre consequências:
Everything
you do comes back to you
This
you can't deny
Good
or bad it all comes back to you
That's
the law of life
ISOLATED
A guitarra de Eduardo Ardanuy brilha intensamente em "Isolated", uma faixa que remonta aos melhores momentos do Hard americano da década anterior e bandas como o Dokken. O peso abre espaço para uma melodia cativante e com a participação mais efetiva dos teclados.
A
letra é sobre uma forma de viver sozinho:
Sometimes
I feel confused
Rejected
and refused
But
I still choose to be
Isolated
DOWN
IN THE TRENCHES
Esta composição volta a apostar no peso das guitarras e um trabalho intenso da seção rítmica. A técnica dos músicos se torna evidenciada e a sonoridade aponta um Hard/Heavy muito bem tocado. Impressionante!
A
letra reflete uma história de vida:
Hard
times and struggle and arguments
Who
won? It really doesn't matter now -
Now
there's no one who can help me out
DOWN
IN THE TRENCHES (PT. II)
Continuação da música anterior, mas com uma pegada muito mais intimista e suave. Mesmo assim, uma faixa muito cativante, com um show dos vocais de Andria.
A
letra é sobre morrer:
Losing
all my strength
Oh!
I think I died
Oh
no! I died…
“Down
in the Trenches” foi a outra faixa escolhida para promover Brutal,
também possuindo um videoclipe para divulgá-la.
FIRE
"Fire" é mais Heavy Metal que Hard propriamente dito. A sonoridade remete facilmente ao lendário Judas Priest, com uma canção a qual se apresenta rápida, direta, pesada, mas extremamente cativante do ponto de vista da melodia. Espetáculo!
A
letra remete à sedução:
I
just can't help myself
Helpless
like a fragile moth to flame
She
calls my name - I'm burning a trail
INNER
VOICES
O ótimo riff inicial de "Inner Voices" trouxe à mente bandas como o Mötley Crüe (o que é realmente ótimo). A sonoridade é um Hard Rock de primeira linha, com o lado técnico evidente do Dr. Sin. Ótimo trabalho da guitarra de Ardanuy e excelentes backing vocals.
A
letra possui sentido de magia:
She
start talkin' bout my life
Secrets
that nobody else could know
She
told me to listen to her advice
Told
me she was sent here to protect me
CHILD
OF SIN
"Child of Sin" possui uma musicalidade que lembra o Whitesnake, contando com a brilhante performance de Steve Morrel na gaita. O ritmo é cadenciado e mais arrastado, com um pé fincado no Blues. Grande momento do álbum.
A
letra fala sobre consequências de nossas escolhas:
But
deep within
I'm
still a child of sin
From
the wrong side of the tracks
Shame
HEY
YOU
O grande destaque de "Hey You" é a guitarra de Ardanuy, com um peso ainda mais brutal, se se permite o trocadilho com o nome do disco. Ivan continua quebrando tudo na bateria em uma faixa bem pesada, no limite entre o Hard e o Heavy.
A
letra é uma mensagem de encorajamento:
Hey
you! Don't say to me
You've
never been a fool?
Never
cry, never lie?
Have
you ever been afraid to die?
Hey
you! Sometimes it's hard
It's
hard to face the truth
It
almost always brings us pain
Have
you ever felt this pain before?
KIZUMBA
"Kizumba" possui pouco mais de 1 minuto. Pequena canção instrumental dominada pela técnica de Ivan Busic.
SOMEONE
TO BLAME
A pesada "Someone to Blame" flerta deliberadamente com o Heavy Metal, contando com um riff pesado o qual parece retirado do Black Album, do Metallica. Os vocais de Andria continuam em um nível alto e a faixa é realmente empolgante.
A
letra também reflete sobre viver perigosamente:
Can't
let it go
Can't
take it slow
You
just can't keep it contained
I
can let it go
I
won't sink that low
Can't
get it through your thick brain
THIRD
WORLD
"Third World" é um Hard Rock que em muitas passagens se apresenta com uma pegada Glam Metal e, em outras, mostra-se quase como um Heavy Metal mais pesado, pois a seção rítmica está destruidora. Atenção especial à 'matadora' guitarra de Ardanuy.
A
letra fala sobre o Brasil:
The
bitter wine of the third
World
is in my veins
The
bloody past of
My
homeland is my shame
Can't
erase all those
Images
in my mind
As
I try to forget what I left behind
SHED
YOUR SKIN
"Shed Your Skin" segue a linha do disco, combinando Hard e Heavy com muita técnica e extremo bom gosto. Esta é uma faixa mais curta, bem direta e com ótimas doses de peso, contando com um riff muito preciso.
A
letra remete à busca por libertação:
In
this netherworld
There
is nothing sacred
All
our knowledge just confirms
We
are fools
Faith
and trust replaced by greed and money
Our
bodies numb
After
it all it's through
YEARS
GONE
"Years Gone" faz o Dr. Sin colocar o pé no freio, com uma proposta mais leve e intimista. A sonoridade, novamente, aponta para as baladas do Whitesnake, o que é ótimo. Bela música.
A
letra fala sobre envelhecer:
Hang
on, don't you lose it
Write
it off
That's
the way it is
Give
up you gotta choose it
Today
or yesterday
WAR
A décima-quinta - e última - faixa de Brutal é "War". Uma canção bem direta encerra o disco de modo contagiante e em alto nível. Um Hard Rock técnico, muito bem construído, e com a guitarra de Ardanuy 'infernal'.
A
letra fala sobre reflexos das guerras:
Whatever
they're trying to sell
I'm
not buying
Considerações
Finais
Embora
de qualidade inquestionável, Brutal não repercutiu em termos das
duas principais paradas de sucesso do mundo, a norte-americana e a
britânica.
Entre
o público em geral, Brutal é bem avaliado. No site Rate Your
Music, o álbum possui uma nota 3.57 de um total máximo de 5.
Os
videoclipes para “Silent Scream” e “Down in the Trenches (pt. I
& II)” foram bem recebidos pelo público e tiveram boa
divulgação, especialmente na MTV brasileira.
Na
turnê de promoção do disco, o grupo foi banda de abertura para
nomes como Bon Jovi, AC/DC, Joe Satriani e Steve
Vai. A partir de então, o Dr. Sin conseguiu sucesso e um
grande número de fãs.
No
Japão, onde o grupo também fez sucesso, Brutal saiu com o nome de
Silent Scream, em 1996.
O
terceiro álbum de estúdio do Dr. Sin, Insinity, foi
lançado em 1997.
Formação:
Andria
Busic – Baixo, Vocal
Ivan
Busic – Bateria, Backing Vocals
Eduardo
Ardanuy – Guitarras
Músicos
Adicionais:
Steve
Morrel - Harmonica em 07 e 08
Beth,
Sarah, Dan, Dave, Diane - Backing Vocal em 07
Marcelo
Souss – Teclados
Faixas:
01.
Silent Scream (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:57
02.
Karma (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:29
03.
Isolated (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:54
04.
Down in the Trenches (Busic/Busic/Aradanuy) – 4:05
05.
Down in the Trenches (pt. II) (Busic/Busic/Aradanuy) – 2:10
06.
Fire (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:37
07.
Inner Voices (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:18
08.
Child of Sin (Busic/Busic/Aradanuy) – 4:02
09.
Hey You (Busic/Busic/Aradanuy) – 4:52
10.
Kizumba (Busic/Busic/Aradanuy) – 1:04
11.
Someone to Blame (Busic/Busic/Aradanuy) – 4:30
12.
Third World (Busic/Busic/Aradanuy) – 5:15
13.
Shed Your Skin (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:30
14.
Years Gone (Busic/Busic/Aradanuy) – 2:39
15.
War (Busic/Busic/Aradanuy) – 3:35
Letras:
Opinião
do Blog:
Nestes quase 7 anos de existência, o Rock: Álbuns Clássicos vem apresentando alguns álbuns que perfazem a coleção de seu idealizador. Quem nos acompanha sabe que o Blog é voltado para o Rock Internacional, mas a responsabilidade é muito maior quando se mostra uma banda brasileira.
Demorou bastante para o Dr. Sin aparecer nas nossas páginas, mas é bom que o tenha acontecido com um disco tão bom quanto Brutal.
Não há o que se discutir sobre a qualidade dos músicos que compõem o conjunto. Os irmãos Busic formam uma seção rítmica de alto padrão, com Andria ainda arrasando nos vocais. E a guitarra de Eduardo Ardanuy é sensacional tanto nos riffs quanto nos solos.
Brutal é uma amostra muito eficiente das maiores qualidades do Dr. Sin como banda.
Não apenas pelo fato de também ser um "power Trio", mas o Rush se apresenta como uma das essenciais influências do Dr. Sin. Em Brutal, o grupo apresenta um Hard Rock, com boas doses de Heavy Metal, mas sempre apostando em construções técnicas e que fogem da trivialidade, algo comum na banda canadense.
O Dr. Sin evidentemente apresenta seu Hard Rock de extremo bom gosto, com melodias cativantes e de extremo bom gosto, por vezes relembrando o Glam Metal oitentista, como em "Third World". Nos momentos mais pesados, como em "Fire", o Judas Priest é uma fácil referência de ser percebida.
E nesta grande soma de ótimas influências com a alta capacidade de seus músicos, o resultado é o empolgante Brutal. As letras também são um fator agregador, confira-as.
"Fire" é um petardo, uma paulada certeira para orgulhar qualquer headbanger. "Third World" também se apresenta extremamente cativante e as duas partes de "Down in the Trenches" fazem um Hard Rock de primeira linha.
Mas há muito tempo que o clássico "Silent Scream" e a maliciosa "Isolated" são as preferidas do RAC.
É realmente com grande pesar que o Blog afirma que o Dr. Sin jamais teve o reconhecimento midiático e comercial a que o seu talento fazia jus. Uma banda extremamente técnica e talentosa, capaz de realizar um álbum tão bom quanto Brutal. E, com muito orgulho, um grupo brasileiro, como o RAC. Disco mais que recomendado, obrigatório!
Assinar:
Comentários (Atom)













