BLACKFOOT - STRIKES (1979)


Strikes é o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana chamada Blackfoot. Seu lançamento oficial aconteceu em abril de 1979 através do selo Atco Records. As gravações ocorreram nos estúdios Subterranean Studio (Ann Arbor, Michigan), Sound Suite Studios (Detroit, Michigan) e Bee Jay Studios (Orlando, Florida); todos nos Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Al Nalli e Henry Weck.

O Blackfoot é uma das bandas as quais não são tão famosas assim no Brasil e que aposta sua sonoridade no ótimo estilo Southern Rock. O Blog vai contar um pouco da história do grupo para depois abordar o álbum, como de costume.


Durante o começo de 1969, Rickey Medlocke e Greg T. Walker conheceram o nova-iorquino Charlie Hargrett, em Jacksonville, na Flórida, e formaram uma banda chamada "Fresh Garbage".

O grupo contava com Medlocke na bateria e vocais, Walker no baixo, Hargrett na guitarra, e Ron Sciabarasi nos teclados . Eles faziam a maior parte de seus shows no The Comic Book Club, na Forsyth Street.

Naquele mesmo ano, o Fresh Garbage se dissolveu após a saída de Sciabarasi. No entanto, Medlocke, Walker, e Hargrett se reagruparam e formaram outra banda, o Hammer, a qual contava com Medlocke agora como vocalista/guitarrista e com novos recrutas: Jakson Spires (bateria), DeWitt Gibbs (teclados) e Jerry Zambito (guitarras).

Gibbs e Zambito já haviam tocado juntos no Tangerine. Eles logo se mudaram para Gainesville, Flórida, para serem a banda de um estabelecimento chamado Dub's, um bar de topless bem conhecido na periferia da cidade.

No começo de 1970 a banda se mudou para Manhattan e, no mesmo ano, depois de conhecer outra banda na Costa Oeste chamada Hammer, decidiu mudar seu nome novamente, agora, para Blackfoot.

O novo nome representava a herança indígena americana de Walker, Spires e Medlocke (Spires tinha ascendência Cherokee, Medlocke parte Sioux, e Walker parte Eastern Creek, esta, uma tribo indígena da Flórida).

Quando o grupo não conseguiu adquirir um contrato com uma gravadora como resultado da sua mudança para Nova Iorque, Gibbs saiu da banda e Medlocke começou a tocar guitarra-base em tempo integral.

Em 1971, Medlocke e Walker aceitaram uma oferta para se juntarem ao Lynyrd Skynyrd e o Blackfoot terminou suas atividades por algum tempo. Houve uma breve tentativa do conjunto se reagrupar durante 1972, mas Medlocke saiu novamente e Walker se juntou ao The Tokens, o qual logo depois mudou seu nome para Cross Country.

Em 1972, Hargrett havia decidido se mudar para a Carolina do Norte e convidou Medlocke, que havia deixado o Lynyrd Skynyrd por esta altura, a reformar o Blackfoot com Leonard Stadler no baixo e Spires retornando como baterista.

Rickey Medlocke
Danny Johnson (que mais tarde foi de bandas como Derringer e Steppenwolf), que era de um grupo de Louisiana, o Axis, foi contratado como segundo guitarrista. Mas Medlocke logo decidiu ser tanto o principal vocalista quanto guitarrista novamente, e, assim, o período de Johnson com a banda foi breve.

Já em 1973, Stadler saiu da banda depois que um tumor foi descoberto em um de seus pulmões (que mais tarde foi curado). Além disso, Stadler decidiu deixar a música secular para se juntar a um grupo gospel. Ele eventualmente se tornou um religioso e líder metodista.

Assim, Greg T. Walker foi convidado para se juntar à banda novamente.

Em 1974, a banda tinha retornado a sua base de operações para New Jersey e Medlocke desenvolveu nódulos nas cordas vocais e, temporariamente, perdeu a voz. Outro vocalista, Patrick Jude, foi trazido para a banda.

Depois de um breve período de tempo, Medlocke era capaz de cantar novamente e Jude foi demitido. Em sequencia, Medlocke e Walker enviaram aos produtores/músicos de estúdio, Jimmy Johnson e David Hood, uma cópia de material do Blackfoot.

Johnson e Hood haviam trabalhado com Medlocke e Walker no Muscle Shoals, Alabama, quando estavam lá durante uma gravação com o Lynyrd Skynyrd.

No Reservations, o primeiro álbum de estúdio do grupo, foi lançado pela gravadora Island Records durante 1975 como parte de um negócio realizado pelo então gerente do Blackfoot, Lou Manganiello.

Logo no ano seguinte, veio o segundo álbum gravado, Flying High, o qual foi lançado pela Epic Records, durante 1976.

Ambos os álbuns gravados foram produzidos por Johnson e Hood. Embora possuíssem suas qualidades, ambos não repercutiram em termo de paradas de sucesso e não lograram êxito comercial.

Greg T. Walker
Ao final de 1975, o grupo estava vivendo novamente em Gainesville, Florida. Durante 1977, eles se ligaram ao manager do Black Oak Arkansas, Butch Stone, quem os contratou como o grupo de apoio para uma de suas clientes, Ruby Starr.

Ruby havia sido uma cantora de backing vocal para o Black Oak, mas agora estava se empenhando em promover uma carreira-solo. Após a passagem com a Ruby terminar durante 1978, o Blackfoot se encontrou com o manager da banda Brownsville Station, Al Nalli, e com seu parceiro, Jay Frey, que lhe ofereceu um contrato com o selo Atco Records.

Assim, seu terceiro álbum de estúdio foi produzido pelo próprio Al Nalli e projetado pelo baterista do Brownsville Station, Henry Weck. O disco foi gravado no estúdio construído no porão da casa de Nalli, em Ann Arbor, Michigan, e foi concluído por volta de janeiro de 1979.

A capa, simples, possuía a imagem de uma cobra. O nome do álbum era Strikes. Vamos às faixas:

ROAD FEVER

A canção de abertura do álbum traz o espírito musical que o Blackfoot emprega em sua sonoridade: o estilo Southern Rock, mas com uma considerável pegada Hard Rock. "Road Fever" possui um ritmo cadenciado, uma melodia maliciosa e altamente bluesy, mas, simultaneamente, doses cavalares de peso e guitarras cortando a música em vários momentos.

A letra fala sobre a vida de uma banda de Rock:

You know this life has taken its toll
And I don't know where to go
And I love this life of rock and roll
But there's one thing that I know
And every time I'm down and out
And I don't know what to do
I drop my load and I hit the road
And play me a song or two
Yes I do



I GOT A LINE ON YOU

Na versão de "I Got A Line On You", temos a presença constante e maciça do baixo de Greg T. Walker como destaque. Os solos também são bons, colocando as guitarras em posição relevante. É um cover interessante.

A letra tem conotação de sedução:

Just put your arms around me
Give me every bit of your love
Well you know what to do
'Cause it's up to you
You got the kind of lines
That make it through these times

A música é um cover de “I Got A Line On You”, sucesso da banda Spirit, presente no álbum The Family That Plays Together, lançado em 1968.



LEFT TURN ON A RED LIGHT

Na terceira faixa do trabalho, temos um início mais devagar e sem tanto peso. Com o desenvolver da canção, o ouvinte é apresentado a uma sonoridade com muitas influências da música típica do sul dos Estados Unidos fundidas ao Rock de modo muito competente. O solo próximo aos 3 minutos é bastante inspirado. O ponto de destaque são os vocais os quais transmitem uma intensa carga dramática.

A letra é em tom nostálgico:

Well it's nine o'clock at this old station
Once again my ride is right on time
And as I buy myself another ticket, Lord
For somewhere else on down the line
Well I'll always be a rambler
Well the ones I love always keep tellin' me
You stare too long in the mirror, son
Someday you'll be too blind to see



PAY MY DUES

"Pay My Dues" é o segundo cover presente em Strikes. Desta feita, o Blackfoot opta por uma roupagem totalmente Blues Rock. O baixo de Walker se destaca em conjunto com as guitarras. O ritmo é bem cadenciado e a melodia envolvente. O solo de guitarra é bem legal.

A letra é simples e divertida:

I said the choice is yours how you wanna pay
There's no denyin' you owe
'Cause just as sure as we all came
Baby, we got to go

Trata-se de outro cover, da canção “Pay My Dues”, originalmente gravada pela banda Blues Image e lançada no álbum Open, de 1970.



BABY BLUE

A pegada bluesy da faixa anterior se mantém em "Baby Blue", de maneira muito semelhante. O Blues Rock aqui desenvolvido apresenta uma ótima melodia e um riff principal de muito bom gosto. O refrão também foi construído de modo bem inteligente, cativando o ouvinte. Boa canção.

Outra vez, a letra é em sentido de sedução:

There's no lies between us
No games we play
So why wait till tomorrow, baby
When we can live today
And now I'm the light
The light that's shinin' bright
In her eyes, oh yes



WISHING WELL

O clássico do Free, "Wishing Well", é o terceiro e último cover presente em Strikes. O peso da versão original foi mantido, com boas inserções de guitarras. Trata-se de uma versão agradável e competente, mas, mesmo com Rickey Medlocke sendo um competente vocalista, os vocais são o ponto fraco. Afinal, Paul Rodgers é um dos vocalistas preferidos do Blog.

A letra possui uma mensagem positiva:

Throw down your gun, you might shoot yourself
Or is that what your tryin' to do
Put up a fight you believe to be right
And someday the sun will shine through
You've always got somethin' to hide
Somethin' you just can't tell
And the only time that you're satisfied
Is when your feet in the wishin' well

É mais uma versão cover presente no álbum, desta feita para “Wishing Well”, clássico da banda inglesa Free, presente em seu álbum Heartbreaker, de 1973.



RUN AND HIDE

Já em "Run And Hide", o ritmo é mais calmo e tranquilo, com uma melodia bastante simples e suave predominando na canção. Os vocais de Medlocke são bons e formam uma combinação muito legal com a parte instrumental. Também o solo de guitarra no meio da faixa se destaca. Momento mais bucólico, mas não menos interessante.

A letra é uma relação de causa e consequência:

I guess it's time that I should leave
I guess I'll be on my way
'Cause stayin' here is to much pain
And there's nothin' that's left to say
So if you ever need someone
To show you sympathy
Just remember the important thing
You've got no place to



TRAIN, TRAIN (PRELUDE)

Pequena faixa instrumental que serve de introdução para a próxima canção.



TRAIN, TRAIN

A excelente "Train, Train" é a nona faixa do trabalho. Aqui temos um riff principal que exala inspiração por todos os poros. Há um peso extra na canção que é peça fundamental para o seu sucesso, com as guitarras em posição de destaque e que formam um casamento formidável com a gaita do avô de Rickey, Shorty Medlocke. Excepcional momento do disco.

A letra é simples e refere-se a uma paixão:

Well train, train
Take me on out of this town
Train, train, lord
Take me on out of this town
Well that woman I'm in love with
Lord, she's Memphis bound

“Train, Train”, se não for o maior, é certamente um dos grandes sucessos de toda a carreira do Blackfoot.

Lançada como single para promover Strikes, atingiu a boa 38ª posição da principal parada norte-americana desta natureza.


O curioso é que a canção foi composta pelo avô do vocalista/guitarrista Rickey Medlocke, Paul Medlock, mas conhecido e registrado no álbum como Shorty Medlocke.

Vários músicos fizeram versões para essa música, incluindo Dolly Parton, em seu álbum The Grass Is Blue (de 1999), e o Warrant, no álbum Cherry Pie (de 1990).

A música também está presente no filme Straw Dogs, de 2011, dirigido por Rod Lurie e estrelado por James Marsden.



HIGHWAY SONG

A décima - e última - faixa de Strikes é "Highway Song". Uma suave, instigante e belíssima melodia toma conta dos momentos iniciais da música até desembocar em um ótimo solo de guitarra. O clima desenvolvido tanto pelo instrumental quanto pela brilhante interpretação de Rickey é triste e nostálgico, mas belíssimo. É a mais extensa canção do álbum, superando os 7 minutos. A partir dos 4 minutos e 20 segundos, o ritmo acelera e as guitarras passam a dominar "Highway Song", com uma profusão de solos e muito feeling. Encerramento magistral do disco.

A letra fala da vida na estrada:

Well, another day, another dollar, after I've sang and hollered,
Oh, it's my way of living, and I can't change a thing.
Another town is drawing near. Oh, baby, I wish you were here!
But the only way I can see you, darlin', is in my dreams.
It's a highway song.. you sing it on and on.. on and on..


“Highway Song” é outro grande sucesso da carreira do Blackfoot, adorada pelos fãs e presença certa nos shows do grupo.

Também foi lançada como single para promover Strikes e acabou alcançando a muito boa 26ª colocação da principal parada norte-americana desta natureza.



Considerações Finais

Baseado no sucesso de “Train, Train” e de “Highway Song”, Strikes foi o primeiro sucesso comercial do Blackfoot.

O álbum acabou atingindo a boa 42ª posição na principal parada de discos norte-americana, a Billboard.

Aproveitando o sucesso, o grupo excursionou com frequência durante o ano de 1979; incluindo um show como banda de abertura para os gigantes ingleses do The Who, no Silverdome, em Pontiac, Michigan.

Ao mesmo tempo, a banda envolvia-se com o desenvolvimento de seu próximo álbum, Tomcattin, que foi lançado em 1980.

Com o passar do tempo, Strikes foi ganhando, também, reconhecimento e importância. Eduardo Rivadavia, do Allmusic, dá a Strikes 4,5 estrelas de um máximo de 5, atestando a qualidade do disco.

Além disso, Rivadavia confirma que o Blackfoot é “conhecido como uma unidade feroz ao vivo e, provavelmente, a mais pesada das bandas do Southern Rock. Strikes também provou que o Blackfoot poderia escrever grandes melodias para a sombria "Left Turn on a Red Light" e a versão cover inspirada do Free de "Wishing Well".

Strikes ultrapassa a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados Unidos.



Formação:
Rickey Medlocke - Vocal, Guitarra
Charlie Hargrett - Guitarra
Greg T. Walker - Baixo, Teclados, Vocal
Jakson Spires - Bateria, Percussão, Vocal
Músicos Adicionais
Pat McCaffrey - Teclados
Baixinho Medlocke - Gaita (faixa 8)
Cub Koda - Gaita (faixa 9)
Donna D. Davis - Backing Vocals
Pamela T. Vincent - Backing Vocals
Cynthia M. Douglas - Backing Vocals
Henry "H-Bomb" Weck - Percussão

Faixas:
01. Road Fever (Medlocke) - 3:07
02. I Got a Line on You (California) - 3:17
03. Left Turn on a Red Light (Medlocke/Spires) - 4:35
04. Pay My Dues (Blues Image) - 3:03
05. Baby Blue (Medlocke/Hargrett/Spires) - 2:33
06. Wishing Well (Rodgers/Kossoff/Yamauchi/Bundrick/Kirke) - 3:11
07. Run and Hide (Medlocke/Spires) - 3:24
08. Train, Train (prelude) (S. Medlocke) - 0:36
09. Train, Train (S. Medlocke) - 2:56
10. Highway Song (Medlocke/Spires) - 6:59

Letras:
Para o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a: http://letras.mus.br/blackfoot/

Opinião do Blog:
Após um longo período, um representante do Southern Rock norte-americano volta ao Blog, através de uma banda não tão conhecida, mas com talento e canções que merecem reconhecimento: o Blackfoot.

Como o leitor do Blog pode observar na parte inicial do post, entre idas e vindas, foi em seu terceiro álbum que o grupo começou a deslanchar. Strikes é um álbum inspirado e forte o suficiente para poder fazer a banda engrenar e seguir como um projeto sustentável.

O fato de ser composta por músicos talentosos e já experientes, evidentemente, contribuiu para o sucesso de Strikes. O baixo de Greg T. Walker está sempre presente e as guitarras (e seus solos) cativam os ouvintes fãs de Rock. Medlocke consegue ser um intérprete eficiente para as canções, permitindo passar muita emoção com sua voz.

E nos momentos em que aparece, a gaita é primordial para enaltecer a qualidade das músicas.

As letras são eficientes, mas nada de excepcional. De toda forma, contribuem com o sucesso e a qualidade do trabalho.

Mas o que faz do Blackfoot e de Strikes diferenciados é a sonoridade proposta. Claro que em 1979 o Southern Rock não era nenhuma novidade, mas o grupo dá uma dose extra de peso com eficiência e qualidade indiscutíveis.

Não é apenas o peso pelo peso, e sim, o utilizando como modo de realçar belas melodias e trazer intensidade às canções. O Hard Rock do Blackfoot é feito de maneira a se fundir perfeitamente com sua veia sulista, como se observa na excelente "Road Fever".

O leitor assíduo do Blog sabe que o mesmo tem preferência por trabalhos autorais e a presença de 3 covers no disco pesam contra, mesmo quando suas execuções são boas, como é o caso em Strikes.

Mas as composições autorais elevam o trabalho a um patamar muito alto e o resultado final se torna de alta qualidade.

"Left Turn On A Red Light" é uma faixa enigmática e soturna e, ao mesmo tempo, brilhante. "Baby Blue" é um Blues Rock de categoria e "Run And Hide" possui uma suavidade cativante. Claro que "Train, Train" é uma faixa excelente e emblemática, sendo parte do DNA que traduz o que é o Blackfoot.

E ainda se tem a maravilhosa "Highway Song" que, mesmo trazendo certa semelhança estrutural com o clássico "Free Bird", do Lynyrd Skynyrd (banda com a qual Rickey Medlocke passou um bom tempo), possui identidade própria, com uma melodia melancólica e angustiante, a qual domina o ouvinte completamente.

Concluindo, o álbum Strikes é uma ótima amostra da riqueza do estilo Southern Rock e como sua incursão com o Hard Rock pode ser bem-sucedida. O Blackfoot possuía músicos talentosos e merecia um reconhecimento maior. Strikes, talvez, seja a melhor prova desta afirmação. Muito bem recomendado pelo Blog!

BLACKFOOT - STRIKES (1979)






Strikes é
o terceiro álbum de estúdio da banda norte-americana chamada
Blackfoot. Seu lançamento oficial aconteceu em abril de 1979 através
do selo Atco Records. As gravações ocorreram nos estúdios
Subterranean Studio (Ann Arbor, Michigan), Sound Suite Studios
(Detroit, Michigan) e Bee Jay Studios (Orlando, Florida); todos nos
Estados Unidos. A produção ficou a cargo de Al Nalli e Henry Weck.





O
Blackfoot é uma das bandas as quais não são tão famosas assim no Brasil e
que aposta sua sonoridade no ótimo estilo Southern Rock. O Blog vai
contar um pouco da história do grupo para depois abordar o álbum,
como de costume.










Durante o
começo de 1969, Rickey Medlocke e Greg T. Walker conheceram o
nova-iorquino Charlie Hargrett, em Jacksonville, na Flórida, e
formaram uma banda chamada "Fresh Garbage".





O grupo
contava com Medlocke na bateria e vocais, Walker no baixo, Hargrett
na guitarra, e Ron Sciabarasi nos teclados . Eles faziam a maior
parte de seus shows no The Comic Book Club, na Forsyth Street.





Naquele
mesmo ano, o Fresh Garbage se dissolveu após a saída de Sciabarasi.
No entanto, Medlocke, Walker, e Hargrett se reagruparam e formaram
outra banda, o Hammer, a qual contava com Medlocke agora como
vocalista/guitarrista e com novos recrutas: Jakson Spires (bateria),
DeWitt Gibbs (teclados) e Jerry Zambito (guitarras).





Gibbs e
Zambito já haviam tocado juntos no Tangerine. Eles logo se mudaram
para Gainesville, Flórida, para serem a banda de um estabelecimento
chamado Dub's, um bar de topless bem conhecido na periferia da
cidade.





No começo
de 1970 a banda se mudou para Manhattan e, no mesmo ano, depois de
conhecer outra banda na Costa Oeste chamada Hammer, decidiu mudar seu
nome novamente, agora, para Blackfoot.





O novo
nome representava a herança indígena americana de Walker, Spires e
Medlocke (Spires tinha ascendência Cherokee, Medlocke parte Sioux, e
Walker parte Eastern Creek, esta, uma tribo indígena da Flórida).





Quando o
grupo não conseguiu adquirir um contrato com uma gravadora como
resultado da sua mudança para Nova Iorque, Gibbs saiu da banda e
Medlocke começou a tocar guitarra-base em tempo integral.





Em 1971,
Medlocke e Walker aceitaram uma oferta para se juntarem ao Lynyrd
Skynyrd e o Blackfoot terminou suas atividades por algum tempo. Houve
uma breve tentativa do conjunto se reagrupar durante 1972, mas
Medlocke saiu novamente e Walker se juntou ao The Tokens, o qual logo
depois mudou seu nome para Cross Country.





Em 1972,
Hargrett havia decidido se mudar para a Carolina do Norte e convidou
Medlocke, que havia deixado o Lynyrd Skynyrd por esta altura, a
reformar o Blackfoot com Leonard Stadler no baixo e Spires retornando
como baterista.







Rickey Medlocke


Danny
Johnson (que mais tarde foi de bandas como Derringer e Steppenwolf),
que era de um grupo de Louisiana, o Axis, foi contratado como segundo
guitarrista. Mas Medlocke logo decidiu ser tanto o principal
vocalista quanto guitarrista novamente, e, assim, o período de
Johnson com a banda foi breve.





Já em
1973, Stadler saiu da banda depois que um tumor foi descoberto em um
de seus pulmões (que mais tarde foi curado). Além disso, Stadler
decidiu deixar a música secular para se juntar a um grupo gospel.
Ele eventualmente se tornou um religioso e líder metodista.





Assim,
Greg T. Walker foi convidado para se juntar à banda novamente.





Em 1974,
a banda tinha retornado a sua base de operações para New Jersey e
Medlocke desenvolveu nódulos nas cordas vocais e, temporariamente,
perdeu a voz. Outro vocalista, Patrick Jude, foi trazido para a
banda.





Depois de
um breve período de tempo, Medlocke era capaz de cantar novamente e
Jude foi demitido. Em sequencia, Medlocke e Walker enviaram aos
produtores/músicos de estúdio, Jimmy Johnson e David Hood, uma
cópia de material do Blackfoot.





Johnson e
Hood haviam trabalhado com Medlocke e Walker no Muscle Shoals,
Alabama, quando estavam lá durante uma gravação com o Lynyrd
Skynyrd.





No
Reservations, o primeiro álbum de estúdio do grupo, foi lançado
pela gravadora Island Records durante 1975 como parte de um negócio
realizado pelo então gerente do Blackfoot, Lou Manganiello.





Logo no
ano seguinte, veio o segundo álbum gravado, Flying High, o qual foi
lançado pela Epic Records, durante 1976.





Ambos os
álbuns gravados foram produzidos por Johnson e Hood. Embora
possuíssem suas qualidades, ambos não repercutiram em termo de
paradas de sucesso e não lograram êxito comercial.







Greg T. Walker


Ao final
de 1975, o grupo estava vivendo novamente em Gainesville, Florida.
Durante 1977, eles se ligaram ao manager do Black Oak Arkansas, Butch
Stone, quem os contratou como o grupo de apoio para uma de suas
clientes, Ruby Starr.





Ruby
havia sido uma cantora de backing vocal para o Black Oak, mas agora
estava se empenhando em promover uma carreira-solo. Após a
passagem com a Ruby terminar durante 1978, o Blackfoot se encontrou
com o manager da banda Brownsville Station, Al Nalli, e com seu
parceiro, Jay Frey, que lhe ofereceu um contrato com o selo Atco
Records.





Assim,
seu terceiro álbum de estúdio foi produzido pelo próprio Al Nalli
e projetado pelo baterista do Brownsville Station, Henry Weck. O
disco foi gravado no estúdio construído no porão da casa de Nalli,
em Ann Arbor, Michigan, e foi concluído por volta de janeiro de 1979.





A capa,
simples, possuía a imagem de uma cobra. O nome do álbum era
Strikes. Vamos às faixas:





ROAD
FEVER





A canção de abertura do álbum traz o espírito musical que o Blackfoot emprega em sua sonoridade: o estilo Southern Rock, mas com uma considerável pegada Hard Rock. "Road Fever" possui um ritmo cadenciado, uma melodia maliciosa e altamente bluesy, mas, simultaneamente, doses cavalares de peso e guitarras cortando a música em vários momentos.





A letra
fala sobre a vida de uma banda de Rock:





You
know this life has taken its toll


And I
don't know where to go


And I
love this life of rock and roll


But
there's one thing that I know


And
every time I'm down and out


And I
don't know what to do



I drop
my load and I hit the road


And
play me a song or two


Yes I
do













I
GOT A LINE ON YOU





Na versão de "I Got A Line On You", temos a presença constante e maciça do baixo de Greg T. Walker como destaque. Os solos também são bons, colocando as guitarras em posição relevante. É um cover interessante.





A letra
tem conotação de sedução:





Just
put your arms around me


Give
me every bit of your love


Well
you know what to do


'Cause
it's up to you


You
got the kind of lines


That
make it through these times





A música
é um cover de “I Got A Line On You”, sucesso da banda Spirit,
presente no álbum The Family That Plays Together, lançado em 1968.













LEFT
TURN ON A RED LIGHT





Na terceira faixa do trabalho, temos um início mais devagar e sem tanto peso. Com o desenvolver da canção, o ouvinte é apresentado a uma sonoridade com muitas influências da música típica do sul dos Estados Unidos fundidas ao Rock de modo muito competente. O solo próximo aos 3 minutos é bastante inspirado. O ponto de destaque são os vocais os quais transmitem uma intensa carga dramática.





A letra é
em tom nostálgico:





Well
it's nine o'clock at this old station


Once
again my ride is right on time


And as
I buy myself another ticket, Lord


For
somewhere else on down the line


Well
I'll always be a rambler


Well
the ones I love always keep tellin' me


You
stare too long in the mirror, son


Someday
you'll be too blind to see













PAY
MY DUES





"Pay My Dues" é o segundo cover presente em Strikes. Desta feita, o Blackfoot opta por uma roupagem totalmente Blues Rock. O baixo de Walker se destaca em conjunto com as guitarras. O ritmo é bem cadenciado e a melodia envolvente. O solo de guitarra é bem legal.





A letra é
simples e divertida:





I said
the choice is yours how you wanna pay


There's
no denyin' you owe


'Cause
just as sure as we all came


Baby,
we got to go





Trata-se
de outro cover, da canção “Pay My Dues”, originalmente gravada
pela banda Blues Image e lançada no álbum Open, de 1970.













BABY
BLUE





A pegada bluesy da faixa anterior se mantém em "Baby Blue", de maneira muito semelhante. O Blues Rock aqui desenvolvido apresenta uma ótima melodia e um riff principal de muito bom gosto. O refrão também foi construído de modo bem inteligente, cativando o ouvinte. Boa canção.





Outra
vez, a letra é em sentido de sedução:





There's
no lies between us


No
games we play


So why
wait till tomorrow, baby


When
we can live today


And
now I'm the light


The
light that's shinin' bright


In her
eyes, oh yes













WISHING
WELL





O clássico do Free, "Wishing Well", é o terceiro e último cover presente em Strikes. O peso da versão original foi mantido, com boas inserções de guitarras. Trata-se de uma versão agradável e competente, mas, mesmo com Rickey Medlocke sendo um competente vocalista, os vocais são o ponto fraco. Afinal, Paul Rodgers é um dos vocalistas preferidos do Blog.





A letra
possui uma mensagem positiva:





Throw
down your gun, you might shoot yourself


Or is
that what your tryin' to do


Put up
a fight you believe to be right


And
someday the sun will shine through


You've
always got somethin' to hide


Somethin'
you just can't tell


And
the only time that you're satisfied


Is
when your feet in the wishin' well





É mais
uma versão cover presente no álbum, desta feita para “Wishing
Well”, clássico da banda inglesa Free, presente em seu álbum
Heartbreaker, de 1973.













RUN
AND HIDE





Já em "Run And Hide", o ritmo é mais calmo e tranquilo, com uma melodia bastante simples e suave predominando na canção. Os vocais de Medlocke são bons e formam uma combinação muito legal com a parte instrumental. Também o solo de guitarra no meio da faixa se destaca. Momento mais bucólico, mas não menos interessante.





A letra é
uma relação de causa e consequência:





I
guess it's time that I should leave


I
guess I'll be on my way


'Cause
stayin' here is to much pain


And
there's nothin' that's left to say


So if
you ever need someone


To
show you sympathy


Just
remember the important thing


You've
got no place to













TRAIN,
TRAIN (PRELUDE)





Pequena faixa instrumental que serve de introdução para a próxima canção.













TRAIN,
TRAIN





A excelente "Train, Train" é a nona faixa do trabalho. Aqui temos um riff principal que exala inspiração por todos os poros. Há um peso extra na canção que é peça fundamental para o seu sucesso, com as guitarras em posição de destaque e que formam um casamento formidável com a gaita do avô de Rickey, Shorty Medlocke. Excepcional momento do disco.





A letra é
simples e refere-se a uma paixão:





Well
train, train
Take me on out of this town
Train, train,
lord
Take me on out of this town
Well that woman I'm in love
with
Lord, she's Memphis bound





“Train,
Train”, se não for o maior, é certamente um dos grandes sucessos
de toda a carreira do Blackfoot.





Lançada
como single para promover Strikes, atingiu a boa 38ª posição da
principal parada norte-americana desta natureza.










O curioso
é que a canção foi composta pelo avô do vocalista/guitarrista
Rickey Medlocke, Paul Medlock, mas conhecido e registrado no álbum
como Shorty Medlocke.





Vários
músicos fizeram versões para essa música, incluindo Dolly Parton,
em seu álbum The Grass Is Blue (de 1999), e o Warrant, no
álbum Cherry Pie (de 1990).





A música
também está presente no filme Straw Dogs, de 2011, dirigido por Rod
Lurie e estrelado por James Marsden.













HIGHWAY
SONG





A décima - e última - faixa de Strikes é "Highway Song". Uma suave, instigante e belíssima melodia toma conta dos momentos iniciais da música até desembocar em um ótimo solo de guitarra. O clima desenvolvido tanto pelo instrumental quanto pela brilhante interpretação de Rickey é triste e nostálgico, mas belíssimo. É a mais extensa canção do álbum, superando os 7 minutos. A partir dos 4 minutos e 20 segundos, o ritmo acelera e as guitarras passam a dominar "Highway Song", com uma profusão de solos e muito feeling. Encerramento magistral do disco.





A letra
fala da vida na estrada:





Well,
another day, another dollar, after I've sang and hollered,
Oh,
it's my way of living, and I can't change a thing.
Another town is
drawing near. Oh, baby, I wish you were here!
But the only way I
can see you, darlin', is in my dreams.
It's a highway song.. you
sing it on and on.. on and on..










“Highway
Song” é outro grande sucesso da carreira do Blackfoot, adorada
pelos fãs e presença certa nos shows do grupo.





Também
foi lançada como single para promover Strikes e acabou alcançando a
muito boa 26ª colocação da principal parada norte-americana desta
natureza.













Considerações
Finais





Baseado
no sucesso de “Train, Train” e de “Highway Song”, Strikes foi
o primeiro sucesso comercial do Blackfoot.





O álbum
acabou atingindo a boa 42ª posição na principal parada de discos
norte-americana, a Billboard.





Aproveitando
o sucesso, o grupo excursionou com frequência durante o ano de 1979;
incluindo um show como banda de abertura para os gigantes ingleses do
The Who, no Silverdome, em Pontiac, Michigan.





Ao mesmo
tempo, a banda envolvia-se com o desenvolvimento de seu próximo
álbum, Tomcattin, que foi lançado em 1980.





Com o
passar do tempo, Strikes foi ganhando, também, reconhecimento e
importância. Eduardo Rivadavia, do Allmusic, dá a Strikes 4,5
estrelas de um máximo de 5, atestando a qualidade do disco.





Além
disso, Rivadavia confirma que o Blackfoot é “conhecido como uma
unidade feroz ao vivo e, provavelmente, a mais pesada das bandas do
Southern Rock. Strikes também provou que o Blackfoot poderia
escrever grandes melodias para a sombria "Left Turn on a Red
Light" e a versão cover inspirada do Free de "Wishing
Well".





Strikes
ultrapassa a casa de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos Estados
Unidos.













Formação:


Rickey
Medlocke - Vocal, Guitarra


Charlie
Hargrett - Guitarra


Greg T.
Walker - Baixo, Teclados, Vocal


Jakson
Spires - Bateria, Percussão, Vocal


Músicos Adicionais


Pat
McCaffrey - Teclados


Baixinho
Medlocke - Gaita (faixa 8)


Cub Koda
- Gaita (faixa 9)


Donna D.
Davis - Backing Vocals


Pamela T.
Vincent - Backing Vocals


Cynthia
M. Douglas - Backing Vocals


Henry
"H-Bomb" Weck - Percussão





Faixas:


01. Road
Fever (Medlocke) - 3:07


02. I Got
a Line on You (California) - 3:17


03. Left
Turn on a Red Light (Medlocke/Spires) - 4:35


04. Pay
My Dues (Blues Image) - 3:03


05. Baby
Blue (Medlocke/Hargrett/Spires) - 2:33


06.
Wishing Well (Rodgers/Kossoff/Yamauchi/Bundrick/Kirke) - 3:11


07. Run
and Hide (Medlocke/Spires) - 3:24


08.
Train, Train (prelude) (S. Medlocke) - 0:36


09.
Train, Train (S. Medlocke) - 2:56


10.
Highway Song (Medlocke/Spires) - 6:59





Letras:


Para o
conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
http://letras.mus.br/blackfoot/





Opinião
do Blog:


Após um longo período, um representante do Southern Rock norte-americano volta ao Blog, através de uma banda não tão conhecida, mas com talento e canções que merecem reconhecimento: o Blackfoot.



Como o leitor do Blog pode observar na parte inicial do post, entre idas e vindas, foi em seu terceiro álbum que o grupo começou a deslanchar. Strikes é um álbum inspirado e forte o suficiente para poder fazer a banda engrenar e seguir como um projeto sustentável.



O fato de ser composta por músicos talentosos e já experientes, evidentemente, contribuiu para o sucesso de Strikes. O baixo de Greg T. Walker está sempre presente e as guitarras (e seus solos) cativam os ouvintes fãs de Rock. Medlocke consegue ser um intérprete eficiente para as canções, permitindo passar muita emoção com sua voz.



E nos momentos em que aparece, a gaita é primordial para enaltecer a qualidade das músicas.



As letras são eficientes, mas nada de excepcional. De toda forma, contribuem com o sucesso e a qualidade do trabalho.



Mas o que faz do Blackfoot e de Strikes diferenciados é a sonoridade proposta. Claro que em 1979 o Southern Rock não era nenhuma novidade, mas o grupo dá uma dose extra de peso com eficiência e qualidade indiscutíveis.



Não é apenas o peso pelo peso, e sim, o utilizando como modo de realçar belas melodias e trazer intensidade às canções. O Hard Rock do Blackfoot é feito de maneira a se fundir perfeitamente com sua veia sulista, como se observa na excelente "Road Fever".



O leitor assíduo do Blog sabe que o mesmo tem preferência por trabalhos autorais e a presença de 3 covers no disco pesam contra, mesmo quando suas execuções são boas, como é o caso em Strikes.



Mas as composições autorais elevam o trabalho a um patamar muito alto e o resultado final se torna de alta qualidade.



"Left Turn On A Red Light" é uma faixa enigmática e soturna e, ao mesmo tempo, brilhante. "Baby Blue" é um Blues Rock de categoria e "Run And Hide" possui uma suavidade cativante. Claro que "Train, Train" é uma faixa excelente e emblemática, sendo parte do DNA que traduz o que é o Blackfoot.



E ainda se tem a maravilhosa "Highway Song" que, mesmo trazendo certa semelhança estrutural com o clássico "Free Bird", do Lynyrd Skynyrd (banda com a qual Rickey Medlocke passou um bom tempo), possui identidade própria, com uma melodia melancólica e angustiante, a qual domina o ouvinte completamente.



Concluindo, o álbum Strikes é uma ótima amostra da riqueza do estilo Southern Rock e como sua incursão com o Hard Rock pode ser bem-sucedida. O Blackfoot possuía músicos talentosos e merecia um reconhecimento maior. Strikes, talvez, seja a melhor prova desta afirmação. Muito bem recomendado pelo Blog!

SLAUGHTER - STICK IT TO YA (1990)






Stick It
To Ya é o álbum de estreia da banda norte-americana chamada
Slaughter. Seu lançamento oficial ocorreu em 27 de janeiro de 1990,
através do selo Chrysalis Records. As gravações se deram nos
estúdios Red Zone Studios, Studio 55 e Pasha Music House, entre
maio e junho de 1989. A produção ficou a cargo de Dana Strum e Mark
Slaughter.





O
Slaughter é uma banda de Hard Rock norte-americana que teve seu
ápice de sucesso comercial no início dos anos 90. O Blog vai fazer
um breve histórico sobre o grupo antes de se focar no álbum
propriamente dito.










O
baixista Dana Strum, embora nascido em Washington, foi criado no sul
da Califórnia, em San Fernando Valley, onde começou sua carreira
como músico.





Dana
começou sua carreira como baixista na banda Badaxe, a qual foi
contemporânea de nomes como Mötley Crüe e Quiet Riot, por exemplo,
tendo inclusive tocado juntos.





Além
disso, antes de alcançar o sucesso mainstream com o Slaughter, Strum
serviu como um ótimo caçador de talentos para a cena Hard/Metal de
Los Angeles.





Ele é um
amigo de longa data do vocalista Ozzy Osbourne e foi quem apresentou
o guitarrista Randy Rhoads a Ozzy. Mais tarde, também foi creditado
com a colocação do também guitarrista Jake E. Lee na banda do
Madman.





Dana
Strum também é reconhecido por ter colocado tanto Vinnie Vincent
(antes de tocar com o guitarrista no Vinnie Vincent's Invasion) e
Mark St. John no KISS.





Aliás,
em meados dos anos oitenta, mais precisamente em 1984, Strum foi
recrutado pelo guitarrista Vinnie Vicent para formar sua nova banda,
após deixar seu posto no KISS: o Vinnie Vicent's Invasion.







Dana Strum


O
primeiro álbum, Vinnie Vicent Invasion, saiu em 1986 e obteve
moderado sucesso comercial. Mas pouco tempo depois, o vocalista
Robert Fleischman acabou deixando o grupo.





O segundo
álbum, All Systems Go, saiu em 1988, e já contava com um novo
vocalista na banda: Mark Slaughter. Seu primeiro trabalho no novo
conjunto foi a gravação do vídeo da canção “Boyz Are Gonna
Rock”, cujos vocais são cantados pelo vocalista anterior, Robert
Fleischman.





Desta
maneira, os caminhos de Slaughter e Strum se cruzaram pela primeira
vez.





Antes de
se juntar ao Vinnie Vicent's Invasion, Mark Slaughter havia sido o
frontman da banda Xcursion.





A canção
“Love Kills”, de All Systems Go, fez sucesso, sendo escolhida
para ingressar a trilha sonora do filme A Nightmare on Elm Street
4: The Dream Master
, dirigido por Renny Harlin, de 1988.





Mesmo
assim, mais tarde em 1988, o Vinnie Vicent's Invasion não teve seu
contrato renovado com a gravadora Chrysalis Records.





Acrescente-se
ao caldo a crescente irritação de Strum e Slaughter com o que
percebiam ser uma dominação do projeto por parte de Vincent e,
assim, ambos deixam o grupo para formarem uma nova banda.





Nascia
assim o Slaughter, o qual foi formado em Las Vegas, Nevada, Estados
Unidos, no final de 1988, a partir das cinzas do Vinnie Vicent's
Invasion, através do vocalista Mark Slaughter e do baixista Dana
Strum.





A
gravadora do Vinnie Vincent's Invasion, Chrysalis Records, retirou o
contrato (cerca de 4 milhões dólares) de Vinnie Vincent por ele
exceder (e muito) sua linha de crédito com o selo e o transferiu aos
ex-membros da banda, Slaughter e Strum.





Em
sequencia, já em 1989, Mark e Strum completaram a formação do
Slaughter recrutando o guitarrista Tim Kelly e o baterista Blas
Elias.







Mark Slaughter


Entre
maio e junho daquele ano, a banda entraria em estúdio e gravaria seu
primeiro álbum, Stick It To Ya.





A capa do
álbum, que conta com a modelo Laurie Carr, foi o último projeto de
Glen Wexler criado usando métodos tradicionais em câmara escura.
Laurie posou em seu estúdio, e um conjunto miniatura foi colocado em
perspectiva para configurar o fundo.





Vamos às
faixas!





EYE
TO EYE





"Eye To Eye" abre o álbum. Após a audição de uma vinheta, o ouvinte é apresentado a um riff poderoso, com peso e cadência na proporção exata que o Hard Rock solicita. O ritmo segue mais vagaroso, mas bastante pesado, contando com certa dose de malícia. Início promissor de trabalho.





A letra
fala sobre igualdade:





Believe
it or not
People stop and stare
They got this narrow mind
We're
all the same
That's what I think
How can they be so blind













BURNIN'
BRIDGES





A segunda faixa de Stick It To Ya já está mais voltada ao Hard americano mundialmente conhecido como Glam Metal. O ritmo também é mais cadenciado sendo composto por algum peso e uma melodia envolvente. Destaque para o trabalho de Dana Strum no baixo.





A letra
tem conotação de rompimento amoroso:





Burnin'
bridges fallin' down
Got a nasty reputation
From town to
town
Burnin' bridges fallin' down
Burnin' bridges fallin' down
on you
Mirror morror on the way













UP
ALL NIGHT





Muito peso, em um clima mais soturno, marca o início de "Up All Night". O andamento da música não é tão rápido, dando ênfase a um clima mais denso e sombrio. O trabalho das guitarras é muito bom, com o solo sendo uma parte envolvente da canção. Também há que se realçar os bons vocais de Mark Slaughter que combinam perfeitamente com o instrumental.





A letra
fala da rotina de uma vida noturna:





Awake
from dusk to dawn
Watching the city lights
Stars are shining
down
They'll be shining down
On you and I
And when the
morning comes
And I'll hold you
'Til the morning light





“Up All
Night” é um dos maiores sucessos da carreira do Slaughter.










Foi o
primeiro single lançado para promover Stick It To Ya, atingindo a
ótima 27ª posição da parada norte-americana desta natureza.













SPEND
MY LIFE





Em "Spend My Life", o Slaughter abandona, em parte, o peso utilizado nas faixas antecessoras, enfatizando o belo trabalho das linhas de guitarra. Desta forma, a cativante melodia acaba se sobressaindo no que é acompanhada por uma eficiente atuação do vocalista Mark. Há um bom solo na metade da música.





A letra é
uma declaração de amor:





I've been
livin' in
This lovely world
Wishin' I could find
Someone to
love
Hopin' someone would
Come from above
Change my
life
Then I noticed you there
You were my angel





Outro
grande sucesso do Slaughter, “Spend My Life” foi o terceiro
single lançado para promoção do álbum. Atingiu a ótima 39ª
colocação na parada norte-americana de singles.













THINKING
OF JUNE





"Thinking Of June" é uma pequena canção instrumental acústica.













SHE
WANTS MORE





Outro Hard Rock bastante malicioso e repleto de ritmo é a sexta música do disco, "She Wants More". É perceptível certa influência de bandas como Van Halen e Mötley Crüe mais evidentes nesta faixa. O riff principal é muito interessante, bem como o solo de guitarra. Mais um momento bastante interessante do álbum.





A letra
mostra uma mulher interesseira:





She's
goin' shoppin' on you


It's
Mastercard or Visa


Or
American Express


She
knows all of your limits


And
which stores are the best


In
Beverly Hills, oh yes


She's
drivin' in your sportcar


Bought
her tickets to Paris, France













FLY
TO THE ANGELS





Uma suave e leve melodia embala os momentos iniciais de "Fly To The Angels". Esta é a maior canção de Stick It To Ya, superando a casa dos 5 minutos. Trata-se de uma típica balada característica da vertente Glam Metal, mas que conta com identidade própria e muito bom gosto. Destaque para os vocais e interpretação de Mark Slaughter, fator decisivo para o sucesso da música. Ponto bem alto do trabalho. 





A letra
remete a um rompimento amoroso:





But now
you've got to fly
Fly to the angels
Heaven awaits your
heart
And flowers bloom in your name
You've got to fly
Fly
to the angels
All the stars in the night
Shine in your name





“Fly To
The Angels” é mais um grande sucesso do Slaughter, responsável
direta pela repercussão de Stick It To Ya.










Foi o
segundo single retirado do álbum, alcançando o ótimo 19º lugar na
principal parada dos Estados Unidos, a Billboard.













MAD
ABOUT YOU





Bastante peso, embora em um ritmo mais lento, é a marca principal de "Mad About You". Há um explícito flerte com o Heavy Metal (especialmente com o som que o Judas Priest fez no início dos anos 80) o qual é muito bem-vindo, diferenciando a canção do restante do disco até então. Ótimo momento do álbum.





A letra
fala de um relacionamento conturbado:





That I'm
mad about you
I go crazy with
All of the things that you do
I'm
mad about you
I'm so angry inside
And it's all over you
I'm
mad about you





Foi o
quarto e último single proveniente do álbum, lançado já em 1991.
Não obteve maior repercussão em termo de paradas de sucesso.













THAT'S
NOT ENOUGH





Nesta música, o grupo volta a aplicar o Hard Rock cheio de melodia e malícia, com boa influência do estilo supracitado na década de setenta. Os vocais de Mark Slaughter são bem empregados e contribuem com o sucesso do que se ouve. Boa canção, com um dos melhores solos de guitarra de todo o álbum.





A letra
fala de viver no limite:





People
try to push me


Around
and around


They
tell me what's goin' up


I tell
them what's goin' down


Why
don't they leave me alone


I'm
just high on life


Just
livin' on the edge


That's
what I like


Ya
don't fool me or rule me


I know
better













YOU
ARE THE ONE





"You Are The One" é uma faixa que aposta mais na beleza da melodia que propriamente no peso. Há bastante ênfase nos teclados, os quais tomam boa parte do protagonismo da música. Os vocais são corretos. É um rock básico, eficiente, mas que falta pegada.





Novamente,
a letra é uma declaração de amor:





Just look
into my eyes
You are the one
The one I need
To make my
dreams come true
Oh you should know
I love you so













GAVE
ME YOUR HEART





Na décima-primeira faixa do álbum, o grupo continua apostando em um ritmo mais cadenciado e não tão veloz, mas sem a presença marcante do peso. A melodia é bonita, embora não seja muito cativante. Mesmo assim, trata-se de uma música competente.





Mais uma
vez, a conotação das letras é romântica:





Faster-n-faster
My
heart's beating faster
I'm so glad you're here with
me
Faster-n-faster
I know this can last girl
Since you gave
your heart to me













DESPERATELY





Já em "Desperately", a pegada Glam Metal está de volta de maneira bem acentuada, com o peso novamente ocupando posição de destaque no instrumental. Os vocais de Mark Slaughter continuam contribuindo de maneira competente para o valor final da música. Também há eficiência nas guitarras, incluindo um bom solo. Ponto alto do trabalho.





A letra
se remete a um pedido romântico:





Ya know
it's things like this
I've been misunderstood, oh
And by the
strange looks, babe
Ya don't believe in me like you should













LOADED
GUN





A décima-terceira - e última - faixa de Stick It To Ya é "Loaded Gun". Nesta canção, a banda aposta em um Hard Rock com boa dose de rapidez, fato inédito no álbum até o momento. O peso está presente na medida exata, em uma construção que lembra o Aerosmith em seus melhores momentos. Ótima música, a qual fecha o disco de modo gratificante.





A letra
fala de uma mulher perigosa:





Cold as
fire with
Shotgun in her eyes
She's got notches in her
belt
From the other guys
When she gets ya on her sights
It's
like dynamite
She can blow an army apart
She'll shoot a bullet
into your heart













Considerações
Finais





Os 3
principais sucessos do álbum (“Up All Night”, “Fly To The
Angels” e “Spend My Life”) foram as principais responsáveis
pelo grande sucesso comercial de Stick It To Ya.





Além de
alcançarem boas posições na principal parada de singles
norte-americana, a Billboard, tiveram intensa veiculação nas rádios
e os videoclipes foram reiteradamente reproduzidos nas redes
televisivas dos Estados Unidos.





Mesmo o
single de menor repercussão, “Mad About You”, também foi muito
divulgado.





O álbum
acabou atingindo a ótima 18ª posição na parada desta natureza dos
Estados Unidos, mas não repercutiu na sua correspondente britânica.





Alex
Henderson, do Allmusic, dá ao álbum 4 de 5 possíveis estrelas,
classificando-o como não original, mas, ao mesmo tempo, possuindo
canções cativantes como "Up All Night," "She Wants
More" e "Burnin' Bridges".





Nesta
mesma época, o Slaughter foi convidado a gravar uma canção para a
trilha sonora do filme Bill & Ted's Bogus Journey (de Pete
Hewitt, 1991) chamada “Shout It Out” que teve bastante divulgação
(assim como o vídeo).





O
Slaughter ainda venceria o prêmio de banda novata de Hard Rock/Heavy
Metal do ano de 1991, na premiação chamada American Music Awards.





Stick It
To Ya supera a casa de 2 milhões de cópias vendidas apenas nos
Estados Unidos.










Formação:


Mark
Slaughter - Vocal, Guitarra e Teclados


Tim Kelly
- Guitarra, Backing Vocal


Dana
Strum - Baixo, Backing Vocal


Blas
Elias - Bateria, Percussão, Backing Vocal


Músicos
Adicionais


Todd
Cooper - Horns


Gerri
Miller - “Camera Noises”





Faixas:


01. Eye
to Eye (Slaughter/Strum) - 3:57


02.
Burnin' Bridges (Slaughter/Strum) - 4:07


03. Up
All Night (Slaughter/Strum) - 4:16


04. Spend
My Life (Slaughter/Strum) - 3:21


05.
Thinking of June (Slaughter/Strum) - 1:05


06. She
Wants More (Slaughter/Strum) - 3:55


07. Fly
to the Angels (Slaughter/Strum) - 5:05


08. Mad
About You (Slaughter/Strum) - 4:05


09.
That's Not Enough (Slaughter/Strum) - 3:25


10. You
Are the One (Slaughter/Strum) - 3:55


11. Gave
Me Your Heart (Slaughter/Strum) - 3:51


12.
Desperately (Slaughter/Strum) - 3:34


13.
Loaded Gun (Slaughter/Strum) - 4:18





Letras:


Para o
conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
http://letras.mus.br/slaughter/




Opinião
do Blog:



O Slaughter lançou seu álbum de estreia apostando bastante em uma das sonoridades dominantes durante a década de 80, o Hard Rock norte-americano conhecido como Glam Metal.





Entretanto, o lançamento oficial de Stick It To Ya aconteceu já em 1990, exatamente quando o estilo já dava seus primeiros sinais de saturação e apontava para uma queda de prestígio e popularidade. Mesmo assim, o disco foi um enorme sucesso comercial e de crítica, propiciando à banda até mesmo prêmios como o American Music Awards.





O êxito só foi possível pelo fato do Slaughter ser uma banda composta por músicos eficientes e competentes. Não há nenhum grande sobressalto de qualidade e, neste caso, a homogeneidade dos integrantes da banda contribui decisivamente para o bom resultado final do trabalho.





As letras são bastante simples, na média geral do estilo.





Se há um fato negativo no disco é o fato dele ser longo, algo bastante comum nos lançamentos a partir dos anos 90, quando o formato CD passou a ser mais utilizado. Isto permitiu um total de 13 músicas, dando espaço para faixas menos relevantes como "You Are The One" e "Gave Me Your Heart", as quais muito pouco acrescentam à obra.





Entretanto, Stick It To Ya possui singles muito fortes e competentes, composições de destaque dentro da vertente Glam Metal. "Fly To The Angels" é uma linda balada, "Up All Night" é um Hard Rock vigoroso, "Spend My Life" cativa o ouvinte e "Mad About You" é excelente com seu peso absurdo.





Mas nem só de singles vive o álbum: "Desperately", "Loaded Gun" e "She Wants More" são canções essenciais para a qualidade do disco.





Enfim, o Slaughter pode não ter sido inovador, mas foi extremamente competente no que se propôs a fazer. Sua sonoridade é cativante e o grupo deixou um trabalho de muito boa qualidade em Stick It To Ya, o qual está repleto de ótimas canções. Álbum obrigatório especialmente para os amantes do Glam Metal. Recomendado pelo Blog!