Escape
é o sétimo álbum de estúdio da banda norte-americana Journey. O
lançamento oficial aconteceu em 17 de julho de 1981 através do selo
Columbia. As gravações ocorreram entre abril e junho daquele mesmo
ano, no Fantasy Studios, em Berkeley, nos Estados Unidos. A produção
ficou a cargo de Mike Stone e Kevin Elson.
Mais
de 8 anos depois, o Journey retorna ao Rock: Álbuns
Clássicos com seu maior sucesso comercial. Vai-se ater
aos fatos que antecederam ao lançamento do disco para depois se ir
ao nosso faixa a faixa.
Antecedentes e Departure
Após
a turnê em apoio a Evolution (1979), a banda expandiu seu
planejamento, incluindo uma operação de iluminação e caminhões
para suas apresentações futuras, já que a turnê arrecadou mais de
5 milhões de dólares, tornando a banda tão popular quanto jamais
havia sido em cinco anos.
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Steve Perry |
Depois,
a banda entrou no Automatt Studios para gravar seu sexto álbum de
estúdio, Departure, que foi lançado em março de 1980,
chegando ao 8º lugar na Billboard. O primeiro single do álbum, "Any
Way You Want It", alcançou a 23ª posição na Billboard Hot
100, a principal parada de singles norte-americana, em 1980.
Nesta
época, o Journey era formado pelo vocalista Steve Perry, pelo
guitarrista Neal Schon, pelo tecladista Gregg Rolie, pelo baixista
Ross Valory e pelo baterista Steve Smith.
Jonathan
Cain
O
tecladista Gregg Rolie deixou a banda após a turnê de Departure,
para começar uma família e realizar vários projetos solo. Foi a
segunda vez, em sua carreira, que ele deixou um grupo de sucesso.
O
tecladista Stevie "Keys" Roseman foi contratado para gravar
a única faixa de estúdio, "The Party's Over (Hopelessly in
Love)", no álbum ao vivo da banda, Captured.
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Jonathan Cain |
Rolie
sugeriu o tecladista Jonathan Cain, do The Babys, como seu
substituto permanente. Com os sintetizadores de Cain substituindo o
órgão de Rolie, Cain se tornou o novo membro da banda.
Escape
Com
Cain se juntando como o novo tecladista, a banda entrou no Fantasy
Studios em Berkeley, Califórnia, no final de 1980, lançando seu
sétimo álbum de estúdio, Escape, em julho de 1981.
Na
capa do disco, o título foi estilizado como E5C4P3. A capa é obra
do artista Stanley Mouse. O álbum foi coproduzido pelo ex-técnico
de som do Lynyrd Skynyrd, Kevin Elson, e o ex-engenheiro do
Queen, Mike Stone, que também projetou o álbum.
Vamos
às faixas:
DON’T
STOP BELIEVIN’
“Don't
Stop Believin'” abre o disco com um dos maiores clássicos dos anos
80 na música.
A
letra, obviamente, fala de persistência:
Strangers
waiting
Up and down the boulevard
Their shadows searching
in the night
Streetlights, people
Living just to find
emotion
Hiding somewhere in the night
Canção
símbolo do Journey, "Don't Stop Believin'" alcançou a 9ª
posição da principal parada de singles norte-americana, a Billboard
100.
Jonathan
Cain foi quem surgiu com o título da música e o refrão, pois eram
palavras que seu próprio pai lhe dizia quando ele pensava em
desistir da música. O guitarrista Neil Schon criou a distintiva
linha de baixo e Perry sugeriu que Cain compusesse uma peça de
sintetizador que complementasse esta linha de baixo. O baterista
Steve Smith acrescentou em cima disso com uma batida de rock padrão.
A
canção tem amplo uso na indústria do entretenimento. Está
diretamente associada aos times esportivos do Detroit Red Wings e o
San Francisco Giants. Além disso, era a peça de encerramento do
espetáculo Rock Ages, bem como é trilha sonora de incontáveis
peças publicitárias.
STONE
IN LOVE
“Stone
in Love” possui as guitarras de Schon bem afiadas.
A
letra menciona um amor jovem:
Those
summer nights are callin'
stone in love
Can't help myself
I'm fallin'
stone in love
WHO’S
CRYING NOW
Steve
Perry tem ótima atuação individual na bela “Who’s Crying Now”.
A
letra menciona dificuldades em um relacionamento:
One
love, feeds the fire
One heart, burns desire
One love,
who's crying now?
Two hearts, born to run
Who'll be the
lonely one?
I wonder, who's crying now?
So many stormy
nights
So many wrong or rights
“Who’s
Crying Now” foi o primeiro singles para promoção de Escape,
atingindo a 4ª colocação da Billboard Hot 100.
O
vocalista Steve Perry afirmou que ele teve a ideia para o refrão da
música enquanto estava dirigindo em Los Angeles. Ele gravou a ideia
em seu gravador portátil e levou para o tecladista Jonathan Cain.
Cain teria desenvolvida a música de acordo com o que Perry lhe
orientava e o próprio Cain escreveu a maior parte das letras.
KEEP
ON RUNNIN’
"Keep
On Runnin'" é mais direta e roqueira, com bom trabalho de
bateria e refrão animado.
A
letra fala sobre a agitação do dia a dia:
They
get me by the hour
By my blue collar
You're squeezin' me
too tight
It's Friday night
Let's run tonight
Till the
morning light
STILL
THEY RIDE
“Still
They Ride” é uma linda balada, com Perry atuando de maneira
incrível.
O
tema da letra é a mudança:
Traffic
lights, keepin' time
Leading the wild and restless
through
the night
ESCAPE
“Escape”
possui os teclados dominantes, em uma composição com a cara dos
anos 80.
A
letra fala sobre liberdade:
Now
he's leavin', gettin' out from this masquerade
Oh gotta go
I'm
finally out in the clear and I'm free
I've got dreams I'm livin'
for
I'm movin' on where they'll never find me
Rollin' on to
anywhere
I'll break away, yes I'm on my way
Leavin' today,
yes I'm on my way
LAY
IT DOWN
“Lay
It Down” é mais agressiva e dominada pela guitarra de Schon.
A
letra fala sobre diversão:
By
the midnight hour
We were on our way
She was takin' it
higher
Higher, higher, higher, then I heard say
DEAD
OR ALIVE
O
ritmo intenso de “Dead or Alive” é contagiante, em uma das
canções mais divertidas do disco.
A
letra menciona um tipo de espião:
He
drove a Maserati, lived up in the hills
A cat with nine lives
that's gone
Too far to feel the chill
He never though it'd
happen
It was his last mistake
'Cause he was gunned down by
a
heartless woman's 38
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Neal Schon |
MOTHER,
FATHER
“Mother,
Father” é mais contida e introspectiva, mas conta com bons vocais
de Perry.
A
letra fala sobre relações entre pais e filhos:
Through
bitter tears
And wounded years, those ties
of blood were
strong
So much to say, those yesterdays
So now don't you
turn away
OPEN
ARMS
Outra
bela balada, “Open Arms”, fecha o disco em grande estilo.
A
letra fala sobre uma relação ser refeita:
So
now I come to you
With open arms
Nothing to hide
Believe
what I say
So here I am
With open arms
Hoping you'll
see
What your love means to me
Open arms
“Open
Arms” foi lançada como single, atingindo a 2ª posição da
Billboard Hot 100.
Considerações
Finais
Com
3 singles muito expressivos, Escape atingiu a inacreditável
1ª posição da principal parada de discos norte-americana, a
Billboard 200. Também ficou com o 32º lugar em sua correspondente
britânica.
“Still
They Ride” e “Stone in Love” também foram lançadas como
singles em 1982, mas tiveram repercussão menos espetacular que os
anteriores.
Mike
DeGagne, do AllMusic, deu a Escape uma nota 4,5 (em 5), apontando:
"As músicas são atemporais e, como um todo, elas têm uma
maneira de reacender a inocência do romance juvenil e a rebeldia de
crescer, construído a partir de composições sinceras e
musicalidade robusta".
Já
a revista Rolling Stone, na época, detestou o trabalho com Deborah
Frost chamando o Journey como “posers de heavy metal e a
música do álbum como facilmente tocável por qualquer músico de
estúdio”.
Em
1988, a revista Kerrang! (através dos leitores) votou em Escape como
o melhor álbum AOR de todos os tempos ― e a Classic Rock expressou
a mesma opinião em 2008. Em 1989, a mesma Kerrang! classificou
Escape na 32ª posição em "The 100 Greatest Heavy Metal
Albums of All Time".
Em
2001, a Classic Rock classificou o álbum na 22ª colocação em "The
100 Greatest Rock Albums of All Time". Em 2006, a mesma
publicação incluiu-o em seus "200 Greatest Albums of the 80s",
como um dos vinte maiores álbuns de 1981.
A
banda começou outra longa e bem-sucedida turnê em 12 de junho de
1981, apoiada pelos atos de abertura como Billy Squier, Greg Kihn
Band, Point Blank e Loverboy. O Journey abriu para os Rolling
Stones em 25 de setembro daquele ano. O show em Houston, em 6 de
novembro de 1981, na frente de mais de 20 mil fãs, seria
posteriormente lançado em DVD.
Após
o sucesso da turnê de 1981, e o estabelecimento completo da banda
como uma corporação, incluindo a formação de um fã-clube chamado
"Journey Force", o grupo lançou "Only Solutions"
e "1990s Theme" para o filme da Disney de 1982, Tron.
O Journey continuou em turnê em 1982 com shows na América do
Norte e Japão.
Com
milhões de discos vendidos, singles de sucesso e ingressos
esgotados, a banda entrou novamente no Fantasy Studios no meio de sua
turnê de 1982 para gravar seu oitavo álbum de estúdio, Frontiers.
Escape
ultrapassa a casa de 10 milhões de cópias vendidas apenas nos
Estados Unidos.
Formação:
Steve
Perry – Vocal
Neal
Schon – Guitarra-Solo, Backing vocals
Jonathan
Cain – Teclados, Guitarra-Base, Backing vocals
Ross
Valory – Baixo, Backing vocals
Steve
Smith – Bateria, Percussão
Faixas:
01.
Don't Stop Believin' (Perry/Cain/Schon) - 4:11
02.
Stone in Love (Perry/Cain/Schon) - 4:26
03.
Who's Crying Now (Perry/Cain) - 5:01
04.
Keep On Runnin' (Perry/Cain/Schon) - 3:40
05.
Still They Ride (Perry/Cain/Schon) - 3:50
06.
Escape (Perry/Cain/Schon) - 5:17
07.
Lay It Down (Perry/Cain/Schon) - 4:13
08.
Dead or Alive (Perry/Cain/Schon) - 3:21
09.
Mother, Father (Perry/Cain/M. Schon/N. Schon) - 5:29
10.
Open Arms (Perry/Cain) – 3:23
Letras:
Para
o conteúdo completo das letras, recomenda-se o acesso a:
https://www.letras.mus.br/journey/
Opinião
do Blog:
O
Journey retorna ao RAC com seu maior
sucesso comercial, Escape.
Lançado
na alvorada dos anos 1980, Escape se tornou o modelo a ser
seguido para os grupos que quisessem se aventurar pelo estilo
conhecido como AOR.
A
chegada do tecladista Jonathan Cain se revelou o fator decisivo para
que o Journey conquistasse o sucesso definitivo. Cain se
mostrou a escolha perfeita, pois sua musicalidade se casou
perfeitamente com a sonoridade que o Journey vinha construindo
a partir de seu 4º álbum, Infinity.
Aliás,
a soma dos teclados de Cain, a guitarra de Schon e os vocais de Perry
deram ao AOR do Journey uma assinatura única e que foi
exaustivamente emulada, mas jamais igualada, justamente por conta da
categoria de seus músicos.
Mas,
para o site, Escape jamais foi repetido até mesmo pelo
próprio Journey. Uma coleção de composições com
personalidade, estilo e execução especiais. Claro, “Don't Stop
Believin'” é seu maior expoente, mas escolhem-se “Stone in Love”
e “Still They Ride” como as preferidas.
Enfim,
se você que está lendo este texto consegue se livrar do preconceito
habitual com “Rock comercial” (como se algum outro não fosse),
Escape é um dos melhores discos, dentro desta sonoridade, que
você ouvirá na vida.
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